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Reprodução Assexuada


Introdução:TUDO sobre o nosso MUNDO Ciências


Nesta actividade experimental pretendemos observar através do M.O.C (microscópio óptico composto) dois processos de reprodução assexuada, a esporulação no bolor do pão (Rhizopus sp.) e a gemulação nas leveduras (Saccharomyces Cerevisiae), de forma a compará-los e a compreendê-los.

A reprodução é uma característica fundamental dos seres vivos. Permitindo a formação de novos indivíduos, assegura a perpetuação das espécies e, consequentemente, a continuidade da vida no nosso planeta.

É através da reprodução que o material genético é transmitido de geração em geração, umas vezes mantendo as características, outras produzindo algumas alterações.

Para ultrapassar as incertezas do meio e assegurar a produção de novas gerações, a Natureza adoptou estratégias de reprodução, que globalmente se podem agrupar em dois processos básicos: reprodução assexuada e reprodução sexuada.


I – Reprodução Assexuada

A reprodução assexuada permite a formação de novos indivíduos a partir de um só progenitor, sem que haja a intervenção de células sexuais. Neste tipo de reprodução, os descendentes desenvolvem-se a partir de uma célula ou de um conjunto de células do progenitor, pelo que todos os indivíduos são geneticamente iguais. Assim, a partir de um só indivíduo podem formar-se numerosos indivíduos geneticamente idênticos, tendo a designação de clone. A produção destes indivíduos designa-se por clonagem. Todos os membros de um clone são geneticamente iguais e provêm de um só progenitor. Só excepcionalmente podem surgir diferenças, quando por acaso ocorre uma alteração genética (mutação). Pelo facto dos seres resultantes serem geneticamente idênticos, este tipo de reprodução não contribui para a variabilidade genética das populações, porém assegura o seu rápido crescimento e a colonização de ambientes favoráveis.

A mitose é o processo de divisão celular que está por trás da reprodução assexuada. Este processo celular permite a formação de duas células-filhas, com a informação genética exactamente igual à da célula-mãe.

Existem vários processos de reprodução assexuada (figura 1). Os mais comuns são: bipartição, divisão múltipla, fragmentação, gemulação, partenogénese, multiplicação vegetativa e esporulação.

Fig. 1 – Reprodução assexuada

                                                         I – Gemulação


Procedimento Experimental

Material UTILIZADO

- 3 g de fermento de padeiro (leveduras)

- Microscópio óptico

- 5 g de farinha

- Lâminas e lamelas

- 100 cm³ de água

- Balança

- Balão de Erlenmeyer

- Vidro de relógio

- Conta-gotas

- Espátula

- Estufa

Procedimento


1º Passo: Misturou-se o fermento, a farinha e a água no balão de Erlenmeyer, agitando bem;

2º Passo: Colocou-se o balão de Erlenmeyer na estufa a 30ºC, durante uma hora e quinze minutos (aproximadamente);

3º Passo: Ao fim deste tempo, agitou-se novamente para voltar a suspender as leveduras e retirou-se um pouco da mistura, com o auxílio do conta-gotas;

4º Passo: Colocou-se uma gota sobre uma lâmina. Cobriu-se a preparação com a lamela e observou-se ao microscópio;

5º Passo: Fez-se um esquema legendado da observação.

Resultados obtidos

Ao colocar a amostra no microscópio foi possível observar a formação de expansões na superfície da célula que, ao separarem-se, dão origem a novos indivíduos de menor tamanho que o progenitor. Este tipo de reprodução assexuada, também designada por gemiparidade (figura 2) ocorre em seres unicelulares como as leveduras.

Fig. 2– Observação microscópica de leveduras a reproduzirem-se por gemulação. (ampliação 100x)

II – Esporulação

Procedimento Experimental

Material UTILIZADO

- Pão

- Microscópio óptico

- Placa de Petri

- Lâminas e lamelas

- Esguicho com água

- Lupa de mão

- Agulha de dissecção

- Pinça

Procedimento

1º Passo: Colocou-se um pouco de pão numa placa de Petri e humedeceu-se deixando-o em contacto com o ar durante alguns dias;
2º Passo: Tapou-se a placa de Petri e colocou-se num local quente e escuro para que o bolor se pudesse desenvolver e observar macroscopicamente;
3º Passo: Observou-se o bolor com o auxílio de uma lupa de mão;
4º Passo: Colocou-se uma gota de água numa lâmina, sobre a qual se colocou uma porção de bolor, com o auxílio de uma pinça. Cobriu-se a preparação com uma lamela sendo posteriormente observada ao microscópio;
5º Passo: Registou-se as observações.

Resultados obtidos

A observação da amostra com a lupa (ampliação 4x) permitiu-nos visualizar o bolor presente no pão. Ao visualizá-lo no microscópio conseguimos distinguir os esporos, os esporângios e as hifas (figura 4).

Fig. 3– Representação esquemática do fenómeno da esporulação.

Fig.4 – Observação microscópica de esporângios do bolor do pão. (ampliação 100x)

Conclusão/Crítica

Esta actividade laboratorial de observação do bolor do pão e da gemulação de leveduras dá continuidade ao estudo da reprodução assexuada. Sendo esta uma reprodução sem gâmetas e sem fecundação, existindo apenas um único progenitor.

Concluímos que os fungos e as leveduras podem-se reproduzir assexuadamente por esporulação e por gemulação, respectivamente. Na observação de gemulação, a farinha serviu de alimento às leveduras para posteriormente se poderem reproduzir.

A gemulação ocorre em seres unicelulares (como as leveduras) e em seres pluricelulares. Este processo de reprodução assexuada ocorre quando, na superfície da célula ou do indivíduo, se forma uma dilatação denominada por gomo ou gema, que dá origem a um novo organismo, geralmente de menor tamanho, após um processo de crescimento e separação. Depois de uma análise atenta dos resultados obtidos podemos verificar que fazem parte destas células os seguintes constituintes: o citoplasma, a membrana plasmática e os gomos ou gemas.

A esporulação consiste na formação de células especiais denominadas esporos, que originam novos seres vivos. Os esporos são formados em estruturas especiais, os esporângios, e possuem uma camada protectora muito espessa, pelo que são muito resistentes, mesmo em ambientes desfavoráveis.Relativamente aos dois processos reprodutivos existem diferenças a nível morfológico: o bolor do pão apresenta um aspecto filamentoso, já as leveduras apresentam uma forma oval.

Podemos então concluir que as leveduras e o bolor do pão têm estruturas morfológicas diferentes, assim como formas distintas de se reproduzirem.