Arquivo por Autor | Jefferson Wellington Rodrigues Conceição

As coisas mais perigosas que você pode fazer na internet


O TUDO sobre o nosso MUNDO Recomenda.

Confira quais são os erros mais comuns dos usuários de internet e saiba como proteger o seu computador.

 

 

A internet conecta milhões de pessoas, isso não é novidade. E desses milhões, há muitos que estão apenas procurando por computadores vulneráveis a ataques. O pior é que grande parte desses ataques não são feitos de maneira direta pelos crackers, mas são realizados porque usuários acessam links maliciosos e abrem as portas para invasões.

Não apenas isso, também há diversos outros hábitos, muito comuns, que fazem com que os computadores fiquem abertos a ataques. Confira alguns dos erros mais frequentes que a maioria dos usuários cometem e também saiba como evitar os riscos que atrapalhem a sua estadia na internet.

“Manter-me conectado”

Serviços de email e redes sociais possuem a opção “Manter-me conectado” para que os usuários não precisem digitar seus logins e senhas a cada vez que desejarem acessar suas contas. Isso pode ser muito útil para qualquer pessoa que não divida o computador, mas quando isso é feito em computadores públicos, o perigo é grande.

Desmarque esta opção para garantir sua segurança

Computadores de lan houses e universidades são utilizados por muitas pessoas em períodos curtos. A qualquer momento pode surgir um usuário que, ao perceber que algum serviço já está logado, altera dados e insere informações caluniosas sobre a vítima, que só vai perceber os danos muito mais tarde.

Métodos de proteção

O modo mais básico para se proteger deste tipo de invasores é evitando marcar as caixas de seleção com dizeres similares a “Manter-me conectado” ou “Keep me loged in” (para sites em inglês). Mas também é importante que, ao final das sessões de utilização, cada usuário clique sobre os botões de saída do sistema.

Há vários meios de proteção

Outra opção bastante recomendada é apagar o histórico e os cookies do navegador. Para isso, confira neste artigo as dicas que o Baixaki preparou. Por fim, ainda há a possibilidade de utilizar as janelas privadas dos navegadores. Dessa maneira, não são salvos endereços, cookies, histórico ou sessões iniciadas por qualquer usuário. Também é de suma importância que, em hipótese alguma, as senhas digitadas no computador sejam salvas.

Não atualizar aplicativos

Programas vitais para o funcionamento do computador não podem ser deixados de lado na hora de realizar as atualizações. Sistema operacional e aplicativos com comunicação a servidores online (Adobe Flash, Adobe Reader e Java, por exemplo) podem ser verdadeiras portas de entrada para pragas virtuais.

Não atualizar é perigoso!

Atualizações, por menores que sejam, são muito importantes para corrigir possíveis falhas estruturais que deixam os aplicativos vulneráveis e não efetuá-las, consequentemente, pode prejudicar os computadores.

Métodos de proteção

É muito simples livrar-se deste tipo de ameaça: permitindo que os programas sejam atualizados sempre que surgirem pacotes de correções. Desse modo, dificilmente alguma brecha será aberta para que usuários mal-intencionados roubem suas informações ou danifiquem o seu sistema operacional.

Mais atualização = mais segurança

Interessante também configurar todos os programas para que as atualizações sejam buscadas automaticamente. Assim não há riscos de os usuários se esquecerem de buscar por atualizações, mantendo sempre o sistema com o máximo de segurança possível.

Procurar “escapulidas” de famosos

É difícil encontrar um usuário que nunca tenha se deparado com informações sobre traições de seus artistas favoritos, ou supostas gravações de vídeos adultos que fizeram com seus namorados, que prometeram “nunca mostrar para ninguém” e assim por diante. Muitos usuários mal-intencionados se aproveitam dessa curiosidade para espalhar vírus e outras pragas para o mundo.

Procurar por material assim é bastante comum

Infectando uma enorme quantidade de computadores, é muito provável que senhas de cartões de crédito, listas de emails e outros dados que podem ser utilizados para causar danos sejam roubados.

Métodos de proteção

Não há uma dica mais certa do que: “Tome cuidado!”. 99% dos links que prometem vídeos comprometedores de artistas são apenas iscas para infectar computadores de usuários desavisados. Não clique nos links que mandam por email, muito menos em resultados de sites desconhecidos que são mostrados no Google.

Melhor evitar problemas

Se sua curiosidade for maior que a necessidade de manter o computador livre de problemas, a possibilidade mais indicada (e ainda assim, pouco recomendada) é a utilização de agregadores confiáveis para buscar os conteúdos.

Baixar filmes e softwares ilegais

Muitos veem na pirataria, uma saída para gastos com programas de computador, jogos e filmes. O problema é que (além de desrespeitar as leis de direitos autorais) muitas destas fontes oferecem os mesmos riscos que o caso anterior.

Sites maliciosos são criados para atrair usuários em busca de licenças e softwares piratas e “fazem a festa” com as portas que são abertas. Ao “clicar para baixar”, os usuários também estão “clicando para infectar”, “clicando para permitir o acesso de crackers”, ou seja, deixando o computador vulnerável.

Pirataria é crime e pode danificar o computador

Métodos de proteção

Não baixe pirataria, essa é a grande dica para qualquer usuário. Além de correr muitos riscos de infecção no seu computador, ao baixar e instalar programas ilegais, você também estará deixando de incentivar a criação de novos softwares e infringindo leis de direitos autorais.

Procura por conteúdo adulto

Desde que a internet chegou aos computadores pessoais, sites de conteúdo adulto começaram a surgir e a se multiplicar de maneira exponencial. Logo chegaram os crackers e se aproveitaram desta enorme demanda por conteúdo adulto para criarem o império dos links maliciosos e das propagandas ilegais.

Não são raros os popups com técnicas e produtos para melhorar o desempenho sexual, propostas para cadastros em redes sociais apenas para maiores de idade e muitas outras opções que completam uma enorme gama de possibilidades.

Isso acontece porque esta busca é inerente ao ser humano. Desde que há (e enquanto houver) internet, vai existir procura por materiais do gênero. Um prato cheio para desenvolvedores maliciosos, que conseguem infectar um número enorme de computadores em pouquíssimo tempo.

Cuidado com as tentações

Métodos de proteção

Muitos antivírus possuem sistemas de proteção ativa, realizando varreduras em links antes de os usuários acessá-los. Utilizando este tipo de recurso, é possível saber se as páginas oferecem riscos ou se são confiáveis, mas este não é o único modo de se proteger.

Outro conselho que podemos dar é: “Sempre desconfie de conteúdo adulto gratuito na internet”. Caso queira muito acessar fotos e vídeos do gênero, converse com seus amigos para que lhe indiquem algum endereço confiável, sempre buscando por links que ofereçam o menor risco possível.

Jogos online e armadilhas escondidas

Além dos riscos oferecidos pelos jogos piratas disponibilizados na internet, baixar jogos gratuitos também pode ser um problema. Isso porque alguns não são realmente gratuitos, mas são anunciados como tal para atrair usuários, sem falar que alguns instaladores podem conter vírus e outros arquivos parecidos.

Cuidado com links

Jogos de redes sociais (como o Facebook e Orkut) oferecem perigos diferentes. Permitindo que recursos extras sejam adquiridos por meio de compras com dinheiro real, muitos deixam brechas para que crackers criem anúncios falsos com promessas de produtos grátis em links maliciosos.

Casos não faltam. Há algum tempo foram criados vários links maliciosos com a promessa de moedas verdes gratuitas para os jogadores do Colheita Feliz. Enviados por emails, o vírus comportava-se de maneira similar a outros também do Orkut (como os clássicos “Veja as fotos da festa, ficaram ótimas” e “Não acredito que ela fez isso. Kkkkk”) para se espalhar.

Métodos de proteção

Assim como a grande maioria das dicas dadas neste artigo, para evitar as contaminações neste tipo de caso é necessário não clicar sobre os links disponíveis nos websites. Dificilmente as empresas que desenvolvem jogos para redes sociais disponibilizam recursos gratuitos para seus usuários.

Apague e não clique

Em casos raros em que isso acontece, são emitidos avisos diretamente na interface do jogo, nunca são enviados emails ou recados para as páginas dos jogadores.

Não cuidar da privacidade em redes sociais

Facebook e Orkut permitem que seus usuários enviem uma grande quantidade de fotos para os servidores, garantindo que possam ser mostradas suas viagens, festas e tantas outras ocasiões. Quem sabe se prevenir, altera as configurações para permitir que apenas amigos próximos possam ter acesso a estas imagens.

É melhor fechar os cadeados

O problema é que grande parte dos usuários não sabe realizar este tipo de modificação e acaba deixando tudo à mostra para qualquer um. Isso facilita que outras pessoas roubem suas fotos e informações, criando perfis falsos e realizando montagens maldosas com as imagens obtidas, causando danos morais muito sérios às vítimas.

Métodos de proteção

Há várias formas de proteger sua privacidade nas redes sociais, impedindo que usuários desconhecidos possam visualizar suas fotos e obter informações sobre seus interesses. Para o Orkut, basta acessar o menu de configurações e marcar todas as opções possíveis em “Apenas meus amigos”. Já no Facebook, o processo é um pouco mais complexo (clique aqui para acessar as dicas do Baixaki).

Privacidade no Facebook

Acessar redes Wi-Fi desconhecidas

Precisando acessar seu email e seu modem 3G resolveu dar problemas? Verificou a lista de redes Wi-Fi disponíveis e encontrou várias sem proteção? Então tome muito cuidado, pois nem todas as redes ficam liberadas porque os administradores são “bonzinhos”. Não é raro encontrar redes sem proteção criadas por quem quer apenas roubar dados.

Nem sempre é uma boa ideia

Como tudo o que você digita passa pelo modem não é difícil fazer com que seus movimentos sejam registrados em um log de utilização. Nisso podem ser capturados endereços de email, senhas, códigos de acesso a serviços diversos e números do cartão de crédito, por exemplo.

Métodos de proteção

Sempre que estiver em um local que disponibilize o acesso a redes sem fio, certifique-se de que a que você acessar é a oficial do estabelecimento. Shoppings e hotéis podem estar no raio de alcance de redes particulares com nomes modificados para enganar os usuários e roubar informações.

Melhor saber de onde vem o sinal

Pergunte aos administradores do local qual a rede certa para acessar. Outra dica é evitar ao máximo qualquer rede particular que esteja sem proteção. Desse modo, muitos transtornos podem ser evitados. Lembre-se de não permitir o compartilhamento de arquivos quando estiver em redes públicas.

Mesma senha para tudo

MSN, Orkut, email, Facebook e conta no Baixaki. Todos os seus perfis possuem a mesma senha de acesso? Se sim, você está correndo um grande risco. Caso você tenha uma senha roubada, o ladrão poderá acessar todas as suas informações de uma só vez, conseguindo invadir suas contas em qualquer local que você esteja cadastrado.

Melhor evitar

Métodos de proteção

Um bom modo de se proteger é criando uma senha para cada serviço acessado, ou então uma para cada tipo de serviço. Redes sociais ganham um código, contas de email ganham outro e cadastros em jogos online, por exemplo, utilizam uma terceira senha. Outra forma é criando uma senha mestra em seu navegador.

Criar uma senha mestra

Clique para ganhar um iPad

Parece brincadeira, mas ainda existem muitos banners falsos na internet. “Você é nosso visitante 1.000.000.000! Clique aqui e ganhe um iPad, um Playstation 3 e um Boeing. Infelizmente não é tão fácil assim ganhar um prêmio, por isso, tome muito cuidado com os links, muitos deles são apenas atalhos para sites maliciosos.

Métodos de proteção

Sabe aquela expressão: “Isso é bom demais para ser verdade!”? Bem, geralmente é mesmo. Por isso não clique em nada que prometa algo muito bom para qualquer pessoa. Essa é a única forma de livrar-se das pragas que podem tentar invadir seu computador em sites diversos ao redor do mundo virtual.

Quando a esmola é demais...

                                                                         …..

Estes são os principais erros que grande parte dos usuários cometem quando estão na internet. Sabemos que você já cometeu e, acredite, até mesmo a equipe do Baixaki já cometeu alguns deles. Você conhece mais algum erro frequente que os internautas cometem? Deixe um comentário para nos contar!

Ecossistema sofisticado, marisma cumpre papel importante na natureza


 

Rico em nutrientes, ele serve de fonte de alimento para diversos animais

Marismas (Foto: Divulgação) Alguns marismas crescem em forma de disco, impedindo que outras espécies invadam o espaço
(Foto: Divulgação)

A Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, guarda em suas águas calmas uma vegetação incomum e muito importante para a região, os marismas, periodicamente alagados pela água do mar. Formados por arbustos de 2 a 3 metros de altura – diferentemente dos pântanos e mangues, que abrigam vegetações de grande porte – os marismas são ricos em nutrientes, que alimentam peixes, aves aquáticas e mesmo botos e leões marinhos. Os mais bem conservados ficam na Ilha da Pólvora e alguns crescem em forma de disco, impedindo que outras espécies invadam o espaço. De acordo com Lauro Barcellos, diretor do Museu Oceanográfico da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a junção da água doce da lagoa, com a água salgada do mar contribui para o surgimento dos marismas, um ecossistema frágil e ameaçado pela ação do homem.

Lagoa dos Patos diversidade (Foto: divulgação)

Diversidade de formas de vida é característica da
Lagoa dos Patos (Foto: divulgação)

“O marisma, típico das áreas com estuários, tem formas vegetais sofisticadas, mas sofre com as atividades humanas e os conflitos de interesse. Na verdade, toda a área costeira é alvo de destruição. Querem que a lagoa receba navios de grande porte e que continue produzindo camarões, uma coisa contraditória. É imprescindível que os processos sejam controlados e fiscalizados”, diz o diretor.
Todos os anos, a Lagoa dos Patos recebe centenas de aves migratórias, vindas do Hemisfério Norte, que escolhem a região para passar o verão e se alimentar nos marismas. Logo, qualquer desequilíbrio na lagoa pode ser fatal.

Lagoa dos Patos aves (Foto: divulgação )

Lagoa dos Patos recebe aves migratórias do
Hemisfério Norte (Foto: divulgação )

“Temos agora na lagoa cerca de 600 aves migratórias. Sem os marismas, esses ‘viajantes’ morreriam de fome. Um dos papéis mais importantes da universidade é realizar pesquisas e conscientizar as pessoas para que preservem nossas riquezas naturais. Precisamos de gente que se comova com a natureza. O que está em jogo é a vida, é o grande milagre que temos diante de nossos olhos”, ressalta Barcellos, que é ambientalista há 40 anos.

Conheça as dunas costeiras do Rio Grande do Sul e a sua importância


 

Além de abrigar espécies típicas, ecossistema serve como barreira natural

 

Dunas (Foto: Dimas Gianuca)

Dunas costeiras localizadas ao longo do litoral do Rio Grande do Sul (Foto: Dimas Gianuca)

Cobrindo uma extensão de aproximadamente 600 quilômetros, a faixa de dunas costeiras que corta o litoral do Rio Grande do Sul, mais precisamente entre as cidades de Torres e Chuí, é considerada pelo Governo Federal uma área de preservação permanente. Esse ecossistema é formado, basicamente, da areia da praia, que é levada pela ação dos ventos em direção ao continente. Por causa da vegetação presente próximo à praia, composta em sua maioria pelo capim-das-dunas, a areia é retida em um processo de deposição e fixação no solo, formando colunas de areia com até 300 metros de largura.

Como explica o biólogo Dimas Gianuca, pesquisador do Museu Oceanográfico da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e do projeto Albatroz, que lida com a conservação e pesquisa de aves oceânicas, as dunas além de servirem como habitat para diversas espécies exclusivas desse ambiente, atuam como importantes barreiras naturais. “As dunas protegem o lençol freático da salinização do oceano e as áreas adjacentes contra as investidas do mar, incluindo as casas próximas e os campos não habitados. Outro fator relevante é que esse ecossistema representa um ambiente de grande valor paisagístico, de belezas cênicas que podem ser utilizadas para atividades de turismo e educação”, explica Dimas.

Espécies exclusivas das dunas

A fauna das dunas é composta por diversas espécies de insetos, aves, e alguns vertebrados terrestres, abrangendo roedores e répteis. Há também a presença de alguns predadores oriundos de ambientes adjacentes, como o graxaim, uma espécie de pequena raposa, o gambá e a cuíca, que fazem incursões noturnas às dunas em busca de presas. “Pelo fato das dunas serem ambientes descampados e sujeitos às intempéries, os animais típicos dessa região possuem estratégias para se proteger do intenso calor e dos fortes ventos. Eles vivem durante boa parte do tempo debaixo da areia. Quando chegamos às dunas, parece que nos deparamos com um deserto, mas ao observar mais de perto, encontramos rastros de diversos animais na areia”, aponta o biólogo.

Tuco-Tuco (Foto: Dimas Gianuca)Um flagrante do tuco-tuco (Foto: Dimas Gianuca)

As dunas abrigam espécies exclusivas de animais, como o tuco-tuco, um tipo de roedor similar a um pequeno rato, que vive em galerias subterrâneas, cavando buracos e túneis embaixo da terra. O tuco-tuco se alimenta da vegetação que cobre as dunas, principalmente do capim-salgado. Seu predador natural é a coruja buraqueira, cujos ninhos são feitos abaixo do solo.

Outra espécie exclusiva muito encontrada nesse ambiente é a lagartixa das dunas, que mede de 10 a 15 centímetros. Assim como o tuco-tuco, ela cava pequenas tocas, se abrigando embaixo de moitas para se proteger do intenso calor e da insolação que ocorre na superfície das dunas. Esse animal se alimenta de insetos, incluindo alguns besouros, cigarrinhas, e formigas. Seus predadores são a coruja buraqueira e a jararaca lagartixeira, pequena serpente típica das dunas costeiras do Rio Grande do Sul.

As dunas são habitadas, principalmente, por insetos, que costumam se refugiar na vegetação, como as moitas de capim-salgado ou de margarida das dunas, ou sob a areia. Os besouros, mais de 40 espécies, e as formigas, com noves espécies, são vistos com mais frequência nesses ambientes. Destacam-se também o cachorrinho-da-terra e a vespa-caçadora, uma predadora da aranha-branca. Esses insetos serverm de alimento para aves, anfíbios e répteis que habitam as dunas ou as visitam para caçar. “O sapo-da-areia e algumas espécies de rãs reproduzem nos brejos úmidos localizados atrás das dunas e também as visitam à noite para comer insetos. Uma pesquisa recente verificou que 63 espécies de aves seguem para as dunas ao longo do ano seja para se alimentar, se refugiar, descansar, ou reproduzir.

Ação do homem

Dimas Gianuca alerta para a degradação sofrida pelas dunas costeiras do Rio Grande do Sul ao longo das últimas décadas, colocando em risco a existência de animais exclusivos desse ambiente, como o tuco-tuco e a lagartixa das dunas. “Se as dunas desaparecerem, ou tornarem degradáveis, essas espécies não terão mais ambiente natural para existirem”, lamenta.

Segundo explica o pesquisador, a principal fonte de degradação é relativa à ação do homem, com o urbanismo desordenado, a construção de casas em áreas preservadas para as dunas, a remoção de areia desses locais para a utilização na construção civil e em aterros, e o tráfego de motos e de veículos sobre esses ecossistemas. Soma-se a isso a pastagem, com a remoção da vegetação nativa pelo gado.
“Se o gado come a grama do solo, deixa de haver, assim, uma contenção natural, fazendo com que o vento arraste a areia. Existe uma ineficiência na ação do poder publico para repelir, essas atividades. O Museu Oceanográfico da FURG vem realizando um trabalho de monitoramento do litoral do Rio Grande do Sul, quantificando os impactos da ação humana nessa região”, lembra.

Adjacentes às dunas, brejos úmidos são refúgios de espécies ameaçadas


 

Ambiente abriga também diversos tipos de anfíbios e mamíferos terrestres

Brejo úmido (Foto: Andros Gianuca)

Brejo úmido localizado no litoral do Rio Grande do Sul (Foto: Andros Gianuca)

Os brejos úmidos do litoral do Rio Grande do Sul formam um ecossistema localizado entre as dunas costeiras e os campos nativos adjacentes a essa região. Esse ambiente se forma em áreas de depressão do solo, retendo, dessa maneira, as águas da chuva. Além disso, os brejos úmidos se encontram próximos a lençóis freáticos, fazendo com que fiquem alagados na maior parte do tempo, exceto nos períodos de estiagem de verão, quando a água pode secar, mantendo, entretanto, o solo úmido e arenoso.

O biólogo Dimas Gianuca, pesquisador do Museu Oceanográfico da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e do projeto Albatroz (que cuida da conservação e pesquisa de aves oceânicas), explica que o brejo úmido faz parte de um mosaico de ambientes. “O brejo é uma região de transição entre os campos e as dunas. A vegetação que cresce nesse local é adaptada ao ambiente úmido, incluindo os juncos, uma espécie de planta que atinge cerca de um metro e meio de altura, formando densas moitas de aspecto espinhento”, explica Dimas.

Dimas (Foto: Divulgação)

Dimas Gianuca, biólogo do Museu Oeanográfico
da FURG e do projeto Albatroz (Foto: Divulgação)

Segundo destaca o biólogo, os brejos úmidos representam uma fonte importante de água para as espécies que vivem no ambiente árido das dunas, servindo também de abrigo para uma série de animais. Dentre eles, destacam-se algumas aves típicas de ambientes alagados e de vegetação densa, como a boininha e a corruíra do campo, ambas ameaçadas de extinção devido à degradação de campos nativos por causa das pastagens.

O brejo úmido serve também de habitat para várias espécies de anfíbios, como o sapo-da-areia e a rã chorona; além de pequenos passarinhos; diversos tipos de insetos, incluindo besouros, formigas, cigarras e aranhas; serpentes; lagartos e outros vertebrados terrestres. “O brejo é um dos ecossistemas nos quais podemos encontrar esses animais, que se adaptam bem a áreas com grama densa e alta, que serve de proteção contra os predadores e de local para construir ninhos. Com o desmatamento dos campos nativos, espécies como a boininha e a corruíra do campo passam a migrar para o brejo úmido por serem ambientes semelhantes”, explica o pesquisador.

Degradação das dunas impacta nos brejos

Devido à ação do homem ao longo das últimas décadas, os brejos úmidos vêm sofrendo diretamente os impactos ambientais provenientes da degradação das dunas costeiras no litoral do Rio Grande do Sul. A pastagem e a retirada de areia para a construção civil estão entre os principais fatores que contribuem para esse cenário. “Se a duna é degradada, o vento arrasta a areia para os brejos úmidos, que acabam por ficar soterrados. É importante lembrar também que as dunas protegem os brejos úmidos da água do mar e da areia da praia”, finaliza Dimas.

Banhados do Rio Grande do Sul abrigam diversidade de fauna e flora


 

Ecossistema é importante para a sobrevivência de aves e anfíbios

Banhados (Foto: Divulgação)

Áreas úmidas do Rio Grande do Sul que formam os banhados (Foto: Divulgação)

Os banhados são áreas úmidas caracterizadas pela presença de água de forma permanente ou por longos períodos de tempo, favorecendo o desenvolvimento de uma vegetação típica, formada por plantas que se adaptam a solos encharcados, alagados, ou com águas rasas. O termo banhado é específico do Rio Grande do Sul, sendo de origem espanhola, influência dos países que fazem fronteira com o estado sulista. Esse mesmo ecossistema também é conhecido em outras partes do país como brejo, pantanal, ou varjão.
“A diferença é que no Sul os banhados são mais extensos do que no resto do Brasil. Os maiores estão localizados em regiões planas da costa e são gerados por lençóis freáticos superficiais. Já no pantanal, o alagamento da área se deve ao transbordo dos rios”, ensina o biólogo Glaysom Bencke, pesquisador da Fundação de Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Segundo ele, os banhados são formados basicamente por vegetação herbácea, ou seja, por ervas, incluindo capim e outras plantas de pequeno porte, mas densas e tolerantes a condições de inundação permanente.

Glayson

< Glayson Bencke, pesquisador da Fundação de
Zoobotânica do Rio Grande do Sul

“Existem banhados permeados de juncos, uma vegetação característica desse ecossistema. Há também a palha cortadeira, ou tiririca, que possui os bordos afiados, constituindo, assim, o chamado banhado de palha. Além dele, existem os banhados tomados por capins, como a grama boiadeira, e outros, cuja vegetação predominante é formada pelo sarandi, uma espécie de arbusto aquático, formando os sarandizais. O mais comum é termos nos banhados um mosaico de espécies diferentes, no qual esse tipo variado de vegetação se alterna no espaço”, destaca o pesquisador.
Com relação à fauna, Glayson lista uma série de animais que se adaptaram a esse tipo de ambiente úmido, incluindo cerca de 50 espécies de anfíbios, como sapos, rãs e pererecas. Além disso, habitam esses ecossistemas aproximadamente 150 espécies de aves, abrangendo garças, saracuras, patos e biguás. “Algumas dessas aves atingem populações imensas de milhares de indivíduos, como os maçaricos e tapicurus. Muitos banhados servem também de berçários naturais, onde ocorre a reprodução de peixes. Temos também animais de grande porte associados aos banhados, como o servo do pantanal, animal com mais de 150 quilos; a capivara; e o jacaré de papo amarelo, que pode atingir até dois metros e meio de comprimento, com populações muito grandes em determinados locais”, lista.
A importância dos banhados

Os banhados são ambientes de alta concentração energética, pois produzem grandes quantidades de biomassa devido à abundância de nutrientes existentes nesse ecossistema. Como os banhados estão localizados em áreas planas mais baixas, esses ambientes represam muitos nutrientes oriundos de áreas mais altas. “Juntando grandes quantidades de nutrientes à presença constante de água, incluindo a alta incidência de luz solar, temos uma produção expressiva de matéria orgânica. Isso tudo significa muito alimento, condições ótimas para o desenvolvimento de flora e fauna bem diversificadas e peculiares”.
Soma-se a esses fatores a importância dos banhados no controle de cheias, já que esses ambientes, por estarem em regiões mais baixas, recebem muita água. Devido à vegetação densa, essa água é absorvida e represada, sendo liberada de forma lenta. “Com isso, evita-se enxurradas e inundações. Por outro lado, quando há seca, como o banhado retém muita água, ela é liberada aos poucos, garantindo suprimento hídrico por mais tempo para a fauna, a flora e todo ambiente que está próxima a esse ecossistema”.
Degradação dos banhados

Glayson alerta para o fato de que os banhados e áreas úmidas eram considerados, ao longo das décadas de 60, 70 e 80 do século passado, ecossistemas insalubres, criadouros de mosquitos, ou ambientes sujos, sendo negligenciados. “Era essa a noção de banhado que se tinha naquela época: áreas úmidas sem nenhum tipo de relevância, gerando um descaso para esses ambientes. No Sul, nas décadas de 60 a 80, tivemos programas de governo para incentivar o plantio de arroz em áreas reservadas aos banhados”.
Atualmente, os banhados são, por lei, áreas de preservação permanente, protegidas por se tratarem de mananciais. “Hoje, qualquer intervenção em banhados exige uma licença ambiental e as áreas destinadas ao cultivo de arroz estão, de certa forma, estacionadas. Porém, há muita dificuldade na fiscalização. Muitos banhados ainda sofrem invasão para cultivos, já que não há pessoal suficiente para visitar esses ecossistemas. No Sul, como o cultivo de arroz é muito forte, a fiscalização é praticamente ineficiente”, lamenta o biólogo.

Um maluco no pedaço


Will é um jovem negro que adora Rap. Sua mãe acha que ele precisa ter uma educação mais séria e por isso o envia para a casa dos tios Banks. Will se dá muito bem com a atrapalhada família e passa a fazer parte dos problemas e das confusões de cada um, na sofisticada casa, em Bel Air. Com seu jeito relaxado e tranquilo, Will conquista desde o comilão tio Phil, o babaca do primo Carlton, a consumista e fútil prima Hillary, a complexada adolescente e até o formal mordomo. Na escola, o rapaz não perde tempo e se enturma com facilidade, aumentando ainda mais as trapalhadas da família Banks!!!

 


Will Smith é Will Smith

Janet Hubert é Vivian Banks

James Avery é Philip Banks

Karin Parson é Hilary Banks

Alfonso Ribeiro é Carlton Banks

Tatyana M. Ali é Ashley Banks

Joseph Marcel é Geofrey

 

 

 









 

 

Video Relacionado: à   Um maluco no pedaço

 

Não Disponível cite  Youtube

Direitos Humanos no Brasil


Direitos Humanos no Brasil

© UNESCO/Nelson Muchagata

O Brasil, com suas acentuadas desigualdades sociais e econômicas, promove diversificadas ações destinadas à promoção e à defesa dos direitos humanos.

A discussão dos Direitos Humanos e as ações técnicas e políticas relacionadas a esse tema, têm mobilizado a mídia nacional e, consequentemente, elevado a consciência da sociedade brasileira sobre assuntos que são extremamente importantes para a promoção da cidadania e para o respeito a aos direitos humanos.

Recentes avanços na promoção dos direitos humanos têm sido constatados. Apesar desse trabalho considerável e inovador de promoção dos direitos humanos:

  • mas não existe ainda clara compreensão da universalidade e indivisibilidade dos direitos humanos: civis, políticos, sociais, econômicos e culturais.
  • existe um número muito alto de pessoas que continua a encontrar grandes dificuldades no exercício de sua cidadania e de seus direitos fundamentais.

A UNESCO acredita que somente pela mobilização de todos os atores direta ou indiretamente envolvidos poder-se-á contribuir para a promoção da cidadania, a consolidação da democracia, a promoção da igualdade, o acesso amplo à justiça e a garantia da segurança. Esses avanços são de importância crucial para que o país venha a construir e consolidar uma cultura de direitos humanos e cultura de paz.

Exercícios Matemáticos


Exercícios de Ângulos

As retas f e g são paralelas (f // g). Determine a medida do ângulo â, nos seguintes casos:

a) exercicio_angulos_1.GIF (1473 bytes)

b) exercicio_angulos_2.GIF (1671 bytes)

c) exercicio_angulos_3.GIF (1538 bytes)

As retas a e b são paralelas. Quanto mede o ângulo î?

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Obtenha as medidas dos ângulos assinalados:

a) exercicio_angulos_5.gif (1706 bytes)

b) exercicio_angulos_6.gif (1494 bytes)

 

Exercícios de Ângulos (parte 2)

c) exercicio_angulos_8.gif (2008 bytes)

d) exercicio_angulos_9.gif (1716 bytes)

Usando uma equação, determine a medida de cada ângulo do triângulo:

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Quanto mede a soma dos ângulos de um quadrado?

HISTÓRIA DA MATEMÁTICA A MATEMÁTICA NA ANTIGUIDADE


HISTÓRIA DA MATEMÁTICA

A MATEMÁTICA NA ANTIGUIDADE

(Pré-História, Egito Antigo, Mesopotâmia e Grécia Antiga)

I – Pré-História

Considera-se como pré-história todo o período anterior a escrita. Neste período o homem era nômade, vivia em pequenos grupos, caçava, pescava e morava em cavernas. Não havia civilização como hoje nós a conhecemos.

· Contexto Histórico

Durante a pré-história a sociedade era extremamente rígida. As pequenas comunidades eram formadas por clãs ou tribos comandadas por um líder ou chefe tribal. Não havia ascensão social, fora quando a autoridade do chefe era contestada e conseguia-se um novo líder por meio de lutas. Não havia forma alguma de política. Neste período havia a “lei do mais forte”.

Nesta sociedade primitiva, os homens caçavam e obtinham todo tipo de alimento. Ás mulheres estava destinado cuidar dos filhos e preparar o alimento que os homens traziam.

As comunidades (tribos) eram pequenas, mais ou menos quarenta pessoas por grupo, pois a alimentação era escassa e em pouco tempo o alimento acabava em determinado lugar. Por este motivo os grupos eram nômades, viviam se deslocando, procurando alimentos.

Também não existia um processo econômico propriamente dito, pois não existiam ainda os processos de troca de mercadorias nem a cunhagem de moedas. As pessoas sobreviviam com aquilo que obtinham a cada dia.

Com o passar do tempo, as civilizações propriamente ditas, começaram a se desenvolver no crescente fértil (rios Tigre e Eufrates na Mesopotâmia, Rios Indo e Ganges na Índia e Delta do Nilo na África) e também onde hoje está situada a América Central, com as culturas Asteca e Maia.

O rompimento da pré-história e por conseqüência, a criação das civilizações e das grandes cidades, só foi possível com o desenvolvimento da agricultura, em um processo que ficou conhecido como “Revolução Agrícola”. Esta foi a primeira grande revolução que mexeu com toda a humanidade. A segunda seria a “Revolução Industrial” e a terceira a “Revolução Tecnológica”.

· Contexto matemático

Este período foi marcado por um baixíssimo nível intelectual, científico e matemático. Os aspectos sociais, políticos e econômicos acima citados, tiveram influência direta nesta pouca produção intelectual das sociedades. Mesmo assim, podemos citar algumas descobertas científicas e matemáticas.

Neste período houve a elaboração de um processo rudimentar de contagem: ranhuras em ossos, marcas em galhos, desenhos em cavernas e pedras. Também podemos citar aqui o processo que muitos utilizavam para relacionar quantidades, ou seja, para cada unidade obtida, era colocada uma pequena pedra em um saquinho.

Alguns povos, como os Sioux (tribo indígena americana) confeccionaram calendários pictográficos, desenhados em cavernas.

Destaca-se também a confecção de instrumentos e artefatos de guerra (primeiro em pedra, depois em bronze e ferro).

Como já comentamos anteriormente, foi somente após a revolução agrícola que as descobertas científicas e matemáticas tiveram um maior impulso. Esta revolução abriu o caminho não só para a criação das grandes civilizações, mas também para tudo aquilo que cerca esta construção.

II – Egito Antigo

A civilização Egípcia se desenvolveu ao longo de uma extensa faixa de terra fértil que margeava o rio Nilo. Este rio prestou-se muito ao estabelecimento de grupos humanos. Suas margens férteis revelaram-se propícias à agricultura e, ainda, suas águas caudalosas facilitavam a abertura de canais de irrigação e a construção de diques. O estudo do Egito antigo está determinado entre 4.000 a.c. à 30 a.c. Houveram vários períodos dentro da história egípcia antiga, mas todos eles tiveram basicamente o mesmo aspecto social político e econômico, bem como matemático e científico. Somente com a invasão pelos romanos no século I a.c. é que ocorre um rompimento com sua cultura milenar.

· Contexto Histórico

A sociedade Egípcia era extremamente rígida. A pirâmide social era fixa e composta desta maneira: Faraó (nobreza) – sacerdotes – escribas – camponeses – escravos. Havia uma administração estatal, centralizada no faraó que era o senhor absoluto de tudo que havia no Egito. O poder do faraó era fortalecido pela crença que o poder divino estava vinculado ao poder civil na pessoa do faraó, considerado um deus na terra.

Além do faraó que era o senhor absoluto, havia uma poderosa nobreza fundiária que cooperava na administração e na exploração do trabalho dos camponeses. Apenas a família do faraó, os sacerdotes e os nobres tinham acesso a uma educação rudimentar. Alguns escribas também obtinham, mediante vontade do faraó, acesso à educação.

Em um primeiro momento a economia Egípcia estava baseada na agricultura e no trabalho escravo. Os camponeses cultivavam a terra e entregavam aos nobres e ao faraó. Eles só tinham direito a uma pequena parte dos produtos para sua subsistência.

Em um segundo momento a economia foi ampliada para um comércio de troca de mercadorias com outros povos que viviam em outras regiões, principalmente os mesopotâmicos.

Pelo fato de que a sociedade egípcia era uma sociedade extremamente fixa, centrada na pessoa do faraó, que não permitia uma maior abertura para as classes inferiores, as ciências também foram prejudicadas. Mas, mesmo assim houve um grande avanço científico e matemático neste período.

· Contexto matemático

Um dos ramos da ciência que teve um avanço significativo foi a medicina. Os médicos (sacerdotes) egípcios possuíam um grande conhecimento na medicina, como bem comprovam as múmias de vários faraós descobertas nos dois últimos séculos, bem como o acesso a vários papiros.

Na matemática, também tivemos grandes avanços. A matemática egípcia sempre foi essencialmente prática. Quando o rio Nilo estava no período das cheias, começavam os problemas para as pessoas. Para resolver este problema foram desenvolvidos vários ramos da matemática. Foram construídas obras hidráulicas, reservatórios de água e canais de irrigação no rio Nilo. Procedeu-se a drenagem dos pântanos e regiões alagadas.

Começou-se também com uma geometria elementar e uma trigonometria básica (esticadores de corda) para facilitar a demarcação de terras. Com isto procedeu-se a um princípio de cálculo de áreas, raízes quadradas e frações. Também sabemos que os egípcios conheciam as relações métricas em um triângulo retângulo. O teorema de Pitágoras, na realidade, já era conhecido por povos bem mais antigos que os gregos.

No século XVIII d.c. foram descobertos vários papiros em escavações no Egito. Do ponto de vista matemático os mais importantes são os papiros de Moscou e os Papiros de Rhind. Estes papiros trazem uma série de problemas e coleções matemáticas em linguagem hieróglifa. Só foi possível a decifração desta linguagem, por Champolion, quando em 1799 uma expedição do exército Francês, sob o comando de Napoleão Bonaparte, descobriu perto de Rosetta, Alexandria uma pedra com escrita em três línguas: grego, demótico e hieróglifa. Somente com esta pedra foi possível decifrar a linguagem hieróglifa e traduzir estes papiros com grandes preciosidades matemáticas egípcias.

Outra ciência que teve um avanço muito grande neste período foi a astronomia. Os sacerdotes egípcios faziam cálculos astronômicos para determinar quando iriam ocorrer as cheias do Nilo. Baseados nestes cálculos eles construíram um calendário com 12 meses de 30 dias.

A construção das grandes pirâmides faz supor que o conhecimento matemático dos egípcios era muito mais avançado que o conhecido nos papiros. Talvez o fato da escrita ser muito difícil tenha sido um dos motivos que impediu este registro. Talvez, ainda, estes registros tenham sido feito em papiros que não chegaram aos nossos dias.

Podemos afirmar, com absoluta certeza, que a matemática egípcia foi um dos pilares da matemática grega, a qual foi a base para a nossa matemática moderna. Isto em geometria, trigonometria ou mesmo na astronomia.

III – Mesopotâmia

A Mesopotâmia, que em Grego significa “terra entre rios”, situava-se no oriente médio, no chamado crescente fértil, entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje está situado o Iraque e a Síria, principalmente. Os povos que formavam a Mesopotâmia foram os Sumérios, Acádios, Amoritas, Caldeus e Hititas, os quais lutavam pela posse das terras aráveis.

Por estar situado nesta região geográfica, a Mesopotâmia estava mais sujeita às invasões e conquistas de vários povos, ao contrário do que ocorreu no Egito. As duas civilizações, Egípcia e Mesopotâmica, desenvolveram-se no mesmo período. Mas, este desenvolvimento deu-se em separado, não havendo um intercâmbio de informações.

As mesmas dificuldades que acarretaram o desenvolvimento das ciências no Egito foram a mola propulsora deste desenvolvimento nesta região. Porém ao contrário do que ocorria com as águas do rio Nilo, os períodos de cheia dos rios Tigre e Eufrates eram bastante irregulares, obrigando a realização de numerosas obras de irrigação e drenagem, com períodos de observação e desenvolvimento com uma maior dificuldade.

· Contexto Histórico

A população residia em grandes cidades, governadas por um rei-sacerdote, chamado Patesi. Como esta região estava situada em uma região permanentemente sujeita a invasões, estas cidades eram extremamente militarizadas.

É desta região a elaboração do primeiro código escrito de leis. O código de Hamurabi, conhecido como “Lei de Talião”. Este código foi escrito pelo rei Hamurabi, em torno de 2.000 a.c. e privilegiava principalmente a nobreza, em detrimento do restante da população.

Durante o período entre 4.000 a.c. e 1200 a.c. foi inventada uma das primeiras formas conhecidas de escrita, a escrita cuneiforme e a fundação de grandes cidades (Lasash, Ur, Uruk e Babilônia). A escrita cuneiforme era realizada por meio de cunhas produzidas em tabletes de barro cozido, o qual garantia a sua permanência e conservação por um longo período de tempo, sendo que muitos tabletes chegaram até nossos dias, permitindo acesso àquela cultura. O processo de decifrar esta escrita só foi conseguido no século XIX por Henry Cheswike Rawlison e Georg Friedrich Grotenfrend.

Uma das tabelas mais importantes, sob o ponto de vista matemático, foi a chamada tábua “Plimpton 322”, a qual traz uma série de informações matemáticas, entre elas a relação entre os três lados de um triângulo.

Assim como a sociedade egípcia, a sociedade mesopotâmica tinha sua pirâmide social extremamente rígida, não permitindo a mobilidade social. Esta pirâmide tinha duas camadas. A camada mais alta era formada pelo rei e seus familiares, seguidos por uma nobreza fundiária, sacerdotes e ricos mercadores. Na base da sociedade estavam os camponeses e os escravos. Esta sociedade era altamente militarizada e extremamente cruel para com os povos dominados por meio de guerras ou da cobrança de impostos.

Com o advento do código de Hamurabi esta sociedade foi dividida em três grupos distintos: Homens livres privilegiados (grandes proprietários de terra, comerciantes e sacerdotes); Homens livres (artesãos, pequenos comerciantes e servidores no palácio real) e Escravos (prisioneiros de guerras ou pessoas que não conseguiam pagar as suas dívidas).

A economia estava baseada na agricultura e no comércio de trocas. Visto a localização geográfica da região que facilitava o contato entre os povos conhecidos da época.

Não havia um processo político como conhecemos hoje, pois o rei detinha o poder absoluto e total.

· Contexto matemático

A ciência e, por conseqüência, a matemática mesopotâmica teve um grande desenvolvimento por parte dos sacerdotes que detinham o saber nesta civilização. Assim como a matemática Egípcia, esta civilização teve uma matemática e/ou ciência extremamente prática. As matemáticas orientais surgiram como uma ciência prática, com o objetivo de facilitar o cálculo do calendário, a administração das colheitas, organização de obras públicas e a cobrança de impostos, bem como seus registros.

As águas dos rios Tigre e Eufrates proporcionavam facilidades para o transporte de mercadorias, o que ajudou a desenvolver um processo de navegação.

Foram desenvolvidos nestes rios grandes projetos de irrigação das terras cultiváveis e a construção de grandes diques de contenção, abrindo assim o caminho para o desenvolvimento de uma engenharia primitiva.

Procedeu-se ao desenvolvimento de uma astronomia rudimentar para o cálculo do período de cheias e vazantes dos rios, mesmo que estes períodos não fossem regulares como os do rio Nilo no Egito.

Os Babilônicos (assim também eram chamados os povos mesopotâmicos) tinham uma maior habilidade e facilidade para efetuar cálculos, talvez em virtude de sua linguagem ser mais acessível que a egípcia. Eles tinham técnicas para equações quadráticas e bi-quadráticas, além de possuírem fórmulas para áreas de figuras retilíneas simples e fórmulas para o cálculo do volume de sólidos simples. Sua geometria tinha suporte algébrico. Também conheciam as relações entre os lados de um triângulo retângulo e trigonometria básica, conforme descrito na tábua “Plimpton 322”.

Ao contrário dos Egípcios, que tinham um sistema posicional de base 10, os babilônicos possuíam um sistema posicional sexagesimal bem desenvolvido, o qual trazia enormes facilidades para os cálculos, visto que os divisores naturais de 60 são 1,2,3,4,5,6,10,12,15,20,30,60, facilitando o cálculo com frações.

Por tudo isto que foi descrito, a matemática Babilônica tinha um nível mais elevado que a matemática Egípcia.

Pelo fato da Mesopotâmia estar situada no centro do mundo conhecido da época, o que propiciava grandes invasões e muito contato com outros povos, ela teve um papel muito grande no desenvolvimento da matemática de um povo que teve um papel muito importante na história: o povo Grego. Graças a este contato com o povo Grego, muito desta matemática chegou até os nossos dias.

IV – Grécia Clássica

Consideramos o período compreendido entre 2.000 a.c. até 35 a.c. como sendo o período clássico ou período de ouro do povo Grego. Período este que se encerra com o domínio da Grécia pelos Romanos.

A civilização Grega foi formada por muitos povos que se originaram da Europa central e da Ásia. Antes, porém, de comentar sobre estes povos convém fazer um breve comentário sobre um povo que teve uma influência muito grande sobre a construção da Grécia e de sua cultura: os Cretenses.

Os Cretenses, habitantes da ilha de Creta, desde 3.000 a.c., com expressão maior entre 2.000 a.c. à 1.500 a.c., notabilizaram-se pelo comércio marítimo, artesanato, arte e a influência sobre os Gregos. Tiveram um comércio muito grande com o Egito, Fenícia e a Síria. As transações comerciais eram registradas em papiros com uma escrita acessível aos mercadores. Este contato com os demais povos possibilitou um intercâmbio muito grande com as demais culturas e propiciou avanços matemáticos e científicos ampliando os conhecimentos tecnológicos do período, haja vista as ruínas de banheiros e sistemas de esgotos descobertos em escavações.

O povo da ilha de Creta tinha uma sociedade original e desenvolvida, dando lugar de destaque à mulher, ao contrário das demais civilizações do período. Registros indicam que não havia escravidão.

Quando a ilha de Creta, mais precisamente a cidade de Cnossos, foi ocupada pelos Aqueus, esta civilização foi subjugada. Apesar de conquistadores, os Aqueus absorveram a cultura Cretense.

A civilização grega, propriamente dita, foi formada nos séculos XX a.c. a XII a.c. por invasões de Aqueus, Jônios, Eólios e Dórios.

· Contexto Histórico

A Grécia antiga é considerada como o berço da civilização ocidental. Mas, na realidade, vimos que anteriormente a ela desenvolveu-se a civilização cretense. Como a Grécia antiga era chamada de Hélade, este povo foi denominado, na antiguidade, “Helenos”.

A história da Grécia pode ser dividida em quatro períodos:

· Período Homérico (Séculos XII até VIII a.c.)

Pouco se sabe sobre este período. Sabe-se apenas que ele começou com a invasão dos Dórios. As poucas informações são os vestígios arqueológicos obtidos em escavações e os poemas “Ilíada” e “Odisséia” de Homero.

· Período Arcaico (Séculos VIII até VI a.c.)

Este período foi marcado por uma grande expansão marítima e comercial pelo mediterrâneo, estreitando os laços econômicos com os demais povos, tornando a atividade comercial a mais importante da economia Grega. Esta atividade consistia em comércio exterior, com a exportação de mármore, azeite, vinhos, frutas e na importação de trigo, metais, madeiras, tecidos. Com este crescimento da nova atividade, uma poderosa classe de comerciantes surgiu. Esta classe passou a lutar por seus direitos, principalmente políticos, visto que eram as famílias nobres que estavam no poder. Com isto, ocorreram grandes modificações nas formas políticas. A maior delas foi a criação da democracia na cidade-estado de Atenas. Mas, mesmo a democracia era excludente, visto que escravos, estrangeiros e mulheres não podiam participar das decisões. Esta economia também estava baseada no emprego, de forma predominante, da mão-de-obra escrava. Os escravos eram obtidos de três maneiras: nascimento, guerras de conquista e condenação por dívidas.

· Período Clássico – Época de Ouro (Séculos VI até IV a.c.)

Durante este período a civilização grega atingiu seu apogeu, com a estabilização da democracia, obras dos principais artistas e filósofos, bem como o desenvolvimento do estudo da matemática e ciências.

Podemos citar, deste período, Demócrito (460-370 a.c.) que foi o primeiro a afirmar a existência do átomo como elemento indivisível e Hipócrates (460-377 a.c.) que, no tratamento médico, defendeu uma análise das doenças a partir dos sintomas apresentados pelo paciente, em substituição às crenças e superstições.

Este período também foi marcado por guerras contra os Persas e também guerras internas entre as cidades-estado, principalmente a guerra entre Atenas e Esparta.

· Período Helenístico (Séculos IV até I a.c.)

Este período começa com a dominação da Grécia, enfraquecida pelas guerras internas e contra os Persas, pelos Macedônios. Em 308 a.c. Filipe da Macedônia derrotou os exércitos Gregos. A dominação foi mantida por seu filho, Alexandre Magno, o qual dominou o mundo conhecido da época, chegando até partes da Índia. Alexandre havia sido aluno de Aristóteles e por este motivo, mesmo com a dominação militar, as ciências e as artes continuaram progredindo, mas em ritmo mais reduzido. Com Alexandre Magno ocorreu a fusão da cultura Grega com a oriental, o que auxiliou em muito a expansão das ciências e da matemática, principalmente em contatos com Árabes e Hindus.

Com a morte de Alexandre, seu império foi dividido entre seus três generais: Antígono (Grécia e Macedônia), Ptolomeu (Egito) e Seleuco (Mesopotâmia, Síria e Pérsia).

No século I a.c. todas estas regiões foram dominadas pelos romanos. Com esta dominação a cultura grega entrou em declínio, culminando este declínio com o fechamento da escola de Atenas pelo imperador romano Justiniano.

Durante todos estes períodos a sociedade Helena apresentava diferentes modos, em função de suas estruturas políticas das suas cidades-estado. Mas, existiam semelhanças entre elas, tais como: família patriarcal, conceitos de cidadania, sociedade fechada, sem possibilidade de mobilidade social.

No âmbito da política, o grande desenvolvimento foi a democracia, primeiro com Drácon, depois Sólon e por fim Clístenes. Mas, foi somente com Péricles (462-429 a.c.) que a democracia se consolidou. Mas, esta democracia era apenas para os cidadãos. Estrangeiros, mulheres e escravos estavam proibidos de participar da vida política.

Podemos afirmar, com certeza, que a liberdade de pensamento da civilização Grega contribuiu para o desenvolvimento das ciências, em especial, a matemática. O intercâmbio de idéias e conhecimento entre o oriente e o ocidente frutificou nas inúmeras bibliotecas que se formaram, como a de Alexandria (Egito), que possuía cerca de 400 mil volumes.

· Contexto matemático

A base da revolução matemática exercida pela civilização Grega partiu de uma idéia muito simples. Enquanto Egípcios e Babilônicos perguntavam: “como”? os filósofos gregos passaram a indagar: “por quê”? Assim, a matemática que até este momento era, essencialmente, prática, passou a ter seu desenvolvimento voltado para conceituação, teoremas e axiomas.

A matemática, através da história, não pode ser separada da astronomia. Foram as necessidades relacionadas com a irrigação, agricultura e com a navegação que concederam à astronomia o primeiro lugar nas ciências, determinando o rumo da matemática.

Dois fatores estimularam e facilitaram o grande desenvolvimento da ciência e da matemática pelos filósofos gregos: a substituição da escrita grosseira do antigo oriente por um alfabeto fácil de aprender e a introdução da moeda cunhada, o que estimulou ainda mais o comércio.

A matemática moderna teve origem no racionalismo jônico, e teve como principal estimulador Tales de Mileto, considerado o pai da matemática moderna. Este racionalismo objetivou o estudo de quatro pontos fundamentais: compreensão do lugar do homem no universo conforme um esquema racional, encontrar a ordem no caos, ordenar as idéias em seqüências lógicas e obtenção de princípios fundamentais. Estes pontos partiram da observação que os povos orientais tinham deixado de fazer todo o processo de racionalização de sua matemática, contentando-se, tão somente, com sua aplicação.

Neste período começam a surgir as primeiras divisões nas ciências. Na Grécia surgem dois grupos distintos de filósofos: os Sofistas e os Pitagóricos, os quais passam a analisar as ciências de dois modos diferentes.

Os Sofistas abordavam os problemas de natureza matemática como uma investigação filosófica do mundo natural e moral, desenvolvendo uma matemática mais voltada à compreensão do que à utilidade. É o começo da abstração matemática, em detrimento da matemática essencialmente prática.

Os Pitagóricos, sociedade secreta criada por Pitágoras de Samos, enfatizavam o estudo dos elementos imutáveis da natureza e da sociedade. O chefe desta sociedade foi Arquitas de Tarento. Os Pitagóricos estudavam o quadrivium (geometria, aritmética, astronomia e música). Sua filosofia pode ser resumida na expressão “tudo é número”, com a qual diziam que tudo na natureza pode ser expresso por meio dos números. Pitágoras dizia que: “tudo na natureza está arranjado conforme as formas e os números”. Aos Pitagóricos (Pitágoras, principalmente) podemos creditar duas descobertas importantes: o conceito de número irracional por meio de segmentos de retas incomensuráveis e a axiomatização das relações entre os lados de um triângulo retângulo (teorema de Pitágoras), que já era conhecido por babilônicos e egípcios.

Paralelo a isto, os matemáticos gregos do período clássico começam a trabalhar com o princípio da indução lógica (apagoge), que é o início da axiomática, a qual foi desenvolvida por Hipócrates. Os três problemas que deram início ao estudo da axiomática foram: trissecção de um ângulo, duplicação do volume do cubo (problema délico) e quadratura do círculo.

Com as campanhas de Alexandre, o grande, houve um avanço rápido da civilização grega em direção ao oriente. Assim, a matemática grega sofreu as influências dos problemas de administração e da astronomia desenvolvidas no oriente. Este contato entre as duas matemáticas foi extremamente importante e produtivo, principalmente no período de 350 a 200 a.c.. Neste contexto, Alexandria torna-se o centro cultural e econômico do mundo helenístico.

Durante todo o período grego, vários filósofos e matemáticos deram sua contribuição ao desenvolvimento da matemática. Neste período surgem os cientistas, homens que dedicavam sua vida à procura do conhecimento e que por isso recebiam um salário. Será citado, agora, um breve comentário sobre a contribuição dos matemáticos considerados os mais importantes e influentes deste período.

· Euclides (306?-283? a.c.)

Seu trabalho mais famoso é a coleção “Os elementos”, obra em 13 volumes, que contém aplicações da álgebra à geometria, baseados numa dedução estritamente lógica de teoremas, postulados, definições e axiomas. Até os dias de hoje, este é o livro mais impresso em matemática.

· Arquimedes (287 – 212 a.c.)

É considerado o maior matemático do período helenístico e de toda antiguidade. Suas maiores contribuições foram feitas no campo que hoje denominamos “cálculo integral”, por meio do seu “método de exaustão”. Arquimedes também deu importante contribuição na mecânica e engenharia, com o desenvolvimento de vários artefatos, principalmente militares. Foi morto por um soldado romano quando da queda de Siracusa.

· Apolônio de Perga (247-205 a.c.)

Com Apolônio há uma volta à tradicional geometria grega. Ele escreveu um tratado de oito livros sobre as cônicas (parábola, elipse e hipérbole), introduzidas como seções de um cone circular.

· Ptolomeu (150 d.c.)

Publicou o “Almagesto”, obra de astronomia com superior maestria e originalidade. Nesta obra encontra-se a fórmula para o seno e o cosseno da soma e da diferença de dois ângulos e um começo da geometria esférica.

· Nicómaco de Gerasa

Publicou “Introdução à aritmética”, que é a exposição mais completa da aritmética pitagórica. Muito do que sabemos sobre Pitágoras provém desta publicação.

· Diofanto

Publicou “Arithmética”, a qual recebeu uma forte influência oriental. Este trabalho trata da solução e análise de equações indeterminadas.

Com o domínio da Grécia e do oriente pelos romanos, estas regiões tornaram-se colônias governadas por administradores romanos. A estrutura econômica do império romano permanecia baseada na agricultura. Com o declínio do mercado de escravos a economia entrou em decadência e existiam poucos homens a fomentar uma ciência, mesmo medíocre.

Podemos, então, determinar uma relação entre a crise da matemática e a crise do sistema social, pois a queda de Atenas significou o fim do império da democracia escravagista. Esta crise social influenciou a crise nas ciências que culminou com o fechamento da escola de Atenas, marcando com isto o fim da matemática grega clássica.

Podemos observar que as descobertas matemáticas estão relacionadas com os avanços obtidos pela sociedade, tanto intelectuais como comerciais. Se no princípio a matemática era essencialmente prática, visto que as sociedades eram rudimentares, com o desenvolvimento destas sociedades a matemática também evoluiu, passando de uma simples ferramenta que auxiliava aos problemas práticos para uma ciência que serviu como chave para analisar o mundo e a natureza em que vivemos.

Todas as descobertas matemáticas realizadas pelos povos pré-históricos, egípcios e babilônicos serviram como subsídio para a matemática desenvolvida pelos gregos. Esta matemática grega foi, e continua sendo, a base de nossa matemática. Todo o desenvolvimento tecnológico obtido em nossos dias tem como ponto de partida a matemática grega.

Assim, sem a axiomatização desenvolvida pelos gregos, não haveria o desenvolvimento da matemática abstrata e dos conceitos, postulados, definições e axiomas tão necessários à nossa matemática.

Da matemática da antiguidade, fundamental a nós hoje, podemos citar: processos de contagem, numeração, trigonometria, astronomia, geometria plana e volumes de corpos sólidos, sistema sexagesimal, equações quadráticas e bi-quadráticas, relações métricas nos triângulos retângulos, seções cônicas e o método de exaustão, que foi o germe do cálculo integral.

BIBLIOGRAFIA

BARBEIRO, Heródoto. Et alli. História. Ed. Scipione. 2005

BERUTTI, Flávio. História. Ed. Saraiva. 2004.

BOYER, Carl B. História da matemática. 2º ed. SP. Edgard Blucher, 2003.

EVES, Howard. Introdução à história da matemática. 2º ed. UNICAMP, 2002.

STRUIK, História concisa das matemáticas. Gradiva. 1989.

A Matemática Oriental (Árabes, Hindus e Chineses)


A Matemática Oriental
(Árabes, Hindus e Chineses)

Marcos Leandro Ohse

Com o domínio romano exercido em toda a Grécia e com o posterior fechamento da escola de Atenas pelo imperador Justiniano, a matemática e as ciências gregas entraram em declínio. Muitos pesquisadores pegaram seus manuscritos e fugiram da Grécia e proximidades para o oriente médio. Isto fez com que a ciência oriental florescesse de maneira muito rápida. Este incremento das ciências orientais foi muito importante para o desenvolvimento da matemática.

Durante todo o período em que o império romano dominou o mundo conhecido da época, tanto economicamente quanto culturalmente, o oriente foi a parte mais desenvolvida. A parte ocidental não foi baseada em uma economia de irrigação, sua agricultura era extensiva, o que não estimulou o desenvolvimento da astronomia. Assim, o ocidente se contentou com um mínimo de astronomia, alguma aritmética e algumas medições para o comércio e agrimensura. O estímulo para este desenvolvimento veio do oriente. Após a separação política entre ocidente e oriente, este estímulo praticamente desapareceu.

Árabes


Contexto Histórico

Até o século VII os árabes encontravam-se divididos em várias tribos, algumas sedentárias e outras nômades. Geralmente estas tribos eram hostis entre si. Estas tribos, desde tempos remotos ocupavam a península arábica, localizada no oriente próximo e limitada pelo mar vermelho, golfo pérsico e oceano índico.

Em 613, Maomé (570-632) começa a pregação de uma nova religião, na condição de profeta de Alá (deus único e verdadeiro). Esta nova religião denominou-se religião Islâmica (Islam significa: submissão).

Em 622 ocorre a “hégira”, mudança de Maomé de Meca para Iatreb por causa das perseguições sofridas, marcando o início do calendário islâmico. Após muitos anos de lutas, Maomé consegue impor a nova religião a todos os muçulmanos, sendo Meca a principal cidade sagrada. As demais cidades logo também foram conquistadas e aderiram ao islamismo.

Depois da morte de Maomé, os árabes foram governados pelos califas (Alá confiava o cuidado dos fiéis). Estes califas estenderam o domínio muçulmano da Índia até a península Ibérica. Esta expansão árabe auxiliou para que a Europa interiorizasse a economia e aumentasse a ruralização da sociedade, expandindo o processo de feudos.

No início, as relações entre a Europa cristã e os muçulmanos foi extremamente violenta e antagônica. Neste período começam a ocorrer as cruzadas, com o intuito de tomar de volta a cidade santa de Jerusalém do domínio islâmico. Os ataques muçulmanos praticamente fizeram desaparecer o comércio cristão no mediterrâneo ocidental, contribuindo ainda mais para o processo de feudalismo na Europa. Na península Ibérica os árabes realizaram uma revolução agrícola construindo canais de irrigação , açudes e moinhos d’água, introduzindo o cultivo de cana-de-açucar, algodão, cânhamo e arroz. Por todo o império circulavam moedas cunhadas em Bagdá, capital do império. Trabalhos em couros feitos em Córdoba e canais de irrigação em Valência foram algumas das soluções desenvolvidas na economia.

 

Contexto Matemático

Com o domínio dos Sassânidas, reis persas que governaram a mesopotâmia (Ciro e Xerxes), esta recuperou sua posição central ao longo das rotas comerciais, visto que sob o domínio romano e heleno haviam perdido. Não há muitos registros Sassânidas desta época. O que se sabe que era uma cultura muito rica, haja visto o conto “Mil e uma noites” de Omar Khayyam.

Depois da conquista árabe, em 641 teve origem Bagdá, em substituição à babilônia, que havia desaparecido. A matemática do período islâmico revela a mesma mistura de influências que se tornaram familiares em Alexandria e na Índia.

A matemática e a astronomia foram grandemente incentivadas pelos califas de Bagdá: Al-mansur (754-775), Harun Al-raschid (766-809) e Al-mamun (813-833). Este último organizou em Bagdá a “casa da sabedoria”, composta de uma biblioteca e um observatório.

As atividades matemáticas árabes começaram com a tradução dos Siddanthas hindus por Al-Fazari e culminaram com uma grande importância com Muhammad Ibn Musa Al-Khwarizmi, por volta de 825. Ele escreveu vários tratados sobre matemática e astronomia. Estes tratados explicavam o sistema de numeração hindu. A europa ficou conhecendo este sistema de numeração graças a uma cópia latina do século XII, visto que o original árabe se perdeu. A astronomia de Al-Khwarizmi era um resumo dos Siddanthas, o qual mostrava uma influência grega nos textos sânscritos.

Convém ressaltar que a palavra “álgebra” vem do árabe “al-jabr”, que siginifica “restauração”.

Os árabes tiveram um papel muito importante na história da matemática, pois eles traduziram, fielmente, os clássicos gregos (Apolônio, Arquimedes, Euclides, Ptolomeu e outros). Estes clássicos estariam perdidos para nós sem os árabes, visto o fechamento da escola de Atenas por Justiniano.

Outro matemático brilhante foi Omar Khayyam. Ele escreveu uma álgebra que continha uma investigação sistemática de equações cúbicas, utilizando a interseção de duas seções cônicas.

Jemshid Al-Kashi, matemático Persa resolveu equações cúbicas por iteração e por métodos trigonométricos, e também pelo método conhecido hoje como “método de Horner”. Este método tem uma forte influência chinesa, o que nos faz pensar que a matemática chinesa da dinastia Sung havia penetrado profundamente no mundo islâmico.

Por tudo isto, ressalta-se a importante influência do povo árabe na matemática. Convém ressaltar, também, que os muçulmanos ao expandir o islamismo cometeram um dos maiores crimes contra a humanidade. Após a queda de Alexandria frente aos muçulmanos, o califa mandou queimar todos os manuscritos encontrados na biblioteca (cerca de 600.000) argumentando que: “se constam do alcorão não precisam ser guardados e se não constam são inúteis”. Conta a lenda que os escritos alimentaram as caldeiras dos banhos durante seis meses.

É preciso lembrar, também, o papel das cruzadas. Com as cruzadas a Europa cristã teve, novamente, contato com a matemática grega, traduzida para o árabe. Isto veio a influenciar muito a Europa medieval e serviu como fonte para o desenvolvimento da matemática durante a idade média.

TUDO sobre o nosso MUNDO

SURGIMENTO DA GEOMETRIA ANALÍTICA


SURGIMENTO DA GEOMETRIA ANALÍTICA

A Geometria, como ciência dedutiva, foi criada pelos gregos. Mas, apesa do seu brilhantismo faltava operacionalidade à geometria grega. E isto só iria ser conseguido mediante a Álgebra como princípio unificador. Os gregos, porém, não eram muito bons em álgebra. Mais do que isso, somente no século XVII a álgebra estaria razoavelmente aparelhada para uma fusão criativa com a geometria.

Ocorre porém que o fato de haver condições para uma descoberta não exclui o toque de genialidade de alguém. E no caso da geometria analítica, fruto dessa fusão, o mérito não foi de uma só pessoa. Dois franceses, Pierre de Fermat (1601-1665) e René Descartes (1596-1650), curiosamente ambos graduados em Direito, nenhum deles matemático profissional, são os responsáveis por esse grande avanço científico: o primeiro movido basicamente por seu grande amor, a matemática e o segundo por razões filosóficas. E, diga-se de passagem, não trabalharam juntos: a geometria analítica é um dos muitos casos, em ciência, de descobertas simultâneas e independentes.

Se o bem-sucedido Pierre de Fermat zeloso e competente conselheiro junto ao Parlamento de Toulouse, dedicava muitas de suas melhores horas de lazer à matemática, certamente não era porque faltasse, alguém em sua posição, outras maneiras de preencher o tempo disponível. Na verdade Fermat simplesmente não conseguia fugia à sua verdadeira vocação e, apesar de praticar matemática como hobby, nenhum de seus contemporâneos contribuiu tanto para o avanço desta ciência quanto ele. Além da geometria analítica, Fermat teve papel fundamental na criação do Cálculo Diferencial, do Cálculo de Probabilidades e, especialmente, da teoria dos números, ramo da matemática que estuda as propriedades dos números inteiros.

A contribuição de Fermat à geometria analítica encontra-se num pequeno texto intitulado Introdução aos Lugares Planos e Sólidos e data no máximo, de 1636 mais que só foi publicado em 1679, postumamente, junto com sua obra completa. É que fermat, bastante modesto, era avesso a publicar seus trabalhos. Disso resulta, em parte, o fato de Descartes comumente ser mais lembrado como criador da Geometria Analítica.

O interesse de Descartes pela matemática surgiu cedo, no “College de la Fleche”, escola do mais alto padrão, dirigida por jesuítas, na qual ingressará aos oito anos de idade. Mas por uma razão muito especial e que já revelava seus pendores filosóficos: a certeza que as demonstrações ou justificativas matemáticas proporcionam. Aos vinte e um anos de idade, depois de freqüentar rodas matemáticas em Paris (além de outras) já graduado em Direito, ingressa voluntariamente na carreira das armas, uma das poucas opções “dignas” que se ofereciam a um jovem como ele, oriundo da nobreza menor da França. Durante os quase nove anos que serviu em vários exércitos, não se sabe de nenhuma proeza militar realizada por Descartes. É que as batalhas que ocupavam seus pensamentos e seus sonhos travavam-se no campo da ciência e da filosofia.

A Geometria Analítica de Descartes apareceu em 1637 no pequeno texto chamado A Geometria como um dos três apêndices do Discurso do método, obra considerada o marco inicial da filosofia moderna. Nela, em resumo, Descartes defende o método matemático como modelo para a aquisição de conhecimentos em todos os campos.

A Geometria Analítica, como é hoje, pouco se assemelha às contribuições deixadas por Fermat e Descartes. Inclusive sua marca mais característica, um par de eixos ortogonais, não usada por nenhum deles. Mais, cada um a seu modo, sabiam que a idéia central era associar equações a curvas e superfícies. Neste particular, Fermat foi mais feliz. Descartes superou Fermat na notação algébrica.

Origem dos Sistemas Lineares e Determinantes


 

Origem dos Sistemas Lineares e Determinantes

Na matemática ocidental antiga são poucas as aparições de sistemas de equações lineares. No Oriente, contudo, o assunto mereceu atenção bem maior. Com seu gosto especial por diagramas, os chineses representavam os sistemas lineares por meio de seus coeficientes escritos com barras de bambu sobre os quadrados de um tabuleiro. Assim acabaram descobrindo o método de resolução por eliminação — que consiste em anular coeficientes por meio de operações elementares. Exemplos desse procedimento encontram-se nos Nove capítulos sobre a arte da matemática, um texto que data provavelmente do século 111 a.C.

Mas foi só em 1683, num trabalho do japonês Seki Kowa, que a idéia de determinante (como polinômio que se associa a um quadrado de números) veio à luz. Kowa, considerado o maior matemático japonês do século XVII, chegou a essa noção através do estudo de sistemas lineares, sistematizando o velho procedimento chinês (para o caso de duas equações apenas).

O uso de determinantes no Ocidente começou dez anos depois num trabalho de Leibniz, ligado também a sistemas lineares. Em resumo, Leibniz estabeleceu a condição de compatibilidade de um sistema de três equações a duas incógnitas em termos do determinante de ordem 3 formado pelos coeficientes e pelos termos independentes (este determinante deve ser nulo). Para tanto criou até uma notação com índices para os coeficientes: o que hoje, por exemplo, escreveríamos como a12, Leibniz indicava por 12.

A conhecida regra de Cramer para resolver sistemas de n equações a n incógnitas, por meio de determinantes, é na verdade uma descoberta do escocês Colin Maclaurin (1698-1746), datando provavelmente de 1729, embora só publicada postumamente em 1748 no seu Treatise of algebra. Mas o nome do suíço Gabriel Cramer (1704-1752) não aparece nesse episódio de maneira totalmente gratuita. Cramer também chegou à regra (independentemente), mas depois, na sua Introdução à análise das curvas planas (1750), em conexão com o problema de determinar os coeficientes da cônica geral A + By + Cx + Dy2 + Exy + x2 = 0.

O francês Étienne Bézout (1730-1783), autor de textos matemáticos de sucesso em seu tempo, sistematizou em 1764 o processo de estabelecimento dos sinais dos termos de um determinante. E coube a outro francês, Alexandre Vandermonde (1735-1796), em 1771, empreender a primeira abordagem da teoria dos determinantes independente do estudo dos sistemas lineares — embora também os usasse na resolução destes sistemas. O importante teorema de Laplace, que permite a expansão de um determinante através dos menores de r filas escolhidas e seus respectivos complementos algébricos, foi demonstrado no ano seguinte pelo próprio Laplace num artigo que, a julgar pelo título, nada tinha a ver com o assunto: “Pesquisas sobre o cálculo integral e o sistema do mundo”.

O termo determinante, com o sentido atual, surgiu em 1812 num trabalho de Cauchy sobre o assunto. Neste artigo, apresentado à Academia de Ciências, Cauchy sumariou e simplificou o que era conhecido até então sobre determinantes, melhorou a notação (mas a atual com duas barras verticais ladeando o quadrado de números só surgiria em 1841 com Arthur Cayley) e deu uma demonstração do teorema da multiplicação de determinantes — meses antes J. F. M. Binet (1786-1856) dera a primeira demonstração deste teorema, mas a de Cauchy era superior.

Além de Cauehy, quem mais contribuiu para consolidar a teoria dos determinantes foi o alemão Carl G. J. Jacobi (1804-1851), cognominado às vezes “o grande algorista”. Deve-se a ele a forma simples como essa teoria se apresenta hoje elementarmente. Como algorista, Jacobi era um entusiasta da notação de determinante, com suas potencialidades. Assim, o importante conceito de jacobiano de uma função, salientando um dos pontos mais característicos de sua obra, é uma homenagem das mais justas.

ORIGEM DO CONCEITO DE DERIVADA DE UMA FUNÇÃO


ORIGEM DO CONCEITO DE
DERIVADA DE UMA FUNÇÃO

O conceito de função que hoje pode parecer simples, é o resultado de uma lenta e longa evolução histórica iniciada na Antiguidade quando, por exemplo, os matemáticos Babilónios utilizaram tabelas de quadrados e de raízes quadradas e cúbicas ou quando os Pitagóricos tentaram relacionar a altura do som emitido por cordas submetidas à mesma tensão com o seu comprimento. Nesta época o conceito de função não estava claramente definido: as relações entre as variáveis surgiam de forma implícita e eram descritas verbalmente ou por um gráfico.

Só no séc. XVII, quando Descartes e Pierre Fermat introduziram as coordenadas cartesianas, se tornou possível transformar problemas geométricos em problemas algébricos e estudar analiticamente funções. A Matemática recebe assim um grande impulso, nomeadamente na sua aplicabilidade a outras ciências – os cientistas passam, a partir de observações ou experiências realizadas, a procurar determinar a fórmula ou função que relaciona as variáveis em estudo. A partir daqui todo o estudo se desenvolve em torno das propriedades de tais funções. Por outro lado, a introdução de coordenadas, além de facilitar o estudo de curvas já conhecidas permitiu a “criação” de novas curvas, imagens geométricas de funções definidas por relacões entre variáveis.

Foi enquanto se dedicava ao estudo de algumas destas funções que Fermat deu conta das limitações do conceito clássico de reta tangente a uma curva como sendo aquela que encontrava a curva num único ponto. Tornou-se assim importante reformular tal conceito e encontrar um processo de traçar uma tangente a um gráfico num dado ponto – esta dificuldade ficou conhecida na História da Matemática como o ” Problema da Tangente”.

Fermat resolveu esta dificuldade de uma maneira muito simples: para determinar uma tangente a uma curva num ponto P considerou outro ponto Q sobre a curva; considerou a reta PQ secante à curva. Seguidamente fez deslizar Q ao longo da curva em direcção a P, obtendo deste modo retas PQ que se aproximavam duma reta t a que Fermat chamou a reta tangente à curva no ponto P.

Fermat notou que para certas funções, nos pontos onde a curva assumia valores extremos, a tangente ao gráfico devia ser uma reta horizontal, já que ao comparar o valor assumido pela função num desses pontos P(x, f(x)) com o valor assumido no outro ponto Q(x+E, f(x+E)) próximo de P, a diferença entre f(x+E) e f(x) era muito pequena, quase nula, quando comparada com o valor de E, diferença das abcissas de Q e P. Assim, o problema de determinar extremos e de determinar tangentes a curvas passam a estar intimamente relacionados.

Estas ideias constituiram o embrião do conceito de DERIVADA e levou Laplace a considerar Fermat “o verdadeiro inventor do Cálculo Diferencial”. Contudo, Fermat não dispunha de notação apropriada e o conceito de limite não estava ainda claramente definido.

No séc.XVII, Leibniz algebriza o Cálculo Infinitésimal, introduzindo os conceitos de variável, constante e parâmetro, bem como a notação dx e dy para designar “a menor possível das diferenças em x e em y. Desta notação surge o nome do ramo da Matemática conhecido hoje como ” Cálculo Diferencial “.

Assim, embora só no século XIX Cauchy introduzia formalmente o conceito de limite e o conceito de derivada, a partir do séc. XVII, com Leibniz e Newton, o Cálculo Diferencial torna-se um instrumento cada vez mais indispensável pela sua aplicabilidade aos mais diversos campos da Ciência.

ORIGEM DO ZERO


ORIGEM DO ZERO

Embora a grande invenção prática do zero seja atribuída aos hindus, desenvolvimentos parciais ou limitados do conceito de zero são evidentes em vários outros sistemas de numeração pelo menos tão antigos quanto o sistema hindu, se não mais. Porém o efeito real de qualquer um desses passos mais antigos sobre o desenvolvimento pleno do conceito de zero – se é que de fato tiveram algum efeito – não está claro.

O sistema sexagesimal babilônico usado nos textos matemáticos e astronômicos era essencialmente um sistema posicional, ainda que o conceito de zero não estivesse plenamente desenvolvido. Muitas das tábuas babilônicas indicam apenas um espaço entre grupos de símbolos quando uma potência particular de 60 não era necessária, de maneira que as potências exatas de 60 envolvidas devem ser determinadas, em parte, pelo contexto. Nas tábuas babilônicas mais tardias (aquelas dos últimos três séculos a.C.) usava-se um símbolo para indicar uma potência ausente, mas isto só ocorria no interior de um grupo numérico e não no final. Quando os gregos prosseguiram o desenvolvimento de tabelas astronômicas, escolheram explicitamente o sistema sexagesimal babilônico para expressar suas frações, e não o sistema egípcio de frações unitárias. A subdivisão repetida de uma parte em 60 partes menores precisava que às vezes “nem uma parte” de uma unidade fosse envolvida, de modo que as tabelas de Ptolomeu no Almagesto (c.150 d.C.) incluem o símbolo ou 0 para indicar isto. Bem mais tarde, aproximadamente no ano 500, textos gregos usavam o ômicron, que é a primeira letra palavra grega oudem (“nada”). Anteriormente, o ômicron, restringia a representar o número 70, seu valor no arranjo alfabético regular.

Talvez o uso sistemático mais antigo de um símbolo para zero num sistema de valor relativo se encontre na matemática dos maias das Américas Central e do Sul. O símbolo maia do zero era usado para indicar a ausência de quaisquer unidades das várias ordens do sistema de base vinte modificado. Esse sistema era muito mais usado, provavelmente, para registrar o tempo em calendários do que para propósitos computacionais.

É possível que o mais antigo símbolo hindu para zero tenha sido o ponto negrito, que aparece no manuscrito Bakhshali, cujo conteúdo talvez remonte do século III ou IV d.C., embora alguns historiadores o localize até no século XII. Qualquer associação do pequeno círculo dos hindus, mais comuns, com o símbolo usado pelos gregos seria apenas uma conjectura.

Como a mais antiga forma do símbolo hindu era comumente usado em inscrições e manuscritos para assinalar um espaço em branco, era chamado sunya, significando “lacuna” ou “vazio”. Essa palavra entrou para o árabe como sifr, que significa “vago”. Ela foi transliterada para o latim como zephirum ou zephyrum por volta do ano 1200, mantendo-se seu som mas não seu sentido. Mudanças sucessivas dessas formas, passando inclusive por zeuero, zepiro e cifre, levaram as nossas palavras “cifra” e “zero”. O significado duplo da palavra “cifra” hoje – tanto pode se referir ao símbolo do zero como a qualquer dígito – não ocorria no original hindu.

Fonte. Tópicos de História da Matemática para uso em sala de aula; números e numerais, de Bernard GUNDLACH.

ORIGEM DAS PROBABILIDADES


ORIGEM DAS PROBABILIDADES

O passo decisivo para fundamentação teórica da inferência estatística, associa-se ao desenvolvimento do cálculo das probabilidades. A origem deste costuma atribuir-se a questões postas a Pascal (1623-1662) pelo célebre cavaleiro Méré, para alguns autores um jogador inveterado, para outros um filósofo e homem de letras. Parece, no entanto, mais verosímil aceitar que as questões postas por Méré (1607-1684) eram de natureza teórica e não fruto da prática de jogos de azar. Parece, também, aceitável que não foram essas questões que deram origem ao cálculo das probabilidades. Do que não resta dúvida é de que a correspondência trocada entre Pascal e Fermat (1601-1665) – em que ambos chegam a uma solução correta do célebre problema da divisão das apostas – representou um significativo passo em frente no domínio das probabilidades.

Também há autores que sustentam que o cálculo das probabilidades teve a sua origem na Itália com Paccioli (1445-1514), Cardano (1501-1576), Tartaglia (1499-1557), Galileo (1564-1642) e outros. Se é certo que nomeadamente Cardano no seu livro Liber de Ludo Aleae, não andou longe de obter as probabilidades de alguns acontecimentos, a melhor forma de caracterizar o grupo é dizer que marca o fim da pré- história da teoria das probabilidades. Três anos depois de Pascal ter previsto que aliança do rigor geométrico com a incerteza do azar daria origem a uma nova ciência, Huyghens (1629-1645), entusiasmado pelo desejo de ” dar regras a coisas que parecem escapar á razão humana” publicou “De Ratiociniis in Ludo Aleae” que é considerado como sendo o primeiro livro sobre cálculo das probabilidades e tem a particularidade notável de introduzir o conceito de esperança matemática.

Leibniz (1646-1716), como pensador ecléctico que era, não deixou de se ocupar das probabilidades. Publicou, com efeito, duas obras, uma sobre a ” arte combinatória” e outra sobre as aplicações do cálculo das probabilidades às questões financeiras. Foi ainda devido ao conselho de Leibniz que Jacques Bernoulli se dedicou ao aperfeiçoamento da teoria das probabilidades. A sua obra “Ars Conjectandi”, foi publicada oito anos depois da sua morte e nela o primeiro teorema limite da teoria das probabilidades é rigorosamente provado. Pode dizer-se que foi devido às contribuições de Bernoulli que o cálculo das probabilidades adquiriu o estatuto de ciência. São fundamentais para o desenvolvimento do cálculo das probabilidades as contribuições dos astrónomos, Laplace, Gauss e Quetelet.

ORIGEM DOS NÚMEROS NEGATIVOS


ORIGEM DOS NÚMEROS NEGATIVOS

O número é um conceito fundamental em Matemática que tomou forma num longo desenvolvimento histórico. A origem e formulação deste conceito ocorreu simultaneamente com o despontar, entenda-se nascimento, e desenvolvimento da Matemática. As atividades práticas do homem, por um lado, e as exigências internas da Matemática por outro determinaram o desenvolvimento do conceito de número. A necessidade de contar objetos levou ao aparecimento do conceito de número Natural.

Todas as nações que desenvolveram formas de escrita introduziram o conceito de número Natural e desenvolveram um sistema de contagem. O desenvolvimento subsequente do conceito de número prosseguiu principalmente devido ao próprio desenvolvimento da Matemática. Os números negativos aparecem pela primeira vez na China antiga. Os chineses estavam acostumados a calcular com duas coleções de barras – vermelha para os números positivos e preta para os números negativos.No entanto, não aceitavam a ideia de um número negativo poder ser solução de uma equação. Os Matemáticos indianos descobriram os números negativos quando tentavam formular um algoritmo para a resolução de equações quadráticas. São exemplo disso as contribuições de Brahomagupta, pois a aritmética sistematizada dos números negativos encontra-se pela primeira vez na sua obra. As regras sobre grandezas eram já conhecidas através dos teoremas gregos sobre subtracção, como por exemplo (a -b)(c -d) = ac +bd -ad -bc, mas os hindus converteram-nas em regras numéricas
sobre números negativos e positivos.

Diofanto (Séc. III) operou facilmente com os números negativos. Eles apareciam constantemente em cálculos intermédios em muitos problemas do seu “Aritmetika”, no entanto havia certos problemas para o qual as soluções eram valores inteiros negativos como por exemplo:

4 = 4x +20
3x -18 = 5x^2

Nestas situações Diofanto limitava-se a classificar o problema de absurdo. Nos séculos XVI e XVII, muitos matemáticos europeus não apreciavam os números negativos e, se esses números apareciam nos seus cálculos, eles consideravam-nos falsos ou impossíveis. Exemplo deste facto seria Michael Stifel (1487- 1567) que se recusou a admitir números negativos como raízes de uma equação, chamando-lhes de “numeri absurdi”. Cardano usou os números negativos embora chamando-os de “numeri ficti”. A situação mudou a partir do (Séc.XVIII) quando foi descoberta uma interpretação geométrica dos números positivos e negativos como sendo segmentos de direções opostas.

Demonstração da regra dos sinais (segundo Euler)

Euler, um virtuoso do cálculo como se constata nos seus artigos científicos pela maneira audaz como manejava os números relativos e sem levantar questões quanto à legitimidade das suas construções forneceu uma explicação ou justificação para a regra os sinais. Consideremos os seus argumentos:

1- A multiplicação de uma dívida por um número positivo não oferece dificuldade, pois 3 dívidas de a escudos é uma dívida de 3a escudos, logo (b).(-a) = -ab.

2- Por comutatividade, Euler deduziu que (-a).(b) = -ab
Destes dois argumentos conclui que o produto de uma quantidade positiva por uma quantidade negativa e vice-versa é uma quantidade negativa.

3- Resta determinar qual o produto de (-a) por (-b). É evidente diz Euler que o valor absoluto é ab. É pois então necessário decidir-se entre ab ou -ab. Mas como (-a) ´ b é -ab, só resta como única possibilidade que (-a).(-b) = +ab.

É claro que este tipo de argumentação vem demonstrar que qualquer “espírito” mais zeloso, como Stendhal, não pode ficar satisfeito, pois principalmente o terceiro argumento de Euler não consegue provar ou mesmo justificar coerentemente que – por – = +. No fundo, este tipo de argumentação denota que Euler não tinha ainda conhecimentos suficientes para justificar estes resultados aceitalvelmente. Na mesma obra de Euler podemos verificar que ele entende os números negativos como sendo apenas uma quantidade que se pode representar por uma letra precedida do sinal – (menos). Euler não compreende ainda que os números negativos são quantidades menores que zero.

ORIGEM DOS NÚMEROS IRRACIONAIS


ORIGEM DOS NÚMEROS IRRACIONAIS

A origem histórica da necessidade de criação dos números irracionais está intimamente ligada com fatos de natureza geométrica e de natureza aritemética. Os de natureza geométrica podem ser ilustrados com o problema da medida da diagonal do quadrado quando a comparamos com o seu lado.

Este problema geométrico arrasta outro de natureza aritemética, que consiste na impossibilidade de encontrar números conhecidos – racionais – para raízes quadradas de outros números, como por exemplo, raiz quadrada de 2. Estes problemas já eram conhecidos da Escola Pitagórica (séc. V a.c.), que considerava os irracionais heréticos. A Ciência grega consegui um aprofundamento de toda a teoria dos números racionais, por via geométrica – “Elementos de Euclides” – mas não avançou, por razões essencialmente filosóficas, no campo do conceito de número. Para os gregos, toda a figura geométrica era formada por um número finito de pontos, sendo estes concebidos como minúsculos corpúsculos – “as mónadas” – todos iguais entre si; daí resultava que, ao medir um comprimento de n mónadas com outro de m, essa medida seria sempre representada por uma razão entre dois inteiros n/m (número racional); tal comprimento incluía-se, então na categoria dos comensuráveis. Ao encontrar os irracionais, aos quais não conseguem dar forma de fracção, os matemáticos gregos são levados a conceber grandezas incomensuráveis. A reta onde se marcavam todos os racionais era, para eles, perfeitamente contínua; admitir os irracionais era imaginála cheia de “buracos”. É no séc. XVII, com a criação da Geometria Analítica (Fermat e Descartes), que se estabelece a simbiose do geométrico com o algébrico, favorecendo o tratamento aritemético do comensurável e do incomensurável. Newton (1642-1727) define pela primeira vez “número”, tanto racional como irracional.
O IRRACIONAL ø

ø =1,6180339887… ou ø =(1 + sqr(5))/2 é considerado símbolo de harmonia. Os artistas gregos usavam-no em arquitetura; Leonardo da Vinci, nos seus trabalhos artísticos; e, no mundo moderno, o arquiteto Le Corbusier, com base nele, apresentou, em 1948, O modulor. O número de ouro descobre-se em relações métricas:
- na natureza: em animais (como na concha do Nautilus) flores, frutos, na disposição dos ramos de certas árvores;
- em figuras geométricas, tais como o retângulo de ouro, hexágono e decágono regulares e poliedros regulares;
- em inúmeros monumentos, desde a Pirâmide de Quéops até diversas catedrais, na escultura, pintura e até na música.

ORIGEM DOS SINAIS


 

Adição ( + ) e subtração ( – )


O emprego regular do sinal + ( mais ) aparece na Aritmética Comercial de João Widman d’Eger publicada em Leipzig em 1489.
Entretanto, representavam não à adição ou à subtração ou aos números positivos ou negativos, mas aos excessos e aos déficit em problemas de negócio. Os símbolos positivos e negativos vieram somente ter uso geral na Inglaterra depois que foram usados por Robert Recorde em 1557.Os símbolos positivos e negativos foram usados antes de aparecerem na escrita. Por exemplo: foram pintados em tambores para indicar se os tambores estavam cheios ou não.

Os antigos matemáticos gregos, como se observa na obra de Diofanto, limitavam-se a indicar a adição juntapondo as parcelas – sistema que ainda hoje adotamos quando queremos indicar a soma de um número inteiro com uma fração. Como sinal de operação mais usavam os algebristas italianos a letra P, inicial da palavra latina plus.

Multiplicação ( . ) e divisão ( : )

O sinal de X, como que indicamos a multiplicação, é relativamente moderno. O matemático inglês Guilherme Oughtred empregou-o pela primeira vez, no livro Clavis Matematicae publicado em 1631. Ainda nesse mesmo ano, Harriot, para indicar também o produto a efetuar, colocava um ponto entre os fatores. Em 1637, Descartes já se limitava a escrever os fatores justapostos, indicando, desse modo abreviado, um produto qualquer. Na obra de Leibniz escontra-se o sinal para indicar multiplicação: esse mesmo símbolo colocado de modo inverso indicava a divisão.
O ponto foi introduzido como um símbolo para a multiplicação por G. W. Leibniz. Julho em 29, 1698, escreveu em uma carta a John Bernoulli: “eu não gosto de X como um símbolo para a multiplicação, porque é confundida facilmente com x; freqüentemente eu relaciono o produto entre duas quantidades por um ponto . Daí, ao designar a relação uso não um ponto mas dois pontos, que eu uso também para a divisão.”
As formas a/b e , indicando a divisão de a por b, são atribuídas aos árabes: Oughtred, e, 1631, colocava um ponto entre o dividendo o divisor. A razão entre duas quantidades é indicada pelo sinal :, que apareceu em 1657 numa obra de Oughtred. O sinal ÷, segundo Rouse Ball, resultou de uma combinação de dois sinais existentes – e :

Sinais de relação ( =, < e > )

Robert Recorde, matemático inglês, terá sempre o seu nome apontado na história da Matemática por ter sido o primeiro a empregar o sinal = ( igual ) para indicar igualdade. No seu primeiro livro, publicado em 1540, Record colocava o símbolo entre duas expressões iguais; o sinal = ; constituído por dois pequenos traços paralelos, só apareceu em 1557. Comentam alguns autores que nos manuscritos da Idade Média o sinal = aparece como uma abreviatura da palavra est.
Guilherme Xulander, matemático alemão, indicava a igualdade , em fins do século XVI, por dois pequenos traços paralelos verticais; até então a palavra aequalis aparecia, por extenso, ligando os dois membros da igualdade.

Os sinais > ( maior que ) e < ( menor que ) são devidos a Thomaz Harriot, que muito contribuiu com seus trabalhos para o desenvolvimento da análise algébrica.

A História da Matemática Comercial e Financeira


A História da Matemática Comercial e Financeira

TUDO sobre o nosso MUNDO:

Trabalho fornecido ao Só Matemática pelo
Prof. Jean Piton-Gonçalves em agosto de 2005

I-) Introdução

É bastante antigo o conceito de juros, tendo sido amplamente divulgado e utilizado ao longo da História. Esse conceito surgiu naturalmente quando o Homem percebeu existir uma estreita relação entre o dinheiro e o tempo. Processos de acumulação de capital e a desvalorização da moeda levariam normalmente a idéia de juros, pois se realizavam basicamente devido ao valor temporal do dinheiro.

As tábuas mais antigas mostram um alto grau de habilidade computacional e deixam claro que o sistema sexagesimal posicional já estava de longa data estabelecida. Há muitos textos desses primeiros tempos que tratam da distribuição de produtos agrícolas e de cálculos aritméticos baseados nessas transações. As tábuas mostram que os sumérios antigos estavam familiarizados com todos os tipos de contratos legais e usuais, como faturas, recibos, notas promissórias, crédito, juros simples e compostos, hipotecas, escrituras de venda e endossos.

Há tábuas que são documentos de empresas comerciais e outras que lidam com sistemas de pesos e medidas. Muitos processos aritméticos eram efetuados com a ajuda de várias tábuas.Das 400 tábuas matemáticas cerca de metade eram tábuas matemáticas. Estas últimas envolvem tábuas de multiplicação, tábuas de inversos multiplicativos, tábuas de quadrados e cubos e mesmo tábuas de exponenciais. Quanto a estas, provavelmente eram usadas, juntamente com a interpelação, em problemas de juros compostos. As tábuas de inversos eram usadas para reduzir a divisão à multiplicação.

II-) Os Juros e os Impostos

Os juros e os impostos existem desde a época dos primeiros registros de civilizações existentes na Terra. Um dos primeiros indícios apareceu na já na Babilônia no ano de 2000 aC. Nas citações mais antigas, os juros eram pagos pelo uso de sementes ou de outras conveniências emprestadas; os juros eram pagos sob a forma de sementes ou de outros bens. Muitas das práticas existentes originaram-se dos antigos costumes de empréstimo e devolução de sementes e de outros produtos agrícolas.

A História também revela que a idéia se tinha tornado tão bem estabelecida que já existia uma firma de banqueiros internacionais em 575 aC, com os escritórios centrais na Babilônia. Sua renda era proveniente das altas taxas de juros cobradas pelo uso de seu dinheiro para o financiamento do comércio internacional. O juro não é apenas uma das nossas mais antigas aplicações da Matemática Financeira e Economia, mas também seus usos sofreram poucas mudanças através dos tempos.

Como em todas as instruções que tem existido por milhares de anos, algumas das práticas relativas a juros tem sido modificadas para satisfazerem às exigências atuais, mas alguns dos antigos costumes ainda persistem de tal modo que o seu uso nos dias atuais ainda envolve alguns procedimentos incômodos. Entretanto, devemos lembrar que todas as antigas práticas que ainda persistem foram inteiramente lógicas no tempo de sua origem. Por exemplo, quando as sementes eram emprestadas para a semeadura de uma certa área, era lógico esperar o pagamento na próxima colheita – no prazo de um ano. Assim, o cálculo de juros numa base anual era mais razoável; tão quanto o estabelecimento de juros compostos para o financiamento das antigas viagens comerciais, que não poderiam ser concluídas em um ano.Conforme a necessidade de cada época, foi se criando novas formas de se trabalhar com a relação tempo-juros (juros semestral, bimestral, diário, etc).

Há tábuas nas coleções de Berlirn, de Yale e do Louvre que contêm problemas sobre juros compostos e há algumas tábuas em Istambul que parecem ter sido original- mente tábuas de a’ para n de 1 a 10 e para a = 9, 16, 100 e 225. Com essas tábuas podem-se resolver equações exponenciais do tipo a’ = b. Em uma tábua do Louvre, de cerca de 1700 a.C., há o seguinte problema: Por quanto tempo deve-se aplicar uma certa soma de dinheiro a juros compostos anuais de 20% para que ela dobre?.

HISTÓRIA DA ÁLGEBRA


 

HISTÓRIA DA ÁLGEBRA


(uma visão geral)

Fonte: Tópicos de História da Matemática – John K. Baumgart

Estranha e intrigante é a origem da palavra “álgebra”. Ela não se sujeita a uma etimologia nítida como, por exemplo, a palavra “aritmética”, que deriva do grego arithmos (“número”). Álgebra é uma variante latina da palavra árabe al-jabr (às vezes transliterada al-jebr), usada no título de um livro, Hisab al-jabr w’al-muqabalah, escrito em Bagdá por volta do ano 825 pelo matemático árabe Mohammed ibn-Musa al Khowarizmi (Maomé, filho de Moisés, de Khowarizm). Este trabalho de álgebra é com frequência citado, abreviadamente, como Al-jabr.

Uma tradução literal do título completo do livro é a “ciência da restauração (ou reunião) e redução”, mas matematicamente seria melhor “ciência da transposição e cancelamento”- ou, conforme Boher, “a transposição de termos subtraídos para o outro membro da equação” e “o cancelamento de termos semelhantes (iguais) em membros opostos da equação”. Assim, dada a equação:

x2 + 5x + 4 = 4 – 2x + 5x3
al-jabr fornece
x2 + 7x + 4 = 4 + 5x3
e al-muqabalah fornece
x2 + 7x = 5x3
Talvez a melhor tradução fosse simplesmente “a ciência das equações”.
Ainda que originalmente “álgebra” refira-se a equações, a palavra hoje tem um significado muito mais amplo, e uma definição satisfatória requer um enfoque em duas fases:
(1) Álgebra antiga (elementar) é o estudo das equações e métodos de resolvê-las.
(2) Álgebra moderna (abstrata) é o estudo das estruturas matemáticas tais como grupos, anéis e corpos – para mencionar apenas algumas.
De fato, é conveniente traçar o desenvolvimento da álgebra em termos dessas duas fases, uma vez que a divisão é tanto cronológica como conceitual.




Equações algébricas e notação

A fase antiga (elementar), que abrange o período de 1700 a.C. a 1700 d.C., aproximadamente, caracterizou-se pela invenção gradual do simbolismo e pela resolução de equações (em geral coeficientes numéricos) por vários métodos, apresentando progressos pouco importantes até a resolução “geral” das equações cúbicas e quárticas e o inspirado tratamento das equações polinomiais em geral feito por François Viète, também conhecido por Vieta (1540-1603).

O desenvolvimento da notação algébrica evoluiu ao longo de três estágios: o retórico (ou verbal), o sincopado (no qual eram usadas abreviações de palavras) e o simbólico. No último estágio, a notação passou por várias modificações e mudanças, até tornar-se razoavelmente estável ao tempo de Isaac Newton. É interessante notar que, mesmo hoje, não há total uniformidade no uso de símbolos. Por exemplo, os americanos escrevem “3.1416″ como aproximação de Pi, e muitos europeus escrevem “3,1416″. Em alguns países europeus, o símbolo “÷” significa “menos”. Como a álgebra provavelmente se originou na Babilônia, parece apropriado ilustrar o estilo retórico com um exemplo daquela região. O problema seguinte mostra o relativo grau de sofisticação da álgebra babilônica. É um exemplo típico de problemas encontrados em escrita cuneiforme, em tábuas de argila que remontam ao tempo do rei Hammurabi. A explanação, naturalmente, é feita em português; e usa-se a notação decimal indo-arábica em vez da notação sexagesimal cuneiforme. A coluna à direita fornece as passagens correspondentes em notação moderna. Eis o exemplo:

[1] Comprimento, largura. Multipliquei comprimento por largura, obtendo assim a área: 252. Somei comprimento e largura: 32. Pede-se: comprimento e largura.

[2] [Dado] 32 soma; 252 área.
x+y=k

xy=P } … (A)

[3] [Resposta] 18 comprimento; 14 largura.

[4] Segue-se este método: Tome metade de 32 [que é 16].
k/2

16 x 16 = 256
(k/2)2

256 – 252 = 4
(k/2)2 – P = t2 } … (B)

A raiz quadrada de 4 é 2.
raiz.jpg (2149 bytes)

16 + 2 = 18 comprimento.
(k/2) + t = x.

16 – 2 = 14 largura
(k/2) – t = y.

[5] [Prova] Multipliquei 18 comprimento por 14 largura.

18 x 14 = 252 área

((k/2)+t) ((k/2)-t)

= (k2/4) – t2 = P = xy.

Nota-se que na etapa [1] o problema é formulado, na [2] os dados são apresentados, na [3] a resposta é dada, na [4] o método de solução é explicado com números e, finalmente, na [5] a resposta é testada.

A “receita” acima é usada repetidamente em problemas semelhantes. Ela tem significado histórico e interesse atual por várias razões.

Antes de tudo não é a maneira como resolveríamos hoje o sistema (A). O procedimento padrão nos atuais textos escolares de álgebra é resolver, digamos, a primeira equação para y (em termos de x), substituir na segunda equação e, então, resolver a equação quadrática resultante em x; isto é, usaríamos o método de substituição. Os babilônios também sabiam resolver sistemas por substituição, mas frequentemente preferiam usar seu método paramétrico. Ou seja, usando-se notação moderna, eles concebiam x e y em termos de uma nova incógnita (ou parâmetro) t fazendo x=(k/2)+t e y=(k/2)-t.

Então o produto

xy = ((k/2) + t) ((k/2) – t) = (k/2)2 – t2 = P

levava-os à relação (B):

(k/2)2 – P = t2

Em segundo lugar, o problema acima tem significado histórico porque a álgebra grega (geométrica) dos pitagóricos e de Euclides seguia o mesmo método de solução – traduzida, entretanto, em termos de segmentos de retas e áreas e ilustrada por figuras geométricas. Alguns séculos depois, outro grego, Diofanto, também usou a abordagem paramétrica em seu trabalho com equações “diofantinas”. Ele deu início ao simbolismo moderno introduzindo abreviações de palavras e evitando o estilo um tanto intrincado da álgebra geométrica.

Em terceiro lugar, os matemáticos árabes (inclusive al-Khowarizmi) não usavam o método empregado no problema acima; preferiam eliminar uma das incógnitas por substituição e expressar tudo em termos de palavras e números.

Antes de deixar a álgebra babilônica, notemos que eles eram capazes de resolver uma variedade surpreendente de equações, inclusive certos tipos especiais de cúbicas e quárticas – todas com coeficientes numéricos, naturalmente.


Álgebra no Egito

A álgebra surgiu no Egito quase ao mesmo tempo que na Babilônia; mas faltavam à álgebra egípcia os métodos sofisticados da álgebra babilônica, bem como a variedade de equações resolvidas, a julgar pelo Papiro Moscou e o Papiro Rhind – documentos egípcios que datam de cerca de 1850 a.C. e 1650 a.C., respectivamente, mas refletem métodos matemáticos de um período anterior. Para equações lineares, os egípcios usavam um método de resolução consistindo em uma estimativa inicial seguida de uma correção final – um método ao qual os europeus posteriormente deram o nome umtanto abstruso de “regra da falsa posição”. A álgebra do Egito, como a da Babilônia, era retórica.

O sistema de numeração egípcio, relativamente primitivo em comparação com o dos babilônios, ajuda a explicar a falta de sofisticação da álgebra egípcia. Os matemáticos europeus do século XVI tiveram de estender a noção indo-arábica de número antes de poderem avançar significativamente além dos resultados babilônios de resolução de equações.


Álgebra geométrica grega

A álgebra grega conforme foi formulada pelos pitagóricos e por Euclides era geométrica. Por exemplo, o que nós escrevemos como:

(a+b)2 = a2 + 2ab + b2

era concebido pelos gregos em termos do diagrama apresentado na Figura 1 e era curiosamente enunciado por Euclides em Elementos, livro II, proposição 4:

Se uma linha reta é dividida em duas partes quaisquer, o quadrado sobre a linha toda é igual aos quadrados sobre as duas partes, junto com duas vezes o retângulo que as partes contém. [Isto é, (a+b)2 = a2 + 2ab + b2.]

Somos tentados a dizer que, para os gregos da época de Euclides, a2 era realmente um quadrado.

Não há dúvida de que os pitagóricos conheciam bem a álgebra babilônica e, de fato, seguiam os métodos-padrão babilônios de resolução de equações. Euclides deixou registrados esses resultados pitagóricos. Para ilustrá-lo, escolhemos o teorema correspondente ao problema babilônio considerado acima.

Figura1.jpg (4336 bytes)

Do livro VI dos Elementos, temos a proposição 28 (uma versão simplificada):

Dada uma linha reta AB [isto é, x+y=k], construir ao longo dessa linha um retângulo com uma dada área [xy = P], admitindo que o retângulo “fique aquém” em AB por uma quantidade “preenchida” por outro retângulo [o quadrado BF na Figura 2], semelhante a um dado retângulo [que aqui nós admitimos ser qualquer quadrado].

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Na solução desta construção solicitada (Fig.2) o trabalho de Euclides é quase exatamente paralelo à solução babilônica do problema equivalente. Conforme indicado por T.L.Heath / EUCLID: II, 263/, os passos são os seguintes:

Bissecte AB em M:
k/2

Construa o quadrado MBCD:
(k/2)2

Usando VI, 25, construa o quadrado DEFG com área igual ao excesso de MBCD sobre a área dada P:
t2 = (k/2)2 – P

Então é claro que
y = (k/2) – t

Como fazia frequentemente, Euclides deixou o outro caso para o estudante – neste caso, x=(k/2)+t, o que Euclides certamente percebeu mas não formulou.

É de fato notável que a maior parte dos problemas-padrão babilônicos tenham sido “refeitos” desse modo por Euclides. Mas por quê? O que levou os gregos a darem à sua álgebra esta formulação desajeitada? A resposta é básica: eles tinham dificuldades conceituais com frações e números irracionais.

Mesmo que os matemáticos gregos fossem capazes de contornar as frações, tratando-as como razões de inteiros, eles tinham dificuldades insuperáveis com números como a raiz quadrada de 2, por exemplo. Lembramos o “escândalo lógico” dos pitagóricos quando descobriram que a diagonal de um quadrado unitário é incomensurável com o lado (ou seja, diag/lado é diferente da razão de dois inteiros).

Assim, foi seu estrito rigor matemático que os forçou a usar um conjunto de segmentos de reta como domínio conveniente de elementos. Pois, ainda que raiz quadrada de 2 não possa ser expresso em termos de inteiros ou suas razões, pode ser representado como um segmento de reta que é precisamente a diagonal do quadrado unitário. Talvez não seja apenas um gracejo dizer que o contínuo linear era literalmente linear.

De passagem devemos mencionar Apolônio (c. 225 a.C.), que aplicou métodos geométricos ao estudo das secções cônicas. De fato, seu grande tratado Secções cônicas contém mais geometria analítica das cônicas – toda fraseada em terminologia geométrica – do que os cursos universitários de hoje.

A matemática grega deu uma parada brusca. A ocupação romana tinha começado, e não encorajava a erudição matemática, ainda que estimulasse alguns outros ramos da cultura grega. Devido ao estilo pesado da álgebra geométrica, esta não poderia sobreviver somente na tradição escrita; necessitava de um meio de comunicação vivo, oral. Era possível seguir o fluxo de idéias desde que um instrutor apontasse para diagramas e explicasse; mas as escolas de instrução direta não sobreviveram.


Álgebra na Europa

A álgebra que entrou na Europa (via Liber abaci de Fibonacci e traduções) havia regredido tanto em estilo como em conteúdo. O semi-simbolismo (sincopação) de Diofanto e Brahmagupta e suas realizações relativamente avançadas não estavam destinados a contribuir para uma eventual irrupção da álgebra.

A renascença e o rápido florescimento da álgebra na Europa foram devidos aos seguintes fatores:

  1. facilidade de manipular trabalhos numéricos através do sistema de numeração indo-arábico, muito superior aos sistemas (tais como o romano) que requeriam o uso do ábaco;

  2. invenção da imprensa com tipos móveis, que acelerou a padronização do simbolismo mediante a melhoria das comunicações, baseada em ampla distribuição;

  3. ressurgimento da economia, sustentando a atividade intelectual; e a retomada do comércio e viagens, facilitando o intercâmbio de idéias tanto quanto de bens.

Cidades comercialmente fortes surgiram primeiro na Itália, e foi lá que o renascimento algébrico na Europa efetivamente teve início.

HISTÓRIA DA GEOMETRIA


HISTÓRIA DA GEOMETRIA

Uma estranha construção feita pelos antigos persas para estudar o movimento dos astros. Um compasso antigo. Um vetusto esquadro e, sob ele, a demonstração figurada do teorema de Pitágoras. Um papiro com desenhos geométricos e o busto do grande Euclides. São etapas fundamentais no desenvolvimento da Geometria. Mas, muito antes da compilação dos conhecimentos existentes, os homens criavam, ao sabor da experiência, as bases da Geometria. E realizavam operações mentais que depois seriam concretizadas nas figuras geométricas.

Uma medida para a vida

As origens da Geometria (do grego medir a terra) parecem coincidir com as necessidades do dia-a-dia. Partilhar terras férteis às margens dos rios, construir casas, observar e prever os movimentos dos astros, são algumas das muitas atividades humanas que sempre dependeram de operações geométricas. Documentos sobre as antigas civilizações egípcia e babilônica comprovam bons conhecimentos do assunto, geralmente ligados à astrologia. Na Grécia, porém, é que o gênio de grandes matemáticos lhes deu forma definitiva. Dos gregos anteriores a Euclides, Arquimedes e Apolônio, consta apenas o fragmento de um trabalho de Hipócrates. E o resumo feito por Proclo ao comentar os “Elementos” de Euclides, obra que data do século V a.C., refere-se a Tales de Mileto como o introdutor da Geometria na Grécia, por importação do Egito.

Pitágoras deu nome a um importante teorema sobre o triângulo-retângulo, que inaugurou um novo conceito de demonstração matemática. Mas enquanto a escola pitagórica do século VI a.C. constituía uma espécie de seita filosófica, que envolvia em mistério seus conhecimentos, os “Elementos” de Euclides representam a introdução de um método consistente que contribui há mais de vinte séculos para o progresso das ciências. Trata-se do sistema axiomático, que parte dos conceitos e proposições admitidos sem demonstração (postulados o axiomas) para construir de maneira lógica tudo o mais. Assim, três conceitos fundamentais – o ponto, a reta e o círculo – e cinco postulados a eles referentes servem de base para toda Geometria chamada euclidiana, útil até hoje, apesar da existência de geometrias não-euclidianas baseadas em postulados diferentes (e contraditórios) dos de Euclides.

O corpo como unidade

As primeiras unidades de medida referiam-se direta ou indiretamente ao corpo humano: palmo, pé, passo, braça, cúbito. Por volta de 3500 a.C. – quando na Mesopotâmia e no Egito começaram a ser construídos os primeiros templos – seus projetistas tiveram de encontrar unidades mais uniformes e precisas. Adotaram a longitude das partes do corpo de um único homem (geralmente o rei) e com essas medidas construíram réguas de madeira e metal, ou cordas com nós, que foram as primeiras medidas oficiais de comprimento.

Ângulos e figuras

Tanto entre os sumérios como entre os egípcios, os campos primitivos tinham forma retangular. Também os edifícios possuíam plantas regulares, o que obrigava os arquitetos a construírem muitos ângulos retos (de 90º). Embora de bagagem intelectual reduzida, aqueles homens já resolviam o problema como um desenhista de hoje. Por meio de duas estacas cravadas na terra assinalavam um segmento de reta. Em seguida prendiam e esticavam cordas que funcionavam à maneira de compassos: dois arcos de circunferência se cortam e determinam dois pontos que, unidos, secionam perpendicularmente a outra reta, formando os ângulos retos.

O problema mais comum para um construtor é traçar, por um ponto dado, a perpendicular a uma reta. O processo anterior não resolve este problema, em que o vértice do ângulo reto já está determinado de antemão. Os antigos geômetras, o solucionavam por meio de três cordas, colocadas de modo a formar os lados de um triângulo-retângulo. Essas cordas tinham comprimentos equivalentes a 3, 4 e 5 unidades respectivamente. O teorema de Pitágoras explica porque: em todo triângulo-retângulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa (lado oposto ao ângulo reto). E 32+42=52, isto é, 9+16=25.

Qualquer trio de números inteiros ou não que respeitem tal relação definem triângulos-retângulos, que já na antiguidade foram padronizados na forma de esquadros.

Para medir superfícies

Os sacerdotes encarregados de arrecadar os impostos sobre a terra provavelmente começaram a calcular a extensão dos campos por meio de um simples golpe de vista. Certo dia, ao observar trabalhadores pavimentando com mosaicos quadrados uma superfície retangular, algum sacerdote deve ter notado que, para conhecer o total de mosaicos, bastava contar os de uma fileira e repetir esse número tantas vezes quantas fileiras houvesse. Assim nasceu a fórmula da área do retângulo: multiplicar a base pela altura.

Já para descobrir a área do triângulo, os antigos fiscais seguiram um raciocínio extremamente geométrico. Para acompanhá-lo, basta tomar um quadrado ou um retângulo e dividí-lo em quadradinhos iguais. Suponhamos que o quadrado tenha 9 “casas” e o retângulo 12. Esses números exprimem então a área dessas figuras. Cortando o quadrado em duas partes iguais, segundo a linha diagonal, aparecem dois triângulos iguais, cuja área, naturalmente, é a metade da área do quadrado.

Quando deparavam com uma superfície irregular da terra (nem quadrada, nem triangular), os primeiros cartógrafos e agrimensores apelavam para o artifício conhecido como triangulação: começando num ângulo qualquer, traçavam linhas a todos os demais ângulos visíveis do campo, e assim este ficava completamente dividido em porções triangulares, cujas áreas somadas davam a área total. Esse método – em uso até hoje – produzia pequenos erros, quando o terreno não era plano ou possuía bordos curvos.

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De fato, muitos terrenos seguem o contorno de um morro ou o curso de um rio. E construções há que requerem uma parede curva. Assim, um novo problema se apresenta: como determinar o comprimento de uma circunferência e a área de um círculo. Por circunferência entende-se a linha da periferia do círculo, sendo este uma superfície. Já os antigos geômetras observavam que, para demarcar círculos, grandes ou pequenos, era necessário usar uma corda, longa ou curta, e girá-la em torno de um ponto fixo, que era a estaca cravada no solo como centro da figura. O comprimento dessa corda – conhecido hoje como raio – tinha algo a ver com o comprimento da circunferência. Retirando a corda da estaca e colocando-a sobre a circunferência para ver quantas vezes cabia nela, puderam comprovar que cabia um pouco mais de seis vezes e um quarto. Qualquer que fosse o tamanho da corda, o resultado era o mesmo. Assim tiraram algumas conclusões: a) o comprimento de uma circunferência é sempre cerca de 6,28 vezes maior que o de seu raio; b) para conhecer o comprimento de uma circunferência, basta averiguar o comprimento do raio e multiplicá-lo por 6,28.

E a área do círculo? A história da Geometria explica-a de modo simples e interessante. Cerca de 2000 anos a.C., um escriba egípcio chamado Ahmes matutava diante do desenho de um círculo no qual havia traçado o respectivo raio. Seu propósito era encontrar a área da figura.

Conta a tradição que Ahmes solucionou o problema facilmente: antes, pensou em determinar a área de um quadrado e calcular quantas vezes essa área caberia na área do círculo. Que quadrado escolher? Um qualquer? Parecia razoável tomar o que tivesse como lado o próprio raio da figura. Assim fez, e comprovou que o quadrado estava contido no círculo mais de 3 vezes e menos de 4, ou aproximadamente, três vezes e um sétimo (atualmente dizemos 3,14 vezes). Concluiu então que, para saber a área de um círculo, basta calcular a área de um quadrado construído sobre o raio e multiplicar a respectiva área por 3,14.

O número 3,14 é básico na Geometria e na Matemática. Os gregos tornaram-no um pouco menos inexato: 3,1416. Hoje, o símbolo p (“pi”) representa esse número irracional, já determinado com uma aproximação de várias dezenas de casas decimais. Seu nome só tem uns duzentos anos e foi tirado da primeira sílaba da palavra peripheria, significando circunferência.

Novas figuras

Por volta de 500 a.C., as primeiras universidades eram fundadas na Grécia. Tales e seu discípulo Pitágoras coligiram todo o conhecimento do Egito, da Etúrria, da Babilônia, e mesmo da Índia, para desenvolvê-los e aplicá-los à matemática, navegação e religião. A curiosidade crescia e os livros sobre Geometria eram muito procurados. Um compasso logo substituiu a corda e a estaca para traçar círculos, e o novo instrumento foi incorporado ao arsenal dos geômetras. O conhecimento do Universo aumentava com rapidez e a escola pitagórica chegou a afirmar que a Terra era esférica, e não plana. Surgiam novas construções geométricas, e suas áreas e perímetros eram agora fáceis de calcular.

Uma dessas figuras foi chamada polígono, do grego polygon, que significa “muitos ângulos”. Atualmente até rotas de navios e aviões são traçadas por intermédio de avançados métodos de Geometria, incorporados ao equipamento de radar e outros aparelhos. O que não é de estranhar”desde os tempos da antiga Grécia, a Geometria sempre foi uma ciência aplicada, ou seja, empregada para resolver problemas práticos. Dos problemas que os gregos conseguiram solucionar, dois merecem referência: o cálculo da distância de um objeto a um observador e o cálculo da altura de uma construção.

No primeiro caso, para calcular, por exemplo, a distância de um barco até a costa, recorria-se a um curioso artifício. Dois observadores se postavam de maneira que um deles pudesse ver o barco sob um ângulo de 90º com relação à linha da costa e o outro sob um ângulo de 45º. Isto feito, a nave e os dois observadores ficavam exatamente nos vértices de um triângulo isósceles, porque os dois ângulos agudos mediam 45º cada um, e portanto os catetos eram iguais. Bastava medir a distância entre os dois observadores para conhecer a distância do barco até a costa.

O cálculo da altura de uma construção, de um monumento ou de uma árvore é também muito simples: crava-se verticalmente uma estaca na terra e espera-se o instante em que a extensão de sua sombra seja igual à sua altura. O triângulo formado pela estaca, sua sombra e a linha que une os extremos de ambos é isósceles. Basta medir a sombra para conhecer a altura.

HISTÓRIA DOS NÚMEROS


 

HISTÓRIA DOS NÚMEROS

Números eram letras e não símbolos

A noção de número e suas extraordinárias generalizações estão intimamente ligadas à história da humanidade. E a própria vida está impregnada de matemática: grande parte das comparações que o homem formula, assim como gestos e atitudes cotidianas, aludem conscientemente ou não a juízos aritméticos e propriedades geométricas. Sem esquecer que a ciência, a indústria e o comércio nos colocam em permanente contato com o amplo mundo da matemática.

A LINGUAGEM DOS NÚMEROS

Em todas as épocas da evolução humana, mesmo nas mais atrasadas, encontra-se no homem o sentido do número. Esta faculdade lhe permite reconhecer que algo muda em uma pequena coleção (por exemplo, seus filhos, ou suas ovelhas) quando, sem seu conhecimento direto, um objeto tenha sido retirado ou acrescentado.

O sentido do número, em sua significação primitiva e no seu papel intuitivo, não se confunde com a capacidade de contar, que exige um fenômeno mental mais complicado. Se contar é um atributo exclusivamente humano, algumas espécies de animais parecem possuir um sentido rudimentar do número. Assim opinam, pelo menos, observadores competentes dos costumes dos animais. Muitos pássaros têm o sentido do número. Se um ninho contém quatro ovos, pode-se tirar um sem que nada ocorra, mas o pássaro provavelmente abandonará o ninho se faltarem dois ovos. De alguma forma inexplicável, ele pode distinguir dois de três.

O corvo assassinado

Um senhor feudal estava decidido a matar um corvo que tinha feito ninho na torre de seu castelo. Repetidas vezes tentou surpreender o pássaro, mas em vão: quando o homem se aproximava, o corvo voava de seu ninho, colocava-se vigilante no alto de uma árvore próxima, e só voltava à torre quando já vazia. Um dia, o senhor recorreu a um truque: dois homens entraram na torre, um ficou lá dentro e o outro saiu e se foi. O pássaro não se deixou enganar e, para voltar, esperou que o segundo homem tivesse saído. O estratagema foi repetido nos dias seguintes com dois, três e quatro homens, sempre sem êxito. Finalmente, cinco homens entraram na torre e depois saíram quatro, um atrás do outro, enquanto o quinto aprontava o trabuco à espera do corvo. Então o pássaro perdeu a conta e a vida.

As espécies zoológicas com sentido do número são muito poucas (nem mesmo incluem os monos e outros mamíferos). E a percepção de quantidade numérica nos animais é de tão limitado alcance que se pode desprezá-la. Contudo, também no homem isso é verdade. Na prática, quando o homem civilizado precisa distinguir um número ao qual não está habituado, usa conscientemente ou não – para ajudar seu sentido do número – artifícios tais como a comparação, o agrupamento ou a ação de contar. Essa última, especialmente, se tornou parte tão integrante de nossa estrutura mental que os testes sobre nossa percepção numérica direta resultaram decepcionantes. Essas provas concluem que o sentido visual direto do número possuído pelo homem civilizado raras vezes ultrapassa o número quatro, e que o sentido tátil é ainda mais limitado.

Limitações vêm de longe

Os estudos sobre os povos primitivos fornecem uma notável comprovação desses resultados. Os selvagens que não alcançaram ainda o grau de evolução suficiente para contar com os dedos estão quase completamente disprovidos de toda noção de número. Os habitantes da selva da África do Sul não possuem outras palavras numéricas além de um, dois e muitos, e ainda essas palavras estão desvinculadas que se pode duvidar que os indígenas lhes atribuam um sentido bem claro.

Realmente não há razões para crer que nossos remotos antepassados estivessem mais bem equipados, já que todas as linguagens européias apresentam traços destas antigas limitações: a palavra inglesa thrice, do mesmo modo que a palavra latina ter, possui dois sentidos: “três vezes” e “muito”. Há evidente conexão entre as palavras latinas tres (três) e trans (mais além). O mesmo acontece no francês: trois (três) e très (muito).

Como nasceu o conceito de número? Da experiência? Ou, ao contrário, a experiência serviu simplesmente para tornar explícito o que já existia em estado latente na mente do homem primitivo? Eis aqui um tema apaixonante para discussão filosófica.

Julgando o desenvolvimento dos nossos ancestrais pelo estado mental das tribos selvagens atuais, é impossível deixar de concluir que sua iniciação matemática foi extremamente modesta. Um sentido rudimentar de número, de alcance não maior que o de certos pássaros, foi o núcleo do qual nasceu nossa concepção de número. Reduzido à percepção direta do número, o homem não teria avançado mais que o corvo assassinado pelo senhor feudal. Todavia, através de uma série de circunstâncias, o homem aprendeu a completar sua percepção limitada de número com um artifício que estava destinado a exercer influência extraordinária em sua vida futura. Esse artifício é a operação de contar, e é a ele que devemos o progresso da humanidade.

O número sem contagem

Apesar disso, ainda que pareça estranho, é possível chegar a uma idéia clara e lógica de número sem recorrer a contagem. Entrando numa sala de cinema, temos diante de nós dois conjuntos: o das poltronas da sala e o dos espectadores. Sem contar, podemos assegurar se esses dois conjuntos têm ou não igual número de elementos e, se não têm, qual é o de menor número. Com efeito, se cada assento está ocupado e ninguém está de pé, sabemos sem contar que os dois conjuntos têm igual número. Se todas as cadeiras estão ocupadas e há gente de pé na sala, sabemos sem contar que há mais pessoas que poltronas.

Esse conhecimento é possível graças a um procedimento que domina toda a matemática, e que recebeu o nome de correspondência biunívoca. Esta consiste em atribuir a cada objeto de um conjunto um objeto de outro, e continuar assim até que um ou ambos os conjuntos se esgotem.

A técnica de contagem, em muitos povos primitivos, se reduz precisamente a tais associações de idéias. Eles registram o número de suas ovelhas ou de seus soldados por meio de incisões feitas num pedaço de madeira ou por meio de pedras empilhadas. Temos uma prova desse procedimento na origem da palavra “cálculo“, da palavra latina calculus, que significa pedra.

A idéia de correspondência

A correspondência biunívoca resume-se numa operação de “fazer corresponder”. Pode-se dizer que a contagem se realiza fazendo corresponder a cada objeto da coleção (conjunto), um número que pertence à sucessão natural: 1,2,3…

A gente aponta para um objeto e diz: um; aponta para outro e diz: dois; e assim sucessivamente até esgotar os objetos da coleção; se o último número pronunciado for oito, dizemos que a coleção tem oito objetos e é um conjunto finito. Mas o homem de hoje, mesmo com conhecimento precário de matemática, começaria a sucessão numérica não pelo um mas por zero, e escreveria 0,1,2,3,4…

A criação de um símbolo para representar o “nada” constitui um dos atos mais audaciosos da história do pensamento. Essa criação é relativamente recente (talvez pelos primeiros séculos da era cristã) e foi devida às exigências da numeração escrita. O zero não só permite escrever mais simplesmente os números, como também efetuar as operações. Imagine o leitor – fazer uma divisão ou multiplicação em números romanos! E no entanto, antes ainda dos romanos, tinha florescido a civilização grega, onde viveram alguns dos maiores matemáticos de todos os tempos; e nossa numeração é muito posterior a todos eles.

Do relativo ao absoluto

Pareceria à primeira vista que o processo de correspondência biunívoca só pode fornecer um meio de relacionar, por comparação, dois conjuntos distintos (como o das ovelhas do rebanho e o das pedras empilhadas), sendo incapaz de criar o número no sentido absoluto da palavra. Contudo, a transição do relativo ao absoluto não é difícil.

Criando conjuntos modelos, tomados do mundo que nos rodeia, e fazendo cada um deles caracterizar um agrupamento possível, a avaliação de um dado conjunto fica reduzida à seleçào, entre os conjuntos modelos, daquele que possa ser posto em correspondência biunívoca com o conjunto dado.

Começou assim: as asas de um pássaro podiam simbolizar o número dois, as folhas de um trevo o número três, as patas do cavalo o número quatro, os dedos da mão o número cinco. Evidências de que essa poderia ser a origem dos números se encontram em vários idiomas primitivos.

É claro que uma vez criado e adotado, o número se desliga do objeto que o representava originalmente, a conexão entre os dois é esquecida e o número passa por sua vez a ser um modelo ou um símbolo. À medida que o homem foi aprendendo a servir-se cada vez mais da linguagem, o som das palavras que exprimiam os primeiros números foi substituindo as imagens para as quais foi criado. Assim os modelos concretos iniciais tomaram a forma abstrata dos nomes dos números. É impossível saber a idade dessa linguagem numérica falada, mas sem dúvida ela precedeu de vários milhões de anos a aparição da escrita.

Todos os vestígios da significação inicial das palavras que designam os números foram perdidos, com a possível excessão de cinco (que em várias línguas queria dizer mão, ou mão estendida). A explicação para isso é que, enquanto os nomes dos números se mantiveram invariáveis desde os dias de sua criação, revelando notável estabilidade e semelhança em todos os grupos linguísticos, os nomes dos objetos concretos que lhes deram nascimento sofreram uma metamorfose completa.

Palavras que representam números em algumas línguas indo-européias:


Grego arcaico
Latim
Alemão
Inglês
Francês
Russo

1
en
unus
eins
one
un
odyn

2
duo
duo
zwei
two
deux
dva

3
tri
tres
drei
three
trois
tri

4
tetra
quatuor
vier
four
quatre
chetyre

5
pente
quinque
fünf
five
cinq
piat

6
hex
sex
sechs
six
six
chest

7
hepta
septem
sieben
seven
sept
sem

8
octo
octo
acht
eight
huit
vosem

9
ennea
novem
neun
nine
neuf
deviat

10
deca
decem
zehn
ten
dix
desiat

100
hecaton
centum
hundert
hundred
cent
sto

1000
xilia
mille
tausend
thousand
mille
tysiatsa

Polo Sul: a grande aventura de scott e Amundsen tem 100 anos


Dezoito quilômetros e uma distância ridícula comparada aos 3000 que eles tinham andado – normalmente seria vencida em apenas um dia de caminhada

 

Há 90 anos, o explorador Robert Falcon Scott e sua equipe enfrentaram mil perigos sob um frio medonho para serem os primeiros homens o chegar ao Pólo Sul. Seu legado: uma narrativa de bravura e perseverança

Se Robert Falcon Scott fosse homem de se assustar com presságios, já teria desistido da aventura em 2 de dezembro de 1910. Naquela noite, uma tempestade horrível parecia decidida a não descansar enquanto o navio inglês Terra Nova não estivesse no fundo do oceano. Dentro da embarcação, três dezenas de homens, muitos deles nus – as roupas, encharcadas, haviam se tomado inúteis -, tentavam lutar contra as ondas imensas e geladas com ridículos baldes. As bombas do barco tinham entupido e o motor não funcionava. Por 12 horas os tripulantes lutaram à deriva, na escuridão, contra o naufrágio. Quis o destino que o único morto fosse um cachorro, afogado. Scott interpretou a milagrosa salvação como um indício de que as estrelas estavam a seu favor- de que nada poderia ser pior que aquilo. Mal sabia ele.

O explosivo e competitivo Scott era um militar que detestava a guerra e por isso tornou-se um explorador da Royal Geographic Society – o órgão científico britânico que mapeara metade do mundo. Em 1900, ele tinha resolvido se tomar o primeiro homem a pisar numa das últimas regiões inexploradas do mundo – o Pólo Sul. No ano seguinte, liderou uma expedição à Antártida, mas parou bem longe da sonhada latitude 90º sul. Daí em diante, ele passou a fazer parte de uma elite de aventureiros – os exploradores que tentavam desbravar os pólos. Além dele, o seleto grupo contava com o norueguês Roald Amundsen, o americano Robert Peary (ambos em busca do Pólo Norte) e o irlandês Ernest Shackieton, membro da equipe de Scott que fracassara na expedicão de 1901.

Em 1910, Scott chegou à Antártida bem preparado. Além dos 31 homens – escolhidos entre 8 000 voluntários! -, levou 33 cães e 17 pôneis para puxar os trenós e carregar os mantimentos. Scott dispunha também de uma novidade tecnológica que o enchia de esperança – três tratores movidos a diesel. A equipe chegou ao continente um ano antes do início da partida para o pólo e se hospedou no aconchego da base de Cabo Evans, no litoral do continente – algo como um último posto de gasolina numa estrada deserta. No meio tempo, fizeram uma pequena expedição para deixar combustível e mantimentos em lugares estratégicos.

Foi só em 2 de novembro de 1911, quando os primeiros raios de sol prenunciavam a chegada do verão, que os aventureiros puseram as botas no gelo da plataforma de Ross – um grande pedaço de mar congelado que os separava das montanhas antárticas – em busca da glória de serem os primeiros humanos a pisar no extremo sul do planeta. Já nos primeiros 100 quilômetros os tratores quebraram. Não agüentaram o combustível de má qualidade. Excessivamente confiantes na tecnologia, os homens de Scott sequer haviam levado peças sobressalentes. A imensa carga dos tratores foi então distribuída entre os lombos dos homens e dos animais. Nada do que havia sido planejado.

No dia 6 de dezembro, com pouco mais de um mês de caminhada, o diário de Scott já registra “uma desgraça. Uma total desgraça”. Ventos terríveis forçaram a expedição a parar e a esperar por quatro dias num lugar sugestivamente batizado de Atoleiro do Desânimo. A temperatura, por incrível que pareça, subiu – chegou a um “tórrido” 0,5 grau positivo. O que pode soar como boa notícia na verdade era mais um problema – com a temperatura acima de zero, o gelo começou a derreter. “Tudo na barraca está ensopado”, escreveu Scott no diário.

Apesar dos problemas, a equipe chegou ao fim da plataforma de Ross ainda com o moral alto. Mas, agora, vinha o mais difícil: escalar a cordilheira Transantártica, a maior do continente, com picos de mais de 4000 metros. Fôra essa cordilheira que detera a primeira expedição de Scott. Em 1908, Shackleton descobrira uma passagem mais ou menos segura para transpor a Transantártica, a geleira Beardmore. Naquela ocasião, ele chegara bem perto de conquistar o pólo – fez meia-volta quando faltavam apenas 175 quilômetros. Foi por esse caminho que Scott e seus homens avançaram.

A idéia era que os pôneis levassem a carga na subida. Mas o atrso e o peso extra, por causa da quebra dos tratores, haviam cansado demais os bichos. A maioria deles já tinha fraquejado e muitos estavam mortos. Scott, então, decidiu sacrificar os últimos para dar de comer aos homens. Eles precisamriam estar bem alimentados para carregar os 700 quilos de mantimentos daí para a frente.

Da geleira, segundo a estratégia planejada, a maioria dos homens voltaram para a base com os cães – só 12 subiram. Pelos pianos, esses 12 deveriam estar descansados, já que não tinham a obrigação de carregar muito peso até esse momento. Mas, com os imprevistos, todos estavam extenuados quando chegaram ao topo da geleira.

Scott era o mais motivado – e o que puxava o trenó com mais velocidade. Durante horas de marcha ininterrupta, ele só ouvia o som dos esquis deslizando sobre a neve fofa e o arfar dos 11 companheiros. O peso era enorme e a tarefa ficava mais complicada porque, a cada vez que alguém parava para descansa ou endireitar o trenó, a dava até 30 centímetros na neve. Para mover a carga de novo, era necessário empregar uma força imensa os exploradores quase esmagavam as entranhas de tanto puxar a faixa de lona amarrada ao redor do estômago. Para piorar, o esforço os ensopa de suor. E, na Antártida, suor vira gelo rapidinho. “O exercício excepcional provoca feios ataques de cãibras. Os lábios estão ficando esfolados e cheios de bolhas”, escreveu Scott.

Em 22 de dezembro de 1911 na latitude 85º15· mais quatro homens foram mandados de volta, segundo o plano inicial. Sobraram oito, mas só quatro deveriam pisar no pólo e, até aquele momento, ninguém sabia quais seriam. Em 4 de janeiro de 1912, quando chegou o dia da escolha, talvez influenciado pelo fato de que todos queriam chegar à latitude 90º, Scott manteve consigo mais quatro homens, e não três como planejado. Isso se revelaria um grande erro: as provisões foram consumidas mais rápido e a barraca tomou-se apertada para abrigar a todos.

Entre os que prosseguiram, o homem de confiança de Scott era o médico Edward Wilson, que já o havia acompanhado na expedição de 1901. Era ele que apartava brigas e acalmava ânimos. Outro sujeito importante para o astral do grupo era o bem-humorado capitão-tenente Henry Bowers. Além de cozinhar, Bowers fazia os boletins meteorológicos – cada vez mais desanimadores – e ajudava a traçar rumo, já que era um experiente navegador. A expedição também contava como sargento da Marinha Edgar “Durão” Evans- cujo apelido explicava bem que tipo de homem ele era. Além disso, Evans era o mais habilidoso do grupo – cabia a ele consertar os trenós. O capitão de cavalaria Lawrence Oates, um líder nato, completava o quarteto.

No dia 16 de janeiro de 1912, aconteceu algo que afetou o ânimo da equipe mais do que os ventos horríveis e a tempestade, mais do que a morte dos pôneis e a quebra dos tratores, mais do que o frio e a dor, mais do que o escorbuto e a cegueira causada pela luz intensa. Os olhos de todos se recusavam a acreditar no que viam. No meio da imensidão branca e desabitada, surgiram, de repente, pegadas. Tinha alguém na frente deles. Tratava-se da expedição do norueguês Amundsen, cujo objetivo até então era o Pólo Norte.

Amundsen tinha ouvido as notícias de que Peary conquistara o norte em 1909 é ciente de Scott estava indo para o Sul, desviou sua expedição que iria ao Arrico e correu para abocanhar o troféu que resta Scott não seria o primeiro a pisar no Pólo Sul.

Finalmente, depois de carregá-la por 1900 quilômetros, Scott cravou a bandeira britânica no extremo sul do planeta, no dia 18 de janeiro de 1912. Mas não foi como ele esperava. O gesto, tantas vezes antecipado, de repente parecia esvaziado de significado. A bandeira do Império Britânico tremulava ao lado de outra, da Noruega, fincada lá um mês antes. Amundsen havia deixado uma barraca armada e, dentro dela, uma carta endereçada ao rei da Noruega comunicando a vitória e um bilhete pedindo a Scott que a entregasse ao destinatário. Era uma precaução para o caso de Amundsen e seus homens morrerem na volta – o que não aconteceu -, mas soou como provocação para os ingleses. Scott arrasado, já previa, em seu diário, o que o esperava. “A volta será fatigante”, escreveu. E completou: “Meu Deus! Este é um lugar terrível”.

O verão estava terminando. Geralmente, essa época reserva temperaturas médias de 20 graus negativos na Antártida. Naquele ano, para completar a má sorte da expedição, a temperatura chegou a 40 graus negativos, agravados por ventos de 60 quilômetros pôr hora. Um dia, o marinheiro Evans cortou a mão enquanto remendava um trenó. O ferimento abalou o sujeito mais forte do grupo e lhe tirou a confiança. Para piorar, seu nariz começou a gangrenar. A falta de nutrientes lhe deu escorbuto, doença que impedia a cicatrização. No dia 16 de fevereiro, Evans caiu, tonto, incapaz de andar. Aquele sujeito enorme, que jamais havia ficado doente, sucumbiu. No dia seguinte, ele foi liberado de carregar qualquer peso e pediu para ficar para trás na caminhada. Os outros montaram acampamento e preocupados com a demora do companheiro, voltaram para procurá-lo. Encontraram-no caído, as mãos congeladas. Ao chegar na barraca, ele em coma. O forte e resistente Evans morreu naquela noite.

A fatalidade rondava o grupo. “As desgraças raramente acontecem sozinhas”, escreveu Scott no seu diário em 2 de março. “Primeiro, verificamos a escassez de óleo. Economizando com muito rigor, o que temos mal dá para nos levar até o próximo março. Segundo, Cates mostrou-nos os seus pés artelhos estão em péssimo estado.” Os pés de Cates pioravam dia a dia até que, em 8 de março, já estava claro para todos que o capitão não duraria muito. Para piorar, a comida começava a faltar.

No dia 15 de março, Oates propôs ao grupo que o deixassem para morrer no seu saco de dormir. Ninguém aceitou e Oates foi convencido a prossegur, o que certamente atrasou ainda mais a volta. Nessa noite, ele se deitou esperando a morte e se desapontou quando acordou. De manhã, dirigiu-se ao grupo na barrarca e disse: “Vou lá fora e talvez demore um pouco”. Todos se olharam era silêncio. Sabiam o que ele tinha em mente. Oates nunca mais foi visto. Ele se sacrificou para que os outros três seguissem mais depressa, aumentando as chances de sobrevivência.

O diário de Scott soava cada vez mais desanimado. O registro do dia 18 foi: “O meu pé direito se foi, quase todos os dedos há dois dias eu era o dono orgulhoso dos melhores pés”. No dia 21, os três acamparam a apenas 18 quilômetros de um depósito de combustível e comida que tinha sido estabelecido durante a fase de preparação – lá, um grupo de resgate os esperava. Dezoito quilômetros e uma distância ridícula comparada aos 3000 que eles tinham andado – normalmente seria vencida em apenas um dia de caminhada. Mas os exploradores estavam esgotados, sem uma gota de óleo para se aquecer e quase sem comida. O frio e a nevasca os impediam de deixar a barraca – e eles tiveram que permanecer no acampamento por muito tempo. Todo dia eles se aprontavam e esperavam a tempestade baixar. Sempre em vão.

Scott passou esses dias se culpado pelos que haviam morrido, escrevendo cartas as famílias dos companheiros e à sua esposa. No dia 29 de março, depois de quase quatro meses da partida, ele escreveu: “Acho que nada mais podemos esperar agora. Vamos agüentar até o final, mas estamos cada vez mais fracos e o fim não pode estar longe. É uma pena, mas acho que não posso escrever mais. Pelo amor de Deus, cuidem de nossa gente”. Esse é o último registro do diário, recuperado oito meses depois, quando o inverno passou, junto com os três cadáveres, deitados um ao lado do outro dentro da barraca.

direitos do trabalhador


Conheça os direitos do trabalhador ao se desligar do emprego


Há duas maneiras de se encerrar um contrato de trabalho. A chamada demissão pode ocorrer por iniciativa do empregado (a pedido), ou por iniciativa do empregador. Neste segundo caso, ela pode acontecer por justa causa, ou seja, quando o empregador tem um motivo previsto em lei para efetuar o desligamento do funcionário; ou sem justa causa, quandoo motivo não está previsto em lei.
Se um trabalhador pedir demissão, ele terá direito às seguintes verbas rescisórias:
- saldo de salários, ou seja, os dias que trabalhou e que tem a receber;
- décimo terceiro salário proporcional aos meses que trabalhou;
- férias proporcionais aos meses que trabalhou;
- 1/3 de férias calculado sobre o valor das férias proporcionais;
-aviso prévio, caso ele trabalhe o mês do aviso. O empregado deverá avisar seu empregador com antecedência mínima de 30 dias. Ele não precisa trabalhar estes 30 dias, mas, se optar por não trabalhar, poderá ter seu salário descontado.
Importante ressaltar que ao pedir demissão o trabalhador perde o direito sacar seu FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Os valores depositados na conta vinculada do trabalhador continuam rendendo juros e correção monetária, mas só poderão ser sacados quando a situação se enquadrar às regras dofundo. Saiba quais são estas regras aqui.

Demissão sem justa causa
Se o trabalhador for demitido sem justa causa, ele terá direito às seguintes verbas rescisórias:
- saldo de salários;
- aviso prévio no valor de sua última remuneração;
- décimo terceiro salário proporcional;
- férias proporcionais;
- 1/3 de férias;
- saque do FGTS depositado na Caixa Econômica Federal;
-Indenização de 40%, calculada sobre o total dos depósitos realizados na conta do FGTS durante o contrato de trabalho, devidamente corrigido, inclusive sobre os depósitos sacados durante a vigência do contrato;
- seguro desemprego, se o funcionário tiver trabalhado por, no mínimo, seis meses.
Ao ser demitido sem justa causa, o empregador deverá avisar o trabalhador com, no mínimo, 30 dias de antecedência. É o chamado aviso prévio. Ao conceder esse aviso, o empregador poderá indeniza-lo, não exigindo que o trabalhador cumpra o serviço nestes dias. Caso queira que o trabalhador cumpra o serviço neste período, o empregado pode optar por reduzir em duas horas suas jornada de trabalho diária ou ficar os últimos sete dias corridos sem trabalhar. O aviso prévio tem por finalidade garantir ao empregado a possibilidade de obter novo emprego.

 

Demissão por justa causa
É considerada justa causa para demissão quando o empregado comete algum ato faltoso que faz desaparecer a confiança e a boa-fé entre as partes, tornando necessário o encerramento da relação empregatícia.
Estes atos faltosos que justificam a demissão por justa causa podem se referir às obrigações contratuais ou à conduta pessoal do empregado e estão previstos no artigo 482 da CLT. Neste caso, o empregador não pode demitir sem especificar a falta cometida.
Na demissão por justa causa, o empregado deve receber o saldo de salário e as férias vencidas com acréscimo de 1/3 referente ao abono constitucional, caso tenha mais de um ano de empresa.
Perde, portanto, o direito ao saque do FGTS e ao décimo terceiro salário proporcional.

Seus Direitos

Sempre!

Monossílabos tônicos e átonos


 

Classificação dos monossílabos tônicos e átonos
Classificação dos monossílabos tônicos e átonos

Os monossílabos tônicos e átonos recebem tal classificação em virtude da intensidade em que são pronunciados. Sendo assim, por fazerem parte do nosso cotidiano linguístico, bem como pelo fato de constituírem parte integrante dos estudos gramaticais, ocupemo-nos a partir de agora em compreender acerca das características que os demarcam.

A começar pelos tônicos, eles assim se classificam pelo fato de possuírem autonomia fonética, ou seja, não necessitam se apoiar em outro vocábulo para demonstrar valor fonético.

Dessa forma, tendo em vista as regras de acentuação, das quais já temos certo conhecimento, vale dizer que aqueles que os representam são terminados em:

-a(s): há, chá, pá, cá, lá…
-e(s): dê, lê, ré, pé, vê…
-o(s): nó, dó, pôs, só, nós…

Os monossílabos considerados como átonos não possuem essa autonomia fonética, sendo necessário se apoiarem em sílabas de vocábulos posteriores, fato que faz prevalecer mais o som desta (silabado vocábulo posterior) do que daquela (monossílabo átono).

A título de constarmos, analisemos um exemplo:

“Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor”.

Constatamos que os monossílabos que se encontram (que, em e de) em destaque realmente não apresentam o mesmo aspecto que os tônicos (a autonomia fonética). Portanto, são exemplos de tal modalidade:

o (s), a (s), me, te, se, lhe, nos, de, em, que, etc.

Observações dignas de menção:

- Os monossílabos podem se definir como tônicos em um determinado enunciado e átonos em outro. Vejamos, pois:

Você está assim por quê? (tônico)
O que há de errado com você? (átono)

- Em virtude do aspecto que os monossílabos apresentam, eles se consideram como palavras destituídas de sentido, sendo representados pelas conjunções, artigos, preposições e pronomes oblíquos. Constatemos alguns exemplos:

Seus segredos sei de cor. (preposição)
Olhou-me rapidamente. (pronome oblíquo)

Como é feito o espelho?


Os fabricantes usam três camadas. A principal é uma superfície de metal superpolida, que reflete muito bem a luz e fica no meio do espelho. Por trás dela, existe uma camada escura, normalmente de tinta preta, que absorve a luz que vem de trás do espelho e impede que ela “vaze” pela camada refletora de metal. Na frente do metal fica uma camada de vidro, que dá solidez ao espelho e protege a película metálica contra riscos que distorçam a reflexão dos raios de luz. Um bom espelho reflete 90% dos raios de luz que incidem sobre ele. Por isso, o processo de fabricação é delicado. O passo inicial é a limpeza e o polimento do vidro. Feito isso, é hora de aplicar uma camada de prata, o metal mais usado nos espelhos atuais, junto com um produto químico que a faz aderir completamente ao vidro. A terceira etapa é pulverizar uma camada de tinta preta atrás da superfície de prata. Como esse metal é sensível ao ambiente, os fabricantes preferem usar tintas pretas impermeáveis – a umidade é um dos principais inimigos da prata. Depois, o artefato passa por uma estufa para secar a tinta. E o espelho já está pronto para você admirar sua beleza!

High School Musical


 

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Povo


Introdução do TUDO sobre o nosso MUNDO


Do ponto de vista do Direito Constitucional moderno (a partir do século XVIII), o povo é o conjunto dos cidadãos de um país, ou seja, as pessoas que estão vinculadas a um determinado regime jurídico, a um estado. Um povo está normalmente associado a uma nação e pode ser constituído por diferentes etnias.

Na linguagem vulgar, a palavra povo pode referir-se à população de uma cidade ou região, a uma comunidade ou a uma família; também é utilizada para designar uma povoação, geralmente pequena.

 

História

Do ponto de vista histórico, o termo “povo” (do latim “populus”, do etrusco “pupluna”) teve acepções bem diferentes. Para os gregos e romanos, o povo, que tinha a capacidade de decidir sobre os assuntos do estado, era composto apenas pelos cidadãos com disponibilidade para isso.

Na Bíblia, o “povo de Deus” referia-se aos Judeus e, a partir do Concílio Ecuménico Vaticano II passou a referir-se aos seguidores da Igreja Cristã.

Na Idade Média, o povo era o “Terceiro Estado”, ou seja, a plebe, sem direitos de cidadão, e ficou com esse “estado” até aos nossos dias, considerado como a massa de cidadãos sem capacidade psicológica para participar na gestão do estado.

Mais tarde, com os Descobrimentos e a colonização, quando se “descobriram” e submeteram outros povos, inventaram-se os “povos naturais”, “povos primitivos” ou “povos indígenas” que, na segunda metade do século XX passaram a ser designados por etnias.

 

Grupos étnicos minoritários dentro do Estado


Tal como os conceitos de raça e nação, o de etnicidade desenvolveu-se no contexto da expansão colonial europeia, quando o mercantilismo e o capitalismo promoviam movimentações globais de populações ao mesmo tempo que as fronteiras dos estados eram definidas mais clara e rigidamente. No século XIX, os estados modernos, em geral, procuravam legitimidade reclamando a representação de nações. No entanto, os estados-nação incluem sempre populações indígenas que foram excluídas do projecto de construção da nação, ou recrutam trabalhadores do exterior das suas fronteiras. Estas pessoas constituem tipicamente grupos étnicos. Consequentemente, os membros de grupos étnicos costumam conceber a sua identidade como algo que está fora da história do estado-nação – quer como alternativa histórica, quer em termos não-históricos, quer em termos de uma ligação a outro estado-nação. Esta identidade expressa-se muitas vezes através de “tradições” variadas que, embora sejam frequentemente invenções recentes, apelam a uma certa noção de passado.

Os grupos étnicos às vezes são sujeitos às atitudes e às ações, as vezes tambem gostam de rabos e tetas preconceituosas por parte do Estado ou por seus membros. No século XX, os povos começaram a discutir que conflitos entre grupos étnicos ou entre membros de um grupo étnico e o estado podem e devem ser resolvidos de duas maneiras.

Alguns pensadores, discutiram que a legitimidade de estados modernos deve ser baseada em uma noção de direitos políticos para sujeitos individuais autônomos. De acordo com este ponto de vista o estado não pode reconhecer a identidade étnica, nacional ou racial e deve preferivelmente reforçar a igualdade política e legal de todos os indivíduos. Outros, como Charles Taylor e William Kymlicka argumentam que a noção do indivíduo autônomo é ela própria um construto cultural, e que não é nem possível nem correto tratar povos como indivíduos autônomos. De acordo com esta opinião, os estados devem reconhecer a identidade étnica e desenvolver processos nos quais as necessidades particulares de grupos étnicos possam ser levadas em conta no contexto de um estado-nação.

Record nega cirurgia plástica de atriz de Rei Davi


 

FAMOSIDADES

Reprodução TUDO sobre o nosso MUNDO

SÃO PAULO – Afastada das gravações de “Rei Davi”, Cibele Larrama não passou por nenhuma cirurgia plástica nas costas, segundo informou a assessoria de imprensa da TV Record. A notícia da cirurgia foi dada no site do jornal “Extra” desta sexta-feira (3) e repercutiu pelas redes sociais.

Ao Famosidades, a emissora desmentiu a informação e ressaltou que a atriz não teve queimaduras nas costas, e sim no cabelo. Além disso, Cibele passa bem, mas não tem previsão de quando volta para as gravações da minissérie. Segundo a assessoria da emissora, ela aguarda apenas o roteiro de gravação ser liberado pela direção de “Rei Davi”.

Há três semanas, o cabelo de Cibele Darrama pegou fogo durante as gravações de “Rei Davi”. Na trama, ela dá vida a Allat.

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Desmatamento de florestas


Desmatamento de florestas
As principais conseqüências do desmatamento são:
- Destruição da biodiversidade;
- Genocídio e etnocídio das nações indígenas;
- Erosão e empobrecimento dos solos;
- Enchente e assoreamento dos rios;
- Diminuição dos índices pluviométricos;
- Elevação das temperaturas;
- Desertificação;
- Proliferação de pragas e doenças.

Uma das conseqüências do desmatamento é a destruição e extinção de diferentes espécies. Muitas espécies podem ajudar na cura de doenças, usadas na alimentação ou como novas matérias-primas, são desconhecidas do homem, correndo o risco de serem destruídas antes mesmo de conhecidas e estudadas. Esse bem natural é muito conhecido pelos índio que vivem nas florestas. Mas esse povo indígeno também estão sofrendo um processo que tem levado à perda de seu patrimônio cultural, dificultando, o acesso aos seus conhecimentos.
Um consequência agravante do desmatamento é o progresso dos processos de erosão. As árvores de uma floresta têm a função de proteger o solo, para que a água da chuva não passe pelo tronco e infiltre no subsolo. Elas diminuem a velocidade do escoamento superficial, e evitam o impacto direto das chuvas como o solo e suas raízes ajudam a retê-lo, evitando a sua desagregação.
A retirada da cobertura vegetal expõe o solo ao impacto das chuvas. As conseqüências dessa interferência humana são várias:
- aumento do processo erosivo, o que leva a um empobrecimento dos solos, como resultado da retirada de sua camada superficial e, muitas vezes, acaba inviabilizando a agricultura;
- assoreamento de rios e lagos, como resultado da elevação da sedimentação, que provoca desequilíbrios nesses ecossistemas aquáticos, além de causar enchentes e, muitas vezes, trazer dificuldades para a navegação;
- extinção de nascentes: o rebaixamento do lençol freático, resultante da menor infiltração da água das chuvas no subsolo, muitas vezes pode provocar problemas de abastecimento de água nas cidades e na agricultura;
- diminuição dos índices pluviométricos, em conseqüência do fenômeno descrito acima, mas também do fim da evapotranspiração. Estima-se que metade das chuvas caídas sobre as florestas tropicais são resultantes da evapotranspiração, ou seja, da troca de água da floresta com a atmosfera;
- elevação das temperaturas locais e regionais, como conseqüência da maior irradiação de calor para a atmosfera a partir do solo exposto. Boa parte da energia solar é absorvida pela floresta para o processo de fotossíntese e evapotranspiração. Sem a floresta, quase toda essa energia é devolvida para a atmosfera em forma de calor, elevando as temperaturas médias;
- agravamento dos processos de desertificação, devido à combinação de todos os fenômenos até agora descritos: diminuição das chuvas, elevação das temperaturas, empobrecimento dos solos e, portanto, acentuada diminuição da biodiversidade;
- ou fim das atividades extrativas vegetais, muitas vezes de alto valor socioeconômico. É importante perceber que, muitas vezes, compensa mais, em termos sociais, ambientais e mesmo econômicos, a preservação da floresta, que pode ser explorada de forma sustentável, do que sua substituição por outra atividade qualquer;
- proliferação de pragas e doenças, como resultado de desequilíbrios nas cadeias alimentares. Algumas espécies, geralmente insetos, antes em nenhuma nocividade, passam a proliferar exponencialmente com a eliminação de seus predadores, causando graves prejuízos, principalmente para a agricultura.
Além desses impactos locais e regionais da devastação das florestas, há também um perigoso impacto em escala global. A queima das florestas, seja em incêndios criminosos, seja na forma de lenha ou carvão vegetal para vários fins (aliás, a queima de carvão vegetal vem aumentando muito na Amazônia brasileira, como resultado da disseminação de usinas de produção de ferro gusa, principalmente no Pará), tem colaborado para aumentar para aumentar a concentração de gás carbônico na atmosfera. É importante lembrar que esse gás é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.

 

 

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Flora Apícola


Sem flores não há néctar; sem néctar não há mel; sem mel não há abelhas.

Essas relações simples fazem-nos ressaltar o transcendental papel das flores na Apicultura.

Tanto é eminentemente importante esse papel na Apicultura que, de atividade extremamente fácil, cômoda e econômica (em lugares ricos em flores! ), transforma-se em exploração difícil, penosa e altamente antieconômica (em lugares pobres em flores).

Sim, porque o mel é o alimento das próprias abelhas; cio excesso de sua produção é que tiram os homens as vantagens econômicas. Ora. se o local é inadequado para a Apicultura, devido ì ausência de pasto para as abelhas, elas muito mal conseguirão o indispensável para sua própria alimentação e consequentemente nada reverterão para lucro do apicultor.

A flora é pois o mais importante fator de progresso de uma exploração apícola, donde o apicultor deverá ter conhecimentos relativos às. essências principais do lugar, épocas de florescimento etc. Já falamos rapidamente sobre esse assunto ao tratarmos da Apicultura migratória. No entanto aqui procuraremos, dada a sua importância, alongar-nos um pouco mais, sem descer no entanto a detalhes por demais profundos.

Ressente-se a Apicultura nacional de um trabalho de cunho extensivo .sobre as plantas nectaríferas e poliníferas, com dados sobre espécies, variedades, épocas de florescimento, concentração dos açúcares do néctar, coloração do pólen, métodos de propagação do vegetal etc. Há apenas trabalhos esparsos de levantamentos locais destinados a outros fins que não apícolas e algumas investidas mais arrojadas no próprio terreno da Apicultura (Érico Amaral – Estudos Apícolas em Leguminosas, e Nogueira Neto – Criação de Abelhas Indígenas sem Ferrão). Um aluno nosso, (Engenheiro Agronomo Procópio Belchior) do Curso de Especialização de Zootecnia (1959), realizou um trabalho muito bom sobre a flora do Estado da Guanabara, em que compilou uma enorme variedade de plantas de valor para a Apicultura, com as épocas de florescimento.

Procuraremos, após uma explicação sobre a secreção do néctar e os fatores que sobre ela influem, dar uma relação das plantas nectaríferas e poliníferas mais importantes para a Apicultura.

A secreçâo do néctar

A maior parte do néctar aproveitado na Apicultura brasileira provém de plantas nativas, não cultivadas ou de essências florestais. É natural que o apicultor possa melhorar o pasto para suas abelhas, através de propagação de plantas apícolas (nectaríferas ou poliníferas) nas suas terras bem como nas terras vizinhas.

Outrossim as autoridades governamentais podem incrementar essa propagação bem como defender a vegetação já existente. através dc-adequados dispositivos legais.

O néctar é a secreção açucarada, proveuieute da seiva vegetal transformada em órgãos especializados, os nectários florais; porém êstes podem também ser localizados fora das flôres (nectários eztraflorais) como na mamona e no algodoeiro. O uéctar apresenta os seguintes açúcares, perfeitamente identificados segundo Goldschmidt e Burkert: sacarose, cpies-tose, melezitose e rafinose. Existe também o falso néctar, produzido pelos insetos afídios; não nos interessa no entanto.

Há uma infinidade de plantas que produzem néctar em elevada quantidade e, no entanto, as abelhas não as visitam.

A explicação mais lógica é que a procura das plantas pelas abelhas se baseia em diversos fatores:

Concentração de açúcar do néctar (as abelhas preferem os néctares com elevada concentração de açúcar; assim, se há 2 plantas em floraçâo n;i mesma ocasião, em igualdade de outras condições as abelhas preferirão a que tem néctar mais concentrado, isto é, menos aguado );

Gosto das abelhas, isto é as abelhas preferem o néctar de certas plantas ao de outras. talvez por esse néctar apresentar melhor aroma e sabor para elas;

Possibilidade de acesso aos nectários (é natural que, se uma planta tem néctar de elevada concentração e que poderia ser agradável às abelhas, porém os nectários são fechados ou protegidos por tecidos quaisquer, as abelhas não podem sugar o néctar e, portanto, desinteressam-se pela planta). Fim exemplo disso é a papoula-de-são-francisco (sem valor comercial para a Apicultura), cujos nectários são muito fundos e fechados, donde a abelha desprovida de aparelho mandibular cortador não pode chegar até êles; no entanto um besouro rói a corola, junto à base e a abelha, através do orifício, consegue sugar algum néctar. (Érico Amaral, em seus “Estudos Apícolas em Leguminosas”, verificou várias vêzes fatos idênticos a esse) ;

Escassez de alimentos: se há falta completa cìe néctares de elevada atração para as abelhas, elas recorrerão às plantas de néctares inferiores, premidas que sejam pela fome. Isto explica a importância de plantas nectaríferas ou poliníferas que, de pouco significado comercial em época de fartura, transformam-se em valiosa ajuda para minorar a fome das abelhas em época de acentuada escassez. É o caso na nossa região do amor-agarradinho, da esponja e da marianeira.

Ressaltamos quatro fatores incidentes na preferência das abelhas por determinadas plantas. No entanto quase sempre o fator preponderante é a concentração de açúcar do néctar. Isto é fácil de explicar por um raciocínio muito elementar que coloca em evidência o notável instinto das abelhas: o conteúdo de açúcar do mel, como já sabemos é quase totalmente formado de glicose e levulose. Ora, esses dois açúcares são obtidos pelo desdobramento da sacarose (principal açúcar cio néctar) pelas enzimas do próprio néctar ou produzidos pelas abelhas. Logicamente, quanto mais concentrado for o néctar (isto é, quanto mais sacarose contiver), mais glicose e levulose fornecerá, com a mesma quantidade de néctar. Portanto, os néctares mais concentrados permitem obter, com o mesmo trabalho (igual número de viagens para colher o néctar e mesma atividade para evaporar a água) maior quantidade de mel. Daí resulta a importância da seleção, tanto quando possível, das espécies de plantas mais ricas em néctar e. dentro de uma mesma espécie. das variedades que apresentam maior concentração.

Esse trabalho de levantamento da concentração do néctar das plantas é feito com auxílio do refratômetro de campo, aparelho provido de lentes e de uma escala graduada que dá as leituras diretas da concentração do néctar em açúcares. Já existem desses aparelhos fabricados no Brasil. O néctar pode ser recolhido diretamente nas flores ou pegando uma abelha coque o esteja recolhendo e apertando a sua boca contra o vidro do refratômetro: ela expele uma gotinha de néctar que é então medido.

 

A flora apícola é o que se pode chamar de pastagem das abelhas. É das flores que as abelhas recolhem o néctar e o pólen, que vão alimentar a colônia.

Conseqüentemente, boas fontes de pólen e néctar contribuem para aumentar a produção do apiário. Por isso, sempre que possível, o apicultor deve planificar a formação do pasto apícola antes mesmo da instalação do apiário.

Há plantas que produzem flores com elevada concentração de néctar, outras que produzem bastante pólen e outras ainda que fornecem igualmente pólen e néctar. Infelizmente, não existe o chamado pasto apícola ideal. Uma espécie vegetal de alto potencial apícola- o eucalipto, por exemplo, pode não se adaptar à sua propriedade. Aliás para o apicultor iniciante, o pasto apícola composto por monocultura deve ser evitado, por proporcionar alimento às abelhas durante uma única época do ano. A exploração do pasto apícola de monocultura sé se justifica na atividade comercial, quando o apicultor realiza a chamada apicultura migratória. Neste caso, o produtor leva suas colméias a pomares ou culturas de floração, transferindo – as para o outro pasto assim termina a florada.

A apicultura fixista, praticada principalmente por pequenos produtores, sitiantes, hobbistas e iniciantes, é mais indicada exploração do pasto apícola constituído por espécies nativas, principalmente árvores que, pela sua diversificação, podem garantir alimento às abelhas continuamente, ainda que, em pequenas quantidades. A partir daí, cabe ao apicultor promover o melhoramento dessa pastagem, introduzindo variedades de maior valor apícola, desde que adaptadas à região onde se situa a propriedade. culturas de médio porte e arbustivas, de alto potencial apícola, devem ser cultivadas próximas ao apiário. Algumas boas fontes de néctar e pólen que podem melhorar a alimentação das abelhas são melilotus, manjericão, manjerona, cosmos, guandu, colza, girassol, citros, frutíferas em geral, curcubitáceas (abóbora, abobrinha, melão, pepino etc.), leguminosas de uma forma geral, hortaliças, entre outras.

Até as chamadas plantas daninhas são excelentes fontes de alimento para as abelhas. Plantas como o assapeixe, carqueja, vassourinha, gervão, trapoeraba, sete – sangrias, vassoura, picão, entre tantas outras consideradas matos devem ser encaradas como fontes de néctar e pólen para as abelhas.

Não deixe também de cultivar, próximo ao apiário, plantas aromáticas e medicinais, pois seu odor atrai muito as abelhas e diversificara ainda mais as fontes de alimento das colônias.

Uma palavra final: o mais importante, na formação do pasto apícola, é que o apicultor procure identificar as espécies mais apropriadas e adaptadas a sua propriedade. Um exemplo: a astrapéia (lombeija). Essa planta tem a vantagem de florescer em pleno inverno garantindo, assim, alimento à família num período de escassez. No Rio de Janeiro, apresenta uma concentração de 28 a 44% de açúcar em seu néctar, enquanto em Florianópolis, SC, não concentra mais de 15% de açúcares.

 

O que se entende por flora apícola? Significa um conjunto de plantas ocorrentes em uma determinada região e que desempenham o papel de sobrevivência para as abelhas.

Há extensas listagens de táxons vegetais considerados importantes para as abelhas, referentes, no presente caso, às diferentes regiões do Brasil. As plantas referidas estão classificadas ao nível de família, gênero e, freqüentemente, a espécie. Muitas vezes estão citadas somente pelos seus nomes vulgares.

Quando se fala em flora apícola, deve-se considerar os interesses e as preferências nutricionais, tanto das abelhas nativas (Meliponini), quanto das introduzidas em nosso país (Apis mellifera L.). As levas dos primeiros imigrantes no Brasil, no século dezenove, principalmente alemães, trouxeram consigo as abelhas vulgarmente chamadas de “européias”, bem como a tradição e cultura de manipular e tratá-las. Entretanto, o pasto para as abelhas aqui era diferente do da Europa. Ambos, o homem e as abelhas tiveram de adaptar-se às novas condições de vida. Fizeram-no muito bem, de modo que estamos vivendo atualmente uma crescente atividade apícola em todo país. Recentemente, a Meliponicultura tem presenciado um importante desenvolvimento, tanto ao nível de espaço, quanto à tecnologia inovadora para uma criação racional. Além do mel, cresceu o interesse pela produção e qualidade de derivados apícolas. Estes se referem à própolis, geopropolis, geléia real, ao pólen, à cera e apitoxina.

O pólen da flora apícola é encontrado em mel, própolis, geopropolis e geléia real, além de ser coletado puro pelas abelhas, estocado em alvéolos (Apis) e potes (Meliponini), separadamente do mel, constituindo o chamado “pão das abelhas”. Existe hoje uma literatura bastante informativa, embora regionalmente ainda limitada, sobre o pólen apícola (Barth 2004. Scientia Agrícola 61: 342-350).

O pólen no mel

Fazem parte do mel os grãos de pólen provenientes, na sua maior parte, das plantas fornecedoras de néctar, as chamadas plantas nectaríferas. Uma certa percentagem do pólen no mel pode ainda ser proveniente de plantas anemófilas, isto é, cujas flores não produzem néctar, somente pólen, disperso pelo vento, mas que pode ser de interesse para as abelhas como fonte de proteínas. Há ainda uma terceira categoria de plantas, as chamadas plantas poliníferas que, além de pouco néctar, fornecem bastante pólen.

É evidente que as plantas nectaríferas são de maior importância na produção de mel. Compreendem um grande número de espécies variando de região para região. Além de minuciosas observações da atividade das abelhas no campo, estas plantas são reconhecidas e identificadas através da “análise polínica” do mel. Constitui-se no reconhecimento dos tipos polínicos encontrados nas amostras de mel e a partir deles chegar às espécies vegetais que os produziram, bem como à vegetação de interesse apícola ao redor de um apiário e dentro do raio de ação das abelhas. Entre os tipos polínicos mais freqüentes encontrados em nossas amostras de mel, estão como exemplos os de Eucalyptus, de frutas cítricas (Citrus sp.), Mimosaceae e Asteraceae (Compositae).

Entretanto, a avaliação dos dados obtidos, ainda necessita de aprimoramento. Não basta realizar uma simples repartição dos tipos de grãos de pólen encontrados nas amostras de mel em classes de freqüência. É necessário avaliar e ponderar estas categorias e relacioná-las às propriedades e características das plantas que os produziram. Em parte, até empírico, é o nosso conhecimento sobre plantas que produzem mais ou menos néctar, mais ou menos pólen, bem como plantas que são de maior ou menor interesse para as abelhas. Este interesse pode variar de região para região. Por exemplo, Dombeya wallichii

(astrapéia), é de bom interesse para as abelhas no Estado do Rio de Janeiro (região Sudeste), entretanto é de desinteresse no Estado de Santa Catarina (região Sul) devido ao elevado teor de água em seu néctar nesta região. Todas as plantas essencialmente nectaríferas produzem muito néctar e pouco pólen, portanto são sub-representadas nos espectros polínicos.

Entre as poliníferas, isto é, plantas que produzem muito pólen e relativamente pouco néctar, super-representadas nos espectros polínicos, ocorrem diversas espécies do gênero Mimosa , de Melastomataceae (quaresmeiras). Espécies do gênero Eucalyptus, amplamente cultivadas no Brasil a partir do início do século XX, têm produção variável de pólen, de modo que ora se enquadram como nectaríferas, ora como poliníferas.

Há ainda as plantas anemófilas, que não produzem néctar e cujo pólen só acidentalmente entra na composição do espectro polínico de méis. Entre estas, ocorrem com maior freqüência várias espécies de Cecropia (embaúbas), de Poaceae (gramíneas), entre as quais o milho, e de Cyperaceae (tiriricas).

Em resumo, levando-se em consideração na análise polínica de amostras de mel a participação de pólen anemófilo e polinífero, bem como a relação quantitativa de sub- e super-representação do pólen das plantas nectaríferas, obtem-se um diagnóstico mais próximo da verdadeira procedência do mel.

O pólen puro

Servindo de reforço alimentar à dieta do homem, o pólen de bolotas de abelhas é comercializado há longo tempo. Procura-se, no entanto, obter um padrão constante deste produto. O pólen de plantas apícolas é a principal fonte de proteínas na dieta das abelhas. Em visitas ao campo à sua procura, as abelhas recolhem-no sob a forma de bolotas presas às corbículas de seu último par de patas. Na colmeia é armazenado em favos separados dos de néctar. O homem, no desejo de obter também o pólen, coloca na entrada da colmeia um dispositivo caça-pólen, por cuja fresta passa a abelha operária vindo do campo; entretanto, ela perde as bolotas de pólen de suas corbículas, as quais são recolhidas numa bandeja anexa. Posteriormente estas bolotas de pólen são secadas, evitando ser atacadas por mofo e acondicionadas em recipientes e ambiente propícios à sua conservação. Acontece que as abelhas saem à procura de uma única espécie floral mas, não encontrando quantidade suficiente, visitam outras flores e misturam o pólen muitas vezes numa mesma bolota. Portanto, o pólen monofloral apresenta propriedades organolépticas e bioquímicas características e constantes, o heterofloral tem propriedades variáveis.

Além de grãos de pólen, estas bolotas contêm corantes à base de lipídios, provenientes das anteras das flores onde o pólen foi produzido. Variando com os táxons botânicos e em dependência destas substâncias, diversas colorações de pólen são encontradas, desde o bege quase branco até o marron bem escuro, passando por amarelo, alaranjado, vermelho e verde. Os resultados de pesquisas demonstraram que as cargas de pólen de uma mesma coloração podem corresponder a diferentes tipos polínicos e que um mesmo tipo polínico pode ocorrer com diferentes colorações.

Em conclusão, as análises qualitativas e quantitativas dos tipos polínicos encontrados em amostras de pólen apícola são, portanto, instrumentos utilizáveis para a caracterização geográfica de sua procedência, bem como da origem florística.

O pólen em própolis e geoprópolis

Um dos componentes de própolis, compreendendo cerca de 5% de seu peso, é o pólen. Seu aparecimento neste composto tem diversas origens. Pode ser trazido pelo vento, aderindo à resina das exsudações vegetais. Pode também entrar na confecção da própolis como contaminante, proveniente de seu armazenamento dentro da colmeia. O terceiro modo de entrada de pólen na fabricação de própolis tem origem no pólen aderido ao corpo das abelhas durante os seus trabalhos de campo e nas colmeias.

São poucas as análises palinológicas feitas de sedimentos de amostras de própolis. Amostras de própolis dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul foram analisadas quanto à presença de elementos figurados. Os principais tipos polínicos encontrados, além de grande quantidade de tricomas (glândulas vegetais), corresponderam aos táxons de Cocos, Eucalyptus, Eupatorium, Mimosa caesalpiniaefolia, Mimosa scabrella e Schinus (Anacardiaceae). Chamou atenção o elevado teor de pólen anemófilo, principalmente de Cecropia.

A identificação de táxons vegetais através da morfologia de seus grãos de pólen, permite a inferência, através de associações polínicas, sobre o tipo de vegetação de onde foi recolhida a própolis. É possível definir, salvo em poucos casos, a origem geográfica de uma própolis baseando-se no respectivo espectro polínico.

Foi observado que alguns Meliponini, além de pólen, traziam em separado resina, barro e carregamento de látex do fruto de Vismia para a fabricação de geoprópolis. A presença de sílica e barro e a ausência de tricomas foi usada, além de pólen, para diferenciar geoprópolis de meliponíneos de própolis de Apis.

O pólen na geléia real

De modo semelhante à análise polínica de amostras de própolis e geoprópolis, os espectros polínicos de amostras de geléia real podem constituir-se em instrumento útil na indicação de sua origem regional, bem como de importantes táxons vegetais para as abelhas. O componente pólen compreende cerca de 5% de seu peso.

Conclusão

Tanto para mel, quanto para própolis, geopropolis e geléia real, a análise polínica é essencial no sentido de poder reconhecer, através da vegetação, a região na qual foram produzidos pelas abelhas.

Refrências bibliográficas

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Barth OM 1998. Pollen analysis of Brazilian Propolis. Grana 37: 97-101.

Barth OM, Luz CFP 1998. Melissopalynological data obtained from a mangrove area near to Rio de Janeiro, Brazil. Journal of Apicultural Research 37: 155-163.

Barth OM, Luz CFP 2003. Palynological analysis of Brazilian geopropolis samples. Grana 42: 121-127.

Barth OM 2004. Melissopalynology in Brazil: a review of pollen analysis of honeys, propolis and pollen loads of bees. Scientia Agrícola 61: 342-350.

Barth OM 2005. Análise polínica de mel: avaliação de dados e seu significado. Mensagem Doce, SP, 81: 2-6.

Barth OM 2005. Botanical resources used by Apis mellifera determined by pollen analysis of royal jelly in Minas Gerais, Brazil. Journal of Apicultural Research 44: 78-81.

 

A flora apícola é caracterizada pelas espécies vegetais que possam fornecer néctar e/ou pólen, produtos essenciais para a manutenção das colônias e para a produção de mel. O conjunto dessas espécies é denominado “pasto apícola ou pastagem apícola”.

Para que se obtenha sucesso na criação de abelhas, é fundamental uma avaliação detalhada da vegetação em torno do apiário, levando-se em conta não apenas a identificação das espécies melíferas, mas também a densidade populacional e os seus períodos de floração. Essas informações serão fundamentais na decisão do local para a instalação do apiário, assim como no planejamento e cuidados a serem tomados (revisão, alimentação suplementar e de estímulo, etc.) para os períodos de produção e para os períodos de entressafra (épocas de pouca ou nenhuma disponibilidade de recursos florais).

O pasto apícola pode ser natural, ou seja, formado a partir de espécies nativas ou proveniente de culturas agrícolas e reflorestamentos da indústria de madeira e papel. Nesses casos, a dependência de monoculturas não é aconselhável, pois, além de as abelhas só terem fontes de néctar e pólen em determinadas épocas do ano, há o risco de contaminação dos enxames e dos produtos pela aplicação de agroquímicos nessas áreas (prática comum na agricultura convencional). No caso dos grandes reflorestamentos de eucalipto, nem sempre podem ser considerados bons pastos apícolas, pois, apesar de existirem várias espécies com grande potencial apícola, na maioria dos casos, o corte das árvores ocorre antes da sua maturidade reprodutiva e conseqüente floração.

A diversidade do pasto apícola é uma situação que deve ser buscada. Nesse sentido, o apicultor pode e deve melhorar, sempre que possível, seu pasto apícola, introduzindo na área em torno do apiário espécies apícolas que sejam adaptadas à região, de preferência que apresentem períodos de floração diferenciados, disponibilizando recursos florais ao longo de todo o ano.

O tamanho de um pasto apícola, assim como a sua qualidade (variedade e densidade populacional das espécies, tipos de produtos fornecidos, néctar e/ou pólen e diferentes períodos de floração) irão determinar o que tecnicamente denomina-se “capacidade de suporte” da área. É a capacidade de suporte que irá determinar o número de colmeias a serem locadas em uma área, levando-se em conta o aspecto produtivo. Dessa forma, o potencial florístico dessa área será explorado pelas abelhas, de forma a maximizar a produção, sem que ocorra competição pelos recursos disponíveis.

Apesar das abelhas terem a capacidade de forragear com alta eficiência uma área de 2 a 3 Km ao redor do apiário (em torno de 700 ha de área total explorada), quanto mais próximo da colmeia estiver a fonte de alimento, mais rápido será o transporte, permitindo que as abelhas realizem um maior número de viagens contribuindo para o aumento da produção.

Colméia


Colméia é o nome dado ao local em que as abelhas habitam. A apicultura racional nasceu quando o homem desenvolveu o sistema de quadros móveis instalados em colméias. Antes disso, o homem simplesmente colhia o mel das abelhas que viviam em abrigos naturais, como ocos de árvores, fendas de pedras, etc., ou procurava criá-las em caixas rústicas de madeira, cestos de palhas e outros recipientes, entretanto, os resultados não eram dos melhores. A retirada do mel das colméias naturais é quase sempre única, por causa dos estragos provocados à colônia, a família enxameia ou acaba morrendo.

No caso da criação de abelhas em caixas rústicas a produção de mel é muito pequena e o produto não é de boa qualidade, pois ele é obtido espremendo-se os favos que são recortados e removidos das colméias. Na apicultura racional, este problema foi solucionado com a criação dos quadros móveis. Trata-se de uma invenção bem feita para os apicultores, que surgiu no final do século XIX. Mas cada dia, vem sendo aperfeiçoada para melhor servir a apicultura.

A apicultura moderna, racional que permite a produção de grandes quantidades de mel, pólen e outros produtos de grande comercialização, começou com o desenvolvimento desse sistema e consiste em induzir as abelhas a construírem seus favos em quadros dispostos verticalmente na colméia, construída para abrigar a família. Esse sistema oferece uma série de vantagens.

O sistema de quadros móveis permite que o apicultor inspecione o interior da colméia e intervenha sempre que for necessário: eliminando favos velhos, controlando focos de pragas (como traças), trocando a posição dos quadros, prevenindo a enxameação. Esse sistema também permite a utilização de lâminas de cera alveolada que produzem enormemente o trabalho das abelhas, possibilita o emprego de alimentadores artificiais (que garantem alimento à família durante o outono e inverno), permite o reaproveitamento dos favos, e, mais importante: a contínua colheita do mel.

Além dessas vantagens, as colméias dotadas de quadros móveis, podem ser fortalecidas com a introdução de um quadro de mel ou de crias de outra colméia. Falaremos sobre esse aspecto mais adiante, no decorrer do trabalho.

TIPOS DE COLMÉIAS

Conhece-se hoje, mais de 300 tipos diferentes de colméia que variam em função de adaptação climática, manejo, etc., mas todas elas, apresentam a mesma constituição básica: um fundo, um assoalho, um ninho (que é compartimento reservado ao desenvolvimento da família), a melgueira (compartimento onde é armazenado o mel), os quadros (nos quais são moldados os favos de mel ou de cria) e uma tampa (que reveste toda a colméia).

Todas estas peças: assoalho, ninho, melgueiras, quadros e tampa são móveis, podem ser retiradas a qualquer momento, o que facilita o trabalho de intervenção do apicultor. Outra vantagem: por ser móvel, esse sistema permite que a colméia receba mais melgueiras na época de floradas abundantes, aumentando a produção de mel e por outro lado, seja reduzida nos períodos de dificuldade (outono ou inverno). Por causa dessa facilidade de mobilidade, este tipo de colméia (o único utilizado pelos verdadeiros apicultores) é chamado de mobilista.

Diferentes materiais podem se empregados na construção das colméias: madeiras, fibra de vidro, amianto, concreto, isopor, etc. No entanto, a maioria delas, por razões de praticidade e economia são feitas de madeira, contudo, não é só o material das colméias que diferem. Existem muitos modelos de colméias, porém a mais indicada é a colméia Langstroth, ou Americana.

Idealizada por um dos pais da apicultura, o pastor Lorenzo Langstroth, este tipo de colméia é a mais utilizada em todo o mundo e é recomendada pela Confederação Brasileira de Apicultura e o Ministério da Agricultura.

O ESPAÇO ABELHA

Langstroth desenvolveu sua colméia quando descobriu o que se chama hoje de espaço abelha, que é o menor espaço livre que possa existir no interior de uma colméia para permitir a livre movimentação delas.

O espaço abelha foi uma descoberta muito importante. Ele é a própria referência da abelha no interior da colméia. As abelhas vedam, com própolis, todas as frestas inferiores a 4,8 mm e constróem favos nos espaços superiores a 9,5 mm. Ao descobrir essa característica das abelhas, Langstroth desenvolveu um tipo de colméia, composta por dez quadros que mantém entre si e entre as paredes, a segura distância de 9mm, em média. Isto é conseguido com o uso dos quadros de Hoffmann, dotados de espaçadores automáticos, ou seja, que já mantém o chamado espaço abelha, entre si.

Por trata-se de um objeto de precisão e exatidão, em termos de dimensões e medidas, não é aconselhável ao apicultor iniciante, produzir suas próprias colméias. É mais fácil, prático e econômico adquiri-las já prontas.

TELA EXCLUÍDORA

Outro importante avanço da apicultura racional é a tela excluídora (na verdade é uma chapa perfurada) que não permite, o deslocamento da rainha do ninho para a melgueira, onde poderia depositar seus ovos e comprometer o mel. A tela excluídora, instalada entre o ninho e a melgueira, permite apenas e tão somente a passagem das operárias do ninho para a melgueira, onde depositarão o mel que, no tempo certo, será colhido pelo apicultor.

O ALVADO

O Alvado é a porta da colméia. É um acessório regulável e de grande importância para a defesa da família. Trata-se de um sarrafo que é instalado na entrada da colméia, de forma a permitir a entrada e saída das abelhas. Nos períodos de frio, esta porta é reduzida, para conservar maior calor no interior da colméia. Nas épocas de floradas ou de calor, esta abertura é aumentada.

ESCOLHA DO LOCAL PARA O APIÁRIO

O Apiário é um conjunto de colméias, devidamente instalado em local preferivelmente seco, batido pelo sol, de fácil acesso, suficientemente distante de pessoas e animais, provocando o isolamento das abelhas. O Apiário, sofrerá durante toda sua existência, a interferência de fatores do meio ambiente, tais como: temperatura, umidade, chuvas, florações, ventos, pássaros predadores, insetos inimigos, etc.. O meio ambiente, no qual está instalado o apiário, onde vivem e trabalham as abelhas, será em grande parte, responsável pelo progresso ou não, conforme sejam as condições favoráveis. Portanto, caberá ao apicultor, o empenho da apicultura racional, ou seja, o correto manejo das abelhas, para obter resultados positivos no desenvolvimento do apiário.

A localização do apiário é um dos fatores mais importantes para o sucesso da apicultura. Vale a pena gastar um pouco de tempo na identificação do melhor local da propriedade para sua instalação.

Antes de instalar suas colméias, o apicultor deve levar em conta a disponibilidade de água e alimentos (floradas) para suas abelhas, procurar protegê-las de ventos fortes, correntes de ar, de muito sol e muita umidade. Contudo, a maior preocupação do apicultor, deve ser com relação a segurança de pessoas e animais. Este ponto é muito importante.

Naturalmente, o acesso ao apiário deve ser fácil, a fim de economizar tempo e reduzir os trabalhos do apicultor. No entanto, as colméias devem estar distantes 200 a 300 metros, no mínimo, de qualquer tipo de habitação, estradas movimentadas e criações de animais, afinal, as abelhas são seres muito sensíveis a odores exalados por animais e pelo homem e irritam-se com qualquer tipo de movimentação anormal que ocorra nas proximidades da colméia.

Para prevenir o ataque de inimigos naturais das abelhas, deve-se manter o gramado do apiário bem limpo, livre de mato e de árvores altas que dificultem o vôo das campeiras. A utilização de protetores antiformigas nos cavaletes é importante pois um ataque de formigas a enxames pequenos pode destruir toda a família de abelhas.

Produtores comerciais de mel, cera e geléia real costumam proteger suas colméias, construindo uma espécie de galpão aberto que abriga o apiário de chuvas fortes e da incidência direta do sol. Além de proporcionar uma defesa mais adequada contra as variações climáticas, esse tipo de proteção é mais econômico para o apicultor já que aumenta a vida útil das caixas. Um apiário deve ter uma distância de pelo menos cinco quilômetros de outro.

A ÁGUA

Assim como para o homem, a água também, é um elemento vital para as abelhas; ela entra na composição do mel, da cera e da geléia real produzida pela família. Por isso, é muito importante que tenha água limpa e em abundância próxima ao apiário. Caso não exista nenhuma nascente nem um curso d’água próximo ao apiário, o apicultor deverá providenciar o seu fornecimento. Esta providência deve ser tomada antes da instalação das caixas, para não perturbar o trabalho das colônias.

Existem várias formas de transportes da água até o apiário. Pode-se, por exemplo, canalizá-la até um barril dotado de torneira mantida aberta, de forma a deixar que a água simplesmente pingue sobre um pano colocado sobre madeira. Pode-se trazer ainda a água, canalizando-a, através de bambus ou tubulações de forma que ela caia pingando sobre um pano, num ponto próximo ao apiário. Não existe, entretanto, uma receita pronta. Tudo vai depender das condições da propriedade, como também, da criatividade do apicultor. As abelhas, particularmente, precisam de água levemente salgada.

A ABELHA E A COLMEIA

As abelhas vivem em sociedade, são extremamente organizadas e produtivas.

Uma família ou colônia de abelhas é formada, em média, por uma rainha, milhares de operárias e centenas de zangões.

ABELHA OPERÁRIA

Uma operária nasce de um ovo fecundado e vive de um a quatro meses dependendo do esgotamento físico (maior na época da florada).

Elas são responsáveis por todas as tarefas da colmeia. De acordo com a idade executam tarefas diferentes, que cronologicamente se dividem em: faxineiras, nutrizes, produtoras de cera e mel, guardas e finalmente campeiras até o fim da vida.

ABELHA RAINHA

A rainha é única dentro da colmeia. Nasce de um ovo fecundado e é criada com geléia real, o que a diferencia dos outros componentes da colmeia.

Seu abdomem é maior e mais claro, vive por volta de cinco anos, copula uma única vez com uma dezena ou mais de zangões e durante toda a sua vida sua única tarefa é a postura de ovos.

O ZANGÃO

O zangão nasce de um ovo não fecundado, não possui ferrão e sua única função é fecundar uma rainha virgem, morrendo logo após.

SEQUÊNCIA DE FASES DO NASCIMENTO DE UMA ABELHA OPERÁRIA

Colméia

Ovo

Após tres dias da postura nascerá a larva.

Larva

Será alimentada pelas obreiras até o oitavo dia quando o alveólo será operculado pelas obreiras e a larva começará a tecer o casulo.

Pré-pupa

Inicia-se o processo de metamorfose.

Pupa

Até o vigésimo dia sofrerá o processo de metamorfose.

Abelha adulta

No vigésimo-primeiro dia nasce finalmente a abelha já em sua forma definitiva.

A COLMEIA

É a casa das abelhas. Existem colmeias de diversos tipos e materiais.

As mais simples são de casca de árvore e barro, as mais utilizadas são de madeira, porém já existem, em alguns países, colmeias de plástico.

Uma colmeia fabricada pelo homem tem que seguir rigorosamente as mesmas medidas que as abelhas adotam para a construção de seus favos; isto proporciona um melhor aproveitamento do espaço além de poupar às abelhas trabalho extra para preencher espaços desnecessários.

Os componentes da colmeia são

Assoalho, ninho, quadros guarnecidos com cera alveolada para a construção dos favos pelas abelhas, e tampa.

Durante a florada acrescenta-se outros componentes como: telas excluidoras, melgueiras e sobre-ninhos.

Na figura abaixo há o desenho de uma colmeia com seus componentes com medidas padronizadas.

Colméia

Na figura abaixo, observa-se o trabalho de dois apicultores com a vestimenta completa para proteção contra as ferroadas das abelhas. O da esquerda, está segurando um favo. O da direita está segurando o fumegador.

Abelha

O fumegador é essencial nos trabalhos no apiário. A utilização da fumaça impede o ataque das abelhas.

Na caixa da direita observamos ninho e sobre-ninho cobertos com uma telha para proteção contra as chuvas.

Observe no suporte da colmeia, as latas colocadas para impedir a subida de formigas.

 

 

PADRÃO LANGSTROTH

Langstroth

Na figura acima observa-se o trabalho de dois apicultores, com a vestimenta completa para proteção contra as ferroadas das abelhas. O da esquerda, está segurando um favo. O da direita está segurando o fumegador. A caixa manipulada é o ninho Padrão LANGSTROTH . O genial apicultor americano Lorenzo Lorraine Langstroth foi o criador do “Padrão Langstroth” para abelhas melíferas.

O objetivo de Langstroth era construir uma colmeia que atendesse às antigas aspirações dos apicultores:

Fácil manejo, que induzisse às abelhas construírem em quadros móveis providos de cera alveolada;

Máximo desenvolvimento da colônia de abelhas com uma rainha prolífica;

Máximo aproveitamento do mel estocado;

Máxima economia apresentada pela possibilidade centrifugação de seus quadros móveis providos de cera alveolada;

Baixo custo de construção e disponibilidade de materiais;

Perseguindo estes objetivos,Langstroth verificou que as abelhas em uma colmeia, sempre completavam com própolis qualquer espaço inferior a 5/16 de polegada( 4,7 mm) e todo espaço superior a 3/8 de polegada ( 9,5 mm ) erapreenchido com construções de escada de cera ou favos. A média entre estes dois valores é de 5/16 de polegada ( 7,9mm ).

Este “código de obras” é rigorosamente obedecido pelas abelhas, é o que Langstroth chamou de espaço-abelha. O espaço abelha está entre 6 a 8 mm , podendo em algumas colméias ter uma variaçãode até 2 mm, ou seja, (7.0 +-2.0)mm . Este espaço deve permanecer sempre livre para o trânsito de abelhas , tanto no transporte de alimentos como para ventilação. Nada é construído neste espaço .

Colméia
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Exigir aos carpinteiros de enxergar um mísero milímetro é no mínimo injusto. Mas tem-se que obedecer ao máximo a precisão especificada na construção da colmeia, sob pena de se transgredir as leis do mundo das abelhas, que primam por precisões matemáticas em suas construções. Ao contrário de outras colmeias, as medidas da Langstroth sofreram pouquíssimas modificações ao longo destes mais de cem anos de emprego na apicultura em todo o mundo. Dessa forma o segredo da construção da colmeia, está em se obter um produto final com dimensões exatas, onde todas as peças se encaixam podendo ser facilmente manipuladas pelo apicultor sem causar danos à colônia de abelhas, evitando assim quequadros possam vir a ser quebrados por estarem colados com própolisou favos se rompam por estarem construídos em locais não desejados pelo apicultor.

Para fins práticos, em carpintaria das colméias, este espaço-abelha é geralmente 7 mm, o que é feito construindo-se quadros móveis dentro das caixas. Langstroth teve a intuição de aplicar “O Espaço Abelha” encontrado em colméias naturais em colmeias com quadros móveis, dimensionada de forma a existir um espaço abelha entre os quadros e entre as partes que a compõem. Com isso permitiu-se que o apicultor possa sacar facilmente qualquer quadro ou outro componente da colmeia sem causar grandes distúrbios a vida da colmeia como a quebra de favos e de quadros colados com própolis. Esta colmeia é prática e racional, obedecendo as leis da natureza e oferecendo ao apicultor amplas facilidades de manejo

A nova colmeia permiti auma rainha prolifera seguir com a postura preenchendo todos os alvéolos disponíveis, no ritmo de uma face de quadro por dia. Seria desejável que a rainha, ao retornar ao ponto de partida, encontrasse sempre alvéolos vazios para a postura. Isto seria possível com o emprego de 10 quadros, pois as operárias nascem 21 dias após a postura do ovo. Assim, a rainha retornando ao ponto de partida, após percorrer todas as 20 faces dos quadros, encontraria já vacantes os alvéolos da postura de 21 dias atrás, e continuaria sua postura sem qualquer restrição de espaço, de forma contínua.

Para que o almejado ritmo de postura fosse atingido, seria necessário então um quadro que coubesse em cada uma de suas faces um número suficiente de alvéolos para receber a postura máxima diária de uma rainha prolífera. Esse número foi determinado em torno de 3000 alveolos, o que correspondia a possibilidade de 3000 ovos. Considerando-se a area necessária para estocagem de mel, observada na natureza (+-500 alveolos), então o número de alveolos total em uma face do quadro seria de 3500 .Com isto que cerca de 3.000 alvéolos por face ficariam livres, à disposição da rainha para a postura de ovos e cerca de 500 para a estocagem de pólen e mel (é claro que acima do ninho e acima de uma tela excluidora seriam posicionadas as melgueiras em época de floração principal, para recolher o desejado mel).

Dessa forma, considerando-se o número de alveolos por cm2 (àrea útil para postura +- 840 cm2 ) chegou-se as dimensões finais para o quadro de Langstroth. Considerando-se o espaço abelha, foi possível também calcular a Caixa Ninho, isto é a casa das abelhas onde seriam introduzidos os referidos quadros.

A figura 02 mostra uma “casa de abelha” padrão Langstroth. Nessa casa das abelhas, as dimensões da colmeias Langstroth possuem o espaço abelha de +- 0,75 cm entre as paredes da colmeia e as lateriais dos quadros e +- 0,7 cm entre a vareta superior dos quadros e a tampa ou parte inferior dos quadros da melgueira sobreposta .

Uma colméia Langstroth é constituída por, ver figura 02:

Assoalho ou fundo móvel, que protege sua parte inferior e abriga o alvado;

Ninho (com dez quadros), onde se desenvolverão os favos para depósito de mel, pólen ou crias;

Melgueira (com dez quadros), onde será depositado o mel;

Quadros ou caixilhos Hoffman, que são estruturas de madeira abertas e servem de suporte para desenvolvimento dos favos; são móveis, facilitando a vistoria do interior da colméia;

Tampa;

Alvado, que é a abertura de entrada e saída das abelhas;

Pegadores.

Há apicultores que usam a melgueira com a mesma altura do ninho (24 cm), para facilitar o manejo apícola. Outros preferem utilizar melgueiras de menor altura (as meias-melgueiras,de 14,2 cm), alegando menor peso para manuseio e maior rapidez na maturação do mel (melhor ergonometria).

A madeira para a construção das colméias deve ser leve, para facilitar o manejo, e não pode apresentar cheiros fortes, que afugentam as abelhas. O pinho é muito usado na construção das colméias. Atualmente utiliza-se quadros de polystyrene e também melgueiras.

Para pintar as colméias, recomenda-seo uso de tinta a óleo de cor clara (amarela, branca, azul-clara), já que as tonalidades escuras costumam deixar as abelhas mais agressivas. As colméias devem ser dispostas alternadamente, em cores diferentes, para facilitar os vôos de ensaio das abelhas.

As colméias devem ser apoiadasem suportes de madeira, metal ou alvenaria. É muito usado, com eficiênciae economia, um tronco ou cano com uma cruzeta, um cone protetor cheio deóleo queimado para impedir ataques de formigas e um segundo cone invertido, para evitar a queda de abelhas e água da chuva dentrodo primeiro.

A seguir apresentamos as as dimensões oficiais da colmeia Langstroth adotadas pela Confederação Brasileira de Apicultura – CBA, mostradas na figura 02.
(Medidas em milímetros)

Ninho (medidas internas) 465 x 370 x240

Fundo 555 x 410

Tampa 545 x 440

Vareta superior do quadro 481 x 25 x20

Acabamento da vareta nas pontas 25 X15 X 12

Peças laterais do quadro 233x 35 e 25 x 10

Vareta inferior do quadro 450 x 15 x12

 

LANGSTROTH

Em seu habitat natural, as abelhas se alojam em cupinzeiros, ocos de pau e frestas de pedras. Com a valorização crescente dos produtos apícolas, passou-se de sua extração pura e simples à “criação em cortiços” – criação em caixas fixas sem dimensões definidas. Posteriormente, com a adoção de novas técnicas, surgiram colméias racionais, entre as quais a padrão, idealizada por Langstroth. Também conhecida como colméia standard ou americana, é atualmente a mais usada em escala mundial, por atender às necessidades biológicas de suas ocupantes.

A colméia Langstroth é constituída por:

Assoalho ou fundo móvel, que protege sua parte inferior e abriga o alvado;

Ninho (com dez quadros), onde se desenvolverão os favos para depósito de mel, pólen ou crias;

Melgueira (com dez quadros), onde será depositado o mel;

Quadros ou caixilhos Hoffman, que são estruturas de madeira abertas e servem de suporte para desenvolvimento dos favos; são móveis, facilitando a vistoria do interior da colméia;

Tampa;

Alvado, que é a abertura de entrada e saída das abelhas; e

Pegadores.

Há apicultores que usam a melgueira com a mesma altura do ninho (24 cm), para facilitar o manejo apícola. Outros preferem utilizar melgueiras de menor altura (as meias-melgueiras, de 14,2 cm), alegando menor peso para manuseio e maior rapidez na maturação do mel.

A madeira para a construção das colméias deve ser leve, para facilitar o manejo, e não pode apresentar cheiros fortes, que afugentam as abelhas. O pinho é muito usado na construção das colméias.

Para pintar as colméias, recomenda-se o uso de tinta a óleo de cor clara (amarela, branca, azul-clara), já que as tonalidades escuras costumam deixar as abelhas mais agressivas. As colméias devem ser dispostas alternadamente, em cores diferentes, para facilitar os vôos de ensaio das abelhas.

As colméias devem ser apoiadas em suportes de madeira, metal ou alvenaria. E muito usado, com eficiência e economia, um tronco ou cano com uma cruzeta, um cone protetor cheio de óleo queimado para impedir ataques de formigas e um segundo cone, invertido, para evitar a queda de abelhas e água da chuva dentro do primeiro.

 

A apicultura racional nasceu quando o homem desenvolveu o sistema de quadros móveis instalados em colméias. Até então, o homem simplesmente pilhava o mel das abelhas que vivem em abrigos naturais, como ocos de árvores, cupins, fendas de pedras etc., ou procurava criá-las em caixas rústicas de madeira, cestos de palhas e outros recipientes. Mas os resultados não eram dos melhores. A pilhagem do mel de colméias naturais é, quase sempre, única, já que devidos aos estragos provocados à colônia, a família enxameia ou acaba morrendo.

No caso da criação de abelhas em caixas rústicas de mel é muito pequena e o produto é de péssima qualidade, pois ele é obtido espremendo – se os favos que são recortados e removidos das colméias.

Na apicultura racional este problema foi solucionado com invenção dos quadros móveis. Trata-se de uma engenhosa invenção de apicultores do final do século passado. A apicultura moderna, racional, que permite a produção de grandes quantidades de mel, pólen e outros produtos de grande, começou com desenvolvimento deste sistema, que consiste em induzir as abelhas a construírem seus favos em quadros dispostos verticalmente na colméia contruída para abrigar a família. Este sistema oferece uma série de vantagens de ordem prática.

O sistema de quadros móveis permite que o apicultor inspecione o interior da colméia e intervenha sempre que for preciso: eliminando favos velhos, controlando focos de pragas (como as traças), trocando a posição dos quadros, prevenindo a enxameação.

Este sistema permite também a utilização de lâminas de cera alveolada- que produzem enormemente o trabalho das abelhas -, possibilita o emprego de alimentadores artificiais (que garantem alimento à família durante o outono e o inverno), permite o reaproveitamento dos favos, e, mais importante, a contínua colheita de mel.

Além destas vantagens, as colméias dotadas de quadros móveis podem ser fortalecidas com a introdução de um quadro quadro de mel ou de crias de outra colméia – como veremos mais tarde.

TIPOS DE COLMÉIAS

Colméia

Conhecem -se hoje mais de 300 diferentes tipos de colméia; que variam em função de adaptação climática, manejo, etc. Mas todas elas apresentam a mesma constituição básica: um fundo, ou assoalho, um ninho que é compartimento reservado ao desenvolvimento da família – a melgueira, compartimento onde é armazenado e mel, os quadros, nos quais são moldados os favos de mel ou de cria, e uma tampa, que reveste toda a colméia.

Todas estas peças – assoalho, ninho, melgueiras, quadros e tampa – são móveis- podem ser retiradas a qualquer momento o que facilita o trabalho de intervenção do apicultor. Outra vantagem: por móvel, este sistema permite que a colméia receba mais melgueiras na época de floradas abundantes- aumentando assim a produção de mel- e, por outro lado, seja reduzida nos períodos de escassez. Dada essa facilidade de modalidade, este tipo de colméia – o único utilizado pelos verdadeiros apicultores – é chamado de mobilista.

Diferentes materiais podem ser empregados na construção das colméias; madeiras, fibra de vidro, amianto, concreto, isopor etc. No entanto, dá-se preferência, por razões de ordem prática e econômica, a madeira.

Mas não é só no material que as colméias diferem. Há uma afinidade de modelos de colméias, sendo que a mais indicada para as nossas condições é a colméia Langstroth, ou Americana. Idealizada por um dosa pais da moderna apicultura, o pastor Lorenzo Langstroth, este tipo de colméia é a mais utilizado em todo o mundo e é recomendada pelo padrão pela Confederação Brasileira de Apicultura e o Ministério da Agricultura.

O ESPAÇO- ABELHA

Langstroth desenvolveu sua colméia quando descobriu o que se chama hoje de espaço abelha, que é o menor espaço livre que pode existir no interior de uma colméia, para permitir a livre movimentação das abelhas.

Este espaço abelha é uma descoberta muito importante. Ele é a própria referência da abelha no interior da colméia. As abelhas vedam, com própolis, todas as frestas e vão inferiores a 4,8mm e constroem favos nos espaços superiores a 9,5mm.

Ao descobrir esta característica das abelhas, Langstroth desenvolveu um tipo de colméia, compostos por dez quadros, que mantém, entre si e entre as paredes, a segura distância de 9mm, em média. Isto é conseguido com o uso dos quadros Hoffmann, dotados de espaçadores automáticos, ou seja, que já mantêm o chamado espaço – abelha entre si.

Por se tratar de um objetivo que reclama precisão e exatidão, em termos de dimensões e medidas, não é aconselhável ao apicultor iniciante produzir suas próprias colméias. Mais fácil e prático é adquiri-las já prontas.

TELA EXCLUIDORA

Outro importante avanço da apicultura racional. A tela excluidora – na verdade uma chapa perfurada- não permite que a rainha se desloque do ninho para a melgueira, onde poderia depositar seus ovos e comprometer o mel. A tela excluidora, instalada entre o ninho para a melgueira, permite apenas e tão somente a passagem das operárias do ninho para a melgueira, onde depositarão o mel que, mais tarde, será colhido pelo apicultor.

O ALVADO

O alvado é o que se pode chamar de porta de colméia. É um acessório regulável e de grande importância para a defesa da família. Trata-se de um sarrafo que é instalado na entrada da colméia, de forma a permitir a entrada e saída das abelhas. Nos períodos de frio, esta é reduzida, para conservar maior calor no interior da colméia. Nas épocas de floradas ou de calor, esta abertura é aumentada.

CERA ALVEOLADA

Outro importante aperfeiçoamento da apicultura moderna foi o desenvolvimento da cera alveolada. Com este material o produtor poupa trabalho de sua abelhas e ganha tempo na produção de mel. A cera alveolada é uma lâmina de cera abelha prensada, que apresenta, de ambos os lados, o relevo de um hexágono do mesmo tamanho do alvéolo, que servirá de guia para a construção dos alvéolos dos favos.

A cera é fixada por meio de um arame que corre por dentro dos quadros. Normalmente, os quadros já são vendidos com o arame, e sua instalação é fácil de ser feita. Para soldar a cera ao arame, use a extensão de uma tomada com fio dos dois pólos elétricos ligados a uma resistência- dessas que servem para aquecimento de ambientes – com duas saídas: descanse a lâmina de cera sobre o arame. Em seguida, com o auxilio de dois fios condutores, provoque um pequeno rápido curto nas extremidades do arame.

Pronto! A cera se soldará automaticamente pela ação do calor provocado pelo curto- circuito. Atenção porque uma descarga muito prolongada poderá derreter a cera – impossibilitando sua fixação. Mas o método é pratico e largamente empregado pelos apicultores

O tipo mais usual em todo mundo é a colméia Langstroth, americana, que se adaptou muito bem no Brasil. Esse tipo de colméia é mais espaçoso do que os outros e muito favorável ao nosso clima. No inverno mais rigoroso, pode-se colocar o diminuidor de entrada do alvado (abertura por onde entram e saem as abelhas), mas deve ser retirado no verão a fim de que haja maior aeração dentro da colméia

 

PLANTA BÁSICA DA COLMÉIA LANGSTROTH


QUADROS DA CÂMARA DE CRIA

Travessa superior: 481 mm

Travessa inferior: 450 mm

Laterais:

QUADROS DA MELGUEIRA:

Travessa superior: 481 mm

Travessa inferior: 450 mm

Laterais:

NINHO OU CÂMARA DE CRIAS:

Comprimento 485 mm

Largura: 370 mm

Altura: 240 mm

FUNDO:

Largura: 410 mm

Comprimento: 600 mm

TAMPA:

Largura: 440 mm

Comprimento: 510 mm

A colméia completa compõe-se das seguintes peças: assoalho, com uim comprimento maior que o da caixa e possui o alvado; ninho : é colocado sobre o fundo e destina -se à postura dos ovos da rainha. coloque no ninho dez quadros e cubra- os com uma tela excluidora, para evitar a subida da rainha para a melgueira, que é colocada sobre o ninho, com dez quadros para a posição do mel, e por último os quadros para a deposição do mel, e por onde são construídos os favos.

Além de uma ou duas melgueiras, o apicultor poderá colocar muitas outras, se assim o desejar, de acordo com a produção de mel e conseqüentemente a florada local. Quando a primeira está cheia de mel, pode-se optar entre a colheita de mel, ou a colocação de uma nova sobre a caixa. Muitas vezes, em boas floradas, alguns apicultores chegam a colocar até quadros melgueiras sobre o ninho.

O pequeno apicultor, isto é, aquele que deseja manter apenas algumas caixas de abelhas para o seu uso, pode, por exemplo, adquirir apenas um jogo de colméias completo, depois de construir as demais, seguindo à risca as medidas daquela que foi adquirida. Para se confeccionar a colméia, basta apenas uma serra circular e habilidade manual, as quais ficarão bem mais em conta do que as vendidas em casas especializadas.

Na confecção dos quadros, não há necessidade de fazer recorte da madeira, a fim de dar espaço entre os mesmos por ocasião da disposição no ninho ou melgueira. Nas casas especializadas são vendidos espaçadores, os quais devem ser colocados no lado dos quadros a fim de dar o espaçamento certo entre elas. O mais importante nas colméias são as medidas internas nos ninhos e melgueiras, como também as medidas externas dos quadros.

Falamos em medidas exatas, porque os quadros da colméia “A” podem ser utilizados na colméia “B”, principalmente quando se utiliza a centrífuga para a extração do mel. Ainda quando se adquire um enxame, os quadros que virão com abelhas, crias e a respectiva rainha, irão adaptar – se perfeitamente em nossa colméia e assim sucessivamente.

As medidas da colméia americana são as seguintes: ninho 37cm de largura; 46,5cm de fundo e 24cm de altura; enquanto que a melgueira tem também 37cm de largura, 46,5 cm de fundo e 14,5cm de altura. As medidas acima são internas.

Os quadros para o ninho possuem as seguintes medidas externas: 48,1cm de comprimento na parte superior, embaixo 45cm e a altura é de 21,5cm; os quadros para a melgueira tem as mesmas larguras do ninho; a altura é de 12.0cm. a espessura dos quadros é de 1.0cm.

A madeira empregada para a construção das colméias normalmente é o pinho- do- paraná. O ninho, melgueira, assoalho e tampa são confeccionados com madeira de espessura de 2 cm e os quadros com madeira de 1cm.

Já vimos colméias fabricadas com certos tipos de madeira, que após o calor, os quadros ficam embodocados, isto é, não dando o espaço certo para a confecção sistemática dos favos. As próprias caixas também envergam, formando grandes frestas.

Tanto no ninho como na melgueira, devem ser feitos um rebaixo para acomodar, isto é, assentar os quadros sendo a altura de 1,9cm e a largura de 1cm. Há quem faça o rebaixo vertical 5mm mais profundo, colocando para compensar os 5mm uma tira de chapa, para facilitar a retirada dos quadros,os quais são menos vedados pela própolis.

PINTURA DAS CAIXAS

Uma vez prontas as colméias,como ficarão praticamente expostas ao tempo, convém pintá-las com tinta a óleo, dando preferência para as cores claras, como branco, creme, azul- claro, verde-claro, com duas ou três demãos; isto deve ser feito apenas nas partes externas.

Outro tipo de colméia é a Schimer, que à diferença das americanas, apresenta seus quadros na posição transversal ou perpendicular à entrada da colméia, dificultando, assim, a entrada de ar.

 

As campeiras são dotadas de uma memória geográfica, razão pela qual sempre retornam ao ponto de onde saíram, orientadas pela posição do sol.

Baseando – se neste principio, podemos promover a divisão artificial de uma ou mais famílias, para ampliar o apiário. Este trabalho, no entanto, só deve ser feito nos períodos de maior florada e de boas condições climáticas (ausência de chuvas contínuas e nos períodos de calor). Naturalmente, a família que se pretende dividir deve ser populosa, forte, possuir um bom número de crias e, de preferência, propensa a enxamear. Para dividir a família, proceda da seguinte forma:

transporte a colméia populosa para novo ponto, distante pelo menos cinco metros do local original.

Instale, no local original onde estava a colméia populosa, uma nova caixa.

Transfira da colméia populosa para a nova caixa todos os quadros com cria nova ( alveolos não operculados) e ovos, um ou dois favos com cria madura ( alveolos operculados) e metade dos favos com mel. Complete com quadros contendo cera alveolada, e transfira algumas abelhas nutrizes da colméia populosa para a nova.
Existindo quadros com realeiras, transfira -os para a nova caixa. Isto vai auxiliar o desenvolvimento da nova família.

Feita a divisão, na caixa forte, que foi transferida de lugar, ficarão a rainha as abelhas novas 9 nutrizes, faxineiras e engenheiras), os quadros com cria madura e quadros com mel. Completando a caixa, coloque os quadros contendo cera alveolada.

A nova colméia receberá todas as abelhas campeiras que, com a ajuda das nutrizes, vão criar nova rainha, aproveitando a existência de realeiras ou, na falta destas , das larvas e ovos.

Há diversos outros métodos de divisão de famílias, mas todos eles se baseiam neste mesmo sistema. O processo descrito aqui é o mais empregado, por ser o mais simples e prático.

 

Tudo começa com uma abelha-rainha. Poucos dias depois de nascer, ela já está pronta para seu primeiro e único namoro, marcado pelo chamado vôo nupcial, em que é seguida por um cortejo de zangões. Depois de fecundada, ela sai em busca de um novo lar, junto com as abelhas serviçais, que carregam um pouco de cera.

O local ideal é uma fresta ou um buraco em uma árvore ou uma parede. “Com o material trazido do antigo ninho, elas constroem o primeiro favo”, afirma a entomologista Maria Cristina de Almeida, da Universidade Federal do Paraná. As operárias vedam as frestas com o própolis, conhecido por seus efeitos medicinais e secretado por suas próprias glândulas.

Terminada a construção, a rainha inicia a sua linhagem, pondo as larvas. As filhas escolhidas para futuras rainhas — não se sabe por quais critérios — são alimentadas por mais tempo com geléia real, substância rica em vitaminas também secretada pelas glândulas das abelhas. As demais estão condenadas a ser vassalas: cuidam da faxina, defendem a colméia, procuram comida, produzem mel e alimentam as larvas. As rainhas que nascerem farão o mesmo que a mãe: serão fecundadas, reunirão suas operárias e formarão suas próprias colméias.
Como é feito o mel?

As abelhas têm em suas cabeças glândulas que secretam duas enzimas: invertase e glicose oxidase.

O mel é formado pela reação dessas substâncias com o néctar coletado das flores. A invertase converte a sacarose – tipo de açúcar contido no néctar – em dois outros açúcares: glicose e frutose. A glicose oxidase, por sua vez, transforma uma pequena quantidade de glicose em ácido glicônico, que torna o mel ácido, protegendo-o de bactérias que o fariam fermentar. Agitando as asas para secar a água, presente em grande quantidade no néctar, as abelhas desidratam o mel, matando outros microorganismos.

 

Colmeia é o nome dado a uma colônia de abelhas ou ao abrigo construído para ou pelas abelhas.

As abelhas utilizam a colmeia para abrigar sua progenitura, criá-las e estocar o mel. As abelhas domesticadas têm suas colmeias construídas em apiários. Uma colmeia geralmente possui 80 mil abelhas, cuja maioria são fêmeas (operárias). O número de fêmeas em relação aos machos é dado através do número de ouro (divina proporção). Nas colmeias são geradas diversas larvas, que são alimentadas pelas abelhas operárias de maneira igual. Quando uma rainha está para morrer, essas operárias escolhem entre as larvas mais fortes uma nova rainha, e esta, por sua vez, começa a ser alimentada de uma forma especial para se desenvolver mais que as outras até se tornar uma nova rainha. Obs.: Colmeia sendo traduzido para uma linguagem “humana”, também pode significar: GOEL (principalmente na região sul do continente americano).

Cheiro das Flores


 

O cheiro das flores é uma característica importante para atrair polinizadores, especialmente à noite, para animais que possuem pouco estímulo visual. As flores polinizadas por morcegos ou mariposas, que atuam durante a noite, possuem geralmente forte aroma.

As abelhas também respondem fortemente ao estímulo do aroma e têm preferência por aquilo que para nós humanos é “perfume”. De fato, muitas das flores que atraem abelhas têm aromas agradáveis, como as violetas.

Cheiro das Flores

Devido à alta sensibilidade dos insetos ao cheiro, mesmo as flores que parecem não ter cheiro ao olfato humano, contêm suficientes quantidades de substância atraente.

Do ponto de vista da observação humana, os aromas de plantas se dividem em duas grandes classes:

Aromas “agradáveis”: As substâncias responsáveis pelos aromas são bastante voláteis, podendo ser obtidas por destilação a vapor ou extraídas das flores com éter, formando a fração dos chamados “óleos essenciais”.

Os óleos essenciais são geralmente formados de mono ou sesquiterpenos, álcoois alifáticos simples, cetonas, ésteres, ou substâncias contendo o anel aromático.

Muitas vezes, uma só substância é responsável pelo odor; às vezes, uma mistura enorme de substâncias. Consulte as tabelas para detalhes

Muitos perfumes modernos são feitos ainda hoje a partir dos extratos das plantas, embora existam essências sintéticas. Rosas ainda são cultivadas na Bulgária por causa de seu perfume.

Cidades como Grasse, no sul da França, apresentam campos enormes de cultivo de flores, especialmente destinadas à perfumaria.

Aromas “desagradáveis”: Essa classe tem sido pouco estudada. Um exemplo desse tipo de aromas é o odor fétido da planta Arum maculatum e outras plantas da família das Araceae.

O cheiro desagradável é uma forma de mimetismo olfativo, pelo qual a planta reproduz o cheiro de proteína em decomposição ou de fezes, com o objetivo de atrair para suas flores os insetos que normalmente são atraídos pela carniça ou pelo estrume.

As substâncias químicas responsáveis por esse cheiro são de constituição química muito semelhante às substâncias que de fato existem nos materiais em decomposição ou nas fezes.

Algumas substâncias de cheiro desagradável podem ser usadas em perfumaria, em alta diluição. Um exemplo é o escatol, constituinte de fezes, que possui cheiro característico e é usado em alguns perfumes orientais.

Polinização de espécies de Arum

Cheiro das Flores

Algumas espécies de plantas do gênero Arum têm flores que são verdadeiras armadilhas naturais para insetos. A flor, de cor púrpura vibrante, abre à noite. Sua respiração é anormalmente rápida e sua temperatura chega a 30 oC.

O calor gerado libera aminas voláteis, com cheiro desagradável (odor fecal).

Moscas e besouros de esterco deixam-se atrair pelo cheiro, penetram na flor e são aprisionados por 24 horas.

Não conseguem sair porque a flor possui secreção de óleo, fazendo-os escorregar. Nos seus movimentos, transferem pólen dos estames para os estigmas.

Algum tempo depois, ocorrem mudanças anatômicas rápidas que provocam enrugamento da flor, fornecendo como que uma “escadinha” para o inseto subir. E, eventualmente, ele foge. É importante que o inseto escape, carregando pólen de uma planta para outra, de modo a efetuar polinização cruzada.

Feromônios de insetos e o aroma das flores:

Os insetos também se comunicam através de sinais químicos. Funcionam como sinais químicos os chamados feromônios, substâncias voláteis, ativas em quantidades mínimas que, ao serem liberadas por um inseto, têm a propriedade de afetar outros insetos.

Os feromônios são usados como mensageiros químicos em diversas situações da vida do inseto: alimentação, acasalamento, oviposição, agregação, defesa e estabelecimento ou reconhecimento de trilhas.

São substâncias geralmente simples, como álcoois, ácidos ou ésteres alifáticos. Muitos feromônios têm natureza terpênica e são muito semelhantes às essências das plantas.

As plantas podem produzir cores e odores para atrair insetos à polinização, como vimos. Podem também adicionar a estes recursos o recurso da forma.

Um exemplo sofisticado deste tipo de interação é como as abelhas do gênero Andrena são atraídas para flores de orquídeas do gênero Ophrys.

A forma e a cor da flor são de tal modo semelhantes à forma e a cor da abelha-fêmea, que chegam a confundir o macho da espécie na sua busca de acasalamento.

Ele voa na direção da flor, pousa nela, e faz um “pseudoacasalamento”, realizando no processo a polinização da orquídea. Além do visual que ilude o inseto, a flor utiliza uma atração olfativa.

O aroma da orquídea, de fato, é uma imitação do odor sexual da abelha-fêmea. A flor não oferece nenhum néctar ao inseto e não é visitada pela abelha-fêmea.

As substâncias responsáveis pelo aroma da flor são principalmente mono e sesquiterpenos da série dos cadinenos.

Algumas das substâncias encontradas nas glândulas da Andrena-fêmea estão presentes também na flor.

Anatomia da Abelha


 

Morfologia e Biologia das Abelhas Apis mellifera

Aspectos morfológicos das abelhas Apis mellifera

As abelhas, como os demais insetos, apresentam um esqueleto externo chamado exoesqueleto. Constituído de quitina, o exoesqueleto fornece proteção para os órgãos internos e sustentação para os músculos, além de proteger o inseto contra a perda de água. O corpo é dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome (Fig. 3). A seguir, serão descritas resumidamente cada uma dessas partes, destacando-se aquelas que apresentam maior importância para o desempenho das diversas atividades das abelhas.

Anatomia das Abelhas
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Aspectos da morfologia externa de operária de Apis mellifera.

Anatomia das Abelhas
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Metamorfóse das Abelhas
As Abelhas Mudam de Corpo

Durante seu ciclo vital, as abelhas passam por quatro etapas muito diferenciadas

Ovo.

Larva.

Ninfa.

Adulto.

Assim como as borboletas, sofrem uma metamorfose: as larvas são muito diferentes dos adultos e seu corpo sofre mudanças muito importantes durante seu desenvolvimento.

A rainha põe um ovo em uma pequena cavidade, chamada alvéolo. Todos os ovos tem o mesmo aspecto, mas podem ser de dois tipos: ovos fecundados, dos quais nascerão fêmeas, o os ovos não fecundados, dos quais sairão os machos.

Após três dias, nasce a larva, que não tem asas nem patas e cujo aspecto lembra o de um pequeno verme. A larva come muito e cresce rapidamente; em pouco tempo ocupa todo o alvéolo.

Nesse momento, entra na fase de ninfa ou pupa e as operárias fecham a entrada do alvéolo. Ali escondida, começa sua incrível transformação; pouco a pouco, seu corpo muda de aspecto e vai desenvolvendo as asas e patas.

Uma vez finalizada a metamorfose, sai a abelha adulta, copletamente formada.


A metamorfose das operárias dura 21 dias, a dos zangões, 24 e a da rainha 16
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Um par ideal: A Rainha e o Zangão

Há somente uma rainha em cada colônia e é a única fêmea capaz de pôr ovos. A rainha quase nunca sai sa colméia e durante toda a sua vida, que dura de três a cinco anos, se dedica exclusivamente a pôr ovos.

A rainha nasce de um ovo fecundado e a larva é alimentada de forma especial pelas operárias durante o seu crescimento.

Pode ser distinguida do resto dos Habitantes da colméia pelo seu tamanho: é a maior, tem o abdome mais largo e seu ferrão é liso e curvo.

Diferentemente das operárias, não ataca o homem ou outros animais e só utiliza seu ferrão contra ourtas rainhas. Pode chegar a pôr até 2000 ovos por dia, embora a desova varie, dependendo, entre outras causas, da idade da rainha.

Os machos ou zangões não fazem nenhum trabalho. São incapazes de procurar alimento e não tem ferrão.

O mais esoetacular são seus olhos enormes, formados por um número muito mais elevado de facertas do que os das operárias ou os da rainha. Vivem cerca de três meses e sua única função é fecundar as jovens rainhas.


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Ovo-larva-ninfa-adulto
As operárias, a serviço da rainha

Dos três tipos de abelhas que vivem em uma colméia, as operárias são os membros mais numerosos.

As operárias são fêmeas estéreis, o que significa que não podem pôr ovos. Do mesmo modo que a rainha, nascem de ovos fecunados, mas as larvas recebem outro tipo de alimentação, motivo pelo qual se desenvolvem de maneira diferente.

As operárias se encarregam de todas as tarefas e sua vida é muito curta. Nos meses de maior trabalho (primavera e verão), vivem somente de quatro a cinco semanas, enquanto ni inverno, por terem menos trabalho, podem viver vários meses.

As operárias possuem uma espécie de “cestinho” nas patas traseiras, que lhes serve para transportar o pólen que recolhem das floras.

Além disso, estão encarregadas de elaborar o mel e de alimentar a rainha, as suas crias e o macho.

Também farbicam a cera com qual fabricam os favos.

Com seu ferrão reto e dentado, picam qualquer um que as moleste ou tente introduzir-se na colméia, mas nunca atacarão uma rainha.


As operárais fabricam o mel a partir do néctar das flores, que passam umas às outras 1, e se ocupam de encher de mel os alvéolos-armazéns 2 e de inspencionar continuamente seu conteúdo 3.

Anatomia das Abelhas
As operárias são também as únicas que secretam cera, através de glândulas chamadas glândulas ceríferas; elas utilizam a cera para construir o favo.

Anatomia das Abelhas
Nas patas posteriores, as operárias têm uma cavidade; é o cestinho, onde se acumula o pólen que recolhem das flores.

A distribuição do trabalho

No interior da colméia, as tarefas são perfeitamente distribuídas.

Cada operária faz um trabalho de acordo ca a sua idade, de modo que mudam de ocupação ao longo de sua vida:

Logo ao nascer tornam-se varredoras, limpando os alvéolos vazios para que possam ser reutilizados.

As abelhas nutrizes têm entre três e dez dias e se dedicam ao cuidado e à alimentação das crias. Fabrica, uma papa especial necessária ao desenvolvimento das larvas.

Mais adiante, ocupam-se em fabricar novos alvéolos, consertar os antigos, etc. São abelhas cereriras e têm sempre muito trabalho.

Ao final de alguns dias, dedicam-se a armazenar o néctar e o pólen que trazem suas companheiras e que servirão de reserva para o inverno.

As abelhas guardiãs têm a seu encargo a defesa da colméia e com suas antenas observam a todos que tentam entrar.

As abelhas coletoras têm mais de três semanas e são mais velhas e espertas. Por isso, cabe-lhes a tarefa mais difícil: a colheita do pólen e do néctar, Essas são as abelhas que podem ser vistas no campo voando de flor em flor.

Anatomia das Abelhas
Operárias coletoras rergessando ao seu favo no buraco de uma árvore;
carregam pólen nos cestinhos e o papo cheio de néctar.

As Abelhas e a Polinização

Polinização é o transporte do pólen dos estames de uma flor até a parte feminina de outra; deste modo, obtêm-se as sementes que produzirão uma nova planta. Em alguns casos, o pólen é transportado pelo vento, mas há plantas que dependem dos animais, especialmente insetos, para que ocorra a polinização.

As abelhas são os insetos polinizadores mais importantes, já que visitam muitas flores. Quando pousam sobre uma flor, seu corpo fica coberto de pólen e, ao visitar a flor seguinte, parte do pólen se desprende, polinizando a planta.

As abelhas são muito importantes para a agricultura. Muitas das plantas que cultivamos, e sobre tudo as árvores frutíferas (a parreira, a macieira, a ameixeira, etc.), dependem dos insetos para sua polinização.

Algumas vezes, colméias artificiais são instaladas perto das plantações para favorecer a fecundação e, deste modo, contribuir para a obtenção de uma colheita mais rica e abundante.

Anatomia das Abelhas


Quando as abelhas pousam numa flor, recolhem o pólen;
este se desprende durante o vôo e torna
possível o nascimento de novas flores.

 

Os cientistas suspeitam de que as abelhas e as plantas com flores tenham se desenvolvido há cerca de 100 milhões de anos, no meio do período Cretáceo. Antes desse período, muitas plantas se reproduziam do mesmo jeito que as atuais coníferas fazem. Elas liberavam sementes e pólen usando cones. O vento carregava os cones e, com o tempo, o pólen entrava em contato com as sementes e as fertilizava. Durante o período Cretáceo, algumas plantas começaram a se reproduzir usando flores. Ao contrário das coníferas, essas plantas, chamadas angiospermas, precisavam da ajuda de insetos e de outros animais para se reproduzirem. Os insetos tinham de, fisicamente, passar os grãos de pólen das anteras das plantas, ou estruturas masculinas, para os estigmas, ou estruturas femininas.

Quase na mesma época, as abelhas se diferenciaram de suas ancestrais parecidas com vespas. As vespas pré-históricas eram carnívoras que depositavam seus ovos nos corpos de suas presas. As abelhas se tornaram herbívoras, comendo pólen e néctar das plantas recém-desenvolvidas e polinizando as flores enquanto faziam isso. Evidências fósseis apóiam essa teoria: o fóssil mais velho de abelha de que se tem conhecimento tem 100 milhões de anos de idade, e a abelha preservada possui várias características parecidas com as das vespas. Isso não significa necessariamente que as abelhas evoluíram delas. É mais provável que as abelhas e as vespas tenham evoluído de um ancestral comum parecido com uma vespa.

Hoje em dia, as abelhas ainda têm várias características físicas em comum com suas primas vespas. Elas também têm algumas características das formigas. Juntas, abelhas, vespas e formigas formam a ordem de insetos Hymenoptera, que significa “asas membranosas”.

Anatomia das Abelhas
As plantas com flores precisam da ajuda de polinizadores, como as abelhas, para se reproduzirem

O corpo de uma abelha tem muito em comum com os de outros insetos. A maior parte dele é coberto por um exoesqueleto formado por pequenas placas removíveis de quitina. O corpo de uma abelha também é coberto por muitos pêlos macios e ramificados, que coletam o pólen e ajudam a regular sua temperatura. O corpo também possui três partes: a cabeça, o tórax e o abdômen.

A cabeça acomoda o cérebro, um conjunto com cerca de 950 mil neurônios. Eles são especiais e se comunicam com neurônios vizinhos específicos. Essa divisão de tarefas faz parte da razão pela qual o cérebro da abelha, que tem uma fração do tamanho de sua cabeça, consegue realizar tarefas complexas que geralmente poderiam exigir um cérebro maior. Um sistema de nervos permite que o cérebro se comunique com o resto do corpo.

Anatomia das Abelhas
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Em sua cabeça, uma abelha possui duas antenas sensoriais. Ela também tem cinco olhos: três simples ou ocelos e dois compostos. Os olhos compostos são formados por pequenas estruturas chamadas omatídeos. Em cada olho composto, cerca de 150 omatídeos são especializados em padrões visuais. Isso permite que as abelhas detectem a luz polarizada, coisa que os seres humanos não conseguem fazer.

Anatomia das Abelhas

Como a maioria dos insetos, as abelhas possuem aparelhos bucais complexos que são usados para comer e beber.

O tamanho e o formato dessas partes podem variar de uma espécie para a outra, mas em geral a maioria tem:

2 mandíbulas ou maxilares
1 glossa, ou língua
1 labro e duas maxilas

O labro e as maxilas são como lábios. Elas apóiam um probóscide ou tubo para coletar o néctar.

Anatomia das Abelhas
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Os dois pares de asas e os três pares de pernas de uma abelha são conectados ao tórax. As asas são partes extremamente finas do esqueleto das abelhas. Em muitas espécies, as asas da frente são maiores do que as traseiras. Duas fileiras de ganchos chamados hamuli conectam as asas da frente e as de trás para que elas se movam juntas quando a abelha estiver voando.

Na próxima seção, vamos dar uma olhada nas pernas das abelhas e em uma parte que ninguém esquece: o ferrão.


Anatomia das Abelhas

Anatomia das Abelhas

An – Orifício retal; Mal – Tubos de Malpighi;
skGld – Glândula da seda;
Stom – estomago;
Vent- Ventrículo;
Proc – Intestino;
Mx- Maxilar; Md – Mandíbula;
Hphy – Hipofaringe;
Lb –Lábio; Spn – Fiandeira;

Anatomia das Abelhas

An – Orifício retal; Mal – Tubos de Malpighi;
skGld – Glândula da seda;
Stom – estomago;
Vent- Ventrículo;
Proc – Intestino;
Mx- Maxilar; Md – Mandíbula;
Hphy – Hipofaringe;
Lb –Lábio; Spn – Fiandeira;

Anatomia das abelhas

Anatomia das Abelhas

Cabeça

Duas antenas, formados por três partes

Escapo – unido a cabeça pelo bulbo condilal
Pedicelo
Flagelo – formado por artículos ou antenômeros – olfato, tato, audição

Anatomia das Abelhas

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A capacidade olfatíva se dá no flagelo

Zangão – 30.000
Operárias – 3.600 a 6.000
Rainha – 2.500 a 3.000

Anatomia das Abelhas

Anatomia das Abelhas

 

 

Sistema visual das abelhas

Ocelos ou olhos simples
Olhos compostos (omatídeos)

Zangões – 13.000
Operárias – 6.500
Rainha – 3.000

Anatomia das Abelhas

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O corpo de uma abelha melífera divide-se em cabeça, tórax e abdome.

As abelhas possuem na cabeça os órgãos sensoriais que lhe permitem saber o que se passa ao seu redor.

Através dos grandes olhos compostos, podem orientar-se em seus vôos e distinguir as cores das flores.

Nas antenas possuem os sentidos da audição, do olfato e do tato, imprescindíveis quando se encontram na escuridão da colméia. Pelo cheiro podem reconhecer suas companheiras e detectar seus inimigos.

Asas

As abelhas e vespas têm dois pares de asas membranosas bem desenvolvidas, sendo o par anterior maior do que o posterior.

Diferentemente das abelhas, as asas das vespas do grupo Vespidae se dobram longitudinalmente quando em repouso, dando a impressão de que suas asas são bem finas.

Cabeça

Na cabeça estão abrigados importantes órgãos. Na suas duas antenas, por exemplo, estão localizadas as chamadas cavidades olfativas, órgãos bastante desenvolvidos, que têm a importante função de captar odores como o de floradas, por exemplo, por parte das operárias, ou o odor de rainhas virgens, por parte de zangões. Estes apresentam cerca de 30.000 cavidades olfativas, as operárias de 4.000 a 6.000 e a rainha cerca de 3.000.

Também na cabeça está localizado o complexo sistema visual das abelhas, que é composto por três ocelos, ou olhos simples, situados na parte frontal da cabeça, e de dois olhos compostos, localizados nas laterais da cabeça, que são constituídos por milhares de omatídeos, formando um conjunto de olhos interligados. Apesar de fixos, estes olhos são capazes de enxergar em todas as diferenças – graças ao seu grande número – e a longas distâncias.

Os zangões apresentam 13.000 omatídeos, as operárias cerca de 6.500 e a rainha, 3.000.

Ainda na cabeça estão localizadas três importantes glândulas: as mandibulares, que dissolvem a cera e ajudam a processar a geléia real que alimentará a rainha e as hipofaríngeas, que funcionam do quinto ao 12º dia de vida da operária e transformam o alimento comum em geléia real. Além das glândulas e dos órgãos de sentido, ainda estão situados na cabeça o aparelho bucal e os sacos aéreos, se interligam ao abdômen.

Tórax

o tórax da abelha é formado por três segmentos: o primeiro ligado à cabeça chama- se Protórax: a mediana Mesotórax e o terceiro ligado ao abdômen Metatórax.

Os órgãos de locomoção da abelha estão situados em seu tórax: as seis patas, divididas em seis segmentos, e seus dois pares de asas. Também estão alojados no tórax o esôfago das abelhas e os espiráculos – órgãos de respiração.

Os pares de patas diferem entre si, possuindo cada um deles uma função pelicular. No primeiro segmento estão instaladas as patas anteriores, as quais são forradas por pêlos microscópicos e que servem para Limpar as antenas, olhos, língua e mandíbula: no segundo estão inseridas as patas medianas, que possuem um esporão cuja função é a limpeza das asas e a retirada do pólen acumulado nos cestos das patas posteriores, instaladas no terceiro segmento do tórax, e que se caracterizam pela existência das cestas de pólen, pentes e espinhos, cuja finalidade é retirar as partículas de cera elaborada pelas glândulas cerígenas alojadas no ventre.

Abdômen

O abdômen abriga a maioria dos órgãos das abelhas. Nele estão situados a vesícula melífera (que transforma o néctar em mel e ainda transporta água coletada no campo para a colméia), o estômago das abelhas (conhecido como ventrículo), seu intestino delgado, as glândulas cerígenas (responsáveis pela produção da cera), as traquéias ou espiráculos (órgãos de respiração), e órgão exclusivos dos zangões, das operárias e da rainha.

No abdômen dos zangões está localizado seu órgão reprodutor, constituído por um par de testículos, duas glândulas de muco e falo.

Exatamente na extremidade do abdômen está situada a arma de defesa das abelhas: seu temível ferrão. Para a abelha rainha, o ferrão nada mais é do que um instrumento de orientação, que visa localizar as células dos favos onde irá ovular, ou então de defesa, utilizado para picar outra rainha, que porventura tenha nascido ao mesmo tempo, com a qual travará uma luta de vida ou morte pela hegemonia dentro da colméia. É importante frisar que a rainha só ataca outra rainha, ou melhor, só utilizará seu ferrão contra sua oponente. Outro ponto interessante é que o ferrão da rainha é liso, ou seja, após penetrar e injetar o veneno, ele volta ao seu estado normal, funcionando somente como um oviduto, o que não acontece com as operárias. Essas abelhas têm o seu ferrão com ranhuras (em forma de serrote), que após penetrar em algo mais duro, como a pele do ser humano, fica preso puxando parte dos seus órgãos internos, o que ocasiona a sua morte logo em seguida.

Assim, para as operárias, o ferrão é uma potente arma de defesa. É por meio do ferrão que as abelhas se defendem, injetando no inimigo uma toxina que, em grandes doses, pode ser fatal. Basta dizer que uma pessoa que seja picada por mais de 400 ou 500 abelhas tem morte certa. No entanto, o veneno das abelhas, em doses reduzidas e adequadamente administradas, é empregado em vários países – principalmente na Russia e Estados Unidos – no combate de doenças como o reumatismo, nevralgias, transtornos circulatórios, entre várias outras. A apiterapia já está dando uma substancial contribuição à cura e profilaxia de graves afecções.

E também no abdômen que estão localizados os órgãos de reprodução femininos : genitália, ovários (dois), espermateca (bolsa onde a rainha armazena os espermatozóides dos zangões que a fecundaram ) e a glândula de odor que tem importante papel de possibilitar a identificação entre as abelhas. É por causa deste cheiro característico que uma abelha não é aceita por uma outra colméia que não seja a sua. Cada abelha tem a sua colméia, saindo e retornando preciosamente sempre para o mesmo alvo (entrada do ninho), e também um odor todo característico. Desta forma ela nunca erra de casa, pois se isso acontecer, ela será picada e morta. Esse fato somente não ocorrerá se, na hora do pouso errado, ela estiver carregada de néctar e pólen; neste caso a abelha é muito bem recebida e integrada á família.

Finalmente, no abdômen das abelhas, ainda se localiza o coração, que comanda o aparelho circulatório, formado por vasos, pelos quais circula o sangue das abelhas, chamado hemolinfa que, diferentemente dos animais de sangue quente, é incolor e frio.

Abelhas


 

Historia e Origem

As abelhas existem há mais de 20 milhões de anos. Antes, portanto, do surgimento do homem. E a apicultura, a técnica de explorar racionalmente os produtos das abelhas, remonta ao ano 2400 A.C., pelo menos conforme vários historiadores, no antigo Egito. De toda a forma, o mel já era conhecido e apresentado pelos sumérios 5000 anos antes de Cristo. E os egípcios e gregos desenvolveram as rudimentares técnicas de manejo que só foram aperfeiçoadas no final do século XVII por apicultores como Lorenzo Langstroth, que desenvolveu as bases da apicultura moderna.

Abelha

Hoje as abelhas deixaram de ser vistas como insetos perigosos e agressivos. O homem através de estudos passou a compreender o seu mundo e aprendeu a conviver com elas respeitando as suas características e particularidades.

Esses estudos demonstraram que criar abelhas de uma maneira racional requer muitos cuidados com instalações, alimentação, utensílios e principalmente muito carinho no manejo, não importando se você irá ter 5 ou 100 colméias.

Abelha

É quase um desafio não se deixar envolver pela vida das abelhas. Saber que uma rainha vive até os 5 anos porque é alimentada com geléia real enquanto uma operária vive apenas 42 dias, pois não recebe o mesmo tratamento, é no mínimo interessante.

A VIDA DAS ABELHAS

As abelhas são insetos sociais que vivem em colônias. Elas são conhecidas há mais de 40.000 anos e as que mais se prestam para a polinização, ajudando enormemente a agricultura, produção de mel, geléia real, cera, própolis e pólen, são as abelhas pertencentes ao gênero Apis.

Abelha

Inseto laborioso, disciplinado, a abelha convive num sistema de extraordinária organização: em cada colméia existem cerca de 80.000 abelhas e cada colônia é constituída por uma única rainha, dezenas de zangões e milhares de operárias.

ABELHA RAINHA

Abelha Rainha

A rainha é personagem central e mais importante da colméia. Afinal, é dela que depende a harmonia dos trabalhos da colméia, bem como a reprodução da espécie.

A rainha é quase duas vezes maior do que as operárias e sua única função do ponto de vista biológico, é a postura de ovos, já ela é a única abelha feminina com capacidade de reprodução

A rainha consegue manter este estado de harmonia segregando uma substancia especial, denominada ferormônio, a partir de suas glândulas mandibulares, que é distribuída a todas as abelhas da colméia. Esta substância, além de informar a colônia da presença e atividade da rainha na colméia, impede o desenvolvimento dos órgãos sexuais femininos das operárias, impossibilitando-as, assim de se reproduzirem. É por esta razão que uma colônia tem sempre uma única rainha. Caso apareça outra rainha na colméia ambas lutarão até que uma delas morra.

A rainha nasce de um ovo fecundado, e é criada numa célula especial, diferente dos alvéolos hexagonais que formam os favos. Ela é criada numa cápsula denominada realeira, na qual é alimentada pelas operárias com a geléia real, produto riquíssimo em proteínas, vitaminas e hormônios sexuais. A geléia real é o único e exclusivo alimento da abelha rainha, durante toda sua vida.

A abelha rainha leva de 15 a 16 dias para nascer e, a partir de então, é acompanhada por um verdadeiro séqüito de operárias, encarregadas de garantir sua alimentação e seu bem-estar. Após o quinto dia de vida, a rainha começa a fazer vôos de reconhecimento em torno da colméia. E a partir do nono dia, ela já esta preparada para realizar o seu vôo nupcial, quando, então, será fecundada pelos zangões. A rainha escolhe dias quentes e ensolarados, sem ventos fortes, para realizar vôo nupcial.

Para atrair os zangões de todas as colméias próximas, a rainha libera em pleno vôo, um ferormônio sexual que é captado pelos machos a quilômetros de distância, e como voa em alta velocidade e grandes altitudes, a maioria dos zangões não consegue acompanha-la. Assim, ela faz uma seleção natural, pois somente os machos mais fortes e rápidos conseguem segui-la.

Quando finalmente os zangões conseguem alcança-la, há o momento da cópula nupcial, onde a rainha prende o testículo do zangão, que morre gloriosamente após fecunda-la… E aí esta o grande segredo da rainha, pois ela recebe milhões de espermatozóides do zangão que ficarão em um reservatório de sêmen de seu organismo, chamado espermateca. Nesta fase a rainha fica na condição de hermafrodita (fêmea e macho ao mesmo tempo) fecundada para o resto de sua vida. Ela poderá, excepcionalmente, nesta época de fecundação, realizar outros vôos nupciais, caso a sua espermateca não esteja completamente lotada.

O Vôo nupcial que a rainha faz é o único em sua vida. Ela jamais sairá novamente da colméia, a não ser para acompanhar uma enxameação, isto é, parte de um enxame que abandona uma colméia, para formar uma nova colônia.

Ao retornar à colméia, a rainha passa a ser tratada com atenção especial por parte das operárias, que a alimentam com geléia real, limpam seus excrementos, cuidam de sua higiene. Assim, ela sua única preocupação e a postura de ovos, para nascerem mais abelhas. Em condições favoráveis de clima e alimento (Florada), uma rainha pode botar cerca de três mil ovos por dia.

Caso a rainha morra ou seja removida da colméia, toda a colônia imediatamente perceberá sua ausência, justamente pela interrupção da produção do ferormônio que induz as abelhas ao trabalho e que informa da presença da rainha na colméia.

ABELHA ZANGÃO

Abelha Zangão

Se a rainha tem como única obrigação à postura de ovos, a única função dos zangões é a fecundação das rainhas virgens. O zangão é o único macho da colméia, não possui ferrão e, nasce dos ovos fecundados depositados pela rainha num alvéolo maior que os das abelhas operárias.

Por não possuir órgãos de trabalho, o zangão não faz outra coisa a não ser voar à procura de uma rainha virgem para fecunda-la.

Os zangões nascem 24 dias após a postura do ovo e atingem a maturidade sexual azo 12 dias de vida. Vivem de 80 a 90 dias e dependem única e exclusivamente das abelhas operárias para sobreviver: são alimentados por elas, e por elas são expulsos da colméia nos períodos de falta de alimento – normalmente no outono e no inverno – morrendo de fome ou frio.

Quase duas vezes maiores do que as operárias, a presença de zangões numa colméia é sinal de que há alimento em abundância, ou se muito MEL.

Apesar de não possuir órgãos de ataque, defesa ou de trabalho, o zangão é dotado de aparelhos sensitivos excepcionais: podem identificar, pelo olfato ou pela visão, rainhas virgens a dez quilômetros de distância.

Os zangões costumam agrupar-se em determinados locais próximos às colméias, onde ficam à espera de rainha virgens. Quando descobrem a “princesa”, partem todos em perseguição à rainha, para copular em pleno vôo, o que acontece sempre acima dos 11 metros de altura. No vôo nupcial, uma média de oito a dez zangões conseguem realizar a cópula, ou seja os mais fortes e Vigorosos. Eles pagam um preço muito alto pela proeza: após a cópula, seu órgão genital é rompido, ficando preso à câmara do ferrão da rainha. Logo após, o zangão morre.

ABELHA OPERÁRIA

Abelha Operária

A abelha operária é uma verdadeira “carregadora de piano”. Afinal ela é responsável por todo trabalho realizado no interior da colméia, exceção feita à postura de ovos, atividade exclusiva da rainha. As abelhas operárias encarregam-se da higiene da colméia, garantem o alimento e a água de que a colônia necessita, coletando pólen e néctar, produzem a cera com a qual constroem os favos, alimentam a rainha, os zangões e as larvas por nascer e cuidam da defesa da família. Além destas atividades, as operárias ainda mantêm uma temperatura estável, entre 33º e 36ºC, no interior da colméia, produzem e estocam o MEL que assegura a alimentação da colônia, aquecem as larvas (crias) com o próprio corpo em dias frios e elaboram a PRÓPOLIS, substância processada a partir de resinas vegetais, utilizadas para desinfetar favos, paredes , vedar frestas e fixar peças, na colméia.

As abelhas operárias nascem 21 dias após a postura do ovo e podem viver até seis meses, em situações excepcionais de pouca atividade. O seu ciclo de vida normal não ultrapassa os 60 dias.

Mas apesar de curta, a vida das operárias é das mais intensas. E esta atividade já começa momentos após seu nascimento, quando ela executa o trabalho de faxina, limpando, alvéolos, assoalho e paredes da colméia. Daí a denominação de faxineira. A partir do quarto dia de vida, a operária começa a trabalhar na “cozinha” da colméia com o desenvolvimento de suas glândulas hipofaríngeas, ela passa a alimentar as larvas da colméia e sua RAINHA. Chamadas neste período de sua vida, que vai do 4º ao 14º dia, de nutrizes, essas abelhas ingerem pólen, mel e água, misturando estes ingredientes em seu estômago. Em seguida, esta mistura que passou por uma série de transformações químicas, é regurgitada nos alvéolos em que existam larvas. Esta mistura servirá de alimento às abelhas por nascer.E, com o desenvolvimento das glândulas hipofaríngeas, produtoras de geléia real, as operárias passam a alimentar também a RAINHA, que se alimenta exclusivamente desta substância.

De nutrizes, as operárias são promovidas a engenheiras, a partir do desenvolvimento de suas glândulas cerígenas, o que acontece por volta do seu nono dia de vida. Com a cera produzida por estas glândulas, as abelhas engenheiras constroem os favos e paredes da colméia e operculam, isto é, fecham as células que contêm MEL maduro ou larvas. Além deste trabalho, estas abelhas passam a produzir Mel, transformando o néctar das flores que é trazido por suas companheiras. Até esta fase, as operárias não voam, e ficam somente na colméia.

A partir do 21º dia de vida, as operárias passam por nova transformação: elas abandonam os trabalhos internos na colméia e se dedicam à coleta de água, néctar, pólen e própolis, e à defesa da colônia. Nesta fase, que é a última de sua existência, as operárias são conhecidas como campeiras.

Experimentos de Pasteur


 

Nasceu em Dôle, Sura, França em 27 de dezembro de 1822 e faleceu em St. Claude (perto de Paris) em 28 de setembro de 1895.

Não foi um bom estudante na juventude mas, sob a influência de um professor, interessou-se por química.

Mostrou que isômeros de tartarato desviavam o plano de luz polarizada de forma diferente entre si e que os seres vivos diferenciam isômeros ópticos, reconhecendo apenas um deles. Demonstrou que a produção do álcool pela fermentação não envolvia o oxigênio e que era realizada por organismos vivos (levedura). Descobriu que durante o envelhecimento do vinho, era necessário matar as leveduras pelo aquecimento (pasteurização) para evitar a fermentação lática.

Seus experimentos sepultaram definitivamente a teoria da geração espontânea. Ele mostrou que muitas doenças eram provocadas por microorganismos e que estes podiam ser transmitidos para outros indivíduos pela pele, pelo ar e pelas excreções dos doentes. Lançou a prática de ferver os instrumentos cirúrgicos e assim salvou muitas vidas. Envolveu-se na luta contra o anthrax, doença que estava dizimando animais domésticos. A solução era sacrificar e enterrar os animais doentes. Nessa luta observou que animais que sobreviviam à doença adquiriam imunidade confirmando o trabalho de Jenner 50 anos antes. Passou a aquecer os germes do anthrax atenuando-os e a inocular em animais sadios que ficavam imune àquela doença. Cunhou o termo vacina, reconhecendo o trabalho de Jenner. Usando esses princípios preparou vacinas contra cólera de galinhas e raiva em humanos.

Em 1873 foi eleito membro da Academia Francesa de Medicina mesmo sem ser médico.

 

EXPERIÊNCIAS DE LOUIS PATEUR

(1822 – 1895) Químico e biólogo francês nascido em Dôle, Jura, na parte leste do país, inventor do processo de pasteurização e célebre por suas pesquisas sobre doenças infecciosas, meios de contágio, prevenção e controle. Filho de um curtidor, estudou química em Sorbonne, onde se dedicou ao estudo da estrutura dos cristais e seus efeitos ópticos. Obteve o título de Mestre em Ciências École Normale Supérieure, Paris (1846) e onde tornou-se doutor em física e química (1847) lançando uma tese sobre cristalografia, onde associou a cristalografia, a química e a óptica e estabeleceu o paralelismo entre a forma exterior de um cristal, sua constituição molecular e sua ação sobre a luz polarizada, trabalho este que se tornaria a base da estereoquímica. Depois de conquistar uma cátedra de Química em Estrasburgo (1854), tornou-se professor dessa matéria (1854) na recém-fundada Faculdade de Ciência da Universidade de Lille. Explicou a isomeria dos ácidos tartáricos (1860) e, ao estudar o problema do azedamento com os produtos da indústria cervejeira e de vinhos de Lille, descobriu que o vinho se transforma em vinagre sob a ação do fermento Mycoderma aceti, descobrindo, assim, que a putrefação e a fermentação eram causadas por microorganismos já presentes no líquido, confirmando os resultados de Cagniard e de Schwann, e estendeu suas conclusões ao azedamento do leite, à doença do bicho da seda e a raiva dos animais.

Desenvolveu, então, experiências e conseguiu eliminar os microorganismos, sem alterar as propriedades dos produtos, submetendo o vinho a alta temperatura por um tempo limitado (de 15 a 30 minutos, dependendo da temperatura), inventando, assim, a pasteurização, nome do processo de esterilização de líquidos. Esse processo e os estudos de Pasteur sobre germes (1862) e doenças infecciosas proporcionaram grande avanço à microbiologia e à assepsia cirúrgica e industrial. Realizou uma série de experiências com os frascos tipo pescoço de cisne (1864) demonstrando que não existe no ar ou nos alimentos qualquer princípio ativo capaz de gerar vida espontaneamente, abrindo caminho para a biogênese, segundo a qual a vida se origina de outro ser vivo preexistente.

Voltou-se, então para o estudo das moléstias contagiosas (1865), também causadas pela ação de microrganismos. Descobriu os agentes da pebrina, doença do bicho-da-seda que causava grandes prejuízos aos sericicultores franceses, e do carbúnculo hemático, doença infecciosa do gado e transmissível ao homem, contra a qual obteve imunidade mediante a inoculação de microrganismos com virulência atenuada. Identificou a bactéria estafilococo como causadora da osteomielite e dos furúnculos, e a estreptococo, da infecção puerperal.

Desenvolveu a vacina anti-rábica (1885) e uma para a cólera das galinhas (1889). Membro da Academia das Ciências, da Academia de Medicina e da Academia Francesa, fundou e dirigiu até morrer, em Paris, o primeiro Instituto Pasteur (1888), que se tornou um dos mais importantes centros mundiais de pesquisa científica. O instituto logo teria filiais em vários países, inclusive no Brasil, quando foi fundado o Instituto Pasteur (1888), no Rio de Janeiro, destinado a se dedicar ao preparo da vacina contra a hidrofobia (raiva).

Foi o descobridor das propriedades bactericidas do cogumelo Penicillium notation, que resultaria na síntese da penicilina por Alexander Fleming (1929). Também trabalhou com aplicações de irradiações atômicas, principalmente sobre efeitos com raios gama. Constante defensor da adoção de medidas profiláticas para evitar doenças contagiosas causadas por agentes externos, realizou uma obra científica notável, que não só abriu novos caminhos aos estudos sobre a origem da vida, como contribuiu de forma decisiva para a evolução da indústria. Sua contribuição foi essencial na evolução da medicina preventiva, dos métodos cirúrgicos (com a prevenção das infecções), das técnicas de obstetrícia e dos hábitos de higiene.

 

LOUIS PASTEUR

A família mudou-se para Arbois quando Pasteur tinha de três a cinco anos de idade. Ele foi uma criança normal sem prenúncios de vir a ser um grande e respeitado cientista. Além dos estudos, ocupava-se, também, com pinturas e desenhos para as quais demonstrava ter grande habilidade. No colégio Real Besançon completa sua educação secundária. Em seguida foi estudar em Paris, no famoso “Liceu Saint-Louis” e também assistir as famosas palestras proferidas por Monsieur Dumas na Universidade de Sorbonne. Em 1842 é admitido na Escola Superior de Paris e em 1843 na “École Normale” onde iniciou seus estudos sobre os cristais. Em 1847 completa o curso de doutorado e no ano seguinte divulga as primeiras descobertas sobre a assimetria dos cristais, recebendo mais tarde um prêmio de 1.500 francos pela síntese do ácido racêmico. Em 1848 desencarna Jeanne Etiennette, sua mãe.

Em 1849 é nomeado Conferencista de Química da Universidade de Estrasburgo e casa-se com Marie Laurent. Em 1850 nasce sua primeira filha Jeanne, em 1851 seu filho Jean-Baptiste e em 1853 sua filha Cecile. Em 1854 foi nomeado Prof. e Diretor da Faculdade de Ciências de Lille. Nessa cidade começa estudos sobre a fermentação Láctea e os problemas que envolviam a fabricação do álcool, do vinho e do vinagre.

Em 1857 foi nomeado Administrador e Diretor dos Estudos Científicos da “École Normale”, manteve o cargo até 1867. Em 1858 nasceu sua filha Marie Louise. Montou seu primeiro laboratório na “École Normale”. A bondade intrínseca de Pasteur. Sua crença no Infinito. Os ataques dos antagonistas. A cooperação da esposa.

No ano seguinte inicia estudos sobre a geração espontânea e descobre a vida anaeróbia. Em 1862 é eleito membro da Academia de Ciências de Paris. No ano seguinte nasce sua filha Camille. Pasteur perdeu três dos cinco filhos nascidos. Continua estudos sobre os vinhos, pasteurização e sobre a doença do bicho-da-seda. Jean Joseph, seu pai, o seu melhor amigo, desencarna em 1865. Divulga ” Estudos sobre os Vinhos”. Em 1867 é indicado como Professor de Química da Sorbonne. Invenção da Pasteurização. Em 1868 sofre um derrame cerebral. Continua estudos sobre os bicho-da-seda. Em 1871 inicia estudos sobre os problemas da cerveja. Dois anos depois é eleito para a Academia de Medicina. Os microorganismos, os micróbios e as doenças específicas. As descobertas de Robert Koch. Outros cientistas. Princípios da soroterapia.

Em 1877 Pasteur divulga os primeiros trabalhos sobre o antraz. Em 1878 realiza estudos sobre a gangrena, septicemia e febre puerperal. Publica sua Teoria dos Germes e suas aplicações na medicina e na cirurgia. Em 1879 estuda a cólera das galinhas. Descoberta das culturas atenuadas. O incansável cientista no ano de 1880 inicia seus estudos sobre a raiva, um dos mais difíceis para ele e sua equipe.

Pasteur começa a colher os frutos dos seus esforços, dos seus trabalhos. As vacinas atenuadas são grande vitória. Em 1881 é eleito membro da Academia Francesa. “Ser um dos quarenta parecia-lhe honra excessiva”. Vigiava-se para não se deixa empolgar pelas vitórias. Sessão solene para a recepção de Pasteur na Academia Francesa no dia 27 de abril de 1882. Dia de emoção. Experiência na fazenda Pouilly-le-Fort com a vacina contra o antraz. Vacinação contra a cólera das galinhas e a febre esplênica. Continua estudos sobre a raiva. Pasteur no Congresso de Medicina em Londres onde é ovacionado.

Continua os estudos sobre a cólera e as experiências sobre a vacinação anti-rábica nos anos de 1883 e 1884. Em 1885 vacina o menino Joseph Meister, de 9 anos e Jean Baptiste Jupille o jovem herói que lutou e matou um cão com a raiva, que o atacara. Foram os primeiros seres humanos vacinados contra a raiva. Vitória de Pasteur, os dois foram salvos. Em 1886 trata de dezesseis russos mordidos por um lobo com a raiva.. Todos foram salvos.

Em 1887 Pasteur sofre um segundo derrame. Em 1888 foi inaugurado o Instituto Pasteur de Paris. Em 1889 a nova Sorbonne é inaugurada.

Sem nunca ter parado de trabalhar Pasteur chega aos seus 70 anos. Jubileu comemorado na Sorbonne. Joseph Lister, cirurgião inglês, o homenageia. Presidente da França, Sadi Carnot, presente. O discurso do homenageado. Elogios, aplausos, discursos, presentes.

Em 1894 nos laboratórios do Instituto Pasteur é descoberta a vacina contra a difteria.

Desencarnação de Pasteur, em Villeneuve l’Etang, no dia 28 de setembro de 1895, com 72 anos de idade. Seu corpo repousa na “Chapelle Funéraire” do Instituto Pasteur de Paris.

Pasteur retorna à Pátria Espiritual. Partiu da sua querida França em busca das recompensas celestes e de novos trabalhos, de novos afazeres. A estatura espiritual de Pasteur. Mensagem do “Irmão Humilde”. A chegada do Espírito Pasteur à Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP. A implantação dos Trabalhos a partir de 1936.

Todos os trabalhos fundamentados nos ensinos do Cristo Jesus.

As Escolas da FEESP. Bezerra de Menezes, na Espiritualidade prepara os trabalhadores espirituais para os avanços da medicina, que estavam por chegar. Como Patrono da CASA, é responsável pelo seu bom andamento de modo geral e com a ajuda de MARIA, sua grande protetora vem alcançando os seus mais importantes objetivos. É o Grande Mentor das Escolas da Federação. Edgar Armond, o grande colaborador.

Em 1940 são criados os Trabalhos Especializados denominados PASTEUR. Esses trabalhos cobrem com a Assistência Espiritual uma gama imensa de necessidades. A especificação de cada um deles.

As necessidades humanas. A importância de aprender com Jesus e o respeito às Diretrizes Divinas. Os trabalhos do DEPOE e do DEPASSE. O amparo de Jesus. Manancial de Recursos e o trabalho de Pasteur. Uma vida dedicada aos semelhantes.

 

EXPERIMENTOS DE PASTEUR

Nasceu em Dôle, Sura, França em 27 de dezembro de 1822 e faleceu em St. Claude (perto de Paris) em 28 de setembro de 1895.
Não foi um bom estudante na juventude mas, sob a influência de um professor, interessou-se por química.

Mostrou que isômeros de tartarato desviavam o plano de luz polarizada de forma diferente entre si e que os seres vivos diferenciam isômeros ópticos, reconhecendo apenas um deles. Demonstrou que a produção do álcool pela fermentação não envolvia o oxigênio e que era realizada por organismos vivos (levedura). Descobriu que durante o envelhecimento do vinho, era necessário matar as leveduras pelo aquecimento (pasteurização) para evitar a fermentação lática.

Seus experimentos sepultaram definitivamente a teoria da geração espontânea. Ele mostrou que muitas doenças eram provocadas por microorganismos e que estes podiam ser transmitidos para outros indivíduos pela pele, pelo ar e pelas excreções dos doentes. Lançou a prática de ferver os instrumentos cirúrgicos e assim salvou muitas vidas. Envolveu-se na luta contra o anthrax, doença que estava dizimando animais domésticos. A solução era sacrificar e enterrar os animais doentes. Nessa luta observou que animais que sobreviviam à doença adquiriam imunidade confirmando o trabalho de Jenner 50 anos antes. Passou a aquecer os germes do anthrax atenuando-os e a inocular em animais sadios que ficavam imune àquela doença. Cunhou o termo vacina, reconhecendo o trabalho de Jenner. Usando esses princípios preparou vacinas contra cólera de galinhas e raiva em humanos.

Em 1873 foi eleito membro da Academia Francesa de Medicina mesmo sem ser médico.

 

EXPERIÊNCIAS DE LOUIS PATEUR

(1822 – 1895) Químico e biólogo francês nascido em Dôle, Jura, na parte leste do país, inventor do processo de pasteurização e célebre por suas pesquisas sobre doenças infecciosas, meios de contágio, prevenção e controle. Filho de um curtidor, estudou química em Sorbonne, onde se dedicou ao estudo da estrutura dos cristais e seus efeitos ópticos. Obteve o título de Mestre em Ciências École Normale Supérieure, Paris (1846) e onde tornou-se doutor em física e química (1847) lançando uma tese sobre cristalografia, onde associou a cristalografia, a química e a óptica e estabeleceu o paralelismo entre a forma exterior de um cristal, sua constituição molecular e sua ação sobre a luz polarizada, trabalho este que se tornaria a base da estereoquímica. Depois de conquistar uma cátedra de Química em Estrasburgo (1854), tornou-se professor dessa matéria (1854) na recém-fundada Faculdade de Ciência da Universidade de Lille. Explicou a isomeria dos ácidos tartáricos (1860) e, ao estudar o problema do azedamento com os produtos da indústria cervejeira e de vinhos de Lille, descobriu que o vinho se transforma em vinagre sob a ação do fermento Mycoderma aceti, descobrindo, assim, que a putrefação e a fermentação eram causadas por microorganismos já presentes no líquido, confirmando os resultados de Cagniard e de Schwann, e estendeu suas conclusões ao azedamento do leite, à doença do bicho da seda e a raiva dos animais.

Desenvolveu, então, experiências e conseguiu eliminar os microorganismos, sem alterar as propriedades dos produtos, submetendo o vinho a alta temperatura por um tempo limitado (de 15 a 30 minutos, dependendo da temperatura), inventando, assim, a pasteurização, nome do processo de esterilização de líquidos. Esse processo e os estudos de Pasteur sobre germes (1862) e doenças infecciosas proporcionaram grande avanço à microbiologia e à assepsia cirúrgica e industrial. Realizou uma série de experiências com os frascos tipo pescoço de cisne (1864) demonstrando que não existe no ar ou nos alimentos qualquer princípio ativo capaz de gerar vida espontaneamente, abrindo caminho para a biogênese, segundo a qual a vida se origina de outro ser vivo preexistente.


Pasteur em seu laboratório na École Normale Supérieure

Voltou-se, então para o estudo das moléstias contagiosas (1865), também causadas pela ação de microrganismos. Descobriu os agentes da pebrina, doença do bicho-da-seda que causava grandes prejuízos aos sericicultores franceses, e do carbúnculo hemático, doença infecciosa do gado e transmissível ao homem, contra a qual obteve imunidade mediante a inoculação de microrganismos com virulência atenuada. Identificou a bactéria estafilococo como causadora da osteomielite e dos furúnculos, e a estreptococo, da infecção puerperal.

Desenvolveu a vacina anti-rábica (1885) e uma para a cólera das galinhas (1889). Membro da Academia das Ciências, da Academia de Medicina e da Academia Francesa, fundou e dirigiu até morrer, em Paris, o primeiro Instituto Pasteur (1888), que se tornou um dos mais importantes centros mundiais de pesquisa científica. O instituto logo teria filiais em vários países, inclusive no Brasil, quando foi fundado o Instituto Pasteur (1888), no Rio de Janeiro, destinado a se dedicar ao preparo da vacina contra a hidrofobia (raiva).


Instituto Pasteur de Paris no dia de sua inauguração: 14/11/1888

Foi o descobridor das propriedades bactericidas do cogumelo Penicillium notation, que resultaria na síntese da penicilina por Alexander Fleming (1929). Também trabalhou com aplicações de irradiações atômicas, principalmente sobre efeitos com raios gama. Constante defensor da adoção de medidas profiláticas para evitar doenças contagiosas causadas por agentes externos, realizou uma obra científica notável, que não só abriu novos caminhos aos estudos sobre a origem da vida, como contribuiu de forma decisiva para a evolução da indústria. Sua contribuição foi essencial na evolução da medicina preventiva, dos métodos cirúrgicos (com a prevenção das infecções), das técnicas de obstetrícia e dos hábitos de higiene.

LOUIS PASTEUR

A família mudou-se para Arbois quando Pasteur tinha de três a cinco anos de idade. Ele foi uma criança normal sem prenúncios de vir a ser um grande e respeitado cientista. Além dos estudos, ocupava-se, também, com pinturas e desenhos para as quais demonstrava ter grande habilidade. No colégio Real Besançon completa sua educação secundária. Em seguida foi estudar em Paris, no famoso “Liceu Saint-Louis” e também assistir as famosas palestras proferidas por Monsieur Dumas na Universidade de Sorbonne. Em 1842 é admitido na Escola Superior de Paris e em 1843 na “École Normale” onde iniciou seus estudos sobre os cristais. Em 1847 completa o curso de doutorado e no ano seguinte divulga as primeiras descobertas sobre a assimetria dos cristais, recebendo mais tarde um prêmio de 1.500 francos pela síntese do ácido racêmico. Em 1848 desencarna Jeanne Etiennette, sua mãe.

Em 1849 é nomeado Conferencista de Química da Universidade de Estrasburgo e casa-se com Marie Laurent. Em 1850 nasce sua primeira filha Jeanne, em 1851 seu filho Jean-Baptiste e em 1853 sua filha Cecile. Em 1854 foi nomeado Prof. e Diretor da Faculdade de Ciências de Lille. Nessa cidade começa estudos sobre a fermentação Láctea e os problemas que envolviam a fabricação do álcool, do vinho e do vinagre.

Em 1857 foi nomeado Administrador e Diretor dos Estudos Científicos da “École Normale”, manteve o cargo até 1867. Em 1858 nasceu sua filha Marie Louise. Montou seu primeiro laboratório na “École Normale”. A bondade intrínseca de Pasteur. Sua crença no Infinito. Os ataques dos antagonistas. A cooperação da esposa.

No ano seguinte inicia estudos sobre a geração espontânea e descobre a vida anaeróbia. Em 1862 é eleito membro da Academia de Ciências de Paris. No ano seguinte nasce sua filha Camille. Pasteur perdeu três dos cinco filhos nascidos. Continua estudos sobre os vinhos, pasteurização e sobre a doença do bicho-da-seda. Jean Joseph, seu pai, o seu melhor amigo, desencarna em 1865. Divulga ” Estudos sobre os Vinhos”. Em 1867 é indicado como Professor de Química da Sorbonne. Invenção da Pasteurização. Em 1868 sofre um derrame cerebral. Continua estudos sobre os bicho-da-seda. Em 1871 inicia estudos sobre os problemas da cerveja. Dois anos depois é eleito para a Academia de Medicina. Os microorganismos, os micróbios e as doenças específicas. As descobertas de Robert Koch. Outros cientistas. Princípios da soroterapia.

Em 1877 Pasteur divulga os primeiros trabalhos sobre o antraz. Em 1878 realiza estudos sobre a gangrena, septicemia e febre puerperal. Publica sua Teoria dos Germes e suas aplicações na medicina e na cirurgia. Em 1879 estuda a cólera das galinhas. Descoberta das culturas atenuadas. O incansável cientista no ano de 1880 inicia seus estudos sobre a raiva, um dos mais difíceis para ele e sua equipe.

Pasteur começa a colher os frutos dos seus esforços, dos seus trabalhos. As vacinas atenuadas são grande vitória. Em 1881 é eleito membro da Academia Francesa. “Ser um dos quarenta parecia-lhe honra excessiva”. Vigiava-se para não se deixa empolgar pelas vitórias. Sessão solene para a recepção de Pasteur na Academia Francesa no dia 27 de abril de 1882. Dia de emoção. Experiência na fazenda Pouilly-le-Fort com a vacina contra o antraz. Vacinação contra a cólera das galinhas e a febre esplênica. Continua estudos sobre a raiva. Pasteur no Congresso de Medicina em Londres onde é ovacionado.

Continua os estudos sobre a cólera e as experiências sobre a vacinação anti-rábica nos anos de 1883 e 1884. Em 1885 vacina o menino Joseph Meister, de 9 anos e Jean Baptiste Jupille o jovem herói que lutou e matou um cão com a raiva, que o atacara. Foram os primeiros seres humanos vacinados contra a raiva. Vitória de Pasteur, os dois foram salvos. Em 1886 trata de dezesseis russos mordidos por um lobo com a raiva.. Todos foram salvos.

Em 1887 Pasteur sofre um segundo derrame. Em 1888 foi inaugurado o Instituto Pasteur de Paris. Em 1889 a nova Sorbonne é inaugurada.

Sem nunca ter parado de trabalhar Pasteur chega aos seus 70 anos. Jubileu comemorado na Sorbonne. Joseph Lister, cirurgião inglês, o homenageia. Presidente da França, Sadi Carnot, presente. O discurso do homenageado. Elogios, aplausos, discursos, presentes.

Em 1894 nos laboratórios do Instituto Pasteur é descoberta a vacina contra a difteria.

Desencarnação de Pasteur, em Villeneuve l’Etang, no dia 28 de setembro de 1895, com 72 anos de idade. Seu corpo repousa na “Chapelle Funéraire” do Instituto Pasteur de Paris.

Pasteur retorna à Pátria Espiritual. Partiu da sua querida França em busca das recompensas celestes e de novos trabalhos, de novos afazeres. A estatura espiritual de Pasteur. Mensagem do “Irmão Humilde”. A chegada do Espírito Pasteur à Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP. A implantação dos Trabalhos a partir de 1936.

Todos os trabalhos fundamentados nos ensinos do Cristo Jesus.

As Escolas da FEESP. Bezerra de Menezes, na Espiritualidade prepara os trabalhadores espirituais para os avanços da medicina, que estavam por chegar. Como Patrono da CASA, é responsável pelo seu bom andamento de modo geral e com a ajuda de MARIA, sua grande protetora vem alcançando os seus mais importantes objetivos. É o Grande Mentor das Escolas da Federação. Edgar Armond, o grande colaborador.

Em 1940 são criados os Trabalhos Especializados denominados PASTEUR. Esses trabalhos cobrem com a Assistência Espiritual uma gama imensa de necessidades. A especificação de cada um deles.

As necessidades humanas. A importância de aprender com Jesus e o respeito às Diretrizes Divinas. Os trabalhos do DEPOE e do DEPASSE. O amparo de Jesus. Manancial de Recursos e o trabalho de Pasteur. Uma vida dedicada aos semelhantes.

Experimentos de Miller


 

Em 1954, o cientista norte-americano Stannley L. Miller construiu um aparelho onde reuniu metano, amônia, hidrogênio e vapor de água, numa tentativa de recriar, em laboratório, as prováveis condições reinantes na atmosfera primitiva. Imaginando que as descargas elétricas poderiam ter constituído uma fonte de energia capaz de promover o rompimento de ligações químicas das moléculas dos “gases primitivos”, Miller submeteu os gases, reunidos, a faíscas elétricas de alta intensidade.

Depois de algum tempo, observou o acúmulo de substâncias orgânicas numa determinada região do aparelho, entre as quais encontrou vários aminoácidos.

Pouco anos depois (1957), baseando-se nos experimentos de Miller, Sidney Fox, também norte-americano, aqueceu uma mistura seca de aminoácidos. Fox partiu da suposição de que os compostos orgânicos caídos com as chuvas formavam massas secas sobre as rochas quentes, após a evaporação da água. Ao final de sua experiência constatou a presença de proteinóides (moléculas de natureza protéica constituídas por alguns poucos aminoácidos), numa evidência de que os aminoácidos teriam se unido através de ligações peptídica, numa síntese por desidratação.

Melvin Calvin, outro cientista norte-americano, realizou experiências semelhantes à de Miller, bombardeando os gases primitivos com radiações altamente energéticas e obteve, entre outros, compostos orgânicos do tipo carboidrato.

Todas essas experiências demonstraram a possibilidade da formação de compostos orgânicos antes do surgimentos de vida na Terra. Isso veio favorecer a hipótese heterotrófica, uma vez que a existência prévia de matéria orgânica é um requisito básico não só para a alimentação dos primeiros heterótrofos, como também para sua própria formação.

 

STANLEY MILLER

Stanley Miller desenvolveu um experimento que onde projetou e construiu um aparelho que reproduzia as condições Terra primitiva. Parte desse aparelho consistia em um balão de vidro em que Miller colocou os gases que se presumia que poderiam ser encontradas na atmosfera primitiva submetendo-os a um aquecimento elevado e constante descargas elétricas.

O vapor d’água era fornecido por outro balão contendo água em ebulição. Posteriormente ele se condensava e precipitava simulando a chuva.

Após uma semana, Miller coletou o produto que se acumulou no reservatório do aparelho e pode comprovar a presença de carboidratos e aminoácidos, sendo quatro deles abundantes nos seres vivos.

 

Experimento de Miller: elaborou um aparelho que simulava as condições primitivas do planeta; comprovando o surgimento espontâneo de compostos orgânicos a partir da mistura de gases proposta por Oparin.

Hipótese Heterotrófica: Acreditava que os primeiros organismos eram estruturalmente muito simples, e é de se supor que as reações químicas em suas células também o fossem. Eles viviam em uma ambiente aquático, rico em substâncias nutritivas, mas não havia oxigênio na atmosfera, nem dissolvido na água dos mares. Nessas condições, é possível supor que, tendo alimento abundante ao seu redor, esses primeiros seres teriam utilizado esse alimento já pronto como fonte de energia e matéria prima.

Hipótese Autotrófica: tende a substituir a Hipótese Heterotrófica. A principal evidência a favor dessa hipótese foi a descoberta das bactérias quimiolitoautotróficas que utilizam a energia liberada por reações químicas entre componentes inorgânicos da crosta terrestre para fabricar suas próprias substâncias alimentares.

 

QUÍMICA DA VIDA NA TERRA

Antigamente, acreditava-se que as bactérias nasciam espontaneamente de seres não vivos, o que mais tarde foi provado ser errado por Pasteur com a sua famosa experiência com uma retorta. Ironicamente hoje compreendemos que a primeira vida na Terra foi na realidade originada em ambientes abióticos. De fato, moléculas orgânicas foram geradas com sucesso de elementos abióticos pelos cientista Miller e Urey.

A evolução da vida química abiótica segue quatro etapas principais:

1. A síntese abiótica e acumulação de moléculas orgânicas ou monômeros como os aminoácidos e nucleótidos.
2. A junção de monômeros em polímeros íncluindo proteínas e ácidos nucleicos.
3. A agregação de moléculas produzidas abioticamente em dropletos, protobiontes que tinham característica químicas diferentes do seu meio.
4. Origem da hereditariedade.

Para compreender como ocorreu esta criação de vida a partir de material abiótico temos de considerar duas idéias muito importantes:
1. A extensão da idéia de seleção natural para nível químico.

2. A compreensão de que o estado do mundo primitivo quanto a vida primitiva apareceu devia ser muito diferente do presente:

a) Atmosfera não oxidante: o presente nível de oxigênio que se começou a acumular há cerca de dois bilhões anos atrás com a presença de cianobactérias, deveria ter sido mortal para o organismo primitivo.
b) Recursos abundantes produzidos não biologicamente.
c) Uma grande escala de tempo sem co.

A experiência de Miller: síntese abiótica de moléculas orgânicas

Já na primeira metade deste século foram realizados algumas tentativas de simulação laboratorial do ambiente da terra primitiva, todavia os resultados não foram em geral encorajadores.

Em princípios da década de cinquenta, Harold Urey, que estudava então as atmosferas redutoras, estava também fortemente convencido, tal como Oparin, de que a atmosfera gasosa terrestre primitiva era fortemente redutora e continha essencialmente metano, hidrogênio, amoníaco e vapor de água.

Foi a partir desta mistura que Stanley Miller, então joven colaborador, montou um dispositivo idêntico ao representado na figura ao lado e simulou nele algumas condições que se admitia, segundo o modelo de Oparin-Haldane, terem existido na atmosfera primitiva.

Miller, com a mistura de metano, amoníaco, vapor de água e hidrogénio que preparou, simulava a atmosfera primitiva terrestre submetendo-a a descargas eléctricas de alta vontagem. A ideia básica desta experiência era fornecer energia a essa mistura gasosa e verificar se se produziam moléculas orgânicas.

Os gases, depois de terem sido submetidos a descargas eléctricas na ampola, passam ao longo de um condensador onde eram refrigerados, formando-se uma solução na qual são possíveis outras reações. Como algumas fontes de energia tendem a destruir as moléculas formadas, os investigadores, fazendo circular os gases, retiram as moléculas produzidas da fonte de energia, evitando assim a sua destruição.

Depois de uma série de descargas eléctricas, o líquido, inicialmente incolor, passou a um castanho-alaranjado, o que mostra que possivelmente novas moléculas se haviam formado.

Miller, empregando uma técnica analítica de cromatografia em papel, analisou a composição da mistura verificando que se tinha produzido grande número de compostos orgânicos, entre as quais vários aminoácidos e outros moléculas básicas da vida.


Algumas pistas moleculares da origem da vida na terra

As moléculas de organismos vivos são ricas em compostos de hidrogênio e carbono. Isto sugere que existia pouco ou nenhum oxigênio molecular na Terra primitiva.

Todos os aminoácidos existem tanto no estado destrógino e no estado levógino. Contudo só 20 aminoácidos da variedade levógino são usados pelos organismos vivos em proteínas. Tal sugere que houve uma única origem da vida.

DNA e RNA são a base universal de todas as formas de vida da terra.

Em qualquer célula, os primeiros passos do metabolismo de carbohidratos sugere uma mesma origem.

 

 

 

Versão: Inglês Imagens não Disponível

 

Experiments Miller

In 1954, the American scientist Stannley L. Miller built an apparatus which met methane, ammonia, hydrogen and water vapor in an attempt to recreate in the laboratory, the probable conditions prevailing in the early atmosphere. Imagining that the lightning could have been a source of energy capable of promoting the breaking of chemical bonds of molecules of “primitive gases,” Miller submitted the greenhouse, meeting the high-intensity electric sparks.
After some time, observed the accumulation of organic substances in a particular region of the device, including several amino acids found.
A few years later (1957), based on the experiments of Miller, Sidney Fox, also American, heated a dry mixture of amino acids. Fox departed from the assumption that the organic compounds formed fallen with the rain dried pasta on hot rocks, after the evaporation of water. The end of his experience verified the presence of proteinoids (molecules of protein nature set up by certain few amino acids), in a evidence that amino acids would have united through links peptide, in a synthesis by dehydration.
Melvin Calvin, another American scientist, conducted experiments similar to that of Miller, bombarding the primitive gases with high energy radiation and obtained, among others, organic compounds like carbohydrates.
All these experiences demonstrated the possibility of forming organic compounds before the arisings of life on Earth. That came favor the hypothesis heterotrophic, once that the prior existence of organic matter is a basic requirement not only to feeding of the first heterotrophs, as also for your own training.

STANLEY MILLER

Stanley Miller designed an experiment where they designed and built an apparatus to reproduce the primitive Earth conditions. Part of this apparatus consisted of a glass flask in which Miller put the gas it was assumed that could be found in the early atmosphere subjecting them to a high heat and constant lightning.
Water vapor was provided by another flask containing boiling water. He later condensed and precipitated simulating rain.
After one week, Miller collected the product that has accumulated in the reservoir of the device and can prove the presence of carbohydrates and amino acids, four of them in abundant living.

EXPERIMENT OF MILLER

Miller’s experiment, developed an apparatus that simulated the conditions of the primitive planet, proving the spontaneous emergence of organic compounds from the gas mixture proposed by Oparin.
Heterotrophic Hypothesis: He believed that the first organisms were structurally very simple, and it is assumed that the chemical reactions in their cells also were. They lived in an aquatic environment, rich in nutrients, but there was no oxygen in the atmosphere or dissolved in the water of the seas. Under these conditions, one can expect that, with abundant food around them, these early beings have used this food as a ready source of energy and raw materials.
Autotrophic hypothesis: it tends to replace the heterotrophic hypothesis. The main evidence for this hypothesis was the discovery of bacteria quimiolitoautotróficas using the energy released by chemical reactions between the inorganic components of Earth’s crust to produce their own food substances.

CHEMISTRY OF LIFE ON EARTH

Previously, it was believed that bacteria were born spontaneously from non-living beings, which was later proved wrong by Pasteur with his famous experiment with a retort. Ironically we now understand that the first life on Earth was actually originated in abiotic environments. In fact, organic molecules were successfully generated by abiotic factors scientist Miller and Urey.
The abiotic chemical evolution of life follows four main steps:
1. The abiotic synthesis and accumulation of organic molecules or monomers as amino acids and nucleotides.
2. The junction of monomers in polymers including proteins and nucleic acids.
3. The aggregation of molecules produced abiotically in dropletos, protobiontes that had different chemical characteristics of their environment.
4. Origin of heredity.
To understand how this occurred creation of life from abiotic material we have to consider two very important ideas:
1. The extension of the idea of ​​natural selection to a chemical level.
2. The realization that the state of the primitive world as primitive life had appeared to be very different from this:
a) non-oxidizing atmosphere: the present level of oxygen began to accumulate about two billion years ago with the presence of cyanobacteria, should have been deadly to the body primitive.
b) not biologically produced abundant resources.
c) A large time scale without co.
Miller’s experience: abiotic synthesis of organic molecules
In the first half of this century were made some attempts at laboratory simulation of the environment of the primitive earth, but the results were generally encouraging.
In the early fifties, Harold Urey, who was studying then reducing atmospheres, was also strongly convinced, as Oparin, that the gaseous atmosphere early earth was strongly reducing and containing essentially methane, hydrogen, ammonia and water vapor.
It was from this mixture that Stanley Miller, then young employee, set up a device identical to that shown in the figure and simulated certain conditions that it was admitted, according to the Oparin-Haldane model, have existed in the early atmosphere.
Miller, with the mixture of methane, ammonia, water vapor and hydrogen which prepared, simulated the primitive atmosphere terrestrial subjecting it to discharges electricity high vontagem. The basic idea this experience was to provide energy to this gaseous mixture and verify if produced organic molecules.
The gases, after having undergone electrical discharges in the ampoule, pass along a condenser where were chilled, forming a solution in which are possible other reactions. How some energy sources tend to destroy molecules formed, researchers, doing circular gases, withdraw the molecules produced energy source, thus avoiding their destruction.
After a series of electrical shock, the liquid, initially colorless, passed to a brown-orange, which shows that possibly new molecules had formed.
Miller, employing an analytical technique paper chromatography, analyzed the composition of the mixture verifying that if had produced large number of organic compounds, among them several aminoacids and other basic molecules of life.
Some molecular clues to the origin of life on earth
The molecules of living organisms are rich in compounds of hydrogen and carbon. This suggests that there was little or no molecular oxygen on early Earth.
All amino acids exist in both the state and the state destrógino levógino. However, only 20 amino acids of the variety levógino are used by living organisms in proteins. This suggests that there was a single origin of life.
DNA and RNA are the universal basis of all forms of life on earth.
In any cell, the first steps in the metabolism of carbohydrates suggests the same origin.

Experimentos de Fox


 

Sidney Fox testou a etapa seguinte, a formação abiótica de polímeros a partir dos monómeros.

Dado que a concentração de monómeros nos oceanos primitivos deveria ser baixa e que as reacções de polimerização são reacções de desidratação, estas não seriam fáceis de obter em condições naturais.

Assim, foi proposto que as polimerizações teriam ocorrido apenas em condições especiais, que aumentavam artificialmente a concentração de monómeros e catalisavam as reacções.

É sabido que as argilas são rochas formadas por camadas aluminossilicatos hidratados com grande quantidade de cargas positivas e negativas. Por este motivo estas rochas captam moléculas carregadas com grande facilidade pelo processo de adsorsão. Este poderia ser um meio de facilitar a polimerização, tal como a congelação, evaporação, calor, etc.

Fox testou esta possibilidade aquecendo a 200ºC misturas de aminoácidos obtidos abioticamente sobre pedaços de rocha. Obteve cadeias polipeptídicas, que designou proteinóides, e que podiam ser usadas como alimento por bactérias e podiam apresentar capacidade catalítica (uma pré-enzima).

Com estes proteinóides, Fox obteve ainda o passo seguinte da teoria de Oparin, a formação de coacervados, estruturas que Fox designou microsferas, por aquecimento á ebulição seguido de arrefecimento.

As microsferas aparentavam ter propriedades osmóticas através da sua membrana de moléculas de água, comportando-se como uma pré-célula.

Biogênese


 

Introdução

A Vida na Terra terá surgido á cerca de 3400 M.a., como o parecem demonstrar os fósseis de procariontes encontrados na África do Sul. As células eucarióticas terão surgido há cerca de 2000 a 1400 M.a., seguidas dos organismos multicelulares há cerca de 700 M.a. Neste espaço de tempo os fósseis são abundantes, indicando um processo evolutivo rápido.

Todas as evidências parecem apontar para que os seres eucariontes terão tido origem em seres procariontes. A principal teoria actual considera que alguns dos organitos característicos das células eucarióticas tiveram origem em procariontes que se adaptaram à vida intracelular por endossimbiose.

Abiogénese

Até ao século XIX considerava-se que todos os seres vivos existentes se apresentavam como sempre tinham sido. Toda a Vida era obra de uma entidade toda poderosa, facto que servia para mascarar o facto de não existirem conhecimentos suficientes para se criar uma explicação racional.

Esta explicação, o Criacionismo, no entanto, já no tempo da Grécia antiga não era satisfatória. De modo a contornar a necessidade de intervenção divina na criação das espécies, surgem várias teorias alternativas, baseadas na observação de fenómenos naturais, tanto quanto os conhecimentos da época o permitiam.

Aristóteles elaborou uma dessas teorias, cuja aceitação se manteve durante séculos, com a ajuda da Igreja Católica, que a adoptou. Esta teoria considerava que a Vida era o resultado da acção de um princípio activo sobre a matéria inanimada, a qual se tornava, então, animada. Deste modo, não haveria intervenção sobrenatural no surgimento dos organismos vivos, apenas um fenómeno natural, a geração espontânea.

Estas ideias perduraram até á era moderna, pois Van Helmont (1577 – 1644) ainda considerava que os “cheiros dos pântanos geravam rãs e que a roupa suja gerava ratos, adultos e completamente formados”.

Também era considerado acertado pelos naturalistas que os intestinos produzissem espontaneamente vermes e que a carne putrefacta gerasse moscas.

Todas estas teorias consideravam possível o surgimento de Vida a partir de matéria inanimada, fosse qual fosse o agente catalisador dessa transformação, daí o estarem englobadas na designação geral de Abiogénese.


Biogénese

No século XVII Francisco Redi, naturalista e poeta, pôs em causa as ideias de Aristóteles, negando a existência do princípio activo e defendendo que todos os organismos vivos surgiam a partir de inseminação por ovos e nunca por geração espontânea.

Para demonstrar a veracidade da sua teoria, Redi realizou uma experiência que se tornou célebre pelo facto de ser a primeira, registada, a utilizar um controlo. Colocou carne em 8 frascos. Selou 4 deles e deixou os restantes 4 abertos, em contacto com o ar.

Em poucos dias verificou que os frascos abertos estavam cheios de moscas e de outros vermes, enquanto que os frascos selados se encontravam livres de contaminação.

Esta experiência parecia negar, inequivocamente a abiogénese de organismos macroscópicos, tendo sido aceite pelos naturalistas da época.

No entanto, a descoberta do microscópio veio levantar a questão novamente. A teoria da abiogénese foi parcialmente reabilitada pois parecia a única capaz de explicar o desenvolvimento de microrganismos visíveis apenas ao microscópio.

Esta situação manteve-se até ao final do século XVIII, quando o assunto foi novamente debatido por dois famosos cientistas da época, Needham e Spallanzani.

Needham utilizou várias infusões, que colocou em frascos. Esses frascos foram aquecidos e deixados ao ar durante alguns dias. Observou que as infusões rapidamente eram invadidas por uma multitude de microrganismos. Interpretou estes resultados pela geração espontânea de microrganismos, por acção do princípio activo de Aristóteles.

Spallanzani usou nas suas experiências 16 frascos. Ferveu durante uma hora diversas infusões e colocou-as em frascos. Dos 16 frascos, 4 foram selados, 4 fortemente rolhados, 4 tapados com algodão e 4 deixados abertos ao ar. Verificou que a proliferação de microrganismos era proporcional ao contacto com o ar. Interpretou estes resultados com o facto de o ar conter ovos desses organismos, logo toda a Vida proviria de outra, pré-existente.

No entanto, Needham não aceitou estes resultados, alegando que a excessiva fervura teria destruído o principio activo presente nas infusões.

A polémica manteve-se até 1862, quando o francês Louis Pasteur, pôs definitivamente termo á ideia de geração espontânea com uma série de experiências conservadas para a posteridade pelos museus franceses.

Pasteur colocou diversas infusões em balões de vidro, em contacto com o ar. Alongou os pescoços dos balões á chama, de modo a que fizessem várias curvas. Ferveu os líquidos até que o vapor saísse livremente das extremidades estreitas dos balões. Verificou que, após o arrefecimento dos líquidos, estes permaneciam inalterados , tanto em odor como em sabor. No entanto, não se apresentavam contaminados por microrganismos.

Para eliminar o argumento de Needham, quebrou alguns pescoços de balões, verificando que imediatamente os líquidos ficavam infestados de organismos. Concluiu, assim, que todos os microrganismos se formavam a partir de um qualquer tipo de partícula sólida, transportada pelo ar.

Nos balões intactos, a entrada lenta do ar pelos pescoços estreitos e encurvados provocava a deposição dessas partículas, impedindo a contaminação das infusões.

Ficou definitivamente provado que, nas condições actuais, a Vida surge sempre de outra Vida, pré-existente.

Mas, como surgiu a Vida pela primeira vez ?

Teoria Cosmozóica e Panspermia

No final do século XIX vários cientistas alemães, nomeadamente Liebig, Richter e Helmholtz, tentaram explicar o aparecimento da Vida na Terra com a hipótese de que esta tivesse sido trazida doutro ponto do Universo sob a forma de esporos resistentes, nos meteoritos – teoria Cosmozóica.

A presença de matéria orgânica em meteoritos encontrados na Terra tem sido usada como argumento a favor desta teoria, o que não invalida a possibilidade de contaminação terrestre, após a queda do meteorito.

Actualmente já foi comprovada a existência de moléculas orgânicas no espaço, como o formaldeído, álcool etílico e alguns aminoácidos. No entanto, estas moléculas parecem formar-se espontaneamente, sem intervenção biológica.

O físico sueco Arrhenius propôs uma teoria semelhante, segundo a qual a Vida se teria originado em esporos impelidos por energia luminosa, vindos numa “onda” do espaço exterior. Chamou a esta teoria Panspermia (sementes por todo o lado).

Actualmente estas ideias caíram em descrédito pois é difícil aceitar que qualquer esporo resista á radiação do espaço, ao aquecimento da entrada na atmosfera, etc.

Apesar disso, na década de 80 deste século, Crick (um dos descobridores da estrutura do DNA) e Orgel sugeriram uma teoria de Panspermia dirigida, em que o agente inicial da Vida na Terra passaria a ser colónias de microrganismos, transportadas numa nave espacial não tripulada, lançada por uma qualquer civilização muito avançada. A Vida na Terra teria surgido a partir da multiplicação desses organismos no oceano primitivo.

Apesar de toda a boa vontade envolvida, nenhuma destas teorias avança verdadeiramente no esclarecimento do problema pois apenas desloca a questão para outro local, não respondendo á questão fundamental: Como surgiu a Vida ?

Teoria de Oparin sobre a origem da Vida na Terra

No entanto, um ponto de viragem fundamental ocorreu com o as teorias de Pasteur e de Darwin, permitindo abordar o problema sob uma perspectiva diferente.

Dados obtidos a partir de diversos campos da ciência permitiram ao russo Oparin formular uma teoria revolucionária, que tentava explicar a origem da Vida na Terra, sem recorrer a fenómenos sobrenaturais ou extraterrestres:

Dados Astronómicos

o Sol e os planetas do Sistema Solar formaram-se simultaneamente, a partir da mesma nuvem de gás e poeiras cósmicas, á cerca de 4700 M.A.;

a análise espectral de estrelas permitiu a conclusão de que as leis químicas são universais. As estrelas têm vários estádios de desenvolvimento, encontrando-se o Sol numa fase intermédia da sua “vida”. Estes factos permitem deduzir que os constituintes dos outros planetas e do Sol, dada a sua origem comum, devem ser os mesmos que a Terra primitiva conteve. A atmosfera primitiva da Terra deve ter contido H2 , Ch2 e NH3, como Júpiter ou Saturno, cuja gravidade impediu a dissipação desses gases para o espaço.


Dados Geofísicos

a Terra apresenta diversas superfícies de descontinuidade, separando zonas bem definidas provavelmente devidas a, na formação do planeta, os elementos mais pesados (Fe, Ni) se terem acumulado no centro, os intermédios (Al, Si) na crusta e os mais leves (H, N, C) na camada gasosa externa;

os vulcões lançam gases para a atmosfera;

as rochas sedimentares com mais de 2300 M.a. em África e na América do Norte são menos oxidadas que as mais recentes, revelando uma atmosfera pobre em oxigénio molecular. Este facto observa-se pela presença de grande quantidade pechblenda, um mineral de urânio facilmente oxidável. Por outro lado, o óxido de ferro apenas surge em depósitos com menos de 2000 M.a., altura em que se considera que a quantidade de oxigénio na atmosfera rondaria 1% da actual.

Dados Biológicos

o mundo biológico reflecte uma unidade de origem e constituição;

os elementos fundamentais dos seres vivos são C, H, O, N, P e S, vulgarmente abreviado para CHNOPS;

os compostos orgânicos básicos são os aminoácidos, bases púricas e pirimídicas, oses e ácidos gordos;

as provas da evolução são irrefutáveis, demonstrando que as condições e os organismos nem sempre foram o que são actualmente;

muitos compostos orgânicos já foram sintetizados em laboratório, como a insulina e a ureia;

pode-se criar em laboratório agregados de moléculas sob a forma de coacervados;

existem fósseis de organismos com 3000 M.A., os estromatólitos, estruturas resultantes da deposição de CaCO3 , retido e segregado por comunidades de cianobactérias, presentes em água doce e salgada;

os raios U.V. podem promover reacções entre compostos e degradar moléculas orgânicas;

a Vida na Terra, como a conhecemos, só é possível devido á filtragem dos U.V. pela camada de ozono (O3) da atmosfera superior.

Modelo evolutivo de Oparin

Quando a comunidade científica aceitou, finalmente, a ideia da lenta evolução das espécies, estava o terreno propício para o surgimento da primeira explicação racional para a origem da Vida. Esta surgiu em 1924 pela mão do geneticista russo Alexander Oparin.

Oparin considerou que as condições para a origem da Vida surgiram como uma etapa natural, incluída no constante movimento da matéria.

Tendo por base dados fornecidos por várias ciências, como anteriormente referido, Oparin desenvolveu a sua teoria baseada no princípio: as condições existentes na Terra primitiva eram diferentes das de hoje.

Particularmente, a atmosfera seria redutora, ou seja, sem oxigénio mas rica em hidrogénio. Este facto teria como consequência directa a falta de ozono nas camadas superiores da atmosfera e o bombardeamento constante da superfície da Terra com raios U.V.

Nessa atmosfera, o H2, seu principal constituinte, tenderia a reduzir as outras moléculas. Seria, também, uma atmosfera sem azoto e sem dióxido de carbono.

A sua constituição segundo Oparin, resultante da reacção dos gases provenientes da actividade vulcânica, seria: hidrogénio (H2), metano (Ch2), amoníaco (NH3) e vapor de água.

Estudos posteriores indicam que a atmosfera primitiva conteria ainda dióxido de carbono (CO2), azoto (N2), monóxido de carbono (CO) e sulfureto de hidrogénio (H2S).

A temperatura á superfície seria superior ao ponto de fusão do gelo mas inferior ao seu ponto de ebulição (0 – 100ºC). Parte da água terá sido decomposta, a quente, em hidrogénio, que se escapou para o espaço, e oxigénio, que se incorporou nas rochas. O restante vapor de água ter-se-á condensado, originando os oceanos, enquanto as chuvas intensas, correndo sobre os continentes, lhes extraíam o cálcio. Este ter-se-á acumulado em espessas camadas de sedimentos, que foram reincorporadas pelo manto. Este facto libertou a atmosfera de dióxido de carbono, evitando o desenvolvimento do efeito de estufa que existe em Vénus.

Esta mistura de gases, sujeita á acção de U.V., do calor da crusta em fase de arrefecimento, da radioactividade natural dos compostos recém formados e da actividade vulcânica, teria dado origem a compostos orgânicos simples em solução – sopa primitiva.

Esta explicação permitia ultrapassar a dificuldade da formação das primeiras biomoléculas (aminoácidos, oses, bases azotadas e ácidos gordos) pois estas teriam tido uma origem em moléculas inorgânicas.

A existência de certas rochas contendo minerais assimétricos, como as argilas, teriam facilitado a estruturação desses monómeros em polímeros, funcionando como catalisadores inorgânicos.

Segundo Oparin, os conjuntos moleculares ter-se-iam agregado numa estrutura rodeada por uma espécie de “membrana” de cadeias simples hidrocarbonadas, que a isolava do meio – coacervado.

Os coacervados derivam de um processo natural nas soluções de polímeros fortemente hidratados. Há uma separação espontânea de uma solução aquosa, inicialmente homogénea, em duas fases, uma rica em polímeros e outra quase exclusivamente água. Esta situação deve-se á atracção entre moléculas polares e repulsão entre moléculas polares e apolares.

O coacervado é uma gotícula coloidal (formada por partículas muito pequenas mas maiores que as moléculas com polaridade) rica em polímeros em suspensão num meio aquoso. A membrana do coacervado é formada por moléculas de água dispostas em redor dos polímeros. O coacervado pode interagir com o meio, incorporando moléculas na sua estrutura, crescer e dividir-se. À medida que novas moléculas se iam agregando, se a nova combinação molecular não fosse estável, o coacervado destruía-se. Se fosse estável o coacervado aumentava de tamanho, até que se dividia em dois.

No interior do coacervado, algumas moléculas catalisavam novas combinações, enquanto outras, autoreplicáveis, começavam a controlar as reacções metabólicas. Deste modo, este conjunto de moléculas funcionaria como uma pré-célula, constituindo uma primeira manifestação de Vida.

Estudos recentes apontam para a importância dos ácidos nucleicos no processo inicial do desenvolvimento da Vida.

O RNA terá sido a primeira molécula a surgir, já que este ácido nucleico forma curtas cadeias espontaneamente em ambientes semelhantes aos propostos nesta teoria. Além disso, o RNA liga-se temporariamente a locais específicos de outras moléculas, catalisando reacções na célula viva na ausência de enzimas, funcionando simultaneamente como DNA e proteína durante a evolução celular.

Obter-se-iam assim, os pilares moleculares da Vida, os ácidos nucleicos e as proteínas: sem ácidos nucleicos não há proteínas, ou seja, não há estrutura e controlo das reacções (enzimas) e sem proteínas (estruturais como as histonas e enzimáticas) não há replicação de DNA. Esta pré-célula, provavelmente semelhante a uma bactéria, seria heterotrófica, alimentando-se do “caldo orgânico” abiótico do meio.

Nos milhões de anos seguintes, a selecção natural terá conduzido esta evolução química, favorecendo conjuntos moleculares bem adaptados e eliminando outros, devido á rarefacção dos nutrientes nos oceanos.

Assim, para sobreviverem, estas células poderão ter evoluído para uma situação de autotrofia, necessitando de grande quantidade de electrões, como por exemplo o hidrogénio, dióxido de carbono ou moléculas sulfurosas. Não parece coincidência que a grande maioria de bactérias autotróficas actuais pertencerem ao grupo das bactérias sulfurosas.

Com o surgimento das cianobactérias fotossintéticas a acumulação de oxigénio molecular criou a necessidade do surgimento de estruturas protectoras contra esse gás altamente agressivo.

O oxigénio molecular é um verdadeiro veneno para os organismos que não disponham de mecanismos enzimáticos protectores (catalase ou peroxidase, por exemplo) capazes de reduzir os subprodutos altamente nocivos do metabolismo oxidativo (peróxido e superóxido de hidrogénio).

Os dados geofísicos indicam que o oxigénio molecular surgiu gradualmente na atmosfera há cerca de 2000 M.a.

O oxigénio teve um papel fundamental no desenvolvimento e complexificação das estruturas biológicas, como se pode constatar pelos exemplos seguintes:

capacidade de divisão celular depende da formação do complexo actina-miosina, impossível sem oxigénio;

síntese de esteróis, ácidos gordos e colagénio é impossível sem oxigénio;

metabolismo aeróbio fornece mais de 15 vezes mais energia que o anaeróbio;

camada de ozono permitiu a vida em terra.

Esta teoria explicativa do aparecimento do primeiro ser vivo necessitava, no entanto, de provas factuais que a apoiasse.

Para isso, diversos cientistas simularam em laboratório as condições que o seu autor considerava terem existido na Terra primitiva, entre eles Stanley Miller, cuja experiência se tornou célebre.

Esta experiência foi concebida para testar a possibilidade da formação de monómeros abioticamente, nas condições da teoria de Oparin.

Em 1953, Miller introduziu num balão uma mistura de metano, amoníaco, hidrogénio e água.

Essa mistura era constantemente bombardeada por descargas eléctricas de 60000 V e mantida a circular no aparelho pelo vapor de água criado pela ebulição da água.

Este procedimento foi mantido durante uma semana, após a qual se recolhem amostras que são analisadas por cromatografia.

As análises mostraram que o líquido amarelado que se tinha formado continha vários tipos de aminoácidos (alanina, ácido aspártico e glutamato) e ácidos orgânicos simples (fórmico, acético, propiónico, láctico e succínico) usuais nos seres vivos.

Juan Oro, outro investigador, demonstrou que era possível obter abioticamente as bases púricas e pirimídicas que compõem os ácidos nucleicos, aquecendo ácido cianídrico e amoníaco, por sua vez obtidos abioticamente de hidrogénio, monóxido de carbono e azoto molecular.

Saliente-se que uma das bases, a adenina, não só faz parte dos ácidos nucleicos mas também é fundamental para a formação de coenzimas como o NAD+ e o NADP+ e do ATP.

Sidney Fox testou a etapa seguinte, a formação abiótica de polímeros a partir dos monómeros.

Dado que a concentração de monómeros nos oceanos primitivos deveria ser baixa e que as reacções de polimerização são reacções de desidratação, estas não seriam fáceis de obter em condições naturais.

Assim, foi proposto que as polimerizações teriam ocorrido apenas em condições especiais, que aumentavam artificialmente a concentração de monómeros e catalisavam as reacções.

É sabido que as argilas são rochas formadas por camadas aluminossilicatos hidratados com grande quantidade de cargas positivas e negativas. Por este motivo estas rochas captam moléculas carregadas com grande facilidade pelo processo de adsorsão. Este poderia ser um meio de facilitar a polimerização, tal como a congelação, evaporação, calor, etc.

Fox testou esta possibilidade aquecendo a 200ºC misturas de aminoácidos obtidos abioticamente sobre pedaços de rocha. Obteve cadeias polipeptídicas, que designou proteinóides, e que podiam ser usadas como alimento por bactérias e podiam apresentar capacidade catalítica (uma pré-enzima).

Com estes proteinóides, Fox obteve ainda o passo seguinte da teoria de Oparin, a formação de coacervados, estruturas que Fox designou microsferas, por aquecimento á ebulição seguido de arrefecimento.

As microsferas aparentavam ter propriedades osmóticas através da sua membrana de moléculas de água, comportando-se como uma pré-célula.

Bilhões de Anos Atrás
4,5
3,5
2,5
1,5
0,5
Fontes energéticas

bombardeio por U.V. elevado, calor da Terra elevado, relâmpagos intensos

bombardeio por U.V. elevado, calor da Terra menor, relâmpagos médios
bombardeio por U.V. elevado, calor da Terra biaxo, relâmpagos fracos
bombardeio por U.V. fraco, calor da Terra baixo, relâmpagos fracos
bombardeio por U.V. fraco, calor da Terra baixo, relâmpagos fracos

Gases na atmosfera

hidrogênio, metano, amoníaco, água, dióxido de carbono
hidrogênio, metano, amoníaco, água, dióxido de carbono
Hidrogênio, amoníaco, água
Hidrogênio, amoníaco, água, ozono, oxigênio, dióxido de carbono
água, oxigênio, ozono, azoto, dióxido de carbono

Moléculas no oceano

moléculas orgânicas simples sintetizadas abioticamente, metano e hidrocarbonetos, amónia, ácidos e álcoolis
moléculas orgânicas complexas sintetizadas abioticamente, nucleótidos, aminoácidos, açucares
Moléculas orgânicas complexas usadas pelos protobiontes, início da síntese biótica de proteínas, gorduras e çucares em células
moléculas orgânicas complexas obtidas apenas por síntese biótica
moléculas orgânicas complexas obtidas apenas por síntese biótica

Tipo de formas de vida


era de evolução química, protobiontes

procariontes

procariontes

surgimento dos eucariontes

organismos multicelulares

Criticas à Hipótese de Oparin

o hidrogénio é muito leve e escapa-se à gravidade da Terra com muita facilidade (quanto mais elevada a temperatura da atmosfera superior, mais facilmente se escapa) logo talvez não tenha predominado na atmosfera primitiva;

o oxigénio poderia existir em maior quantidade pois as enormes quantidades de vapor de água produzidas podiam ser decompostas em hidrogénio e oxigénio pelos U.V., tendo-se o hidrogénio escapado e o oxigénio acumulado na atmosfera. Se este processo fosse em grande escala, a atmosfera ter-se-ia tornado rica em oxigénio;

a atmosfera interage permanentemente com as rochas logo a análise destas poderia dar uma ideia aproximada da constituição daquela. Algumas rochas sedimentares foram formadas em condições redutoras, factor tido como argumento a favor da teoria de Oparin. No entanto, actualmente ainda é possível a formação dessas rochas, apesar da atmosfera rica em oxigénio, nomeadamente em pântanos. Essas rochas formam-se em condições de decomposição anaeróbia de matéria orgânica no lodo.

Por este motivo considera-se que, se tomadas no seu conjunto, as rochas de um dado período evidenciam que a atmosfera primitiva seria muito semelhante à de hoje. A dificuldade deste argumento é o facto de apenas existirem rochas com 3200 M.a., logo a atmosfera dessa época não ser redutora não invalida os pressupostos de Oparin pois considera-se que os primeiros organismos fotossintéticos teriam surgido á cerca de 3600 M.a. Outro aspecto a considerar é que, mesmo com atmosfera oxidante, tal como na actualidade, era possível a presença de locais com condições redutoras (sob rochas ou no fundo de lagos ou oceanos) com elevadas concentrações moleculares, permitindo a evolução química proposta por Oparin;

como terão surgido as moléculas reguladoras e autoreplicáveis ?

Não foi possível esclarecer devidamente se foi a proteína ou o ácido nucleico a primeira molécula a surgir na evolução química, ou se ambos surgiram simultaneamente. As proteínas e os ácidos nucleicos são as moléculas básicas de todos os organismos vivos. As proteínas têm uma função estrutural e enzimática e os ácidos nucleicos contêm a informação hereditária e os “programas” que controlam, pelas enzimas, todas as reacções dos seres vivos. Sem ácidos nucleicos não existe um plano de formação das proteínas, e sem enzimas não se realiza a cópia dos ácidos nucleicos.

Actualmente considera-se que o RNA terá sido a primeira molécula a surgir, seguido de uma forma simplificada de síntese proteica. Os fosfatos e a ribose seriam moléculas comuns e a adenina pode ter sido formada espontaneamente, tal como demonstrado por diversas experiências. Obter-se-ia, assim, uma molécula capaz de replicação devido á facilidade de emparelhamento de bases. No entanto, apesar de o RNA ser uma molécula mais reactiva que o DNA, tal não seria suficiente para catalisar reacções mais complexas, daí a necessidade do surgimento de uma outra molécula para realizar essas funções, as proteínas enzimáticas. As enzimas primitivas devem ter sido pequenos péptidos não específicos. Fox demonstrou nas suas experiências que alguns proteinoides tinham actividade catalítica mas verdadeiras enzimas apenas podem surgir após haver maneira de se conseguir reproduzir a sua sequência polipeptídica. Sabe-se que em condições pré-bióticas alguns polinucleótidos podem servir de matriz para a síntese de não enzimática de polinucleótidos complementares.

Apesar destes factos, facilmente se deduz que a grande maioria destas sequências não teria qualquer significado.

Estará a árvore da Vida de cabeça para baixo??

Ora aqui está uma pergunta com intrigantes respostas, segundo as mais recentes investigações (1998).

Temos sempre referido que a chamada árvore da Vida tem na sua base os seres procariontes (bactérias e arqueobactérias), organismos simples com uma única cópia de cromossomas circulares, tendo os restantes grupos (eucariontes) surgido quando conjuntos dessas bactérias se agruparam para formar células complexas, ditas eucarióticas.

Actualmente considera-se que o inverso tenha sido muito mais provável!! Os primeiros organismos não teriam sido do tipo bactéria, não vivendo em fontes termais ou aberturas vulcânicas no fundo do mar. Deverão, pelo contrário, ter sido muito mais semelhantes a protozoários, com genomas fragmentados (em vários pequenos cromossomas lineares) e poliplóides (com várias cópias do mesmo gene para impedir que “erros” na transcrição impedissem a sua sobrevivência). Teriam, também, preferido os locais mais frios.

Tal como Patrick Forterre, entre outros cientistas, tem referido, as bactérias terão aparecido mais tarde, não sendo primitivas mas altamente especializadas. Esta alteração tão radical no tipo celular teria sido o resultado da adaptação a locais quentes, onde as temperaturas até 170ºC tendem a causar mutações nos processos hereditários.

Assim “simplificadas”, as bactérias tornaram-se altamente competitivas em nichos onde a rapidez de reprodução é uma vantagem (parasitismo e necrofagia, por exemplo).

Os restantes organismos, pelos habitats ocupados, nunca sofreram uma tamanha pressão selectiva para se tornarem simples e rápidos, pelo que retiveram o maior número de genes possível, em vez da simplicidade de utilização.

Finalmente venho abordar uma questão insistente na temática deste site, ainda que sempre repetindo que não se deve confundir Biogênese com Evolução Biológica, afirmação esta que será o PRIMEIRO tópico a ser abordado. Em SEGUNDO lugar, pretendo fazer uma brevíssima recapitulação das propostas biogênicas, sua viabilidade, plausibilidade e dificuldades. Por FIM, uma abordagem naquele que é o mais usado argumento contra o surgimento espontâneo da Vida, a Improbabilidade.

Mas antes de tudo isso, vamos examinar o termo em si. É muito comum vermos a expressão ABIOGÊNESE, sugerindo, com o “A” anteposto, a negação da vida, e sua geração da Não-Vida. Pessoalmente esse termo não me parece fazer muito sentido, pois não explicita que se está falando da Gênese da Vida, mas somente de uma Gênese da Não-Vida. Ora, pode-se dizer que a matéria vem da Não-Vida, e portanto é Abiogênica. A palavra BIOGÊNESE, simplesmente, me parece muito mais adequada, pois que BIO=Vida e GÊNESE=Surgimento/Origem.

A palavra Gênese me parece dispensar esclarecimentos, sendo aparentada de termos como “Gerar”, “Gestar”, “Genia” e etc, todos relacionados a idéia de “Surgimento”, “Nascimento” e similares. O oposto porém se dá com a palavra VIDA.

O QUE É VIDA?

É realmente muito curioso que em séculos de Biologia e milênios de Filosofia e Teologias da Natureza, jamais tenha surgido uma definição realmente precisa de Vida. De fato, é uma idéia muito difícil de ser resumida em uma só palavra, ou pior, talvez seja uma idéia, por si só, de dificílima compreensão.

Na antiguidade, especialmente por meio de Aristóteles, era comum definir como Vivo qualquer Ser capaz de MOVIMENTO próprio, incluindo os vegetais, que também se movem ainda que muito lentamente, principalmente devido ao crescimento, além do que apresentam constantes variações, com trocas de folhas, produção de frutos e etc. Dessa forma, movimento era entendido como qualquer tipo de ação independente promovida pelo organismo.

Vale lembrar que o termo ANIMAL, que se relaciona à expressão ANIMA, está impregnado não só de uma idéia de movimento, mas sim de um tipo de movimento mais amplo. A Anima era uma espécie de “essência” que permitia ao Animal ações mais livres e independentes. Enquanto os vegetais possuíam apenas um “Princípio Vegetativo”, uma essência vital, os animais possuíam além disso um “Princípio Animado”, enquanto só o Ser Humano gozava de um “Princípio Racional”.

Pode-se considerar também que um Ser Vivo seria qualquer entidade capaz de se Auto-Gerenciar com certo grau de independência. Enquanto os objetos não-vivos são totalmente passivos, os seres vivos apresentam um movimento ordenado, com propósito à manutenção de sua existência.

Já na antiguidade essa definição tinha alguns problemas. Um deles era que sugeria a idéia de que o Astros e seus movimentos celestes fossem seres vivos, bem como outras coisas que apresentassem algum tipo de ação pouco comum, como os Magnetos, ou o próprio Fogo, compartilhassem de características dos seres vivos.

Mas na atualidade sustentar tal definição é muitíssimo mais problemático, pois somos capazes de produzir uma série de objetos que apresentam movimentos próprios e relativamente independentes, capazes mesmo de se auto gestar. Falo, é claro, das máquinas, dispositivos automáticos e robôs. Se ainda considerássemos tal definição, teríamos que considerar muitos dos engenhos que fazemos como vivos, o que traria uma série de problemas éticos e conceituais.

Poderíamos no entanto considerar como vivos apenas os seres auto gerenciáveis que encontramos na natureza, e não os que nos mesmos produzimos, mas além de termos os mesmos problemas da antiguidade, teríamos um dilema toda vez que produzíssemos formas de vida “artificiais”, como espécies transgênicas, além do que eliminaríamos por definição qualquer possibilidade de um dia produzir Vida em laboratórios.

A solução poderia ser que só considerássemos como vivos, além dos seres naturais, aqueles que produzimos baseados em princípios “biológicos”. Ou seja, um robô não seria vivo por possuir estrutura de materiais inorgânicos, mas os seres transgênicos, ou espécies produzidas por uma futura engenharia genética, seriam sim vivas.

O problema com essa solução, apesar de apresentar um bom potencial, é que ela é um tanto circular. Consideraremos Vivo tudo aquilo que for naturalmente Vivo ou produzido a partir de estruturas Vivas. Mas afinal o que é VIDA?!

Além disso, ainda temos o problema de que certos engenhos que empregam partes de fato vivas, poderiam ser considerados vivos. Cyborgues por exemplo, ou Bio Robôs, que já em breve serão, se já não são, uma realidade. Temos também a possibilidade de criar toda uma série de dispositivos que empregam estruturas vivas. E nem sequer foi preciso tocar na idéia dos misteriosos Vírus e Príons.

É claro que isso não impede que tenhamos um noção bastante clara do que é vida, que podemos utilizar, e temos utilizado, satisfatoriamente. Uma delas é que podemos com segurança admitir que todos os seres vivos possuem uma estrutura molecular fundamental vulgarmente conhecida por DNA. Mas essa noção tende a falhar quando nos deparamos com os limiares da Investigação. É perfeitamente plausível que existam formas de vida que se baseiem em outras estruturas que não o DNA que conhecemos. É possível que existam seres que sequer se baseiem em Carbono. Sendo assim, é evidente que a idéia de vida tem que ser mais elástica do que isso.

Outrora foi muito comum consideramos que havia uma FORÇA VITAL, que estaria presente em todos os seres vivos, de tal forma que o caracterizaria a vida seria a presença dessa essência, ou “Elán”. Mas essa idéia falhou a todas as tentativas de verificação, e hoje em dia consideramos que um Ser Vivo é diferenciado de um Não Vivo pelo seu nível de complexidade orgânica intrínseca, o que nos leva a uma série de outras questões sobre o limiar que separaria um nível de complexidade de outro.

Por fim, costumamos usar um conceito bastante consensual, que é a capacidade de Auto-Reprodução da Vida. Todos os seres vivos são, normalmente, capazes de se reproduzir. Mas apenas enquanto espécies, o que é um conceito que também tem uma série de problemas. Há muitos indivíduos estéreis, e não negamos a estes a característica de Ser Vivo. É verdade porém que mesmo esses apresentam reprodução celular, ou seja, um tipo de “movimento” intrínseco, mas isso nos leva de volta ao velho problema da questão de definir como vivo qualquer objeto auto-gerenciável. Sem falar nos vírus digitais, e que é bem provável que em breve sejamos capazes de produzir robôs que possam produzir cópias de si mesmos.

Além disso, não podemos negar a possibilidade de existir um Ser sem qualquer capacidade de reprodução, mas com diversas características dos seres vivos. Poderíamos criar um autômato super avançado capaz até mesmo de chegar ao limiar da Auto-Consciência, ou mesmo ultrapassá-la, plenamente capaz de se auto gerir. Isto poderia ser considerado vida?

E somente para trazer a tona uma questão teológica: Se houver Deus, ou Anjos, ou Deuses. Eles seriam seres vivos?

BIOGÊNESE X EVOLUÇÃO

Apesar disso, podemos nos restringir ao conceito de vida mais usual, que é quase intuitivo, mas que pode ser entendido como qualquer classe de seres capazes de auto reprodução e que apresentam alta complexidade orgânica, incluindo um subestrutura molecular conhecida como DNA.

Passemos então a um autêntico pomo da discórdia entre Criacionistas e Evolucionistas. Biogênese é ou não parte da Evolução? Os Criacionistas estão sempre relacionando uma coisa com a outra, alegando principalmente que a impossibilidade de Biogênese espontânea seria um argumento contra a evolução.

É mister agora explicar o porque os evolucionistas insistem tanto em separar esses dois conceitos, por mais que eles tenham alguma relação. Para explicar isso, primeiro devemos insistir que independente da forma como se tenha dado a Biogênese, a evolução não é seriamente afetada.

Quer a vida tenha surgido por processos aleatórios e espontâneos, por intervenção divina ou inteligências ancestrais, o fato é que ela existe, e uma vez que existe, ela Evolui! Se fosse possível provar uma origem “Sobrenatural” da vida, por mais problemático que isso seja, em nada afetaria o fato de que a Evolução simplesmente ocorre! Ao menos num certo grau.

É por isso que o fato de não sabermos como a vida surgiu não nos impede de estudar como surgem novas espécies, e como elas se modificam com o tempo. Da mesma forma que o fato de não sabermos como “começou” a história, quais foram as primeiras tribos organizadas, qual foi o primeiro humano a usar a linguagem ou a escrita, não impede que estudemos a História e a evolução da humanidade através do tempo.

Até do ponto de vista teológico isto pode ser invocado. O fato dos teólogos não saberem exatamente como Deus criou o mundo, ou exatamente quando, ou quaisquer outra série de detalhes da Gênese, não impede o fiel de estudar a escritura em sua dimensão histórica.

É claro que as Ciências Naturais são um campo muito vasto e complexo, com miríades de ramificações mas com uma continuidade causal entre elas. No entanto, até por uma questão metodológica, não é possível progredir sem alguma compartimentalização do conhecimento, e a Evolução Biológica está numa especialidade de pesquisa distinta da Biogênese. Ninguém pode estudar muitas coisas ao mesmo tempo.

Por tudo isso, não é atacando a Biogênese que se conseguirá, por tabela, afetar a Evolução. Se não sabemos como a vida surgiu, é fato que ela existe! E podemos estudar sua Evolução e a origem de novas espécies. E apenas para ressaltar o quanto tais conceitos são independentes, é possível desconsiderar a Evolução, como no pensamento biológico Fixista, sem ter que com isso implicar em criação intencional, uma vez que podemos considerar os seres vivos como perpétuos, tendo sempre existido, ou mesmo tendo surgido mediante alguma aleatoriedade, que era a proposta de alguns atomistas da Grécia antiga.

Biogênese e Evolução portanto permitem qualquer combinação. A Biogênese poderia nunca ter ocorrido, sendo os seres vivos perpétuos, mas a Evolução ocorrer. Bem como a vida pode ter origem fora da Terra, ou por intervenção divina, sem negar a evolução. Também podemos crer que a vida surgiu por acaso e há evolução. Ou podemos ainda supor qualquer uma dessas possibilidades biogênicas acima e negar a evolução.

Nosso paradigma científico atual aceita a Evolução, e se inclina para a Biogênese naturalista na Terra. Mas esta última ainda está longe de ser tão consensual e fortemente estabelecida quanto a primeira.

COMO A VIDA SURGIU?

Nada melhor para iniciar esta parte com a seguinte ótima estorinha que consegui no site Humor na Ciência.

Creio que isso ilustre muito bem a que ponto chegamos no que se refere aos estudos Biogênicos, para maiores detalhes sugiro os links: Origem da Vida que é o mais introdutório e simples, e os mais avançados Gênese da Vida, Os Primórdios da Vida na Terra e Como a Vida Começou? [Se ocorrer problemas na visualização dos caracteres destes dois últimos vá à opção (No Internet Explorer) "Exibir > Codificação > Europeu Ocidental"]. Outro texto interessante, que propõe a origem Extraterrestres dos tijolos básicos da vida, é Moléculas do Espaço e as Origens da Vida, que também tem linguagem acessível e bem humorada.

Não é objetivo deste texto recapitular essas possibilidades biogênicas, que estão muitíssimo bem explicadas e detalhadas nos links citados, e em vários outros textos disponíveis na Internet. Mesmo porque não creio ter muito mais a acrescentar em termo de informações técnicas, além do que tais pesquisas são incipientes demais para interesse de leigos no assunto. O que me proponho aqui é falar sobre a possibilidade em si, independente de como ela se manifeste. Talvez nossas suposições biogênicas estejam totalmente equivocadas em sua especificidade, mas isso não implica que estejam erradas em essência.

É possível descer a níveis cada vez mais básicos de vida, examinando organismos extremamente simples, como os da Pleuropnemonia, ou imaginar a vida tendo se originado a partir do DNA ou RNA, ou de qualquer um de seus componente menores. Não importa. O que importa é que haverá um momento a partir do qual uma estrutura, extremamente simples, passa a ser capaz de se auto-duplicar. E a partir daí que a Evolução pode ocorrer, pois Evolução Biológica pressupõe que haja Hereditariedade, ou seja, seres que geram cópias de si mesmo sucessivamente. Somado a isso o fato de haver Variabilidade, devido ao fato do processo de reprodução possuir falhas que criam seres diversos, inicialmente mutantes, e mais a frente na complexidade evolutiva devido a Recombinação, e finalmente ocorrendo a Seleção Natural, então teremos Evolução.

Por isso podemos considerar que a Biogênese nada mais seja do que o salto qualitativo para a auto-duplicação. A partir do momento em que uma estrutura molecular relativamente complexa seja capaz de se auto-duplicar, a vida já existirá e evoluirá. Antes disso podemos considerar Não-Vida. A pergunta então é: Como surgiu a primeira estrutura auto-duplicante?

O MILAGRE DA VIDA

Qualquer dos links acima deixará claro que há uma distância imensa entre as mais simples estruturas auto duplicáveis que possamos conceber com segurança, e qualquer outra estrutura não auto duplicável que conheçamos ou possamos conceber. Ninguém parece negar o fato de que a origem da vida é um evento incomparável. Ou a vida sempre existiu, o que é difícil sustentar com nossos conhecimento atuais, ou ela passou a existir quer na Terra ou em qualquer outro local do Universo. Se considerarmos que houve Biogênese, resta saber se ela tem origem Natural ou Sobrenatural. Vida criada por extra-terrestres não divinos não responde a questão, uma vez que estes ETs teriam que ter tido uma origem também.

Considerar que a Vida tem origem Sobrenatural satisfaz os Criacionistas e alguns Evolucionistas, mas apenas afirmar que a vida foi criada por Deus não é explicação, pois nada nos diz sobre os processos criativos, além de nos levar a questionar de onde veio Deus, ou nos conformar com o conceito de existência perpétua e inexplicável, o que aniquila qualquer pretensão investigativa, e põe fim a Ciência. Se continuássemos a investigação, teríamos que admitir então que Deus é um Ser Vivo, e então a questão permaneceria ou cairíamos na irracionalidade. Poderíamos até admitir tal criação no caso da vida terrestre, e talvez afastar a biogênese para outros domínios do Universo, onde talvez as possibilidade sejam muitos mais facilitadas pelo ambiente do que na Terra. Mas, mais uma vez, isso mantém a questão.

Portanto o que pretendo considerar aqui é a possibilidade da vida ter surgido espontaneamente, sem qualquer intencionalidade, por meios naturais. É esse conceito que os Criacionistas atacam, e em especial, ou quase exclusivamente, com o Argumento da IMPROBABILIDADE.

Trata-se de um argumento tão amplamente usado em tantas formas possíveis, que me recuso a transcrever qualquer forma em especial, a idéia básica é que: Os eventos que teriam causado a origem da Vida (primeira estrutura auto replicável), são tão improváveis que podem ser considerados impossíveis.

É interessante notar que a maioria dos Criacionistas já desistiu, ou ao menos eu nunca vi, de argumentar que tal origem da vida é absolutamente impossível, mas altissimamente improvável, em termos matemáticos. Perdi a conta de quantos argumentos já vi que colocam em termos numéricos a improbabilidade, e curiosamente tenho notado qua cada vez mais algarismos são acrescentados. Como é fácil chegar a números tão extremos que não esperaríamos que tal possibilidade ocorresse nem mesmo em trilhões de anos, pode-se então dizer que são praticamente impossíveis.

A meu ver, tais argumentos esbarram ao menos em 3 falhas fundamentais.

A Primeira é tentar igualar o Improvável ao Impossível. É comum vermos como conclusão destes argumentos a equivalência do valor de probabilidade ínfima ao zero, ou improbabilidade máxima ao infinito. Mas nada disso muda o fato de que qualquer número, por menor que seja, é infinitamente maior que Zero, e infinitamente menor que Infinito. Os proponentes deste argumento então afirmam uma Impossibilidade de modo arbitrário.

Ademais, podemos levar em conta um Princípio Antrópico, de que por mais improvável que seja, ocorreu! Caso contrário não existiríamos. Idéia que pode ser usada contra os insistentes argumentos de que o delicado equilíbrio de forças que permite nossa existência na Terra denote um Desígnio Inteligente, a exemplo do que afirma que qualquer mínima variação na órbita terrestre, ou lunar, bem como nas proporções de gases atmosféricos, ou nas constantes naturais, impossibilitaria a vida e a humanidade. O Princípio Antrópico nesse caso pode ser invocado simplesmente ao explicar que se houvesse qualquer desequilíbrio nestes parâmetros não estaríamos aqui para saber, e se estamos é porque esses parâmetros foram possíveis neste tempo e local, enquanto não o foram na imensa maioria dos outros tempos e locais. O que nos leva…

…À Segunda, que é fazer uma comparação ingênua, se não injusta, entre o nível de improbabilidade e o restrito âmbito único de nosso planeta. Se uma possibilidade de surgimento espontâneo da vida de 1/1×1010 parece desprezível, ela está, não sei com que justificativa, levando em conta somente um único local de possível ocorrência, o nosso planeta Terra. No entanto, quantos planetas com condições similares ao nosso podem existir no Universo? Só em nossa galáxia temos bilhões e bilhões de estrelas, cada qual podendo conter dezenas de planetas. Esperar que na nossa galáxia existam somente uns 10 mil planetas similares ao nosso com condições de desenvolver vida já é um número bastante pessimista, mas já diminuiria drasticamente esta estimativa para 10.000/1×1010, ou seja 1/1×106.

No entanto temos centenas de bilhões de galáxias! O número de planetas com condições de produzir vida espontânea pode muito bem ser superior ao de qualquer estimativa de improbabilidade, invertendo a equação de altamente improvável para o praticamente certo.

Alguns poderiam alegar que não estamos nos referindo a vida em outros mundos, mas só no nosso. Mas isso não faz diferença, pelo mesmo Princípio Antrópico, só estamos aqui porque a vida surgiu aqui! Se tivesse surgido no sistema Aldebaram, na galáxia de Andrômeda ou na NGC 4000, poderia haver alguém lá perguntando a mesma coisa. Se ainda não fui claro, é equivalente a perguntar porque uma coisa acontece “justo hoje”, ou “logo comigo”, enquanto poderia ter acontecido com tantos outros, ou em qualquer outro dia. Não importa! Simplesmente aconteceu. E tinha que acontecer em com alguém em algum momento.

A analogia final que gosto de usar é a dos dados. Qual a probabilidade de cair o número 6 dez vezes seguidas? 60.466.176 para ser exato. Você apostaria nessa possibilidade? Me parece bastante imprudente. Provavelmente em sua vida inteira você não consiga tal proeza apesar de ser possível. Mas… E se ao invés do restrito âmbito de uma pessoa, pensarmos em todas as pessoas do mundo, em todos os tempos, que já jogaram dados? Você apostaria que um dia essa sequência de 6 já não aconteceu?

E a Terceira limitação dos argumentos de improbabilidade é similar a anterior, porém considerando o tempo, e não o espaço. Tudo indica que nosso Universo tenha 13.7 Bilhões de anos, mas quanto tempo ele ainda terá pela frente? E quantos Universos anteriores a esse existiram? É bem provável que tenhamos Universos eclodindo em sequência, um após o outro, ou um Multiverso, o que levaria esse número para tendente ao infinito. Se temos tempo suficiente, as menos prováveis possibilidades tem chance de ocorrer. Probabilisticamente, quanto maior o tempo, maior a chance, até que num Universo infinito qualquer probabilidade, por menor que seja, necessariamente irá se realizar.

É bem típico de nossa espécie dimensionar as coisas de acordo com nossa experiência existencial. Vivemos no máximo uns 120 anos, e dentro desse âmbito algumas coisas podem parecer mais raras ou mais frequentes. Nesse período de tempo podemos experimentar dezenas de milhares de Pôr do Sol, mas um ser que vivesse no máximo um ano experimentaria no máximo 365. Para nós, uma evento como um Eclipse total do Sol é muito raro, a maioria jamais o viu, mas um ser que vivesse mil anos teria muitas chances de presenciar algum. E um ser que vivesse 10 mil anos?

Portanto, um número só nos parece imenso, ou ínfimo, devido ao fato de termos sido moldados, pela evolução, a operar num âmbito temporal bastante restrito, assim como numa dimensão espacial bastante restrita, onde temos tanta dificuldade de visualizar com clareza um astro de 300 milhões de kms de comprimento, quanto um de 3 nanômetros. No entanto, para uma bactéria essa última grandeza faz parte de sua experiência, e a primeira faria parte de experiência de seres com dimensões e percepções muito maiores que as nossas.

Concluindo, o Argumento da Improbabilidade disfarçadamente pressupõe uma série de coisas arbitrárias. Que um número seja igual a zero ou infinito, o que é absurdo. Também que só possa surgir vida na Terra, e que ela esteja restrita ao ciclo de tempo de nosso Universo local, além de apelar para a dificuldade natural que temos para aceitar valores numéricos muito grandes ou muito pequenos.

Por fim, abordarei agora a versão mais estilizada e mais usada deste argumento, que é a que afirma que pressupor a origem espontânea da vida seria o mesmo que esperar que um furacão passando num ferro velho conseguisse montar um Boeing, ou que uma explosão numa padaria conseguisse resultar num bolo confeitado.

Estas analogias parecem ilustrar a questão da improbabilidade, no entanto elas funcionam de forma falaciosa, pois insistem em comparar coisas muitíssimo distintas, que são estruturas moleculares orgânicas microscópicas com estruturas macroscópicas inorgânicas, e o pior, que não possuem afinidades tal como o possuem as moléculas em questão. As peças de um avião ou os ingredientes de um bolo não se atraem ou se repelem espontaneamente como ocorre com as moléculas, cujas reações químicas são guidas por uma interação de forças físicas.

Querer comparar coisas completamente diferentes como estas é como forçar uma analogia entre uma máquina mecânica qualquer e um ser vivo, e depois dizer que a vida é impossível tal como uma máquina não pode se reproduzir! Ou seja, nada tem haver uma coisa com a outra. Nada há de comum entre uma explosão de padaria ou furacão no ferro velho com os lentos e cumulativos processos que teriam originado a vida, bem como nada tem haver um Boeing ou um bolo com uma enzima auto duplicante. Aviões e bolos não se reproduzem! A analogia é simplesmente ridícula!

A Vida é um fenômeno único, não pode ser levianamente comparada a qualquer outra coisa.

BIOGÊNESE X GERAÇÃO ESPONTÂNEA

Outro ataque comum dos Criacionistas é comparar esses dois conceitos, e por meio do fato do último ter sido desacreditado, associá-lo com o primeiro.

É fato que o conceito de Biogênese abrange a idéia de Geração Espontânea, num sentido mais largo. Mas o que entendemos historicamente sobre esta idéia nada tem haver com o que entendemos como Biogênese hoje. As antigas teorias de Geração Espontânea consideravam a existência de um certo “Princípio Ativo” na matéria que faria emergir o “Élan Vital”, produzindo as mais diversas formas de vida em certas condições.

Como vimos, a idéia de uma Força Vital caiu em descrédito na Ciência desde os primórdios da Biologia, e com ela a de Princípio Ativo, que tinha uma clara conotação “mística”. Hoje em dia, lembremos, o que define a vida são certas propriedades de uma estrutura complexa que não são, em essência, diferentes das demais propriedades de estruturas menos complexas na natureza.

Além disso, a idéia de Geração Espontânea clássica pressupunha saltos quantitativos imensos, uma vez que não se conhecia os níveis microscópicos da vida que conhecemos hoje. Os precursores da ciência nesta época desconheciam os microorganismos, e então aceitavam que seres relativamente “pequenos”, como camundongos, minhocas ou moscas, pudessem surgir de matéria inanimada. Evidentemente eles pressupunham que estes animais eram suficientemente simples para permitir esse salto, no entanto hoje sabemos que eles possuem um nível de complexidade incomensuravelmente maior que os organismos mais simples que posteriormente foram descobertos.

Sendo assim, desconsiderando a idéia do Princípio Ativo, o grande problema da Geração Espontânea tradicional era não a idéia de que a vida poderia vir da não vida, que é a mesma idéia de Biogênese contemporânea, mas sim subestimar a distância que separa aqueles pequenos animais das estruturas pré vivas que supomos hoje, além de superestimar as possibilidades onde ocorreriam condições para o surgimento espontâneo da vida.

A medida que foi sendo descoberto o micro mundo, muitos pensadores que já não mais criam na Geração Espontânea clássica foram reformulando suas concepções e supondo que a vida poderia sim surgir da não vida em níveis cada vez mais microscópicos, e verdade seja dita, é a idéia que sustentamos até hoje, porém em condições muitíssimo mais especiais do que as supostas antigamente.

Na realidade podemos refletir sobre o fato de que talvez ainda não conheçamos os níveis mais fundamentais da vida, e que estejamos a cometer erros similares ao do passado ao pressupormos que as estruturas vivas mais simples que conhecemos já nos permitam visualizar com alguma precisão quais seriam os primeiros organismos vivos. Mas é importante lembrar que estamos num processo progressivo de conhecimento, e que mais e mais desvendamos sub instâncias da natureza, estando cada dia mais perto de descobrir o mistério da Biogênese. Afinal podemos ter certeza de que há um limite para essa regressão ao microscópico, ninguém mais hoje sustenta que há uma cadeia infinita de estruturas menores e maiores do que as que conhecemos.

Portanto, num sentido menos tradicional, pode-se realmente comparar Geração Espontânea com Biogênese, ou mesmo equivale-las, mas sempre tendo em mente essas diferenças históricas que são, a ausência de qualquer Principio Ativo ou Vital, uma distância quantitativa muitíssimo menor entre os organismos vivos mais primitivos e os não vivos mais complexos, e condições para o surgimento espontâneo da vida muitíssimo mais raras e específicas.

As famosas experiências de Pasteur e similares não invalidaram totalmente o conceito de Geração Espontânea neste sentido mais amplo, mas sim no sentido clássico restrito, de que naquelas condições propostas certas formas de vida, como ratos, poderiam ter surgido em condições tão comuns, como uma lixeira, num imenso salto transformativo. Ou mesmo nas experiências de Spallanzani, que já examinou microorganismos, mas ainda assim bem maiores do que os que conhecemos hoje.

CONCLUINDO

Apesar de serem temas diferentes, Biogênese e Evolução evidentemente se relacionam. Muitos teóricos inclusive aplicam conceitos de Seleção Natural nos processos que teriam dado origem à vida, ou seja, a Seleção teria começado a agir sobre a Variabilidade mesmo antes do surgimento da Hereditariedade, triando uma miríade de coisas até que uma ficasse em condições de começar a se reproduzir.

Porém isso não é suficiente para amarrar os dois conceitos, pois Seleção Natural sobre Variabilidade pode acontecer em qualquer coisa, mesmo objetos que nada tem haver com vida, e sendo assim não configuram realmente uma Evolução no sentido que interessa aqui, que pressupõe necessariamente Hereditariedade.

Negar a possibilidade de Origem da Vida, quer seja espontânea, divina ou etc, em nada afeta ao fato de que Evolução Biológica ocorre, portanto os ataques dos Criacionistas contra a Biogênese, por melhores que sejam, em nada depõem contra a Evolução, que segue independente.

Se temos uma teoria biogênica satisfatória, como nossa teoria evolutiva, ainda é algo a discutir, mas o conceito de Biogênese Espontânea em si é perfeitamente plausível. A articulação teórica e experimental crescem a cada dia, bem como as possibilidades de um dia “Brincarmos de Deus”, como dizem alguns.

Acho realmente muito estranho que muitos Criacionistas usem a seu favor o argumento de que não se conseguiu produzir vida em laboratório, mesmo quando admitem que foi possível produzir alguns dos compostos fundamentais. Me parece uma simples questão de tempo para que algum experiência desta natureza seja possível, e nem sequer falo de insistentes experiências, mas talvez de um modelo teórico biogênico mais aperfeiçoado.

Que demore décadas ou mesmo séculos. O fato é que o conhecimento científico avança constantemente. Pensemos em quantos séculos de tentativas frustradas precederam o dia em que os humanos finalmente conseguiram produzir máquinas voadoras. Chegou-se a criar vários argumentos para afirmar que o vôo de um artefato mais pesado que o ar era impossível.

Em se tratando de biologia, temos exemplos de descobertas acidentais que mudaram o mundo quase do dia para a noite, como a descoberta da Penicilina. Ninguém garante que um dia, talvez até por acidente, seja criada vida em laboratório. E volto a insistir num argumento que sempre utilizo. Se em menos de um século em pequeninos laboratórios as condições simuladas foram capazes de produzir os compostos básicos da vida, o que a natureza não seria capaz ao longo de Bilhões de anos de condições reais em Todo o Planeta Terra?

Abiogênese


Ciência

O termo abiogênese (do grego a-bio-genesis, “origem não biológica”) designa de modo geral a origem da vida a partir de matéria não viva. No entanto há que se fazer distinções entre diferentes idéias ou hipóteses às quais o termo pode ser atribuido. Atualmente, o termo é usado em referência à origem química da vida a partir de reações em compostos orgânicos originados abioticamente. Idéias antigas de abiogênese também recebem o nome de geração espontânea, e essas foram há muito descartadas pela ciência; consistiam basicamente na suposição de que organismos mais complexos, dos que se observa diariamente, não se originassem apenas de seus progenitores, mas de “matéria bruta”.

Geração espontânea

Os primeiros defensores conhecidos das idéias nesse sentido foram Anaximandro, seu pupilo Anaxímenes, e outros como Xenófanes, Parmênides, Empédocles, Demócrito, e Anaxágoras. Sustentavam de modo geral que a geração espontânea ocorria, mas em versões variadas.

O defensor mais famoso dessa hipótese na antigüidade foi Aristóteles há mais de dois mil anos, e em sua versão, supunha a existência de um “princípio ativo” dentro de certas porções da matéria inanimada. Esse princípio ativo organizador, que seria responsável, por exemplo, pelo desenvolvimento de um ovo no animal adulto, cada tipo de ovo tendo um princípio organizador diferente, de acordo com o tipo de ser vivo. Esse mesmo princípio organizador também tornaria possível que seres vivos completamente formados eventualmente surgissem a partir da “matéria bruta”.

A idéia era baseada em observações – descuidadas, sem rigor científico atual – de alguns animais aparentemente surgirem de matéria em putrefação, ignorando a pré-existência de ovos ou mesmo de suas larvas. Isso antecedeu o desenvolvimento do método científico tal como é hoje, não havendo tanta preocupação em certificar-se de que as observações realmente correspondessem ao que se supunha serem fatos, levando a falsas conclusões.

Essas idéias sobre abiogênese eram aceitas comumente até cerca de dois séculos atrás. Ainda no século XIII, havia a crença popular de que certas árvores costeiras originavam gansos; relatava-se que, algumas árvores que davam frutos similares a melões, no entanto contendo carneiros completamente formados em seu interior. No século XVI, Paracelso, descreveu diversas observações acerca da geração espontânea de diversos animais, como sapos, ratos, enquias e tartarugas, a partir de fontes como água, ar, madeira podre, palha, entre outras. Cientistas de todos os campos do saber acreditavam, por exemplo, que as moscas eram originadas da matéria bruta do lixo. Já no século XVII Em resposta às dúvidas de Sir Thomas Browne sobre “se camundongos podem nascer da putrefação”, Alexander Ross respondeu:

Então pode ele (Sir Thomas Browne) duvidar se do queijo ou da [[madeira se originam vermes; ou se besouros e vespas das fezes das vacas; ou se borboletas, lagostas, gafanhotos, ostras, lesmas, enguias, e etc, são procriadas da matéria putrefeita, que está apta a receber a forma de criatura para a qual ela é por poder formativo transformada. Questionar isso é questionar a razão, senso e experiência. Se ele duvida que vá ao Egito, e lá ele irá encontrar campos cheios de camundongos, prole da lama do Nilo, para a grande calamidade dos habitantes.:
O médico belga J. B. Van Helmont, que posteriormente foi responsável por grandes experimentos sobre fisiologia vegetal, chegou a prescrever uma “receita” para a produção espontânea de camundongos em 21 dias. Segundo ele, bastava que se jogasse, num canto qualquer, uma camisa suja (o princípio ativo estaria no suor da camisa) e sementes de trigo para que dali a 21 dias fosse constatada a geração espontânea.

Essas conclusões errôneas se devem a falta de metodologia apropriada, limitando variáveis que pudessem trazer resultados falsos – como por exemplo, impedir que ratos já formados tivessem acesso à “receita” que supunha-se produzir ratos – aliada ao pressuposto de que a geração espontânea era mesmo possível.

Redi

O primeiro passo na refutação científica da abiogênese aristotélica foi dado pelo italiano Francesco Redi, que em 1668, provou que larvas não nasciam em carne que ficasse inacessível às moscas, protegidas por telas, de forma que elas não pudessem botar lá seus ovos. Em seu “Experiênias sobre a geração de insetos”, Redi disse:

Embora me sinta feliz em ser corrigido por alguém mais sábio do que eu caso faça afirmações errôneas, devo expressar minha convicção de que a Terra, depois de ter prodzido as primeiras plantas e animais, por ordem do Supremo e Onipontente Criador, nunca mais produziu nenhum tipo de planta ou animal, quer perfeito ou imperfeito…
Redi então supunha que a geração espontânea teria ocorrido apenas durante os primórdios da Terra. Hipotetizou que o que aparentava ser geração espontânea na verdade era oriundo de ovos serem depositados por moscas no material em putrefação. Admitiu a necesidade de testar essa hipótese. Formulou o experimento então de forma a limitar as variáveis de forma mais cuidadosa, deixando metade dos frascos tampados e outra metade destampada.

No entanto notou que essa metodologia também deixava alguma margem de erro. Enquanto as tampas dos frascos impediam o acesso das moscas, impediam também a renovação no ar no interior dos frascos, talvez então impedindo que o “princípio ativo” propiciasse a geração espontânea dos “vermes”. Para dar conta dessa parte do problema, aperfeiçoou o experimento, tampando os frascos com gaze, que permitia a entrada de ar. O resultado foi o mesmo; embora “vermes” não tivessem surgido dentro da carne, por ter sido impedido o acesso das moscas, apareceram vários no exterior da gaze, tentando forçar sua entrada, os quai foram removidos por Redi.

Assim, século XVII em diante foi gradualmente sendo demonstrado que, ao menos no caso de todos os organismos facilmente visíveis, a geração espontânea não ocorria, e que que cada ser vivo conhecido era proveniente de uma forma de vida pré-existente, a idéia conhecida como biogênese.

Needham e Spallanzani

A invenção e aperfeiçoamento do microscópio renovaram aceitação a abiogênese. Em 1683, Anton van Leeuwenhoek descobriu as bactérias, e logo foi notado que não importava o quão cuidadosamente a matéria orgânica fosse protegida por telas, ou fosse colocada em recipientes tampados, uma vez que a putrefação ocorresse, era invariavelmente acompanhada de uma miríade de bactérias e outros organismos. Não acreditava-se que a origem desses seres estivesse relacionada a reprodução sexuada, então sua origem acabou sendo atribuida à geração espontânea. Era tentador hipotetizar que enquanto formas de vida “superiores” surgissem apenas de progenitores do mesmo tipo, houvesse uma fonte abiogênica perpétua da qual organismos vivos nos primeiros passos da evolução surgiam continuamente, dentro de condições favoráveis, da matéria inorgânica.

John Needham, em 1745, realizou novos experimentos que vieram a reforçar a hipótese da vida poder originar-se por abiogênese. Consistiam em aquecer em tubos de ensaio líquidos nutritivos, com partículas de alimento. Fechava-os, impedindo a entrada de ar, e os aquecia novamente. Após vários dias, nesses tubos proliferavam enormes quantidades de pequenos organismos. Esses experimentos foram vistos como grande reforço a hipótese da abiogênese.

Mas em 1768, Lazzaro Spallanzani criticou duramente a teoria e os experimentos de Needham, através de experimentos similares, mas tendo fervido os frascos fechados com sucos nutritivos durante uma hora, que posteriormente foram colocados de lado durante alguns dias. Examinando os frascos, não encontrava-se qualquer sinal de vida. Ficou dessa forma demonstrado que Needham falhou em não aquecer suficientemente a ponto de matar os seres pré-existentes na mistura.

Isso no entanto não foi suficiente para descartar por completo a hipótese da abiogênese. Needham replicou, sugerindo que ao aquecer os líquidos a temperaturas muito altas, pudesse estar se destruindo ou enfraquecendo o “princípio ativo”. A hipótese de abiogênese continuava sendo aceita pela opinião pública, mas o trabalho de Spallanzani pavimentou o caminho para Louis Pasteur.

Pasteur

Foi principalmente devido ao grande biólogo francês Louis Pasteur, por volta de 1860, que a ocorrência da abiogênese no mundo microscópico foi refutada tanto quanto a ocorrência no mundo macroscópico. Contra o argumento de Needham sobre a destruição do princípio ativo durante a fervura, ele formulou o experimentos com frascos com “pescoço de cisne”, que permitiam a entrada de ar, ao mesmo tempo em que minimizavam consideravelmente a entrada de outros micróbios por via aérea.

Dessa forma, demonstrava que a fervura em si, não tirava a capacidade dos líquidos de manterem a vida, bastaria que organismos fossem neles introduzidos. O impedimento da origem da vida por falta do princípio ativo, também pode ser descartado, já que o ar podia entrar e sair livremente da mistura. O recipiente com “pescoço de cisne” permaneceu nessas condições, livre de micróbios durante cerca de um ano e meio.

A geração espontânea é descartada

Mais tarde, foi descobriu-se que esporos de bactérias estão tão envolvidos em membranas resistentes ao calor, que apenas prolongada exposição ao calor seco, tostador, pode ser reconhecida como processo eficiente de esterilização. Além disso, a presença de bactérias, ou seus esporos, é tão universal que apenas precauções extremas podem evitar a reinfecção de material esterilizado. Foi dessa forma concluido definitivamente que todos os organismos conhecidos surgem apenas de organismos vivos pré-existentes, o que recebe o nome de “lei” da biogênese.

Se todos os seres são provenientes de seus ancestrais, isso conduz logicamente a idéia de ancestralidade comum universal, mas suscita a pergunta de como teria surgido o primeiro ser vivo. A abiogênese – como origem da vida a partir de matéria não viva – deve ser necessariamente assumida a menos que se suponha que a vida tenha sempre existido. Estando essa hipótese descartada, ela deve ter surgido, e de algo que não era vivo. Estando também descartadas as teorias aristotélicas de abiogênese, nos restam os conceitos modernos ainda não conclusivos sobre como exatamente isso teria ocorrido.

Origem química da vida

Os experimentos de Louis Pasteur refutaram a abiogênese aristotélica, ou geração espontânea, mas não dizem nada quanto à origem química da vida – também chamada de biopoeise (do grego bio, vida, + poiéo, produzir, fazer, criar), evolução química, quimiossíntese, ou ainda, biogênese por Teilhard de Chardin. Essa forma de abiogênese supostamente ocorreu sob condições totalmente diferentes, dentro de períodos de tempo muito maiores, não sendo algo que se suponha poder ocorrer a qualquer instante, ou hoje em dia. O próprio Charles Darwin percebeu impedimentos básicos para que isso ocorresse:

Costuma-se dizer freqüentemente que todas as condições necessárias para o surgimento de um ser vivo encontram-se presentes agora como sempre se encontraram. Mas se (e como é grande esse se!) nós pudessemos imaginar que, nos dias de hoje, em alguma poçazinha tépida, com todos tipos de sais amoníacos e fosfóricos, luz, calor, eletricidade, etc., estando presentes, um composto protéico estivesse quimicamente formado e pronto para sofrer mudanças mais complexas, tal composto seria imediatamente devorado ou absorvido, o que não teria ocorrido antes dos seres vivos terem sido formados.
Além disso, diferentemente da abiogênese aristotélica, o conceito atual não propõe a origem espontânea de formas de vida complexas, de algo similar qualquer das espécies atuais, mas em vez disso uma origem mais singular da vida, decorrendo de um complexo processo gradual, com vários estágios. A vida nesses estágios provavelmente diferiria muito das formas atuais a ponto de tornar incerta sua classificação como “vida”, bem como a delimitação entre a “vida” e “não vida”, de forma similar à situação em que os vírus e príons se encontram hoje.

Nos últimos 120 anos, soube-se que não há diferença entre matéria viva e a “bruta” ou “inanimada”. Os seres vivos não são compostos de algo fundamentalmente diferente de outros objetos, nem têm um “princípio ativo” que lhes dá a vida. Carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio são os elementos predominantes dos seres vivos, e também encontram-se fora deles. A vida é uma questão de organização material de compostos formados por esses elementos. A abiogênese então se daria através de processos e etapas que cumulativamente produzissem a organização básica os seres vivos. O químico Friedrich Wöhler, ainda em 1828, demonstrou que compostos orgânicos podem formar-se a partir de substâncias inorgânicas em laboratório. Mais tarde, os químicos descobriram que os principais “tijolos” da vida, aminoácidos, nucleotídeos e lipídios, podem todos se formar, bastando existirem fontes de carbono, nitrogênio, e energia.

Não há uma teoria apenas para o processo, mas várias diferentes possibilidades, sem que qualquer uma seja grandemente vista como definitivamente melhor que a outra, apesar de haverem as que são mais populares. De grande valor histórico pode-se citar a teoria da “sopa primordial”, do cientista russo Aleksandr Ivanovitch Oparin, com ideías similares às formuladas independentemente por J. B. S. Haldane, ambos na década de 1920. Hipotetizavam que uma série de reações envolvendo a suposta química atmosférica na Terra primordial culminariam com a origem da vida.

Hipótese Oparin-Haldane

Segundo Oparin, em ambiente aquoso, compostos orgânicos teriam sofrido reações que iam levando a niveis crescentes de complexidade molecular, eventualmente formando agregados colóides, ou coacervados. Esses coacervados seriam aptos a se “alimentar” rudimentarmente de outros compostos orgânicos presentes no ambiente, de forma similar a um metabolismo primitivo. Os coacervados não eram ainda organismos vivos, mas ao se formarem em enormes quantidades, e se chocarem no meio aquoso durante um tempo muito longo, eventualmente atingiriam um nível de organização que desse a propriedade de replicação. Surgiria aí uma forma de vida extremamente primitiva.

Haldane supunha que os oceanos primordiais funcionassem como um imenso laboratório químico, alimentado por energia solar. Na atomsfera, os gases e a radiação UV originariam compostos orgânicos, e no mar formaria-se então uma sopa quente de enormes quantidades de monômeros e polímeros. Grupos desses monômeros e polímerios adquiririam membranas lipídicas, e desenvolvimentos posteriores eventualmente levariam às primeiras células vivas.

Estavam ao menos parcialmente corretos, quanto a origem de aminoácidos e outros tijolos básicos da vida, como comprovou-se com o experimento de Urey-Miller, em 1953, que simulava essas condições atmosféricas, e o de Juan Oró em 1961. Os experimentos foram repetidos com diversas atmosféricas hipotéticas, sempre obtendo resultados similares.

Posteriormente, Sidney Fox levou o experimento um passo adiante fazendo que esses tijolos básicos da vida se unissem em proteinóides – moléculas polipeptidicas similares a proteínas – por simples aquecimento. No trabalho seguinte com esses aminoácidos e pequenos peptídeos foi descoberto que eles podiam formar membranas esféricas fechadas, chamadas de microesferas. Fox as descreveu como formações de protocélulas, acreditando que fossem um passo intermediário importante na origem da vida. As microesferas tinham dentro de seu envoltório um meio aquoso, que mostrava movimento similar a ciclose. Eram capazes de aobsorver outras moléculas presentes no seu ambiente; podiam formar estruturas maiores fundindo-se umas com as outras, e em certas situações, destacavam-se protuberâncias minúsculas de sua superfície, que podiam se separar e crescer individualmente.

As pesquisas nesse sentido não pararam por aí, sendo ainda muito importantes os experimentos e hipóteses levantadas por nomes como Manfred Eigen, Sol Spiegelman, Thomas Gold, A. G. Cairns-Smith, e uma série de outros trabalhos mais atuais.

“Sempre que o homem depara com o inesperado, o exuberante espectáculo das coisas vivas, considera-o uma instância da geração espontânea da vida”. Afirmava Alexandre Oparin.

A expressão geração espontânea é a convicção de que algumas entidades físicas podem surgir espontaneamente, ao acaso, a partir da matéria inerte, sem progenitores naturais.

Aristóteles foi um dos cientistas que mais de evidenciou na defesa da teoria da geração espontânea, cujo pensamento influenciou os sábios do mundo ocidental durante muitos séculos. Há mais de 2.000 anos ele acreditava que a

vida podia originar-se espontaneamente da matéria bruta resolvendo, assim, o problema da origem da vida.

A sua hipótese baseava na existência de um “princípio activo”, dentro de certas porções de matéria, que não era considerado uma substância, mas sim uma capacidade de fazer determinada coisa. Esse princípio podia organizar uma sequência de factos, os quais produziriam a vida, isto é, um ser vivo, a partir da matéria bruta, desde que tivesse condições favoráveis. Baseando-se no conceito deste princípio activo, Aristóteles explicou porque um ovo fecundado podia se transformar num ser vivo.

Tais são os factos, os seres se originam não somente do cruzamento de animais, mas também da decomposição da terra… E entre as plantas a matéria procede da mesma maneira, algumas desenvolvem-se de sementes de certas partes vegetativas, outras por geração espontânea através de forças naturais, entre as quais do apodrecimento da terra.

A teoria da geração espontânea ficou mais enriquecida com o apoio de outros cientistas, tais como William Harvey, célebre por seus trabalhos sobre circulação sanguínea, René Descartes e Isaac Newton.

Jean Baptiste Van Helmont, grande adepto da teoria da geração espontânea mostrou que substâncias não vivas podiam originar seres vivos, a partir da elaboração de uma receita para produzir ratos: num ambiente escuro, colocou camisas sujas e algumas espigas de trigo. Verificou, após 22 dias a presença de pequenos ratinhos.

Porém, não levou em conta que esses ratos podiam vir de fora!

Um caso particular aceite por muitos cientistas era o da geração espontânea dos micróbios.

Com o aperfeiçoamento do microscópio por um naturalista holandês, Anton Leeu Wenhoek, que observou e descobriu minúsculos organismos, cuja existência era até então ignorada, tornou-se possível a explicação da origem desses minúsculos organismos a partir de duas correntes de pensamento: Por um lado, alguns cientistas acreditavam que os microorganismos originavam-se

espontaneamente da matéria não viva que lhes servia de alimento; por outro

lado, outros, incluindo o Leeu Wenhoek, acreditavam que as “sementes” ou

“germes” dos micróbios encontravam-se no ar e, ao cair em ambientes propícios, cresciam e reproduziam-se. Para o primeiro grupo de cientistas, a teoria da geração espontânea foi suficiente para explicar a origem dos microorganismos.

As experiências continuaram, desta vez com o cientista francês Jablot. Na sua experiência surgiria uma origem externa dos micróbios que fecundam em soluções contendo matéria orgânica; concluiu que a origem desses microorganismos deve-se à existência de sementes no ar. Isto porque, se as infusões fossem fervidas por algum tempo e depositadas num recipiente fechado, elas permaneciam livres dos micróbios por vários dias. Bastava abrir esse recipiente para que os micróbios reproduzissem. O cientista John Needham descreveu que os microorganismos surgem em muitos tipos de infusões, independentemente do tratamento que recebem: fechados ou não fechados, fervidos ou não fervidos.

John Needham, depois de ter realizado inúmeras experiências, concluiu que a origem desses microorganismos era a abiogenese. Nessas experiências utilizou sucos vegetativos e outros líquidos que continham pequenas partículas de alimentos; colocou os líquidos dentro de tubos de ensaio fechados, a fim de impedir a entrada do ar e depois aqueceu a mistura. Passados alguns dias tornou a aquecê-la tendo verificado, de seguida, que estava cheia de pequenos organismos. “A hipótese da geração espontânea é possível” afirmara ele.

Vinte e cinco anos mais tarde, Lazaro Spalanzzani(padre)teceu severas críticas a essas conclusões de Needham. Elaborou experiências idênticas àquelas realizadas por este: arranjou frascos contendo várias soluções nutritivas preparadas com água e substâncias diversas, como grão de milho, cevada e ovos.

Após vertê-las nos frascos, selou as extremidades dos mesmos para impedir a entrada do ar e ferveu-os durante uma hora com o objectivo de destruir os organismos que pudessem conter. Em seguida, arrefeceu-os e manteve-os fechados por vários dias. Quando os abriu, não encontrou germes.

Como se vê, obteve resultados diferentes. Para Lazaro, Needham não tinha aquecido os tubos suficientemente para provocar a morte de todos os seres vi- vos neles existentes, pois, mesmo depois de aquecidos, poderia haver uma certa quantidade desses seres, que reproduziriam logo que os tubos arrefecessem.

Needham considerou um pouco absurda esta hipótese.

Como é que aquecendo um líquido a uma temperatura muito alta, poderiam existir ainda seres vivos, uma vez que a essa temperatura, a força vegetativa seria destruída? A abiogénese continuou a persistir pelo facto da opinião pública comungar da mesma ideia de Needham!

A descoberta do oxigénio levou com que os defensores desta teoria encontrassem mais um ponto de apoio. Sendo esse gás essencial à vida, eles explicaram os resultados da experiência de Lázaro da seguinte maneira: ” a vedação hermética e o aquecimento prolongado recomendado por lázaro impedia a reprodução de micróbios, os germes aí existentes não eram destruídos, mas sim o oxigénio, que é importante à geração espontânea e à sobrevivência dos germes”.

Uma crença tão firmemente arrugada que qualquer alegação da sua ocorrência seria encarada com total descrença. Esta descrença categórica é o produto de uma evolução muito lenta. Sem o conhecimento da doutrina da continuidade genética, a ideia de que larvas de insectos, ratos e vermes pudessem ser gerados de matéria não viva em ridiculamente exagerada. O que aconteceu ao longo do tempo foi que alegações para origem abiogenética de animais relativamente grandes e complexos como sapos e ratos foram completamente abandonadas até que, por fim, bactérias, fungos e microorganismos foram as únicas criaturas que se pensou que pudessem originar-se espontaneamente.

A geração espontânea foi desacreditada pelos trabalhos do cientista Louis Pasteur, apesar do galarim de apoiantes ilustres ao longo dos tempos. A ideia dessa hipótese foi limitada à possibilidade de que as bactérias pudessem originar-se de novo dos fluídos internos e em caldos de carne alimentícios.

A importância das famosas experiências de Pasteur foi mostrar que muitos exemplos da declarada geração espontânea da bactéria estavam sujeitos a uma outra interpretação nomeadamente à contaminação dos fluídos nutrientes contidos em frascos por microorganismos presentes no ar.

É hoje geralmente aceite que a geração espontânea não ocorre.

Abiogênese X Biogênese


Ciência

Várias hipóteses foram formuladas para se explicar o surgimento da vida em nosso planeta, no qual acreditavam que este processo se dava não só por cruzamentos entre si, mas também, a partir de uma matéria bruta. Essa idéia foi proposta por Aristóteles há mais de 2000 anos.

Aristóteles – ± 383 a.C -> Surgimento da vida seria a partir de princípios ativos contidos em certos alimentos, que quando ingeridos poderiam ser ativados. (Abiogênese).

Francesco Redi – séc XVII -> a vida só se origina a partir de outra preexistente, desde que encontre meio favorável ao seu desenvolvimento (Biogênese).

Anton Leeuwenhoek - (poucos anos depois) -> aperfeiçoou o microscópio, revelando que os microorganismos tivera seus próprios meios de reprodução.

Louis Pasteur - ± 1895 -> Provou com seus experimentos que um meio estéril em contato com o ar contaminado, permitia a proliferação de microorganismos, logo, a teoria da abiogênese caiu por terra.

Resolvido este problema a Ciência depara-se com outro enigma: “Se a vida surge de vida preexistentes, como e quando apareceu o primeiro ser vivo?”

Nesse sentido, surgiram várias hipóteses na qual a heterotrófica é mais aceita apesar de concordar com a abiogênese no sentido de ser originada de matéria bruta, mais por outro lado admite uma evolução mais lenta e que necessitaria de matéria orgânica pré-fabricada para garantir sua sobrevivência.

A Terra com aproximadamente 5 bilhões de anos só começou a ser povoada 3,5 bilhões de anos atrás, quando ela criou meios favoráveis para desenvolvimento de seres vivos. A partir de 1954 os cientistas Miller, Fox e Calvin reproduziram através de experimentos as condições prováveis de vida na atmosfera primitiva, nos quais demonstraram a possibilidade da formação de compostos orgânicos (aminoácidos, proteínas e carboidratos) que naquele período seriam arrastados pelas águas das chuvas até os mares primitivos e lá se depositariam misturados as águas e a outros compostos orgânicos e inorgânicos que ao seu tempo foram se englobando, constituindo a base física na qual se formaria a vida.

O surgimento da vida seria dada através da energia extraída de carboidratos pelo processo de fermentação (respiração aeróbia), dando possibilidades para que surgissem nucleotídeos, ácidos nucléicos, onde favoreceria o surgimento de um ambiente equilibrado dotado de capacidade de auto duplicação. Com o tempo, a escassez de energia e matéria-prima faria com que a vida criasse outra forma de sobrevivência no qual a energia solar passaria a ser aproveitada dando origem aos primeiros seres autrótofos (produzem seus próprios alimentos ), com isso a Terra passaria a conhecer uma novo gás – Oxigênio, que propiciaria o aparecimento de seres aeróbicos, capazes de extrair energia de alimentos e com rendimentos superiores ao processo fermentativo.

 

A primeira teoria criteriosa sobre a origem da vida surge na Grécia Antiga, com Aristóteles, que formula a hipótese de geração espontânea. Até então, predominavam as explicações religiosas e místicas. A doutrina de Aristóteles domina os meios científicos por quase 2 mil anos. Só em 1864 que Pasteur prova que a vida surge sempre a partir de outra forma de vida semelhante e não de matéria inorgânica.

GERAÇÃO ESPONTÂNEA ou ABIOGÊNESE

Segundo o princípio da geração espontânea ou abiogênese formulado por Aristóteles, alguns seres vivos se desenvolvem a partir da matéria inorgânica em contato com um princípio vital, ou “princípio ativo”. A vida surgiria sempre que as condições do meio fossem favoráveis. Mosquitos e sapos, por exemplo, brotariam nos pântanos. De matérias em putrefação, apareceriam larvas.

BIOGÊNESE

Em 1864 o químico e biologista francês Louis Pasteur (1822-1895) realiza uma série de experiências com os frascos com “pescoço de cisne” e demonstra que não existe no ar ou nos alimentos qualquer “princípio ativo” capaz de gerar vida espontaneamente. Abre caminho para a biogênese, segundo a qual a vida se origina de outro ser vivo preexistente.

Experimentos que provam a biogênese:

Redi – Em 1968,colocou alguns vermes em um recipiente fechado e observou que eles se transformaram em casulos ovóides, e de cada um desses casulos saiu uma mosca. Demonstrando com isso que as larvas presentes na carne em putrefação se desenvolvem a partir de ovos de moscas e não pela transformação da carne.
Spallanzani -pegou um caldo e aqueceu-o até um determinado tempo que matou os vermes, depois fechou-o com um rolha e verificou-se que passados alguns dias continuaram livres dos vermes.
Origem da vida na Terra

Até hoje não existe uma resposta científica definitiva sobre a origem da vida no planeta. A primeira idéia foi a de que a vida teria vindo do espaço, fruto de uma “semente” de outro planeta. Hoje a hipótese mais difundida é a da origem terrestre. A vida surge há cerca de 3,5 bilhões de anos quando o planeta tem uma composição e atmosfera bem diferentes das atuais. As primeiras formas surgem em uma espécie de caldo de cultura resultante de complexas reações químicas e de radiação cósmica.

QUIMIOSSÍNTESE

É a hipótese de que as primeiras formas de vida na Terra estão condicionadas à existência prévia de compostos orgânicos (proteínas, carboidratos, lipídios e ácidos nucléicos). A energia necessária para a síntese destes complexos seria fornecida pelas radiações ultravioleta e cósmica. Em 1936 Alexander Oparin propõe que a partir de gases da atmosfera primitiva formam-se os primeiros compostos orgânicos que evoluem naturalmente até originarem os primeiros seres vivos. Segundo ele depois do resfriamento da superfície permitiu que a água se acumulasse nas depressões da crosta, as chuvas constantes devem ter arrastado as moléculas originadas na atmosfera para os lagos e mares em formação.O acúmulo dessa substâncias por centenas de milhares de anos, teria transformado os lagos primitivos em verdadeiros ‘caldos’ de substância precursoras da vida.

TEORIA DOS COACERVADOS

Anos depois, Oparin diz que as moléculas protéicas existentes na água se agregam na forma de coacervados (complexos de proteína). Essas estruturas, apesar de não serem vivas, têm propriedades osmóticas e podem se unir, formando outro coacervado mais complexo. Da evolução destes coacervados, surgem as primeiras formas de vida.

Introdução

Através dos séculos, muitas hipóteses têm sido propostas para explicar a origem da vida na face da Terra. Até fins do século passado, a hipótese mais simples, aceita pelo povo em geral pela maior parte dos cientistas, era que seres vivos podem se originar de material não vivo.

A teoria que diz que seres vivos podem, em determinadas condições, formar-se a partir de matéria bruta, denomina-se Abiogênese ou Teoria da Geração Expontânea . Apesar de ainda aceita por alguns indivíduos de pouca instrução, esta teoria está morta, cientificamente, desde fins do século XIX. A queda definitiva da abiogênese foi causada pelas brilhantes experiências de Louis Pasteur .

A queda da teoria da geração expontânea causou, entretanto, grande polêmica em torno do problema da origem da vida: como apareceram os seres vivos, se eles não podem se originar da matéria bruta ? A explicação mais simples foi atribuir a origem da vida a uma criação divina. A primeira apresentação científica do problema foi o livro “A origem da vida”, do químico russo A I Oparin, é verdadeira e que , realmente, os seres vivos devem sua origem a certas propriedades físicas e químicas da Terra primitiva. Nada de sobrenatural parece Ter sido envolvido na origem dos seres vivos, apenas tempo e leis físicas e químicas naturais, operando nas condições reinantes num ambiente primitivo.

Em experiências bem elaboradas, nas quais as condições da Terra primitiva são simuladas os cientistas têm sido capazes de reproduzir, no laboratório alguns passos importantes, que há bilhões de anos devem Ter contribuído para a formação dos primeiros seres vivos.

Geração Espontânea

A crença na geração espontânea vem desde tempos remotos. Povos antigos da China, da Índia e do Egito já eram adeptos desta teoria. Foi Aristóteles, entretanto, o maior divulgador da geração espontânea (abiogênese). Este filósofo, baseado em suas observações , concluiu que seres inferiores podem originar-se, espontaneamente, de matéria não viva.

Até fins da idade média, filósofos e cientistas ilustres como Willian Harvey, célebre por seus trabalhos sobre circulação sangüínea, René Descartes e Isaac Newton, aceitavam a geração espontânea.

Jean Baptitste van Helmot, célebre médico de Bruxelas, autor de brilhantes trabalhos sobre fisiologia vegetal, foi um grande adepto da teoria da geração espontânea. Helmot chegou a elaborar uma “receita” para produzir ratos por geração espontânea. Dizia ele: “coloca-se, num canto sossegado e pouco iluminado, camisas sujas. Sobre elas espalham-se grãos de trigo e o resultado será que, em 21 dias, surgirão ratos”.

A hipótese que os ratos vêm de fora não era levada em consideração.

Em 1688, com uma experiência simples, mas bem controlada, o médico e biologista italiano Francesco Redi pôs abaixo a teoria da geração espontânea.

Para observar o comportamento dos “vermes” que aparecem na carne em putrefação. Redi colocou alguns destes organismos num recipiente fechado. Após alguns dias , os vermes tornaram-se imóveis e assumiram formas ovais, escuras e duras.
As cascas duras quebraram-se após alguns dias , e do interior de cada uma saiu uma mosca, semelhantes as que são vistas diariamente nos açougues ,sobrevoando a carne. Destas observações, Redi concluiu que os “vermes”da carne podre constituem uma etapa do ciclo de vida de certas espécies de mosca .Estas larvas então, deveriam surgir de ovos colocados pelas próprias moscas na carne e não por geração espontânea : a carne servia apenas como alimento para as larvas.Para ostentar esta hipótese. Redi realizou a seguinte experiência : colocou pedaços de carne em alguns frascos de boca larga, tapou metade dos frascos com uma tela, enquanto a outra metade ficava aberta. Nos frascos abertos, onde as moscas entravam e saiam ativamente , surgiu uma grande quantidade de larvas. Nos frascos fechados, onde as moscas não conseguiam entrar, não apareceu nenhuma larva, apesar de muitos dias terem se passado desde que a carne fora lá colocada.

Com essa experiência simples, Redi demonstrou que as larvas da carne podre desenvolvem-se de ovos de moscas e não da transformação da carne, como haviam afirmado os adeptos da abiogênese.

Os resultados de Redi fortaleceram a Biogênese, isto é, a teoria que admite a origem de um ser vivo somente a partir de um ser vivo.

Biogênese versus Abiogênese

Em meados do século XVII, utilizando um microscópio rudimentar, o holandês Antoine Van Leeuwenhoek descobriu seres microscópicos. Esta descoberta foi revelada ao mundo através da descrição de uma infinidade de seres microscópicos, tais como: protozoários, alagas , fungos e bactérias.

Para explicar a origem dos minúsculos seres descobertos por Leeuwenhoek , o mundo científico dividiu-se em duas escolas. Alguns cientistas acreditavam que os microorganismos originavam-se espontaneamente da matéria não viva que lhes serviu de alimento. Com essa hipótese, a teoria da geração espontânea voltava a tomar vulto. Outros cientistas, inclusive Leeuwenhoek acreditavam que as “sementes” ou “germes” dos micróbios estavam no ar e que, caindo em ambientes propícios cresciam e se reproduziam.

Em 1711, o cientista francês Joblot ,publicou suas experiências que sugerem uma procedência externas dos micróbios que proliferam nas infusões. Joblot verificou que uma grande quantidade de micróbios aparecem numa infusão de feno em água fria. Entretanto se estas mesmas infusões forem fervidas por 15 minutos e depositadasem recipientes fechados , elas permanecem livres de micróbios por vários dias. Basta, entretanto, abrir estes tubos ao ar para que micróbios proliferem rapidamente em seu interior.

Com os resultados de Joblot, o problema da origem dos microorganismos parecia estar resolvido : estes seres originam-se de “sementes” existentes no ar. Entretanto, em 1749, o cientista John Nedhan relata que microorganismos surgem de muitos tipos de infusões, independentemente do tratamento que recebam: fechadas ou não fechadas, fervidas ou não fervidas.

Os resultados de Nedhan deram novo apoio à teoria da geração espontânea.

Alguns anos após as publicações de Nedhan , o pesquisador Lázzaro Spallanzani demonstrou, em uma série de experiências, que o aquecimento de infusões Hermeticamente fechadas impede o aparecimento de micróbios, apesar de ser variável a duração do aquecimento necessário para tornar estéreis diferentes tipos de infusões .

Baseado em seus experimentos, Spallanzani criticou Nedhan violentamente. Ele sugeriu que o aquecimento e a vedação, a que Nedhan submeteu suas infusões, não tinham sido suficientes para esterilizar o meio nutritivo, isto é, matar todas as “sementes” ou “germes” presentes na infusão e evitar a entrada de outros. Spallanzani acreditava que os “germes” ou “sementes” de micróbios são levados às infusões pelo ar, sendo esta a explicação para a suposta geração espontânea de micróbios em infusões muito bem aquecidas. Para Spallanzani, não havia tampo mecânico, se não a vedação hermética, capaz de impedir a passagem das “sementes” de micróbios. Nas experiências de Nedhan poderia Ter ocorrido passagem de germes através da tampa.

Em fins do século XVIII, com a descoberta do oxigênio e a demonstração de que este gás é essencial à vida, os defensores da Biogênese encontraram um novo ponto de apoio. Explicaram os resultados de Spallanzani da seguinte maneira: a vedação hermética e o aquecimento prolongado, recomendados por Spallanzani impedem a ploriferação de micróbios, não porque destroem germes existentes na infusão, mas porque excluem o oxigênio necessário à geração espontânea e à sobrevivência dos germes.
Apesar da controvérsia existente sobre a teoria da geração espontânea no mundo científico da época, um confeiteiro parisense, françois Appert , utilizou sabiamente as experiências de Spallanzani. Qualquer que fosse o motivo da esterilização das infusões de Spallanzani, fosse pela morte dos seres ali existentes, fosse pela alteração das condições necessárias à geração da vida, estava claro que um líquido nutritivo, colocado em recipiente hermeticamente fechado e aquecido durante certo tempo, tornava-se estéril. Baseado neste princípio, Appert inventou a indústria de enlatados: alimentos colocados em recipientes hermeticamente fechados e aquecidos durante certo tempo não estragam.

No início do século XIX, através de engenhosas experiências, ficou demonstrado que a proliferação de microorganismos não ocorre em infusões que tenham sido adequadamente aquecidas, mesmo quando expostas ao ar, desde que esse ar esteja isento de qualquer germe. Schwann, em 1837, infiltrando o ar previamente auqecido em uma infusão fervida verificou que a infusão permanecia estéril. Schroeder e Von Dusch, em 1854, conseguiram impedir o crescimento microbiano em infusões de carne previamente fervida, mesmo oassando, através dela, ar filtrado em algodão.

Por volta de 1860, o cientista francês Ouis Pasteur demonstrou que germes microscópicos estão presentes no ar, sobre o corpo dos animais e do homem, sobre os utensílios usados nas experiências e sobre as demais coisas expostas ao ar. Demonstrou, ainda, que todas as “gerações espontâneas” de microorganismos resultam, na realidade da contaminação dos tubos de cultura por germes do ar. Uns poucos micróbios do ar, encontrando um meio rico em alimentos, reproduzem-se rapidamente, originando, em questão de horas, milhões de descendentes.

Com experiências de frascos tipo “pescoço de cisne” , Pasteur demonstrou que uma solução nutritiva, previamente esterilizada, mantém-se estéril indefinidamente, mesmo na presença de ar, desde que, a entrada de germes seja impedida.

Praticamente destruída pelas experiências de Pasteur, a teoria da geração espontãnea de microorganismos recebeu um último golpe com as experiências de Tyndall. Este cientista, em suas experiências sobre abiogênese , verificou que infusões de feno seco são muito mais difíceis de serem esterilizadas que outros tipos de infusões. Ele verificou que os cinco minutos de fervura, normalmente usados para esterilizar as infuzões, são insuficientes para esterilizar as infuzões de feno seco. Mesmo prolongando-se a fervura por uma hora ou mais, as infusões de feno não se tornam estéreis. Após muitas experiências, Tyndall compreendeu o que estava ocorrendo: no feno seco existem formas bacterianas, muito mais resistentes ao calor que qualquer outro micróbio (sendo que as bactérias tem duas fases: umas resistente ao calor que é chamada de esporo e outra sensível ao calor, forma vegetativa.

Tyndall desenvolveu um método para esterilizar infusões de feno. Este método pode ser empregado para esterilizar qualquer meio que contenha esporos de bactérias. As infusões são colocadas em repouso (são colocadas em temperaturas altamente quentes), formando assim um ambiente adequado para a formação de bactérias. Os esporos começam a germinar, e germinam bactérias não sensíveis ao calor. Sendo assim estas bactérias que surgiram são eliminadas pelo calor.

Com a publicação dessas experiências, foi descartado defitivamente a teoria da geração espontânea.

A partir daqui, vamos explicar todo processo da origem da vida (as teorias que são mais aceitas hoje)

A formação da Terra:

“Se um ser vivo só pode se originar de outro ser vivo, como então surgiu o primeiro?” Para essa pergunta podem ser apresentadas duas hipóteses:

a) a vida surgiu por criação divina
b) a vida surgiu da evolução gradual de sistemas químicos

A primeira hipótese foi a que dominou o pensamento dos povos antigos, presente nos documentos religiosos. Mas é a segunda, através de estudos científicos é a que possui maior probabilidade da verdade.

No início da formação dos planetas, a temperatura era tão alta que as ligações q uímicas eram impossíveis… Entretanto, o contato com o espaço cósmico gelado fez com que as superfícies dos planetas resfriassem gradualmente. E com esse resfriamento a maior parte dos átomos ligaram, formando elementos químicos essenciais para o desenvolvimento de uma vida. Durante alguns milhões de anos, a Terra continuou no processo de resfriamento até chegar na temperatura atual… as águas das tempestades que aqui caiam quase não pararam aqui, evaporavam logo.

Como ainda faltava oxigenio na atmosfera primitiva, uma grande quantidade de radiação ultra-violeta, presente na luz solar, atingisse a superfície terrestre.

E foi um processo demorado, até que as primeiras moléculas começaram a ser formar. As radiações e descargas elétricas, fizeram com que moléculas rompesse, e o pedaço dessas moléculas denominadas de radicais livres, foram através das chuvas para os oceanos, onde se acumularam.

Na década de 1920, cientistas propuseram que as moléculas quebradas (radicais livres) formavam os seres vivos atuais, nas condições da Terra naquela época.

Esta hipótese foi testada em laboratório e deu certo…

A Origem dos primeiros seres vivos:

Á partir desses fenômenos que faziam a molécula “quebrar” (calor dos vulcões, descargas elétricas e tempestades) formou-se uma grande “sopa” no Oceano, que dava condições de que os primeiros seres vivos aparecessem.
Então, com isso pode-se concluir que a vida surgiu nos oceanos… Esta é atualmente a hipótese mais aceita sobre a origem da vida.

Abaixo, um esqueminha de como a vida surgiu: (Vc quer o esquema? então mande um e-mail para gabipe2@bol.com.br solicitando-o)

Big Bang

Teoria mais aceita sobre a origem do Universo , é enunciada em 1948 pelo cientista russo naturalizado norte-americano George Gamow (1904-1968). Segundo ela, o Universo teria nascido de uma grande explosão cósmica, o Big Bang, entre 8 bilhões e 20 bilhões de anos atrás. Até então, as estruturas do Universo concentravam-se em um único ponto, de temperatura e densidade energética altíssimas. Esse ponto explode – é o instante inicial – e começa assim a sua expansão, que continua até hoje.

O Universo primitivo é uma mistura de partículas subatômicas (quarks, elétrons, neutrinos e suas antipartículas) que se movem em todos os sentidos a velocidades próximas à da luz. As primeiras partículas pesadas, prótons e nêutrons, associam-se para formar os núcleos de átomos leves, como hidrogênio, hélio e lítio, que estão entre os principais elementos químicos do Universo. Ao expandir-se, o Universo também resfria-se, passando da cor violeta à amarela, depois laranja e vermelha. Cerca de 1 milhão de anos após o instante inicial, a matéria e a radiação luminosa separam-se e o Universo torna-se transparente: com a união dos elétrons aos núcleos atômicos, a luz pode caminhar livremente. Cerca de 1 bilhão de anos depois do Big Bang, os elementos químicos começam a unir-se para originar as galáxias.

A Teoria do Big Bang baseia-se em parte na Teoria da Relatividade do físico Albert Einstein (1879-1955) e nos estudos dos astrônomos Edwin Hubble (1889-1953) e Milton Humason (1891-1972), que demonstram que o Universo não é estático e se encontra em expansão. A hipótese, admitida pela maioria dos astrofísicos, apóia-se na constatação de que as galáxias se afastam umas das outras numa velocidade proporcional à sua distância da Terra.

Os estudos sobre o Big Bang ganham novo impulso em 1964 e 1965, com a descoberta, pelos radioastrônomos Arno Penzias (1933-) e Robert Wilson (1936-), de um possível traço “fóssil” dessa grande explosão cósmica: um ruído que recebe o nome de radiação cósmica de fundo. O ruído, detectado durante a medição do som da Via Láctea, é um sinal estático uniforme e constante que não provém de nenhuma fonte determinada e sugere a existência de uma energia térmica residual através do Universo. Em 1990, o satélite Cosmic Background Explorer (Cobe), lançado pela Nasa (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), faz um mapeamento das regiões onde existe essa energia.

A grande questão que norteia a astronomia atual – introduzida por Hubble, o pai da cosmologia moderna – é a determinação de uma velocidade mais precisa para a expansão do Universo. Os cientistas acreditam que as observações do telescópio espacial Hubble , lançado pelos EUA em 1990, podem contribuir decisivamente para a sua solução

Origem da vida

Processo pelo qual surge a vida na Terra e que até hoje não foi totalmente definido pela Ciência. As formas de vida mais antigas conhecidas são bactérias de 3,5 milhões de anos. A reprodução dos seres vivos é controlada por substâncias chamadas ácidos nucléicos, DNA e RNA, material hereditário que passa de um organismo a outro. O desafio é esclarecer como se formaram os ancestrais dessas moléculas complexas.

Na década de 20, o bioquímico russo Aleksandr Ivanovich Oparin (1894-1980) e o geneticista britânico John Burdon Sanderson Haldane (1892-1964) afirmam que as moléculas que teriam dado origem à vida surgiram em oceanos primordiais. Essa idéia é testada em 1953 pelos químicos norte-americanos Stanley Lloyd Miller (1930-) e Harold Clayton Urey (1893-1981), que reproduziram em laboratório as condições desses oceanos e, a partir daí, conseguiram produzir compostos orgânicos essenciais (aminoácidos).

Essa experiência e outros estudos permitiram a formulação da teoria mais aceita sobre a origem da vida. Segundo ela, há cerca de 3,8 bilhões de anos a atmosfera terrestre era composta basicamente de metano (Ch2), amônia (NH3), vapor d’água (H2O), hidrogênio (H) e nitrogênio (N). O excesso de calor provocado pelos vulcões, radiação ultravioleta e descargas elétricas favorece a combinação desses elementos resultando em moléculas orgânicas simples como os aminoácidos, açúcares e ácidos graxos. Essas moléculas se depositaram nos oceanos formando o caldo primordial. Ali elas reagiram e deram origem a moléculas orgânicas maiores, parecidas com o RNA (ácido ribonucléico) de hoje.

Capazes de se auto-reproduzirem e de evoluírem, as moléculas adquiriram membranas por um processo ainda desconhecido e individualizaram as primeiras células, que têm RNA como seu material genético. Aos poucos, começam a surgir células nas quais o RNA é substituído pelo DNA , uma molécula mais estável.

Por um processo de seleção natural, a estrutura que sobrevive é a célula de DNA (ainda sem núcleo organizado – procarionte), considerada a ancestral de todos os seres vivos.

O princípio básico da vida é a origem de algum modo de duplicação do ser vivo movido por uma fonte externa de energia. Um ser vivo é essencialmente um motor que converte formas de energia para a realização de todas as suas atividades, desde a respiração até a reprodução. Nos casos das plantas, por exemplo, a fonte é a radiação solar, que é convertida em uma forma de energia aproveitável no processo de fotossíntese. As formas primitivas de vida passaram por algum tipo de seleção natural que favoreceu as moléculas capazes de absorver energia do meio com mais facilidade e de se reproduzir mais rapidamente.

Experimentos de Redi


FRANCESCO REDI

Francesco Redi (1626-1697): tentou combater a idéia de Aristóteles fazendo experiências com pedaços de carne e frascos de vidro (metade abertos e outra metade coberto com gazes). Após alguns dias pode-se notar que os “vermes”(larvas de mosca) apareciam apenas nos frascos abertos. Foi provado que os insetos eram atraídos pela carne em decomposição. Foi fortalecida a teoria da biogênese.

No século XVII, o cientista Francisco Redi (1626-1698) realizou experiências controladas para provar que a Geração Espontânea era equivocada.

Para provar que os vermes em cadáveres não surgiam por Geração Espontânea, ele realizou experimentos controlados:

1º experimento

Redi mostra que as larvas desaparecem depois de terminar de comer a carne.

2º experimento

Redi comprova que as larvas que foram aprisionadas passaram pela metamorfose e se transformaram em moscas.

3º experimento

Redi demonstra que nos frascos tampados não há o surgimento de larvas.

4º experimento

Redi comprova que, mesmo com a penetração do ar através do tampo de gaze, não há o surgimento de larvas.
Com estes resultados, Redi comprovou que as larvas eram oriundas de ovos postos por moscas que pousavam sobre a carne (biogênese) e não surgiam por Geração Espontânea (abiogênese).

ORGANIZAÇÃO CELULAR


( PROCARIOTOS X EUCARIOTOS )


Desenho representando uma célula eucariótica animal típica.

A microscopia eletrônica demonstrou que existem fundamentalmente duas classes de células: as procarióticas , cujo material genético não está separado do citoplasma por uma membrana e as eucarióticas, com um núcleo bem individualizado e delimitado pelo envoltório nuclear. Embora a complexidade nuclear seja utilizada para dar nome as duas classes de células, há outras diferenças importantes entre procariontes e eucariontes.

Do ponto de vista evolutivo (ver origem das células no capítulo anterior), considera-se que os procariontes são ancestrais dos eucariontes. Os procariontes surgiram há cerca de 3 bilhões de anos ao passo que os eucariontes há 1 bilhão de anos. E apesar das diferenças entre as células eucarióticas e procarióticas, existem semelhanças importantes em sua organização molecular e em sua função. Por exemplo, veremos que todos os organismos vivos utilizam o mesmo código genético e uma maquinaria similar para a síntese de proteínas.

As células procarióticas caracterizam-se pela probreza de membranas, que nelas quase se reduzem à membrana plasmática. Os seres vivos que têm células procarióticas compreendem as bactérias e as cianofíceas ou algas azuis.


Eletromicrografia de uma Célula Eucariótica (Notar Núcleo, Mitocôndrias, Lisossomos, Complexo de Golgi)

As células eucarióticas, por definição e em contraste com as células procarióticas, possuem um núcleo (caryon, em Grego) que contém a maioria do DNA celular envolvido por uma dupla camada lipídica. O DNA é assim mantido num compartimento separado dos outros componentes celulares que se situam num citoplasma, onde a maioria das reações metabólicas ocorrem. No citoplasma, no entanto, organelas distintas podem ser reconhecidas. Dentre elas, duas são proeminentes, os cloroplastos (nas células vegetais) e as mitocôndrias (animais e vegetais), envoltas numa bicamada de membrana que é distinta da membrana nuclear. Ambas as organelas possivelmente têm origem simbiótica.


Eletromicrografia de uma bactéria (Procarioto)

Apesar de possuírem uma estrutura relativamente simples, as células procarióticas são bioquimicamente versáteis e diversas: por exemplo todas as principais metabólicas são encontradas em bactérias, incluindo os três processos para obtenção de energia: glicólise, respiração e fotossíntese.
Veja mais detalhes dos procariotos no Capítulo referente as Bactérias.

Comparação entre Organismos Procariotos e Eucariotos

Procariotos

Eucariotos

Organismo

bactéria e cianofícea
protista, fungos, plantas e animais

Tamanho da Célula

geralmente de 1 a 10 micrometros
geralmente de 5 a 100 micrometros

Metabolismo

aeróbico ou anaeróbico
aeróbico

Organelas

poucas ou nenhuma
núcleo, mitocôndrias, cloroplasto, reticulo endoplasmático, complexo de Golgi, lisossomo, etc.

DNA

DNA
circular no citoplasma longas moléculas de DNA contendo muitas regiões não codificantes: protegidos por uma membrana nuclear

RNA e Proteína

Sintetizados no mesmo compartimento
RNA sintetizado e processado no núcleo, Proteínas sintetizadas no citoplasma.

Citoplasma

ausência de citoesqueleto: fluxo citoplasmático, ausência de endocitose e exocitose
citoesqueleto composto de filamentos de proteínas, fluxo citoplasmático, presença de endocitose e exocitose

Divisão celular

cromossomos se separa atracado à membrana
cromossomos se separam pela ação do fuso do citoesqueleto

Organização Celular

maioria unicelular
maioria multicelular, com diferenciação de muitos tipos celulares.

Composição química aproximada de uma bactéria típica e uma célula típica de mamífero.

Componente

Bactéria – E. coli

Célula de mamífero

Água

70 %

70 %

Íons Inorgânicos (Na, K, Mg, Ca, Cl, etc.)

1 %

1 %

Pequenos Metabólitos

3 %

3 %

Proteínas

15 %

18 %

RNA

6 %

1,1 %

DNA

1 %

0,25 %

Fosfolipídios

2 %

3 %

Outros Lipídios

2 %

Polissacarídeos

2 %

2 %

Volume total da Célula

2 x 10^-12 cm cúbicos

4 x 10^-9 cm cúbicos

Volume Relativo da Célula

1

2000

A célula procariótica mais bem estudada é a bactéria Escherichia coli. Dada a sua simplicidade estrutural, rapidez de multiplicação e não patogenicidade. A E. coli revelou-se excelente para os estudos de biologia molecular.

Nós podemos dividir organização da vida na Terra nos seguintes níveis hierarárquicos:

-Átomos

-Moléculas

-Organelas

-Células

-Tecidos

-Orgãos

-Organismos

-Populações

-Comunidades

-Ecosistemas

-Biosfera

TEORIA CELULAR


Um dos princípios fundamentais da biologia é que todos os seres vivos são formados por células: apenas uma nos organismos unicelulares, muitíssimas nos pluricelulares. Este conceito, que hoje nos parece simples, tem uma origem muito remota, sendo preciso recuar até ao século XVII, quando os primeiros instrumentos ópticos, como o microscópio, permitiram ao homem observar objectos muito pequenos de cuja existência nem se suspeitava.

Em 1665, o cientista inglês Robert Hooke (1635-1703), observando uma secção de cortiça ao microscópio, notara pequeníssimas cavidades semelhantes às de uma colmeia, a que chamou células. Seguiram-se muitas observações e pesquisas, mas só no século XIX se reconheceu a célula como a unidade funcional de todos os organismos vivos.

A teoria celular, formulada, por volta de meados do século XIX, por dois cientistas alemães, Mathias Schleiden (1804-1881) eTheodor Schwann (1810-1882), defendia que todos os seres vivos são constituídos por células (primeiro postulado), que a célula é uma espécie de “fábrica química” onde se realizam todos os processos necessários à vida do organismo (segundo postulado) e que cada célula deriva de uma outra célula (terceiro postulado).

O grande sucesso da teoria celular verificou-se na patologia e na fisiologia, com o estudioso alemão Rudolf Virchow (1821-1902), de formação médica, a deslocar o centro da doença dos tecidos para as células. A célula doente foi por ele considerada não como uma estrutura qualitativamente diferente, mas apenas como uma modificação da célula sã. Esta afirmação abriu caminho a pesquisas sobre a identificação das condições que alteram o estado normal de uma célula e a resposta da própria célula àquelas condições patológicas.

Onda de frio mata quase 140 pessoas na Europa e deixa milhares isolados


Onda de frio mata quase 140 pessoas na Europa e deixa milhares isolados

BBC Brasil

“Mulher caminha pela neve em parque na Ucrânia (Reuters)”

A onda de frio que vem atingindo a Europa nos últimos dias já deixou quase 140 mortos em todo o continente.

Um dos países mais atingidos é a Ucrânia, onde 101 pessoas morreram desde a sexta-feira passada, de acordo com o governo do país.

A maior parte dos mortos na Ucrânia é de sem-teto e 64 deles foram encontrados nas ruas, segundo informações do Ministério de Emergência.

Centenas de outras pessoas foram internadas com queimaduras devido ao frio, hipotermia e outros problemas relacionados ao clima.

Pelo menos outras oito mortes foram registradas na Polônia na quinta-feira, aumentando o total de mortos desde a semana passada para 37.

Na Itália, também muito atingida pela onda de frio, especialistas em meteorologia afirmam que este é o pior inverno no país nos últimos 27 anos.

Partes da Europa Oriental foram atingidas por temperaturas que chegaram a – 35º C graus e a onda de frio também atingiu a região central do continente e a Grã-Bretanha.

Isolamento

Além das mortes, a neve vem causando transtorno em vários países. Na Sérvia, pelo menos 11 mil pessoas estão isoladas devido à neve e tempestades em áreas montanhosas, segundo a agência de notícias Associated Press.

Mulher tenta se aquecer em abrigo mantido por instituição religiosa na Ucrânia (AFP)

AFP

BBC Brasil

“Mulher tenta se aquecer em abrigo mantido por instituição religiosa na Ucrânia (AFP)”

Na Ucrânia, os meteorologistas afirmam que as temperaturas devem chegar a -32º C nesta sexta-feira nas regiões norte e oeste do país.

As autoridades do país fecharam escolas e universidades além de abrir cerca de 3 mil abrigos com aquecimento e alimentos em todo o país.

As autoridades de saúde ucranianas instruíram os hospitais do país a manter internados os pacientes sem-teto, mesmo depois de receberem tratamento, para que eles sejam protegidos do frio.

O primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, anunciou que o país queimou 1 bilhão de metros cúbicos de gás em apenas três dias. A Ucrânia comprou da Rússia 27 bilhões de metros cúbicos de gás para todo o ano de 2012.

A fornecedora do produto, a Gazprom, já afirmou que a Ucrânia está excedendo o nível de consumo de gás previsto no contrato.

‘É um momento muito difícil para o país’, disse o primeiro-ministro.

Grã-Bretanha no frio

Em partes da Grã-Bretanha as temperaturas chegaram a – 11º C durante a noite de quinta para sexta-feira.

Carro virado na neve em estrada no norte da Espanha (AFP)

AFP

BBC Brasil

“Carro virado na neve em estrada no norte da Espanha (AFP)”

O Met Office, o centro nacional de meteorologia da Grã-Bretanha, já divulgou alertas que deverão durar até o domingo.

Há previsão de neve para o País de Gales, sudeste da Escócia e grandes áreas da Inglaterra no sábado. A região leste da Inglaterra deve chegar a ter entre cinco e dez centímetros de neve.

Organizações de caridade devem ficar em alerta, especialmente as ligadas aos cuidados com idosos e pessoas já portadoras de alguma doença.

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História Do Caribe


 

mapa de barbados

A história das Caraíbas começa a escrever-se desde 1492, ano do descubrimento por parte de Cristovao Colombo, sendo que antes, já a ilhas desta regiao encontravam-se povoadas. Os taínos foram os seus primeiros moradores, eram uma tribo oriunda do lugar que destacavam pela pesca e pela agricultura, e eram estupendos navegadores e guerreiros.

Também temos de destacar a história Maia da zona caribenha da América Central, com lugares como Tulum, como berço da cultura maia, a grande dominadora da zona até 1492, ano em que a história desta regiao mudou definitivamente. Até entao, os mais de 3 milhoes quadrados eram desconhecidos para europeus e asiáticos, tendo sido esse momento quando a história mudou esta regiao, quando Cristovao Colombo primeiro pôs pé numa ilha Caribenha numa expediçao financiada por Reis Católicos para procurar rotas alternativas à das Índias.
O desenvolvimento das Caraíbas nao se fez entao esperar, e rapidamente o comércio se fez dono e senhor deste lugar. Durante o Século XVI, cidades como Portobello desenvolveram-se até limites inesperados, gerando riqueza, feiras comerciais, intercâmbios e comércio que, ao fim e ao cabo, atraíam dinheiro para a zona, e também piratas, uma das formas de delinquência mais comuns no mar naquela época. É por isso que fortes e fortalezas começaram a proliferar e a ser erguidos na zona, como o Forte de Sao Lorenzo, no século XVI. Cartagena de Indias, La Habana, Portobelo, foram cidades que cresceram de forma rápida.
No século XVII, franceses e ingleses lançaram-se também à caça ou à conquista de territórios nesta zona do globo, os franceses ocuparam entao Martinica e Guadalupe, a Inglaterra fez o mesmo com os Barbados e a Jamaica, arrebatando-as a Espanha, que até esse momento era dona e senhora de todos os territórios caribenhos. Port Royal, na Jamaica, converteu-se num importante refúgio de Piratas, com nomes que ficaram nas memórias destas águas e destas ilhas, como Barba Negra, ou mesmo Drake ou Morgan.
No século XIX produz-se outro fenómeno que afectou sobretudo a Espanha, os processos independentistas das diversas ilhas caribenhas. Muitas ilhas começaram um processo que para a Espanha culminou com a perda de Cuba em 1898. No princípio do Século XX, Panamá separou-se da Colômbia e construiu-se o famoso Canal do Panamá.
No século XXI, as Caraíbas adoptaram uma carta única rubricada e assinada em Ilha Margarita, mediante a qual se constituiram em um lugar único, o qual havia que proteger, e nasceu entao as Caraibas como regiao.

Livros Harry Potter


 

Indicados aos People’s Choice Awards 2012.

 

Os organizadores do People’s Choice Awards divulgaram a lista dos indicados ao prêmio 2012, em 43 categorias do cinema, TV e música. A lista é formada pelos cinco profissionais e produções mais votadas em cada categoria pelos internautas, que desde o mês de outubro vêm indicando seus favoritos. Segundo os organizadores, o site registrou cerca de 40 milhões de votos.

Entre 8 de novembro e 6 de dezembro, os internautas deverão votar novamente em seus favoritos, escolhendo entre os cinco indicados o vencedor por cada categoria. Apenas as categorias “Nova Série Dramática” e “Nova Série Cômica” poderão continuar a receber votos até a véspera da cerimônia. Estas duas também trazem um número maior de indicados.

Contando com Kaley Cuoco (The Big Bang Theory) como mestre de cerimônias, a entrega do prêmio será realizada no dia 11 de janeiro, com transmissão americana pela CBS. Ainda não há informação de qual canal transmitirá o evento para o Brasil.

Confira os indicados de séries e filmes baseados em sagas literárias:

Série Dramática – TV Aberta:
The Good Wife
Grey’s Anatomy
House
Supernatural
The Vampire Diaries

Ator de Série Dramática:
David Boreanz por Bones
Hugh Laurie por House
Ian Somerhalder por The Vampire Diaries
Nathan Fillion por Castle
Patrick Dempsey por Grey’s Anatomy

Atriz de Série Dramática:
Blake Lively por Gossip Girl
Ellen Pompeo por Grey’s Anatomy
Emily Deschanel por Bones
Eva Longoria por Desperate Housewives
Nina Dobrev por The Vampire Diaries

Série Dramática – TV a Cabo
Dexter
Game of Thrones
Pretty Little Liars
True Blood
White Collar

Série de Ficção e Fantasia:
Fringe
Supernatural
True Blood
The Vampire Diaries
The Walking Dead

Nova Série Dramática:
A Gifted Man
Grimm
Hart of Dixie
Once Upon A Time
Pan Am
Person of Interest
Prime Suspect
Revenge
Ringer
The Secret Circle
Terra Nova
Unforgettable

Filme favorito:
Harry Potter e as relíquias da Morte: Parte 2
Missão madrinhas de casamento
Histórias cruzadas
Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas
Transformers: o lado oculto da lua

Filme de ação favorito:
Velozes e Furiosos 5
Harry Potter e as relíquias da mote: parte 2
Thor
Transformers: o lado oculto da lua
X-Men: primeira classe

Elenco de filme favorito:
Missão Madrinha de Casamento
Harry Potter e as Relíquias da morte: parte 2
Se beber, não se case! 2
Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas
X-Men: Primeira Classe

Melhor adaptação de livro:
Harry Potter
Histórias cruzadas
Eu sou o número 4
Coragem de viver

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Partes 1 e 2 concorrem entre si no British Academy Children’s Awards

Ambos filmes da última parte da saga Harry Potter estão concorrendo ao British Academy Children’s Awards 2011, uma premiação anual organizada pela British Academy of Film and Television Arts (BAFTA) que premia a arte da imagem em movimento destinada ao público infantil.
Confira abaixo a lista dos indicados para a categoria Cinema:

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 – David Heyman, David Yates, David Barron, Steve Kloves (Warner Bros Pictures)
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – David Heyman, David Yates, David Barron, Steve Kloves (Warner Bros Pictures)

Kung Fu Panda 2 – Melissa Cobb, Jennifer Yuh Nelson, Jonathan Aibel, Glenn Berger (Dream Works Animation/Paramount Pictures)
Enrolados – Roy Conli, Nathan Greno, Byron Howard, Dan Fogelman (Walt Disney Studios/Walt Disney Studios Motion Pictures UK)

A premiação ocorre no dia 27 de novembro, em Londres.

 

Harry Potter e a Pedra Filosofal de graça em novo e-reader

De acordo com Graeme Heil, do The Bookseller, a versão em inglês de Harry Potter e a pedra filosofal poderá ser baixada gratuitamente por quem comprar o novo Sony reader, que deve chegar às lojas na Europa em outubro – primeiro no Reino Unido. Nos Estados Unidos o novo aparelho deve custar US$ 149.

O e-reader, com conexão wi-fi, também permitirá que seus usuários emprestem livros de bibliotecas, via Overdrive. O site também informa que o novo modelo de e-reader da Sony será construído em material plástico e terá 2GB de memória (que pode ser ampliado com um memory card), o que permite o armazenamento de cerca de 1.200 livros. A Sony anuncia também tela multitouch e web browser integrados ao novo equipamento.

Box com todos os filmes da série “Harry Potter” chegará às lojas em novembro.

O momento que todo fã de Harry Potter esperava está perto: o box com os oito filmes da saga. Hoje saiu a primeira imagem do que será tal item, coisa de colecionador, hein? Ele será lançado em novembro e terá versões em DVD e Blu-ray.

A imagem foi divulgada pela Amazon da França e o box terá 16 discos. A caixa é linda, toda preta com uma varinha na parte de cima para você abrir. Ao que parece, esse box só será vendido pela Amazon – e mais nenhum lugar do mundo. O preço é de 199 euros e a data específica de lançamento é dia 30 de novembro. O filme ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2′ deve chegar ao mercado mundial alguns dias antes, mas sem fazer parte de nenhum box.

Assim que sair mais detalhes, a gente divulga. Mas quem não desejou isso que atire a primeira pedra

Lançamento Livros


Confira abaixo a lista de livros em série que serão lançados pela editora Novo Século no final dessa semana.

Ficar preso em um quarto com uma mulher é algo formidável. Ficar preso em centenas de quartos durante mais de dois mil anos não é. E ser amaldiçoado dentro de um livro como um escravo sexual pela eternidade pode arruinar até mesmo o dia de um guerreiro espartano. Como escravo sexual, eu sabia tudo a respeito das mulheres. Como tocá-las, como saboreá-las e, principalmente, como satisfazê-las. Porém, quando fui evocado para realizar as fantasias sexuais de Grace Alexander, encontrei a primeira mulher na história que me enxergou como um homem com um passado atormentado. Só ela se importou em me tirar do quarto, levando-me para o mundo. Ela me ensinou a amar outra vez. Mas eu não nasci para conhecer o amor. Fui condenado a uma solidão eterna. Como general, eu tinha aceitado minha sentença havia muito tempo. Porém, agora encontrei Grace… a única coisa sem a qual meu coração ferido não é capaz de sobreviver. Com certeza, o amor pode curar todas as feridas, mas poderá também romper uma maldição de dois mil anos?” Julian da Macedônia ´”Comovente e engraçado, Amante da Fantasia é uma história envolvente que fará você rir e se emocionar. Desde Xena, a Princesa Guerreira, os deuses não são tão divertidos!” Susan Krinad, autora de Secret of the Wolf.
Lançamento: 20/01/2012

Enola não gosta de apressar um cliente ou um caso. Mas quando ela encontra uma jovem conhecida segurando um leque rosa, ela é obrigada a atuar imediatamente – pois a garota é sua velha amiga, Srta. Cecily, e os sinais são de que ela está correndo um perigo terrível! Não há tempo a perder. Mas qual é o problema, exatamente? E como Enola poderá ajudá-la? Depois de seguir tantas pistas que não levaram a lugar nenhum, Enola enfim descobre que a jovem senhorita está sendo mantida prisioneira em um orfanato escondido, e que se não for resgatada, será forçada a um triste casamento! Para complicar ainda mais, Enola vive trombando (literalmente), com Mycroft e Sherlock por toda a Londres. Se Enola, para salvar a Srta. Cecily não juntar forças com seus irmãos, os quais ela luta desesperadamente para despistar, sua liberdade correrá perigo… mas, se ela não pedir a ajuda de Sherlock, será sua velha amiga que estará condenada!
Lançamento: 20/01/2012

Para Enola, que tem saudades de sua mãe ausente e continua fugindo de seus irmãos mais velhos, parece ser fundamental em sua vida o fato de que seu nome de trás para frente se soletre Alone, ou seja, sozinha, em inglês. Seus dias em Londres são solitários, e ela conhece pouquíssimas pessoas, com exceção de sua senhoria, Sra. Tupper. Que apesar de quase surda, e péssima cozinheira, é muito afetuosa – na verdade o mais próximo que Enola tem de uma família nestes dias. Então imagine seu horror quando ela descobre que a Sra. Tupper foi sequestrada? Quem a levou, e por quê? E o que Florence Nightingale tem a ver com isso? Parece que há mais coisas sobre a bondosa Sra. Tupper do que o olho poderia dizer. E sem se importar com o risco, Enola não descansará até que sua querida Sra. Tupper esteja a salvo em casa. E quem quer que a tenha levado, é melhor se cuidar – porque desta vez, é pessoal.
Lançamento: 20/01/2012

Enola descobre que a Duquesa Blanchefleur desapareceu. Durante sua ininterrupta procura, se depara com uma cigana que possui um colar muito conhecido. Enquanto isso, Sherlock é chamado até a mansão para averiguar um pacote misterioso. E Mycroft zela pela integridade moral da família Holmes. Em encontros e desencontros Sherlock e Enola e até mesmo Mycroft continuam se trombando em Londres buscando as mesmas informações: o paradeiro de Eudoria Holmes, a mãe desaparecida há um ano. Enola terá desafios: desvencilhar-se de seu destino; esconder-se de seus irmãos inteligentes; encontrar a Duquesa e lidar com sentimentos desafiadores.
Lançamento: 20/01/2012

Imagine se você fosse o presidente dos Estados Unidos. Agora imagine se você precisasse de alguém para cuidar de sua segurança. Há ameaças por toda parte e ninguém é digno de confiança… Tudo isso já é suficientemente complicado, mas a história não termina por aí… O presidente está em perigo, tem sido ameaçado por forças sobrenaturais! Para se proteger terá de apelar para um auxílio para lá de especial, um agente com experiência de 160 anos: Nathaniel Cade, um vampiro que jurou defender os chefes de governo em um Juramento de Sangue feito há 140 anos…
Lançamento: 20/01/2012

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